O chefe do sistema hospitalar de Paris, Martin Hirsch, questionou, na última quarta-feira (26), se as pessoas que se recusam a se vacinar contra Covid-19 devem continuar tendo o tratamento coberto pelo seguro de saúde pública. 

Na França, todos os pacientes que testam positivo para Covid-19 e acabam em terapia intensiva têm seus tratamentos totalmente cobertos. O custo médio do tratamento é de cerca de 3 mil euros, aproximadamente R$ 18.060 mil por dia, que costuma durar entre sete a 10 dias.

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Em entrevista a uma televisão francesa na última quarta-feira (26), Martin Hirsch tocou no assunto. "Quando medicamentos gratuitos e eficientes estão disponíveis, as pessoas devem poder renunciar a eles sem consequências (...) enquanto lutamos para cuidar de outros pacientes?", disse. 

De acordo com o chefe do sistema de hospitais AP-HP de Paris, a questão foi levantada pela explosão nos custos de saúde causada pelo comportamento irresponsável de alguns que não deve comprometer a disponibilidade do sistema para os outros. 

Políticos de extrema-direita pediram a demissão de Hirsch e vários profissionais de saúde franceses já rejeitaram a proposta. Inclusive a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que preside o conselho da AP-HP e é candidata às eleições presidenciais deste ano, discorda da proposta. Uma hashtag pedindo a demissão do chefe dos hospitais estava em alta no Twitter na França. 

Por sua vez, o ministro da Saúde, Olivier Veran, não comentou a declaração de Hirsch. Mas a legisladora do partido LREM, do presidente Emmanuel Macron, Olga Givernet, disse na BFM TV, na quinta-feira (27), que "a questão levantada pela comunidade médica não pode ser ignoraa". 

Uma pesquisa feita em meados de janeiro pela IFOP mostrou que 51% dos franceses consideravam justificado que as pessoas não vacinadas que acabam em terapia intensiva deveriam pagar parte ou toda a conta do hospital.

Já o parlamentar conservador do Les Républicains, Sebastien Huyghe, que teve o projeto para fazer os não vacinados pagarem parte de seus custos médicos rejeitado pelo parlamento, disse que a ideia não era rejeitar os não vacinados nas enfermarias de terapia intensiva, mas fazê-lo pagar uma contribuição mínima para o custo de seus cuidados. 

A proposta do parlamentar é semelhante ao que ocorre em Singapura, na Malásia, onde quem recusa se vacinar deve pagar pelo seu tratamento médico. O país asiático tem uma das maiores taxas de vacinação do mundo. A conta de não vacinados que precisam de cuidados intensivos no país é de cerca de US$ 18.550.

Por Alice Albuquerque