Internet

Homem pateta é o novo ataque a crianças nas redes sociais

A Polícia Federal deu dicas aos pais para evitar que os filhos tornem-se vítimas desse tipo de investida no ambiente virtual

por Victor Gouveia | seg, 29/06/2020 - 08:09

Após a baleia azul e a boneca momo, um novo ataque na internet alerta os pais e as autoridades, que já monitoram contas no Facebook em busca do 'homem pateta'. Em conversas privadas, a imagem humanizada do personagem da Disney ameaça e tenta induzir as crianças ao suicídio.

A Polícia Federal (PF) explica que os menores estão mais vulneráveis no cenário atual por passar mais tempo conectadas devido a suspensão das aulas presenciais. O perfil falso identifica-se como Jonatan Galindo e envia vídeos, textos, áudios e até realiza chamadas de vídeo para propor desafios. Ele ensina técnicas de mutilação e suicídio, e ameaça as vítimas para que a conversa seja excluída.

A primeira conta do homem pateta surgiu no México, em 2017, e diversos perfis já foram criados com esse nome, no entanto, ainda não houve vítimas no Brasil, informa a PF. A repercussão fez com que, em dezembro 2019, a Câmara dos Deputados aprovasse a Lei 13.968, que aumentou as penas para quem estimular automutilação e incitar o suicídio de menores.

"Uma criança sozinha no meio da rua de madrugada é vulnerável e está sujeita a todo e qualquer risco. Na internet é a mesma situação", reforça a PF em comunicado. Para evitar que o homem pateta faça vítimas no Brasil, a polícia propôs uma série de dicas de segurança. Acompanhe:

- Vínculo de amizade e confiança com os filhos: Gaste pelo menos dez minutos com seu filho para saber como foi o dia dele com perguntas do gênero: Como foi o seu dia hoje? Conheceu novas amizades? Notou alguma coisa ou alguém estranho próximo de você? Ficou chateado com alguém? Alguém postou algo esquisito ou estranho em seu perfil do Facebook? Tais perguntas vão proporcionar cumplicidade e um hábito extremamente saudável entre pais e filhos. Ao menor perigo, a criança vai procurar os pais;

- Conhecimento sobre internet e redes sociais: Não precisam ser usuários assíduos ou experts das redes sociais, mas sim conhecê-las e entender como funciona. Crie uma conta para conhecer os mecanismos e instruir seus filhos;

- Supervisão do acesso: Proibir muitas vezes não educa e nem previne. O melhor caminho é o diálogo e a orientação. Quando o diálogo entre pais e filhos é natural, a amizade entre eles no meio digital se torna uma extensão da relação doméstica. Entre regularmente no perfil do seu filho para ver o que ele tem postado e com quem tem iniciado amizades. A senha deve ser acionada apenas se houver indícios sérios de que algo está errado e com consentimento do jovem;

- Conscientização para proteger dos perigos: Não colocar informação pessoais em demasia tais como: números de documentos, endereço residencial ou da escola, nome dos pais, foto da frente de casa, foto do carro com a placa exposta, da fachada do colégio, fotos com rol de amigos e jamais adicionar quem não se conhece;

- O computador em um local visível da casa: A máquina deve ficar em um cômodo exposto para que em qualquer momento possa ser visualizado o que a criança está acessando;

- Proíba muito tempo de exposição na internet: Alguns adolescentes ultrapassam a linha da normalidade rumo à compulsão. Neste caso ofereça alternativas ao seu filho, como passar tempo juntos em cinemas, corridas, teatros, restaurantes, shoppings, parques, praias e etc;

- Não postar fotos em excesso: Evite expor suas fotos íntimas ou com pessoas, carros com placas expostas, casas, escolas;

- Jamais inclua desconhecidos aos contatos: Cabe aos pais alertar sobre a presença de perfis falsos, pedófilos e grupos com conteúdo inadequado nas redes sociais. Mantenha apenas na lista de contatos pessoas que conhece fora do ambiente virtual;

- A privacidade e a intimidade devem ser preservadas: Nunca confie cegamente em namorados, amigos, parentes, vizinhos, e colegas de trabalho repassando, compartilhando, filmando ou cedendo para eles registros íntimos de fotos ou vídeos feitos em aparelhos celulares ou qualquer outro mecanismo de gravação.

Foto: Divulgação/Polícia Federal


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