Na sessão ordinária da Câmara dos Vereadores de Olinda desta terça-feira (5), o vereador Vinicius Castello (PT), em resposta a ‘ataques’ sofridos na Casa por ser gay, disse não se sentir acuado por ser chamado “travesti, de gay, de lésbica” e evidenciou: “Eu sou bicha mermo e não estou preocupado com isso, não”. 

“Eu não entendo essa necessidade, esse tesão, essa vontade de querer constantemente me evidenciar enquanto uma pessoa LGBT como se eu tivesse vergonha disso ou fosse algo desprezível. Isso acontece porque, eu acredito que quando a direita conservadora nota que existe um parlamentar muito comprometido com a população e o nome dele é espalhado de uma maneira boa em relação a tudo o que se é feito e os trabalhos, a única maneira de me atacar é falando sobre a minha sexualidade”, afirmou. 

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O petista é o primeiro negro LGBTQIA+ a ocupar uma vaga na Casa e, em 2021, antes de completar um ano de mandato, ele conquistou o título de parlamentar que mais aprovou leis antirracistas em Pernambuco. Vinicius também é responsável por ser autor da primeira lei no Brasil que proíbe homenagens a escravocratas e ditadores, acatado por unanimidade.

Na ocasião, ele relembrou o que disse no seu primeiro discurso na Câmara após tomar posse da cadeira de vereador de Olinda. “Não sei se vocês se recordam, mas eu cheguei a falar no dia do meu primeiro discurso, em alto e bom tom, que eu sei o que o meu corpo acarreta nesses espaços, que eu sei a quem estou defendendo e, principalmente, sei quem são as pessoas que irão se incomodar com a minha presença nesses espaços”, cravou. 

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“E volto a repetir que não devo satisfação para quem tem preconceito e acha que eu tenho que ficar acuado porque estão me chamando de travesti, de gay, de lésbica, de tudo, sabe. Eu fico rindo porque isso não me atinge. Já me atingiu quando eu tinha 16 anos e era um adolescente que não entendia sobre a vida”. 

O parlamentar afirmou que o seu mandato não se resume à sua sexualidade, mas ao seu trabalho, que é o que importa. “Se vocês quiserem me criticar, por gentileza, analisem o meu trabalho, critiquem a minha atuação”, pediu. Em seguida, ele ressaltou que “se você estiver me chamando de bicha por aí, eu vou agradecer. Eu sou bicha mermo e não estou preocupado com isso, não. Só que eu estou aqui constantemente falando de políticas públicas, e existem pessoas que normalmente não tem segurança sobre a sua sexualidade e precisa ficar reforçando que existe um vereador LGBT na Câmara de Olinda. E daí?”, questionou. 

“Superem isso, estamos em um ano e meio de mandato e ainda tem gente preso na sua ignorância, na sua prepotência, e a única coisa que eu tenho a dizer é que essa bicha vai continuar avançando, essa bicha vai continuar trabalhando e eu não estou preocupado com as caras feias, comentários e qualquer tipo de gente preconceituosa, porque vão continuar me engolindo e eu estou super tranquilo em relação a isso”, assegurou. 

Ao finalizar seu discurso, o parlamentar fez um apelo “a quem quer cuidar”. “Vá cuidar da sua vida, porque a minha está bem cuidada, consolidada e não vão ser os comentários que vão parar a minha existência e a minha luta”. 

Mais que nos outros dias, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é importante ressaltar a ausência da representatividade feminina e preta em cargos de poder, como no legislativo e no Executivo, ainda que tenha tido um avanço da ocupação dessas cadeiras após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL). Desta forma, a liderança na luta por moradia de Caranguejo Tabaiares, Sarah Marques, explicou que a mulher preta periférica teve que sair do protagonismo dentro da comunidade e ir para a rua.

"A gente precisou ir para a luta porque não tinha ninguém que nos representasse no legislativo e nem no Executivo, quando a Prefeitura se aliou ao poder imobiliário e quis tirar a nossa moradia. A comunidade de Caranguejo Tabaiares é localizada na Ilha do Retiro, Zona Oeste do Recife.

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Para Sarah, a representação de mulheres pretas e periféricas na política significa uma possível mudança de mundo. "Só sabe lutar por comida quem passa fome. Só sabe lutar por melhor distribuição de renda quem deixa os filhos com fome para ir à luta. Essa representatividade feminina é muito importante, porque nós vivemos a cidade de outro jeito, de outras formas, seja na segurança pública, na forma de andar na cidade, que é diferente da forma dos homens. As dores das mulheres negras sendo representadas no legislativo, executivo e judiciário transforma o mundo. Só nós sabemos a dor de uma cidade esquecida", salientou.

Mesmo sendo 52,5% do eleitorado, as mulheres negras têm apenas 15% das vagas no parlamento brasileiro nas eleições de 2018 e 2020. 

"Sempre estamos em duas cidades: uma pavimentada e organizada, e uma esquecida. Sejam cidades que tenham quilombolas, favelas, aldeias, que nessa parte somos as mulheres negras que chefiam as famílias com pouco dinheiro", disse. 

Marques declarou que não é de agora que as mulheres entenderam a importância e necessidade de entrar na política, "sempre tivemos nas discussões". "Mas a gente nunca era quem representava. Aqui no Brasil a última que ousou ser mais protagonista foi Marielle, e eles a mataram para calar outras vozes mas, na eleição seguinte, conseguimos eleger muito mais mulheres negras no parlamento. A gente tá ousando ser protagonista mesmo com toda ameaça. É importante que nossas meninas e meninos das comunidades vejam que as mulheres não protagonizam apenas seus lares, temos condições também de sermos protagonistas na política, nas discussões e na execução de política", ressaltou. 

Questionada se o partido político interfere na atuação política, Sarah foi direta: "as alianças dos partidos não são o que representam as mulheres negras, as faveladas". "Às vezes a formação do partido é de uma linha que não vai de encontro com as nossas pautas. Quando as mulheres têm condições de serem protagonistas da sua própria história, de bancar a sua vida de outras formas, ela consegue mexer na política sem ser apenas partidária. Mas é preciso ter mulheres dentro dos partidos, mulheres negras, que tenham firmeza, já que muitas siglas não seguem a nossa linha de defesa por sermos mulheres negras periféricas". 

Ela chamou atenção para o olhar não apenas para as mulheres intelectuais, mas para todas elas. "Os partidos precisam olhar para as mulheres negras e periféricas, não só as intelectuais, que estão nas universidades ou fizeram universidade, mas as que levantam cedo para varrer a sua casa, defender seu território. Na pandemia, por exemplo, mulheres negras fizeram a frente de combate à fome, à Covid-19, e muita gente só se alimentou na pandemia porque elas estavam de frente a essas discussões", pontuou. 

O Centro das Mulheres do Cabo (CMC) organiza, para as 15h desta terça-feira (8), um ato político com o tema “Mulheres Unidas por Mais Direitos, Poder e Representatividade na Política”. A manifestação, que marca o Dia Internacional da Mulher, acontecerá em frente à Praça da Estação, no Centro do Cabo de Santo Agostinho. 

Segundo a membra do CMC e coordenadora do Comitê de Monitoramento da Violência e do Feminicídio no Território Estratégico de Suape (COMFEM), Izabel Santos, as mulheres ocupam menos do que 15% dos cargos de chefia e estão subrepresentadas na política partidária mesmo sendo a maioria do eleitorado brasileiro.

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“Somos mais de 52,5% da população e não ocupamos de forma igualitária as câmaras, prefeituras, assembleias, congresso, senado e a presidência, pois estamos na luta incessante para nos elegermos e termos o direito de sermos eleitas e respeitadas como parlamentares, porque sofremos as diversas violências de gênero nesses espaços”, afirma Izabel.

A manifestação também celebra os 90 anos do voto feminino e cobra direitos das mulheres que ainda não foram efetivados em razão de políticas públicas de saúde, educação, segurança, trabalho e renda. O ato é apoiado por Secretaria Executiva da Mulher do Cabo, Associação Mulheres em Ação (AMA), União Brasileira de Mulheres (UBM) e o Grupo Mulheres de Negócios.

Giovanna Ewbank costuma encantar seus seguidores com clicks dos filhos, Titi, Bless e o caçula Zyan. Neste domingo (19), no entanto, o encantamento parece ter sido maior ainda pela simbologia e importância de um momento vivido pela herdeira da apresentadora. A pequena Titi finalmente realizou o sonho de conhecer sua ídola, a cantora Iza, e a mamãe emocionada compartilhou tudo pelas redes sociais com uma mensagem sobre um tema importante: representatividade.

Na postagem, Gio conta que a filha sempre sonhou em conhecer Iza, a quem tem como “referência e inspiração na vidinha de oito anos dela”. O esperado momento enfim chegou, durante a festa de aniversário do irmão, Bless, e a alegria e emoção da menina foram capturadas pelas fotos que sua mãe compartilhou com os seguidores.

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Na legenda, a apresentadora se derreteu e falou sobre a importância desse encontro na vida da menina. "Ontem ela finalmente pode abraçar forte essa mulher tão maravilhosa que inspira tantas meninas e mulheres pretas como a minha filha! Foi emocionante ver a tamanha felicidade da Títi, confesso que chorei, de amor, alegria e orgulho de ter uma mulher tão linda, generosa, poderosa e potente inspirando minha filha”.  

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Nos comentários, os fãs da família se mostraram emocionados e até os amigos mais íntimos se derreteram pelos registros. A atriz Taís Araújo revelou que Iza também é referência de sua filha, Maria, e aproveitou para deixar seus elogios à cantora. “Ela é um acontecimento. Maria também pira com ela! Que bom termos a Iza na vida das nossas meninas! Viva Iza e toda sua potência”.

Às vésperas do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, a atriz Juliana Caldas teceu duras críticas ao filme da Netflix 'Amor sem medidas', protagonizado por Leandro Hassum e Juliana Paes. Chorando, a artista disse não ter se sentido “representada” pela trama que aborda o nanismo e chamou as piadas contidas no roteiro de “capacitistas” e “ridículas”.

Juliana Caldas ficou bastante conhecida pelo grande público ao interpretar Estela, na novela ‘O Outro Lado do Paraíso”, uma jovem que era maltratada pela mãe por ser anã. No Instagram, a atriz publicou um vídeo falando sobre a nova produção da Netflix, estrelada por Hassum, e chorou a classificar o longa como “capacitista”.

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Segundo Juliana, a produção aborda o nanismo de forma pejorativa e depreciativa, trazendo muitas piadas preconceituosas. Além disso, o personagem principal da história, interpretado por Leandro Hassum, foi vivido por um ator que não é portador de nanismo, o que exigiu o uso de computação gráfica para que o artista aparecesse na tela como se o fosse. “A gente fala tanto da importância da representatividade no mundo só que, tô aqui dando minha opinião como pessoa e como artista. Eu não me senti em nenhum momento do filme representada, primeiro porque a pessoa que faz o personagem que tem nanismo não é uma pessoa que tem nanismo, e depois, a maior parte do filme tem piadas capacitistas e não dá pra aceitar isso”.

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A atriz disse ainda que não conseguiu ver o filme completo e chorou ao afirmar que o nanismo “não é levado a sério”. Ela também cobrou mais empatia das pessoas e mencionou o ‘Dia Internacional da Pessoa com Deficiência’ para justificar a importância de seu apelo. “Quando a gente fala, aborda no humor, sobre o nanismo a maior parte das vezes é nessa forma de piada e totalmente capacitistas e preconceituosas. não dá mais pra aceitar hoje um filme que faz você sentar e rir disso, rir dos outros, rir da condição do outro, da deficiência. Não dá pra passar batido a falta de respeito com o próximo”. 

 

Mauro Sousa, filho do cartunista Maurício de Souza, Mauro de Souza, defende a criação de um personagem homossexual na Turma da Mônica ventilada pelo seu pai. Durante entrevista, ele disse que a diversidade sempre esteve presente nas histórias do grupo e que seria um “carinho” da parte dele a criação de um personagem gay inspirado no próprio filho. 

Mauro falou sobre a possível criação do novo personagem, durante entrevista à Revista Veja.. “É uma ideia linda e um gesto de amor e carinho do meu pai. A diversidade sempre esteve presente na Mauricio de Sousa Produções. São mais de 400 personagens de várias idades, etnias, enfim, cada um do seu jeitinho. Não será diferente agora, mas, com certeza, sinto que falta um personagem gay.”

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O filho de Maurício de Souza disse também que cresceu um tanto “solitário” pela falta de representatividade LGBTQIA+ nas histórias em quadrinho, quando era criança, e afirmou que a presença do tema nos mais diversos espaços não é capaz de influenciar ninguém em suas escolhas e preferências. “É simples: a sexualidade não é influenciável, nem dá para se converter. Eu não virei gay. Eu nasci gay. Argumentos como esses não têm fundamento algum.  Uma referência bem-feita e bem pensada sobre sexualidade e suas ramificações teria feito com que eu fosse uma criança mais feliz e tranquila”. 

 

Na noite do último domingo (10), Santa Catarina conheceu a primeira mulher negra a vencer seu concurso regional do Miss Universo. Bruna da Silva Valim, de 27 anos, representante do município Otacílio Costa, foi a candidata coroada e vai representar o Estado na etapa nacional do concurso, em novembro deste ano. 

Bruna é modelo, atriz e, atualmente, trabalha em uma startup de educação financeira em Itapema, no Vale do Itajaí. Ela já havia participado de outros concursos de Miss e chegou a ficar em segundo lugar no Miss Universo Santa Catarina 2020, realizado em agosto de 2019, em Balneário Camboriú.

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Pelo Instagram, a modelo celebrou a vitória e falou sobre as dificuldades de chegar até ali. “A jornada até o Miss Universo Santa Catarina teve momentos solitários, em que me encontrava longe de quem sempre esteve perto em momentos tão importantes. Um dia antes, arrumando tudo sozinha, chorei muito sentindo o peso dos momentos solitários e de outras dificuldades. Meu coração está cheio de alegria, Deus ouviu as preces da menina Bruna, que sonhou a vida inteira com esse momento”. 

O Miss Alemanha 2021/2022 começou. Mas, o que isso tem a ver com nós brasileiros, sobretudo, os pernambucanos? Explicamos: entre as 160 candidatas que disputam uma vaga na primeira fase do concurso está Domitila Barros, modelo nascida e criada na periferia do Recife, na comunidade da Linha do Tiro, que há cerca de 15 anos vive e trabalha no país europeu. Após conseguir entrar na disputa, ela tem feito uma verdadeira campanha, através de suas redes sociais, chamando os conterrâneos para participar da votação popular do evento, que pode garantir sua passagem para a próxima etapa da seleção. 

Além de modelo, Domitila é atriz, empreendedora social, cantora, compositora e influenciadora ambiental (greenfluencer). Ela é criadora de uma marca de moda sustentável, a She Is From The Jungle (Ela é da Selva, em tradução livre) e, à distância continua a trabalhar na ONG Centro de Atendimento a Meninos e Meninas (CAMM), fundada por sua mãe há mais de 30 anos na sua comunidade, Linha do Tiro, localizada na Zona Norte do Recife. 

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O currículo da brasileira deu ‘match’ com a premissa do Miss Alemanha, que prioriza os feitos das candidatas à sua beleza física. O concurso busca mulheres que estão atuando de forma positiva na sociedade e que possam servir de inspiração para transformar a realidade a partir de suas narrativas e exemplos. Em seu Instagram, a pernambucana disse o motivo de ter entrado na disputa. “Eles estão procurando uma mulher que seja referência, uma mulher que esteja tentando mudar o mundo positivamente com atitude e diversidade. Eu super me identifiquei, me candidatei e foi tudo muito rápido”. 

Agora, Domi, como é chamada pelos amigos, está entre 160 candidatas que buscam pelo voto popular para conseguirem uma vaga na próxima etapa da seleção. “Desde que as eleições virtuais começaram, eu não durmo. É uma agonia porque eu sou atacada. Mas estou muito feliz, estou muito grata por cada um que está votando”, brincou a brasileira em um vídeo de seus stories.

Domitila já alcançou três pontos na votação popular e precisa totalizar cinco para ficar entre as 80 candidatas que seguirão na disputa. A votação ficará aberta, no site oficial do concurso, até a próxima segunda (18), às 9h (horário do Brasil). A grande final do Miss Alemanha acontece em 19 de fevereiro de 2022, quando a vencedora receberá a faixa e a coroa. 

Para votar, é preciso selecionar os cinco símbolos amarelos. Imagem: Reprodução
 

A Globo anunciou, nessa terça-feira (28), o fim de Malhação após 27 temporadas da telenovela adolescente. Ainda não se sabe que programa substituirá na programação do fim de tarde do canal. A 28ª temporada da atração já estava sendo roteirizada e por conta da pandemia seria uma versão reduzida. “Eu Quero Ser Feliz” estava sendo escrita pelos autores Eduardo Carvalho e Marcos Carvalho, gêmeos conhecidos como Irmãos Carvalho, que seriam os primeiros negros a roteirizar uma temporada da obra.

Na versão dos irmãos, o elenco ainda não havia sido decidido e o enredo se passaria na pior escola do Rio de Janeiro, que estaria fechando as portas. Durante a novela, os alunos teriam que se juntar para impedir que de fato acontecesse. Além dos autores, a ideia era ter 70% do elenco negro, fato que após o cancelamento, gerou críticas do público a emissora.

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 “Globo cancelou a Malhação, na temporada que seria roteirizada pelos Irmãos Carvalho, dois roteiristas negros... aí quer falar em representatividade”, escreveu um fã do programa no Twitter.

Maioria negra dessa vez não agradou 100% o público

A ideia da versão “Eu Quero Ser Feliz” ter 70% do elenco sendo negro agradou, mas rapidamente desagradou após verem o enredo. “Pelo enredo, está explicado porque tantos negros. A Globo não dá ponto sem nó”, escreveu um internauta nas redes sociais. “Pelo enredo foi melhor ter cancelado mesmo”, escreveu outro.

Uma internauta refletiu sobre se o enredo fosse inverso. “Engraçado que se fosse sobre a melhor escola do país, 99% do elenco seria formado por brancos, mas como é algo ruim, aí colocam 70% negros e os outros 30% professores, políticos e playboys serão brancos”, avaliou.

 

A falta de representatividade dos grupos que compõem a população brasileira na política e a diminuição da participação popular em conselhos de políticas públicas a partir de 2019 são entraves para que o Brasil reduza a desigualdade social, aponta relatório da Oxfam Brasil que será divulgado nesta segunda-feira - a entidade integra uma rede que estuda desigualdade e direitos humanos em cerca de 90 países no mundo.

O estudo - Democracia Inacabada: um retrato das desigualdades brasileiras - aponta como entraves no combate à desigualdade no País impactam na reduzida proporção de mulheres, negros e integrantes de extratos inferiores de renda entre políticos eleitos às casas legislativas e executivos no Brasil em relação à parcela desses grupos na população brasileira.

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"A desigualdade política tem impacto na desigualdade econômica, que se acentua à medida que as elites decisórias seguem não refletindo as demandas da diversidade de seus representados", diz o estudo.

Entre os fatores que contribuem para essa disparidade, segundo o relatório, estão a concentração do financiamento de campanha em candidatos tradicionais, que, na maioria, representam parte do topo da pirâmide social, e a composição hierárquica partidária controlada por esse mesmo grupo.

"O sistema político hoje desincentiva a participação dessas pessoas e tem mecanismos que dificultam a sua participação", afirma o coordenador de Pesquisa e Incidência em Justiça Social e Econômica da Oxfam, Jefferson Nascimento.

Em 2018, apesar de o País ter registrado o maior crescimento de mulheres eleitas à Câmara dos Deputados desde a redemocratização, a proporção ficou em 15% de mulheres para 85% de homens escolhidos para cadeiras do Parlamento.

Já a representatividade de negros e indígenas na Casa foi de 24,76%, ante 75,05% de brancos. Em relação à população do País, 51,8% são mulheres e 53,6%, negros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o repasse de quantidade proporcional à de candidatos de recursos dos fundos eleitoral e partidário, além da distribuição do tempo de TV e rádio equivalente.

Distorção

"Se temos um Congresso tão distorcido em relação à população, essa população vai sofrer em termos de políticas públicas e investimento e isso vai aprofundar as desigualdades já existentes. É um ciclo perfeito. Quem está decidindo são os mesmos grupos", avalia a cientista política e professora da UFRJ Hannah Maruci.

A falta de apoio partidário foi uma das maiores dificuldades que Aline Torres, de 35 anos, diz ter enfrentado quando disputou o cargo de deputada federal em 2018 e de vereadora em São Paulo em 2020.

Negra e da periferia da capital paulista, a coordenadora de políticas públicas, que participou de movimentos do PSDB desde os 18 anos, afirmou que o recurso recebido para sua campanha foi muito mais baixo do que o de outras mulheres que se elegeram, tanto na eleição geral, quando concorreu pela sigla tucana, quanto na municipal, disputada pelo MDB.

Em ambos os anos, o recurso usado por Aline nas campanhas, segundo declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi de cerca de R$ 110 mil.

Entre as deputadas federais eleitas pelo PSDB em 2018, essa quantia variou entre R$ 741 mil e R$ 2,5 milhões. E em 2020, o MDB não elegeu nenhuma mulher para a Câmara Municipal de São Paulo.

O PSDB afirma que "cumpriu integralmente" a legislação de cotas às mulheres. "O partido teve 300 candidatas em 2018. Todas receberam recursos, de acordo com critérios preestabelecidos, entre eles, participação nas atividades partidárias e exercer ou ter exercido mandato", diz a nota do partido.

Para a para a diarista Andreia Lima, de 45 anos, que tentou uma vaga na Câmara Municipal de Curitiba no ano passado em uma candidatura coletiva pelo PT, a principal dificuldade foi ter recebido o recurso do partido a três dias da eleição - isso representou cerca de 90% dos R$ 40 mil usados na campanha. O PT disse que o número de eleitas aumentou em mais de 20% na comparação entre 2020 e 2016.

Além da distribuição de recursos partidários, a disponibilidade de recursos próprios e patrocínio também cumpre papel relevante na acentuação da desigualdade de condições de competição, na avaliação do cientista social e pesquisador da FGV Marco Teixeira. "Não por acaso quase metade dos parlamentares vem do agronegócio ou de grupos econômicos bem posicionados. Não se faz política sem dinheiro", afirma.

A reforma eleitoral discutida na Câmara dos Deputados, que, entre outras medidas, propõe a instituição do modelo de eleição parlamentar do "distritão", tem o potencial de piorar a situação da representatividade, aponta o relatório da Oxfam.

Conselhos

A ONG ressalta que, além do gargalo da representação política, a diminuição da atuação direta da sociedade civil na formulação de políticas públicas por meio dos conselhos participativos também prejudica a promoção da redução da desigualdade.

Em abril de 2019, o governo Bolsonaro extinguiu, por um decreto, que foi suspenso parcialmente pelo Supremo Tribunal Federal, conselhos, comitês, comissões e colegiados da Administração Pública Federal. No mesmo ano, o número de cadeiras de representantes da sociedade civil em colegiados como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) foi reduzido.

"Esses conselhos têm uma importância grande na implementação de políticas. Com o fechamento desses espaços de participação social, acaba-se impossibilitando que políticas públicas desempenhem o seu potencial pleno de redução de desigualdades", afirma o coordenador de Pesquisa e Incidência em Justiça Social e Econômica da Oxfam. 

Para cada nova aba aberta no navegador, a extensão Something Spaces oferece uma obra de artistas negros. Entre fotos, ilustrações e colagens, o projeto idealizado pela agência britânica Something e a organização Where are the Black Designers? (“Onde estão os designers negros?” em tradução livre) apresenta ao usuário cerca de 60 criações diferentes. 

Na direção oposta do preconceito que invisibiliza artistas negros de todo o mundo, a extensão acrescenta significado inédito a um espaço virtual subutilizado, mas que faz parte do cotidiado dos internautas. Assim que as abas são abertas, os navegadores costumam exibir uma barra de pesquisa e atalhos para as páginas mais acessadas pelo usuário. É esse o espaço usado de maneira criativa pelo Something Spaces para mostrar imagens inesperadas.

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As obras divulgadas são acompanhadas pela autoria e por links que levam aos portfólios e redes sociais dos artistas. No acervo, representantes dos Estados Unidos, da África do Sul, da Inglaterra e também do Brasil, por meio de composições da artista Amanda Lobos. O plugin pode ser instalado gratuitamente no Google Chrome, Firefox e Edge.

Nesta semana completam-se 50 anos desde que chegou aos cinemas o longa-metragem “Shaft” (1971). A obra, dirigida por Gordon Parks,  foi uma das responsáveis pela explosão do movimento “Blaxploitation”, em que se prioza uma abordagem técnica e narrativa composta por pessoas afro-descendentes, que também podem estar associadas à cultura afro-americana, como a música funk e soul. Mesmo com as críticas sobre os estereótipos, “Shaft” representa um marco na história do cinema, quando ainda não havia protagonismo de pessoas pretas.

De acordo com Paulo Camargo, crítico de cinema e membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), é “importantíssimo” que se tenha personagens pretas como protagonistas em histórias no cinema, porque o público afrodescendente precisa se ver na tela, representado por atores negros. “Mais do que isso, precisa ver as suas narrativas e as suas histórias contadas. Por isso, a questão do protagonismo negro é fundamental, tanto do ponto de vista dos personagens, quanto das narrativas”. Camargo ressalta que “Shaft” foi um desses títulos que conseguiu ser um produto audiovisual destinado apenas à audiência afro-americana.

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A relevância do filme se dá por conta da temática e a forma como a história foi retratada no filme. O crítico de cinema comenta ainda que na época em que o longa-metragem foi produzido havia uma forte luta pelos direitos civis, das minorias e dos negros, com figuras que representavam essas pessoas, como Malcolm X (1925 – 1965) e Martin Luther King (1929 – 1968), cujas mortes havia sido relativamente recentes.  “O início dos anos 70 é um momento de busca por visibilidade e representatividade. Dentro desse ciclo do ‘Blaxploitation’, existe a questão do direito de se produzir entretenimento com negros, por negros e para negros, dentro de uma ideia de que exista um cinema black para essa fatia do público”, explica.

E assim aconteceu com “Shaft”, segundo Camargo, o produto final se trata de um filme de ação/policial, com camadas que abordam o racismo, mas que principalmente discute a importância da representatividade, de se ter histórias negras em gêneros consagrados no cinema norte-americano. O especialista comenta que os elementos fundamentais na composição da obra foi o fato de o filme ter sido dirigido e protagonizado por negros, além da trilha sonora, que expressa a cultura afro-americana do blues, soul e funk. “O fato de a canção tema ter sido um grande sucesso mundial e o filme ter viajado a vários países é uma forma de mostrar esse universo dos afro-americanos para o mundo”, contextualiza.

A respeito de obras cinematográficas no geral, Camargo conta que este é um meio capaz de trazer educação e conscientização, mesmo que seus efeitos não sejam do dia para o outro. “Se você não está habituado a ver filmes protagonizados por atores negros, em vários gêneros, você nunca vai ter essa questão consolidada. Por isso, atores como Denzel Washington, Halle Berry [única atriz negra a ganhar o Oscar de Melhor Atriz na categoria principal] e Regina King são tão relevantes”, afirma o crítico de cinema.

Influências do Blaxploitation

Além de “Shaft”, outras obras cinematográficas fizeram parte do ciclo Blaxploitation, como “Super Fly” (1972) e “Cleópatra Jones” (1973). Camargo também cita a atriz Pam Grier como uma das referências nesse período, que mais tarde, nos anos 90, foi resgatada por Quentin Tarantino, no filme “Jackie Brown” (1997). “A partir de determinado momento, surgem diretores negros importantes e que estão em atividade hoje. Talvez o mais notório deles seja Spike Lee, que na década de 90 fez filmes como ‘Ela Quer Tudo’ [1986] e ‘Faça a Coisa Certa’ [1989], que é um marco na história do cinema negro e do cinema norte-americano daquele período”, conta Camargo.

Não foi apenas nas décadas passadas que os filmes com representatividade negra estavam presentes. O crítico de cinema conta que outras produções ganharam espaço nos últimos anos, como “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (2016), dirigido por Barry Jenkins, filme sobre negros homossexuais, que ganhou o Ocar de Melhor Filme. O cineasta posteriormente também dirigiu “Se a Rua Beale Falasse” (2018), que rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Regina King. Jenkins também possui produções com a temática, fora do eixo do cinema, como “The Underground Railroad”, série de televisão sobre a escravidão, dirigido e protagonizada por artistas negros.

 

A Pixar está desenvolvendo um novo projeto com espaço para representatividade LGBTQIA+. O estúdio procura uma adolescente transgênero para dublar a personagem Jess, que estará em seu próximo filme. A convocatória foi compartilhada pelo Twitter da Trans March, organização de ativismo trans em San Francisco (EUA).

O tweet trazia uma imagem com o chamado da Pixar para o teste que escolherá a dubadora. Ela deverá ter entre 14 e 17 anos e ser uma garota transgênero, bem como a personagem, Jess, uma menina trans “compassiva, engraçada, e que sempre apoia seus amigos”. O comunicado não especifica mais detalhes sobre o projeto no qual Jess será inserida.

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Esta será a terceira vez que a Pixar coloca um personagem LGBTQIA+ em seus filmes. Em Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica, o público conheceu a policial homossexual Specter; já no curta Out, a história girava em torno dos dilemas de Greg que desejava assumir sua sexualidade. 

A modelo mirim Clarinha Archet tem usado o seu perfil pessoal no Instagram para compartilhar as histórias de mulheres negras importantes de todo o mundo. Posando como cada uma delas para as fotos, a menina de apenas oito anos publica o resultado das releituras acompanhado de uma pequena biografia da homenageada. Já passaram pela galeria de Clara a astronauta Mae Carol Jemison, a ex-primeira dama dos EUA, Michelle Obama e a líder quilombola, Tereza de Benguela.

O perfil da pequena, administrado por sua mãe, Daiane Braz, traz postagens do cotidiano da modelo mirim e alguns vídeos com mensagens de empoderamento e encorajamento. No entanto, o que mais tem chamado a atenção dos seguidores, são as publicações que homenageiam mulheres negras de destaque na história do mundo. 

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Em cada postagem dessa, Clarinha surge caracterizada como a homenageada, em uma releitura das fotos originais. Nas legendas, uma pequena biografia conta um pouco da história de cada uma dessas personalidades. Ela já falou sobre Michelle Obama, Tereza de Benguela e Mae Carol Jemison, além da escritora Maria da Conceição Evaristo, da ativista Ruby Neil Bridges Hall; da poetisa Amanda Gorman; e da atriz Isabel Fillardis, entre outras. 

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Nos comentários, os seguidores elogiam muito as publicações e agradecem pelos conhecimentos que estão adquirindo com cada postagem. “Eu amo essa representatividade”; “Amei saber mais, amei a inspiração”; “Continue trazendo esses conteúdos perfeitos que nós amamos”; “Muito bom ver um feed que traz conhecimento”; “Sempre nos inspirando a conhecer mais, parabéns”.

É da comunidade de Chão de Estrelas, no bairro Campina do Barreto, Zona Norte do Recife, que saem as frequências da TV Cambinda. Pela internet, o veículo de comunicação  criado no Centro Cultural Cambinda Estrela, tem a missão de “movimentar a favela” e levar tudo de bom que acontece nela, através de seus próprios moradores, para todo o mundo. Com uma programação de entrevistas e lives, a TV dá protagonismo aos artistas e membros da comunidade, além de levar informação e cultura aos espectadores. 

Criada em 2017, a TV Cambinda integra as ações do Centro Cultural Cambinda Estrela - instituição que promove atividades formativas e assistência social aos moradores de Chão de Estrelas e comunidades do entorno. Com uma equipe formada por jovens moradores do local, a TV nasceu da necessidade de levar informação, promover cultura e, sobretudo, enfrentar o racismo e outras mazelas sociais através da comunicação. 

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O protagonismo e a representatividade norteiam toda a produção do veículo, desde a formação de sua equipe - que atualmente conta com cerca de cinco pessoas -, até a escolha das pautas e convidados. Em entrevista ao LeiaJá, a cineasta, fotógrafa, produtora, diretora e apresentadora da TV Cambinda, Rafaela Gomes Vieira, explicou como funciona o trabalho. “Nossas pautas são elaboradas a partir de temas previamente estudados em conjunto com todo o corpo de produção. As entrevistas dão visibilidade a mestres, mestras, detentores da cultura afro, professores, estudantes, pesquisadores, mães, pais, comunidade preta. Ou seja: mostra as pessoas que constantemente são invisibilizadas e que narram suas histórias que a sociedade tende a esconder”.

Rafaela (camisa amarela) é quem conduz as entrevistas na TV Cambinda. Ao seu lado, DJ Rasta Flávia (esquerda), Luiz Carlos (Banda Capim Santo) e Glaucilene Ribeiro, assistente de produção (ponta direita) Foto: Cortesia

Já o público alvo da TV são todos aqueles que queiram aprender mais sobre a comunidade e suas ações, além de conhecer melhor sobre artistas pretos e seus trabalhos. A internet possibilita um largo alcance da programação do veículo, algo que acabou se intensificando por conta da pandemia do novo coronavírus. “Com a situação de calamidade da saúde com a COVID-19, demos continuidade à TV de forma remota. Por meio de lives, onde eu, na vez de apresentadora, dialogava com os entrevistados que estavam em suas casas. Assim, não perdemos o pique da TV Cambinda”, diz Rafaela. Agora, com o afrouxamento da quarentena, as atividades do grupo estão voltando de forma presencial, aos poucos e com atenção a todos os protocolos de segurança necessários. 

Em 2020, o projeto foi aprovado no Fundo Brasil de Direitos Humanos, edital que, em parceria com a Open Society Foundations (OSF), destinou recursos para apoiar iniciativas que promovam o enfrentamento ao racismo. Com esse auxílio, a TV Cambinda vai promover uma série de entrevistas com artistas negros como Luiz Carlos da Banda Capim Santo; DJ Rasta Flávia; Banda Abulidu; a poetisa, escritora e pedagoga Joaninha Dias e a mestra em educaçao pela UFPB,  Sandra Maria da Silva, entre outros. Eles falarão sobre maternidade e infância pretas, musicalidade e identidade periféricas, além de outros temas. 

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Toda a programação pode ser vista nos canais da TV Cambinda nas redes sociais. O orgulho e o prazer de dar voz e vez à comunidade, podem ser vistos também durante as entrevistas. Rafaela sintetiza o que é fazer parte dessa iniciativa. “É muito bom; cada momento, cada entrevista, cada tema abordado nos traz momentos únicos, vivências extraordinárias!”.

Vestir-se é uma das necessidades básicas do ser que convive em sociedade. Cobrir o corpo com roupas, porém, pode não ser algo tão simples quanto parece. O ato de se vestir vem atrelado a muitas outras premissas e construções sociais, que perpassam valores históricos, identitários e econômicos. A esse conjunto de questões e simbolismos podemos dar o nome de moda.

A moda tem espaço e lugar na sociedade, porém, não exatamente como um todo. O tal ato simples de vestir-se ganhou corpo, luxo e vulto nas mãos de grandes estilistas e marcas que, em parceria com o sistema capitalista - instrumento de fomento ao consumo indiscriminado de bens -, o alçou a patamares grandiosos. Sendo assim, o acesso a uma moda de alto padrão ou até mesmo às peças vistas em vitrines, peças publicitárias e produtos audiovisuais, nem sempre está acessível a todos; sobretudo em um país como o Brasil, onde um trabalhador recebe mensalmente, pela sua força de trabalho, o valor de R$ 1.045. 

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Para além do aspecto financeiro pertinente a esse universo, outros poréns também acabam corroborando com o estigma de bem inatingível do mundo fashion. Padrões estéticos excludentes também colaboram para que as ditas ‘pessoas comuns’ não se vejam vestindo roupas grifadas. 

O artista visual e estilista Cássio Bomfim, diretor geral da marca ACRE, comentou sobre o tema, em entrevista ao LeiaJá. “Tem uma leitura da moda que leva ela pra esse lugar do inacessível, mas tem uma outra leitura de moda que fala de desejo de consumo massivo de um item que é de compra inevitável; porque você pode vestir menos peças que outras pessoas, mas você vai ter o mínimo para um convívio social, e esse mínimo vai ser escolhido num atravessamento que é o seu gosto, o disponível, a sua renda e por aí vai”.

Em seus desfiles, a ACRE tem contado com pessoas 'comuns', não profissionais da moda. Foto: Divulgação

Esse "atravessamento" pode acontecer de várias maneiras. O próprio estilista cita algumas, como a customização de roupas, o ‘faça você mesmo’ - muito visto num ressurgimento recente da moda tie dye -, linhas populares de grandes marcas, e a possibilidade de comprar peças que são, na verdade, cópias daquelas grifadas com preços bem menores. Nas periferias brasileiras, essas estratégias são comuns até que surgem, também, marcas próprias daqueles lugares, como as pernambucanas Máfia Feminina e 24 por 48, feitas por quem vive e entende dos gostos de quem é ‘da quebrada’. 

Quando se chega a esse ponto, questões mais subjetivas, porém não menos importantes, passam a ser tão notórias quanto os modelitos e os próprios modelos/manequins. “O corpo que é periférico, aquele que não tem intenção de escolarizar-se ou aperfeiçoar-se, ou não vai rolar nessa vida de ele ter acesso a isso, por que não esse homem ou essa mulher, esses corpos não demonstrarem suas belezas também?”, questiona Cássio. 

É aí que entra o conceito da representatividade, algo com o qual a ACRE tem lidado há bastante tempo, promovendo desfiles com pessoas ‘comuns’ - leia-se não profissionais da moda -, e em bairros periféricos do Recife, a exemplo do que aconteceu no lançamento da última coleção da marca: “Árido Surf, cap. 2, a Festa". “O lance da escolha das periferias se trata de uma provocação, um comentário sobre o que é parte do ativismo afro-indígena brasileiro. É muito pensando numa reversão do estigma da ‘perifa’ como esse lugar de periculosidade onde não se pode filmar, tem todo esse folclore. Isso tem um impacto em outras pessoas numa identificação que eu sinto ser diferente das percepções de desfiles mais formais. Algumas são até emocionantes de pessoas que falam que era o'desfile que sempre sonhou em ver’”, diz o estilista. 

Sobre representatividade e ativismo, a modelo, assistente social e Mestre em Políticas Sociais pela Universidade de Berlim, na Alemanha, Domitila Barros, entende bem. Descoberta na comunidade da Linha do Tiro, Zona Norte do Recife, a pernambucana desde pequena já era engajada com trabalhos sociais, através da ONG CAMM (Centro de Atendimento à Meninas e Meninos), que oferecia atividades de lazer e educação para os jovens do local. Hoje, ela é embaixadora mundial da marca Symrise Cosmetics Ingredients, que tem foco na responsabilidade ambiental e sustentabilidade. 

Domitila Barros foi descoberta na comunidade da Linha do Tiro, Zona Norte do Recife. Foto: Divulgação

Domitila entende a moda como uma ferramenta de inclusão e transformação social e usa o seu próprio exemplo de vida para ilustrar isso. “Eu creio que a internet e as mídias sociais são uma oportunidade enorme para (profissionais) serem descobertos. Eu acompanho virtualmente artistas e estilistas de várias comunidades; por exemplo no universo do brega funk ,as cores, tendências e designs têm sido inspiração nacional e com muito mérito e qualidade. Os figurinos, as tendências das comunidades estão ganhando, criando e fundindo novas formas de consumo, de criar e de fazer moda, arte, cultura, música...  Eu sou uma fiel embaixadora de que a favela também pode,  e que mais importante do que de onde a gente vem é aonde a gente quer chegar”. 

Pela fala da modelo pernambucana é possível entender que, atualmente, não basta subir na passarela ostentando apenas um look de impacto, é preciso mais: “protagonismo, sororidade, solidariedade”, temas que, como ela observa, são “atuais e gritantes mundialmente”.

A modelo acredita, também, na democratização da moda, a partir desses pilares e de alguns outros como oportunização e abertura de mercado de trabalho e financiamento. “Conheço designers talentosíssimos no Recife e em vários lugares do Brasil e do mundo que não adquirem o reconhecimento e valorização adequados devido ao fato do ingresso no mundo da moda ser tão restrito e limitado. Creio que é necessário diversidade para alcançarmos a democracia. A minha maior motivação é a possibilidade de atuar como uma multiplicadora e eu acredito que dividindo a minha história de vida e trajetória posso inspirar e motivar outros jovens e gerações a resilientemente e com orgulho dos seus valores e origem superar barreiras”. 



 

A caminho do lançamento de seu novo disco, Dani Carmesim libera mais uma prévia para o seu público. Nesta sexta (27), a roqueira pernambucana lança o single De dentro pra fora, segunda música do próximo álbum da artista. Os interessados já podem fazer um pré-save da canção através da internet.

De dentro pra fora traz uma reflexão sobre o dilema entre adequar-se ao status quo ou ter a liberdade de ser quem verdadeiramente deseja. A música tem pegada disco-funk moderna bebendo em referências como Talking Heads e Tame Impala. No instrumental, Carmesim contou com o reforço de Fernando S., nas guitarras e sintetizadores; André Insurgente no baixo; e Tiago Marditu na bateria. A arte da capa do single foi assinada e protagonizada pelo artista plástico Vinicius (@vinicius65). 

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Dani Carmesim é cantora e compositora com uma trajetória de quase 10 anos fazendo música autoral. Ela trabalha de forma independente e seu objetivo é usar a música como ferramenta de representatividade, estimulando a valorização da mulher negra dentro do mercado fonográfico, principalmente no segmento do rock.  

O Prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura brasileira, anunciou na última quinta (22), os seus finalistas e Pernambuco está entre eles. A escritora Jaqueline Fraga concorre na categoria Biografia, Documentário e Reportagem com o livro ‘Negra sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho’. O resultado da premiação está previsto para o dia 26 de novembro. 

‘Negra sou: a ascensão da mulher negra no mercado de trabalho’ é o livro de estreia da pernambucana e foi produzido de forma totalmente independente. A obra, lançada na Bienal Internacional de Pernambuco em outubro de 2019, conta histórias de mulheres negras que atuam em profissões consideradas valorizadas, como Medicina e Direito. 

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Em entrevista exclusiva ao LeiaJá, Jaqueline se disse muito orgulhosa por estrear em um prêmio de tamanha importância, como o Jabuti. Além do reconhecimento do seu trabalho, a escritora assinala a relevância de participar da premiação abordando temas tão urgentes. “É uma comprovação de que a pauta que a gente reivindica é essencial. Por mais que haja dados que comprovem isso, mas você ter uma premiação de nível nacional, como o Jabuti dando destaque pra esses temas, da questão racial e da representatividade, sobretudo nesse momento que vivemos, é algo muito importante”. 

Além disso, o livro da pernambucana é o único de produção independente a concorrer na categoria, e apenas um dos 10 em toda a premiação lançado dessa forma. “Foi meu projeto de empreendedorismo mesmo e ter esse reconhecimento é maravilhoso”, disse a autora. O Prêmio Jabuti anuncia seus vencedores no dia 26 de novembro. A lista com todos os finalistas pode ser vista no site da premiação.



 

Na última sexta (25), a Versace apresentou ao mundo sua coleção Verão 2021 em um desfile sem plateia e com destaque para a representatividade. Na passarela, três modelos plus size desfilaram os modelos da marca: Jilla Kortlove, Alva Claire e Precious Lee. Elas são representantes de um novo movimento no mundo da moda que pretende quebrar antigos padrões dessa indústria. 

Nas redes sociais, as modelos festejaram muito sua participação no desfile, durante a Semana da Moda de Milão. Elas salientaram a importância do momento e se felicitaram por estarem “fazendo história”. Em seu perfil, a holandesa Jill Kortlove escreveu: “Espero que a gente abra portas para uma geração que sempre sonhou como eu mas nunca se viu nas capas das revistas”. A inglesa Alva Claire concordou com a colega de profissão: “Esse momento é por todas nós”. 

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Já a americana Precious Lee celebrou em dose dupla pois além de representar as mulheres fora dos padrões comerciais, ela também levou à passarela a representação das mulheres negras. “Eu sei o quanto isso significa e sempre vou apreciar isso. Nenhuma garotinha negra pode dizer que ‘não consegue’ porque nós conseguimos, sempre pudemos, e quando você se mantém verdadeira, você consegue”. 

 

O personagem Peter Pan vai ganhar um filme live-action, Peter Pan & Wendy, e parte do elenco já está confirmada. Para viver a fadinha Sininho na telona, a Disney escolheu a atriz Yara Shahidi. Ela será a primeira atriz negra a encarnar o papel. 

Yara Shahidi é atriz e modelo e tem apenas 20 anos. Ela será  a primeira atriz negra a interpretar Tinkerbell nos cinemas. O papel já havia sido vivido por atrizes como Julia Roberts e Ludivine Sagnier.

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Segundo o site Deadline, a escolha de Yara faz parte de uma nova estratégia da Disney para dar mais diversidade à suas produções. Além dela, também estarão no elenco com Jude Law, na pele do Capitão Gancho; Alexander Molony, como Peter Pan; e Ever Anderson. O filme ainda não tem previsão de estréia. 

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