Um ex-enfermeiro foi condenado à pena de morte nos Estados Unidos por matar quatro pacientes com injeções de ar nas artérias. A sentença de William George Davis, de 37 anos, foi determinada nessa quarta-feira (27) por um júri popular após 2h de audiência.

Em 19 de outubro deste ano, o júri do condado de Smith, no Texas, já havia considerado o ex-enfermeiro culpado pelos homicídios de pacientes que sofriam de problemas neurológicos e se recuperavam de cirurgias cardíacas no Hospital Christus Mother Frances, entre 2017 e 2018.

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Uma das provas usadas na argumentação dos promotores foi uma ligação de Davis para a ex-esposa na qual afirmou que encontraria maneiras de prolongar a permanência dos pacientes na UTI para que pudesse ganhar dinheiro com as horas extras.

A perícia da acusação verificou que as vítimas John Lafferty, Ronald Clark, Christopher Greenway e Joseph Kalina apresentaram sinais de ar em seus cérebros, o que lhes causou danos irreversíveis.

Vídeos de monitoramento do hospital também mostram que o enfermeiro foi a última pessoa a ver a última vítima antes do quadro clínico se agravar, apontou a NBC News.

Às vezes, Encarna Oviedo vai às compras para ver se sente cheiros. Também toma banho mais do que de costume e, quando a filha vem vê-la, imediatamente pergunta: "A casa está cheirando bem?"

Ela não sabe porque há mais de um ano perdeu o olfato por Covid-19 e, como milhares de pacientes, ainda luta para recuperá-lo.

A mulher de 66 anos vive perto de Terrassa, a noroeste de Barcelona, e foi uma das muitas espanholas que contraíram o vírus na agressiva primeira onda de 2020. Com um país assustado e centenas de mortes por dia, ter uma forma leve da doença era sorte e a perda do olfato um pequeno detalhe, também para os médicos saturados.

Com o tempo, as vacinas foram ganhando terreno, mas pelo menos meio milhão de espanhóis ainda não recuperaram o olfato, segundo cálculos do Dr. Joaquim Mullol, diretor da Clínica do Olfato do Hospital Clínic de Barcelona, e um dos poucos especialistas que estavam no país antes da pandemia.

"A perda do olfato ocorre em aproximadamente 70% dos pacientes com covid", explica. A maioria se recupera totalmente nas semanas seguintes, mas um quarto ainda tem problemas.

"De muitos nunca saberemos, porque não consultam o médico", aponta.

A notícia também não é muito animadora para quem vai ao especialista com expectativa de recuperação rápida: o único tratamento que tem mostrado alguma eficácia é o treinamento olfativo.

- Reabilitação -

O aumento de casos provocados pela pandemia levou o Hospital Mutua Terrassa, a 30 quilômetros de Barcelona, a criar uma Unidade de Olfato em fevereiro, como aconteceu em muitos centros.

Desde então, cerca de 90 pacientes passaram por lá, a maioria com covid persistente. Após uma primeira avaliação médica, iniciam uma reabilitação na qual, uma vez por semana, durante quatro meses, vão ao centro para identificar odores com um terapeuta.

No final, voltam a consultar o otorrinolaringologista e fazem novo exame para ver a evolução.

"Mel, baunilha, chocolate ou canela?", pergunta o médico a Encarna enquanto lhe entrega um dos 48 cilindros aromáticos não identificados que compõem um dos testes.

"Baunilha?", fala pouco convencida.

Cristina Valdivia também foi infectada com covid naquele confuso mês de março de 2020. Ela teve uma forma leve da doença e perdeu o olfato por três meses. Até que, de repente, voltou a sentir cheiros, mas mal.

"Comecei a sentir o cheiro constante de queimado, como se meu nariz estivesse enfiado em uma frigideira", lembra a mulher de 47 anos de sua casa em Barcelona.

Após meses de angústia, e a passagem por vários otorrinolaringologistas até chegar ao Hospital Clínic, explicaram-lhe que sofria de parosmia, uma percepção distorcida do olfato.

A boa notícia é que esse tipo de reconexão errônea geralmente ocorre em pacientes que estão em processo de recuperação e a má notícia é que não há outra ajuda além da reabilitação e paciência.

Duas vezes por dia, Cristina abre sua mala com seis latas de diferentes aromas e fica cerca de 20 segundos concentrada inalando cada uma para tentar regenerar suas conexões olfativas.

Alguns, como os cítricos, parecem estar aparecendo, mas outros são especialmente resistentes.

"O café é horrível, é uma mistura de gasolina, algo podre...", diz.

- Desconectados -

Muitas vezes o mais discreto dos sentidos, a vida sem olfato é mais complicada do que parece.

"No começo foi horrível. Passava os dias chorando", lembra Cristina, que ainda não sente o cheiro do filho e cuja vida se alterou até no mais íntimo: "Por exemplo, abraço minha sogra, minha mãe e o cheiro é horrível (...) É difícil administrar isso", descreve.

Paciente com fibromialgia, que foi obrigada a parar de trabalhar por muito tempo, seus anos de terapia a ajudaram a suportar um processo em que se sente muito sozinha.

"Com o olfato sentimos tudo o que comemos, o que bebemos. Interagimos com o exterior", explica o Dr. Mullol.

"Além disso, sentimos cheiros de coisas nocivas que podem ser perigosas, como gases, comida estragada. Tudo isso se perde e a pessoa se desconecta do mundo", alerta sobre alguns pacientes que podem sofrer depressão ou emagrecimento abrupto.

Cansada de não sentir o gosto da comida, Encarna diz que ultimamente tem menos vontade de comer, mas não perde a esperança de que isso acabe logo.

"Vamos ver se eu levanto um dia de manhã e, olha, já estou sentindo cheiros", suspira.

A Justiça de São Paulo determinou a quebra do sigilo dos prontuários médicos de cinco pacientes da Prevent Senior que falecerem em decorrência da Covid-19. A decisão acolheu um pedido da Polícia Civil, que junto com uma força-tarefa do Ministério Público de São Paulo, investiga se operadora tratou pacientes, sem o seu consentimento, com o chamado 'kit-covid', ocultou mortes de pessoas por Covid-19 e de pressionou médicos a adotarem o 'tratamento precoce'.

De acordo com o despacho, a Prevent Senior deverá fornecer às autoridades os prontuários médicos de Regina Modesti Hang, mãe do bolsonarista Luciano Hang; Anthony Wong, pediatra; Gésio Amadeu, ator; João Batista Acaibe, ator; e Orando Duarte Figueiredo, jornalista esportivo.

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O documento frisou que 'o direito à intimidade e ao sigilo profissional comportam limitações, tendo em vista o interesse público, não podendo acorbertar a prática de ilícitos'. Os prontuários médicos passarão por perícia médico legal.

"A superação à restrição imposta ao direito ao sigilo justifica-se pela necessidade de se apurar crime de falsidade ideológica em prontuários médicos de pacientes que vieram a óbito durante o combate à pandemia de Covid-19, a causar a omissão da notificação obrigatória de doença e expor a risco inúmeras pessoas, entre as quais profissionais de saúde e de serviço funerário, tratando-se de medida judicial em processo preparatório imprescindível à colheita de provas necessárias à instrução da investigação criminal", registra trecho do despacho.

O inquérito policial que ira a Prevent Senior tramita no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e apura se a aplicação de remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19 em pacientes da operadora que vieram a óbito configura crime de homicídio.

Na sexta-feira, 22, a operadora assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público de São Paulo em que se compromete a vetar o uso off-label do 'kit-covid' e a realização de pesquisas internas com remédios ineficazes contra o novo coronavírus.

As suspeitas que recaem sobre a operadora vieram à tona na CPI da Covid. Médicos relataram a senadores terem sofrido pressão da operadora de planos de saúde para administrar os medicamentos sem eficácia comprovada do 'kit-covid' em pacientes diagnosticados com a doença sem o seu consentimento em uma pesquisa interna.

Em depoimento à comissão, a advogada Bruna Morato, representante dos médicos que denunciaram a operadora de saúde, acusou o governo federal de firmar um 'pacto' com a operadora de saúde para validar o 'tratamento precoce' e usar o estudo fraudado para confirmar o discurso do Planalto contra o isolamento social.

Também perante os senadores, o diretor executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, admitiu que a operadora de saúde alterou fichas de pacientes internados em hospitais da rede para retirar o registro de covid-19, inserindo outra doença no lugar.

O governo da Bulgária anunciou neste sábado (23) que cogita enviar pacientes de Covid-19 para outros países depois que seu sistema de saúde foi abalado por uma onda da pandemia, que também levou a Romênia a adotar novas restrições.

"Nossas capacidades com profissionais de saúde e respiradores estão praticamente esgotadas, teremos que pedir ajuda ao exterior", afirmou o ministro da Saúde búlgaro, Stoycho Katsarov, ao canal Nova TV.

O ministro admitiu que, se o ritmo de transmissão do vírus não diminuir nos próximos 10 ou 15 dias, o país enfrentará "um enorme problema".

"Estamos conversando com a União Europeia para transferir pacientes a outros países em caso de necessidade", acrescentou.

Katsarov também advertiu que não está descartado um novo confinamento no país.

Apesar da obrigatoriedade do passaporte sanitário para entrar em restaurantes e centros comerciais, especialistas advertiram que a circulação do vírus pode aumentar de 5.000 para 9.000 casos positivos diários nas duas próximas semanas.

Ao menos 23.000 pessoas morreram vítimas da covid-19 na Bulgária, segundo os números oficiais.

Bulgária e Romênia são os dois países da UE com menor percentual de população vacinada, com 24% e 33% respectivamente.

Diante do aumento de casos, o governo romeno aplicará novas restrições a partir de segunda-feira, como a obrigatoriedade do uso de máscara e a exigência do passaporte sanitário para frequentar restaurantes, centros comerciais ou academias, além de um toque de recolher às 22H00 para os não vacinados.

Nesta terça-feira (18), a advogada Bruna Morato, que representa 12 médicos da empresa Prevent Senior, disse durante o seu depoimento na CPI da Covid, que a empresa orientava os médicos para que realizassem a redução do nível de oxigenação dos pacientes internados há mais de dez dias.

"Esses pacientes, segundo informações dos médicos, evoluíam para óbito na própria UTI, então você tinha uma liberação de leitos. A expressão que eu ouvi muitas vezes utilizada é: 'óbito também é alta'", afirmou Bruna.

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A advogada salientou que essa informação não consta na denúncia que fez contra a Prevent Senior porque recebeu num momento posterior. 

Um estudo realizado pela instituição de ensino Dartmouth College, localizada em New Hampshire (EUA), revela que a sinfonia composta pelo austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) “Sonata Para Dois Pianos em Ré Maior, K. 448” traz efeitos neurais positivos e consegue acalmar o cérebro de pessoas que sofrem com  epilepsia.

A descoberta aconteceu a partir da seguinte experiência: 16 participantes com epilepsia refratária foram selecionados e passaram a usar uma espécie de implante cerebral, para monitorar as atividades neurais. Ao tocar a música por 30 segundos, os impulsos elétricos associados à epilepsia tiveram redução considerável.

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Em outra tentativa, os cientistas envolvidos na pesquisa tentaram utilizar as músicas favoritas dos pacientes, mas o efeito de redução não foi registrado. E assim, pôde-se averiguar que a sinfonia de Mozart é composta por temas melódicos contrastantes, e as atividades neurais reagem durante as transições de notas mais opostas entre si.

Em mais uma tentativa, os idealizadores da pesquisa utilizaram outra peça musical, pertencente a outro compositor, que possui melodias sutis sem altos contrastes, e assim, foi observado que os efeitos neurais também não reagiram. Desta forma, os pesquisadores disseram que agora pode ser possível desenvolver novos tratamentos não invasivos para a epilepsia.

 

O diretor executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, admitiu, na quarta-feira (22), que a operadora de saúde alterou fichas de pacientes internados em hospitais da rede para retirar o registro de Covid-19, inserindo outra doença no lugar. A declaração foi dada ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, que investiga a conduta da operadora de plano de saúde. Senadores acusaram o executivo de ter confessado um crime. Seis médicos consultados pelo Estadão disseram que essa prática de trocar o CID (Código Internacional da Doença) "jamais" poderia ocorrer.

A empresa se tornou alvo da CPI após médicos denunciarem que a rede se tornou uma espécie de "laboratório" para testar a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento da Covid, tese defendida pelo governo federal. Um dossiê elaborado por ex-funcionário da Prevent Senior, entregue à CPI, apontou inclusive atestados de óbitos fraudados de forma a omitir mortes pela doença.

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O Estadão revelou ontem que um dos casos é o da mãe do empresário Luciano Hang, Rosana Hang, que foi internada em um hospital da rede em São Paulo com diagnóstico de Covid no dia 31 de dezembro e morreu cerca de um mês depois. No atestado de óbito, no entanto, não há menção à Covid. A revista piaui informou que o mesmo ocorreu no caso do médico Anthony Wong, um defensor do chamado "tratamento precoce" nas redes sociais.

Em nota, Hang disse que sua mãe morreu por complicações da Covid-19 e declarou "total confiança nos procedimentos adotados pelo Prevent Senior". A operadora nega ter fraudado as declarações de óbito.

O volume de suspeitas de fraude complicou ontem a situação do diretor da Prevent. Pressionado pelos senadores, ele acabou admitindo a troca do CID após ser confrontado com uma mensagem de WhatsApp, de 17 de novembro de 2020, na qual um médico da rede pede para "padronizar" o CID "para qualquer outro (código), exceto B34.2 (da Covid)".

"O CID era mudado no sistema para tirar o paciente de isolamento e não no atestado de óbito ou, então, no atestado que ia para a vigilância sanitária, já notificando o paciente que estava, sim, com Covid-19", afirmou Batista Jr. Ele acrescentou que a mudança ocorria após um período de 14 a 21 dias de internação.

"Sinceramente, modificar o código de uma doença é um crime. Infelizmente, o Conselho Federal de Medicina não pune o senhor", disse o senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. Procurado ontem, o CFM não comentou.

O Estadão conversou com seis médicos, chefes de UTI-Covid, e eles afirmaram que "jamais" se altera o CID para retirar o paciente do isolamento. Um profissional de saúde classificou a mudança como "totalmente errada" e "antiética", porque você altera o histórico do paciente. Outro afirmou ser "amoral" e "leviano".

O resumo da internação de um paciente é um somatório de CIDs e não uma subtração, explicou um dos médicos. "Você não muda a história de uma pessoa para tirá-la do isolamento", disse um deles, em condição de anonimato. "Quando vai dar alta ou fechar um caso, você vai listar todos os CIDs dele, você não tira CID."

O CID é uma base internacional de códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte. A classificação permite a identificação de tendências e estatísticas no mundo.

Óbitos

No dossiê entregue à CPI, 15 médicos que trabalharam na Prevent Senior apontaram "inúmeros casos" de irregularidades em declarações de óbito, entre eles a de Rosana Hang e Anthony Wang.

"Como outros tantos casos de óbitos na rede Prevent Senior decorrentes da Covid-19 que não foram devidamente informadas às autoridades, a declaração de óbito da sra. Regina Hang foi fraudada ao omitir o real motivo do falecimento", diz o documento. Hang é apoiador do presidente Jair Bolsonaro e incentivador do chamado "tratamento precoce", composto por medicamentos sem eficácia comprovada ou contraindicados para tratar a doença.

O Estadão teve acesso à certidão de óbito de Regina. No documento, a causa da morte é descrita como "disfunção de múltiplos órgãos, choque distributivo refratário, insuficiência renal crônica agudizada, pneumonia bacteriana, síndrome metabólica, acidente vascular isquêmico prévio". Não há menção a Covid.

O Ministério da Saúde padroniza a codificação das causas de morte informadas na Declaração de Óbito por causa da Covid. Segundo a pasta, as causas atestadas pelo médico no documento "refletem uma sequência de eventos que conduziram à morte e as relações existentes entre elas". Quando há um caso confirmado de Covid, o ministério afirma que a declaração de óbito deve seguir uma "sequência de eventos que levou ao óbito", apontando a doença "na última linha" do documento. A identificação do número de óbitos por Covid é fundamental para o País ter uma cenário real da doença.

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) registrou, neste domingo (19), no boletim acerca dos números da Covid-19, um total de 550.908 pacientes recuperados da doença. Segundo a pasta, desse total, 32.312 diagnósticos eram de casos graves, enquanto mais de 518 mil foram considerados leves.

Ainda no boletim deste domingo, Pernambuco identificou 112 novos casos da Covid-19, sendo 22 classificados como de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Também foram confirmadas sete mortes em razão do novo coronavírus, ocorridas de 10 de abril deste ano a 17 de setembro.

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De acordo com a SES, com os números de hoje, o Estado soma 615.672 diagnósticos de Covid-19. A gestão estadual informa, ainda, que aplicou mais de 9 milhões de doses de vacinas contra o novo coronavírus, o que correspondente a uma cobertura vacinal de 73,85% da população.

Mais de um ano após ter Covid-19, a baiana Renilda Lima ainda tem 20% do pulmão comprometido, sofre cansaço diariamente, convive com perda de memória e tem baixa imunidade. A doença, contraída em maio de 2020, causou sequelas que persistem até hoje e que Renilda, de 34 anos, não sabe se conseguirá se recuperar. Segundo pesquisa do Hospital das Clínicas da USP, 60% dos pacientes que tiveram Covid-19 no ano passado estão em condições de saúde semelhantes, mesmo após um ano da alta hospitalar.

O estudo da USP acompanha 750 pacientes que ficaram internados no primeiro semestre de 2020 no Hospital das Clínicas da instituição. Eles serão analisados durante quatro anos, mas os resultados preliminares indicam que 30% ainda possuem alterações pulmonares importantes. Além disso, parte também relata sintomas cardiológicos e emocionais ou cognitivos, como perda de memória, insônia, concentração prejudicada, ansiedade e depressão.

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Segundo Carlos de Carvalho, professor titular de pneumologia da USP e diretor da divisão de pneumologia do Instituto do Coração (InCor), os resultados preliminares mostram que algumas sequelas a longo prazo ainda podem ser revertidas. "Há casos em que os pulmões ainda apresentam inflamações mesmo um ano depois da alta hospitalar. Já vimos que essas inflamações podem virar fibroses (cicatrizes pulmonares), que são permanentes", declara.

No caso de Renilda, as sequelas físicas vieram junto com as emocionais. Além do cansaço que sente ao fazer esforço físico - o que levou ela a interromper algumas atividades diárias -, ela também passou a ter dificuldades de dormir e a ter medo de ficar novamente em estado grave se contrair doenças respiratórias. "Até hoje meu sono não é regulado. Troco o dia pela noite. Recusei três propostas de emprego com medo de ficar doente", contou.

Natural de Feira de Santana, município a 116 quilômetros de Salvador, a baiana teve covid-19 no primeiro pico da pandemia no Brasil, momento em que os hospitais públicos estaduais da Bahia não tinham leitos vagos. Ela tratou da doença em casa até conseguir um leito de estabilização em Salvador, onde permaneceu por três dias. No retorno para casa, ficou de cama durante dois meses e não conseguiu se recuperar totalmente.

Carvalho explica que as sequelas são piores e mais longas nos casos em que o tratamento das complicações causadas pela covid-19 são feitos tardiamente ou de maneira não adequada. "Percebemos que os pacientes que demoraram mais a serem encaminhados para o Hospital das Clínicas chegaram em um estado mais grave, e isso também agrava as sequelas. Quanto maior o tempo de internação e a gravidade das infecções, maior a tendência de haver mais sequelas a longo prazo", diz.

A perda do paladar e do olfato, sintomas comuns da covid-19 no período de infecção, também está entre as sequelas de longa duração. O estudante de engenharia ambiental e cozinheiro Emmanuel Ramos, de 20 anos, afirma que os dois sentidos estão "distorcidos" e que os cheiros de alguns temperos foram perdidos. "Tenho enjoos também quando sinto o cheiro de produtos de limpeza e até das queimadas que atingem minha região", disse Ramos, de Palmas (TO).

Nos dois casos, as sequelas alteraram a rotina anterior à covid. Em relação a Emmanuel Ramos, o atrapalha na cozinha. Já Renilda parou de fazer faxina em casa, de ir à academia e sente que não pode desempenhar a mesma função de antes no trabalho, em que era gerente de um estacionamento, por também sofrer perda de memória.

Essa última sequela é relatada por 42% dos pacientes durante a pesquisa da USP. De acordo com os relatos ouvidos pelo Estadão, a perda de lapsos de memória é frequente na rotina e acontece a qualquer hora. "Às vezes, saio da minha sala de trabalho para beber água no corredor e no caminho esqueço o que fui fazer", detalha a acreana Sheyenne Queiroz, de 45 anos.

Ela contraiu a covid-19 em novembro do ano passado e não chegou a ficar no estado grave da doença, mas passou a sofrer com dores de cabeças fortes e esquecimento um mês depois de ser infectada. "Cheguei a achar que estaria com aneurisma por causa da intensidade das dores de cabeça, mas, ao procurar um neurologista e fazer exames, ele me disse que se tratava de uma sequela da covid-19. Até hoje sofro dores de cabeça, agora menos fortes, e do esquecimento. E não sei se vou me recuperar totalmente", preocupa-se.

A neuropsicóloga do Instituto Alberto Santos Dumont (ISD/RN) Joísa de Araújo explica que as queixas mais recorrentes relatadas pelos pacientes estão concentradas em esquecimento, dores de cabeça, ansiedade, sintomas depressivos e sensação de fadiga, inclusive em pessoas ditas "assintomáticas" durante o período de infecção. "Muitos jovens, que não tinham queixas anteriores, passaram a apresentar dificuldades de recordar questões do dia a dia."

Ela atenta que pesquisas referentes às consequências do novo coronavírus na saúde ainda estão em andamento, mas estudos mais amplos indicam incidências psicológicas e neurológicas em um a cada três pacientes. "É importante o acompanhamento multidisciplinar dessas pessoas após a detecção dos sintomas mais clássicos. Um diagnóstico precoce no período pós-covid é fundamental para possibilitar o processo de reabilitação. Isso é fundamental para traçar um plano de como lidar com essas limitações", reforça.

Internações recorrentes

Natural de Esplanada, Bahia, Eliane Silva, de 32 anos, contraiu covid-19 no final de junho de 2020 e precisou ser internada quatro vezes nos últimos 13 meses, sendo três vezes devido às sequelas da doença e uma no período em que estava infectada. A assistente de pessoal, que passou a sofrer com falta de ar, fadiga e problemas na circulação, foi diagnosticada com vasculite pulmonar (doença autoimune que se caracteriza pela inflamação dos vasos pulmonares) e Arterite de Takayasu.

Em julho, a baiana foi internada em uma unidade de saúde de Salvador para tratar uma nova crise. "Não tinha problema respiratório e tudo começou depois da covid. Hoje eu me sinto muito abalada. Às vezes, digo para o médico que prefiro nem pensar nisso tudo, pois já dá vontade de chorar", confessa.

Segundo o professor Carlos de Carvalho, casos de doenças autoimunes são possíveis em qualquer infecção ou vírus - incluindo o coronavírus. Entretanto, ele afirma que os resultados obtidos na pesquisa do Hospital das Clínicas não indicam que essa é uma característica recorrente nos pacientes, apesar de possível. "É algo que permanecemos atentos para ver se doenças autoimunes irão se manifestar ao longo dos anos, mas, com um ano, não vimos", disse.

Em julho do ano passado, Eliane chegou a ficar internada devido à covid-19, mas recebeu alta no mesmo mês. No entanto, passou a sentir dores fortes debaixo do peito esquerdo e entre a costela em novembro e precisou retornar ao hospital mais de uma vez. Na maioria das vezes, os médicos afirmavam que as dores eram gases e passavam uma medicação paliativa. Somente em janeiro, cinco meses após as primeiras dores, descobriu o que sofria.

O tratamento inicial durou de quatro a seis meses, com coagulantes e uso de corticoide, remédio com potência anti-inflamatória. Entretanto, ela voltou a sentir novas dores ao iniciar o desmame dos medicamentos e foi internada no dia 28 de julho. "É muito complicado ter uma internação a cada seis meses. O psicológico fica a mil por horas, sem saber o motivo disso tudo. Junta a doença, solidão e carência. É muito difícil."

Perguntas em aberto

A pesquisa do Hospital das Clínicas da USP é realizada com 750 pacientes que estiveram internados na unidade entre 30 de março de 2020 e 30 de agosto do mesmo ano. São pessoas que se infectaram na chamada primeira onda da pandemia do coronavírus no Brasil. Segundo o professor Carlos de Carvalho, isso significa que não se sabe quais sequelas as variantes do coronavírus surgidas a partir deste ano - como Delta, em circulação no Brasil - podem deixar a longo prazo, nem se são menos ou mais intensas.

Conforme o pesquisador, novos estudos já se iniciaram no mundo inteiro para observar diferenças entre variantes. Além disso, outra observação a ser estudada é das sequelas em pessoas vacinadas, mas que se infectaram. "Ainda são perguntas em que não sabemos as respostas porque são precisos novos estudos para observar estes pacientes", disse o professor.

Muitas pessoas que sofreram de Covid-19 continuam a sentir sequelas como fadiga ou falta de ar um ano depois de ter a doença, revelou um estudo chinês sobre os efeitos a longo prazo da pandemia.

"Cerca de metade" dos pacientes que recebem alta do hospital "sofrem pelo menos um sintoma persistente (o mais comum é a fadiga ou fraqueza muscular) e um em cada três ainda sofre com falta de ar" doze meses depois, aponta o artigo publicado nesta sexta-feira na revista britânica The Lancet.

Essas proporções são ainda maiores entre os pacientes acometidos por uma forma grave da Covid-19 e que foram internados em unidades de terapia intensiva.

A pesquisa foi baseada em um check-up médico realizado em quase 1.300 pessoas que deixaram entre janeiro e maio de 2020 um hospital em Wuhan, a primeira cidade afetada pela pandemia.

Esses dados foram comparados com aqueles coletados seis meses após a alta dos pacientes.

“A proporção de pacientes com pelo menos um sintoma ou sequela diminuiu de 68% após seis meses para 49% após doze”, observaram os pesquisadores.

Em contraste, a proporção de pacientes com dispneia (problemas respiratórios) "aumentou ligeiramente" de 26% para 30%.

Além disso, o grupo de pacientes que apresentou diminuição da capacidade de difusão pulmonar não apresentou melhora nesse período.

O estudo alerta para um aumento no número de pacientes com ansiedade ou depressão, de 23 para 26%.

Os autores observam que as mulheres têm 43% mais probabilidade de sofrer de fadiga persistente ou fraqueza muscular e duas vezes mais probabilidade de sofrer de ansiedade ou depressão.

Apesar dessas sequelas, o estudo indica que 88% dos pacientes que tiveram Covid-19 que trabalharam quando infectados puderam retomar suas ocupações um ano depois.

Este estudo, o primeiro com uma perspectiva de um ano, se junta a outras pesquisas recentes que pedem às autoridades de saúde que se "preparem para apoiar pacientes de covid-19 de longo prazo".

“A covid persistente é um grande desafio médico”, adverte The Lancet em um editorial ao lado do estudo.

O Senado aprovou projeto de lei que garante a realização de videochamadas de familiares a pacientes internados em hospitais. O texto já havia sido aprovado pela Câmara e segue agora para sanção presidencial.

As videochamadas poderão ser feitas para pacientes internados em enfermaria, quartos e unidades de terapia intensiva (UTI). Pela proposta, ao menos uma ligação por dia deverá ser garantida. Elas poderão ser realizadas mesmo que o paciente esteja inconsciente, caso ele tenha dado autorização prévia.

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Originalmente, a proposta, de autoria do deputado Célio Studart (PV-CE), previa as videochamadas apenas para internados por Covid-19. A Câmara, no entanto, estendeu a possibilidade a todos os pacientes que estiverem impossibilitados de receber visitas, independente do motivo, alteração que foi mantida pelo relator no Senado, Wellington Fagundes (PL-MT).

O senador destacou que muitos pacientes de Covid-19 passam semanas nos hospitais e não podem receber visitas presenciais. "Isso causa uma certa angústia na família. E quanto mais presença houver de pessoas visitando os pacientes em UTIs, maiores serão as possibilidades de contaminação e de prejudicar os pacientes", disse Fagundes.

O Senado deve analisar neste segundo semestre o Projeto de Lei (PL) 2.136/2020, que tem o objetivo de regulamentar a prática de visitas virtuais de familiares a pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs). De acordo com a proposta, a visita virtual seria feita por meio de videochamadas (em celulares ou computadores, por exemplo) para permitir aos pacientes entrarem em contato com os familiares — uma vez que, em várias situações, o quadro de saúde é grave e não há oportunidade de visitas presenciais devido a medidas de isolamento.

O texto original do projeto — de autoria do deputado federal Célio Studart (PV-CE) e subscrito pelos deputados federais Celso Sabino (PSDB-PA) e Luisa Canziani (PTB-PR) — tratava da visita a pacientes internados por Covid-19. Mas a deputada federal Soraya Santos (PL-RJ) apresentou um substitutivo, aprovado pela Câmara em junho, que estende essa regulamentação a todos os internados em enfermarias, apartamentos e UTIs.

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O texto destaca que a visita virtual deverá ocorrer levando em conta o momento adequado definido pelo respectivo corpo de profissionais de saúde.

Para o senador Confúcio Moura (MDB-RO), que preside a Comissão Temporária da Covid-19 (colegiado formado por senadores que analisa as ações de enfrentamento da pandemia), a proposta é oportuna.

"O projeto tem uma grandeza de alma muito grande. Todo mundo sabe como fica a situação de um parente que tem um pai, uma mãe ou irmão internado numa UTI, intubado, e a gente não sabe a situação dele, só pelos boletins médicos, pelas informações ocasionais, mas a gente precisa ver, a gente precisa enxergar, olhar a situação", disse Confúcio Moura em entrevista à Rádio Senado.

De acordo com o texto, a realização das videochamadas deverá ser previamente autorizada pelo profissional responsável pelo acompanhamento do paciente. Se houver contraindicação para as videochamadas, os profissionais de saúde deverão justificar e anotar isso no prontuário do paciente. O projeto prevê pelo menos uma videochamada por dia, com os cuidados para que não sejam exibidas imagens que possam expor o paciente ou os serviços de saúde.

A proposta estabelece que as visitas virtuais deverão obedecer aos protocolos de segurança e saúde. Também estabelece que essas visitas poderão ocorrer mesmo com os pacientes inconscientes, desde que previamente autorizadas pelo próprio paciente (enquanto este gozava de capacidade de se expressar de forma autônoma, ainda que oralmente) ou por familiar.

O projeto determina ainda que o serviço de saúde zelará pela confidencialidade dos dados e das imagens produzidas durante a videochamada e exigirá firma do paciente, de familiares e de profissionais de saúde em termo de responsabilidade, sendo proibida a divulgação de imagens por qualquer meio que possa expor pacientes ou o serviço de saúde. Os serviços de saúde serão também responsáveis, de acordo com o texto, pela operacionalização e pelo apoio logístico para o cumprimento do estabelecido no projeto de lei.

O deputado Célio Studart destaca que a visita virtual a pacientes internados com Covid-19 já está sendo implementada em diversos hospitais no país. “A própria UTI neonatal da Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC), é um exemplo de sucesso, onde mães tiveram a oportunidade de ter contato com seus filhos. Assim como o caso Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, em que as famílias dos pacientes também puderam acompanhar seus entes queridos. Tal experiência aumenta a imunidade emocional e, assim, colabora com a saúde dos pacientes. Vale ressaltar que a presente propositura surgiu por meio de uma sugestão da senhora Silvana Andrade, fundadora e presidente da Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda)”, destacou o deputado na justificativa do projeto.

*Das Agências Câmara e Senado

Pacientes com câncer sofrem com a mucosite oral, inflamação da mucosa bucal, com formação de pseudomembrana e fonte potencial de infecções com risco de morte. Ela aparece frequentemente em 80% dos pacientes que recebem quimioterapia em altas doses e em até 100% dos que passam por tratamento de radioterapia para tumores de cabeça e pescoço.

Para o médico Paulo Figueiredo, professor associado de Estomatologia da Universidade de Brasília e coordenador da Residência Multiprofissional em Odontologia e Atenção Oncológica do Hospital Universitário de Brasília, a toxicidade causada pela aplicação dos tratamentos e a chamada mielossupressão, quando a atividade da medula óssea é diminuída, são fatores que aumentam a decorrência dessas inflamações e/ou lesões na região. “Tanto a quimio como a radioterapia comprometem a renovação da célula nas camadas mais profundas do epitélio, o que facilita a descamação da pele”, explica, conforme sua assessoria de comunicação.

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De acordo com o médico, a mucosite oral também acomete aproximadamente de 20 a 40% dos casos de quimioterapia convencional. Paulo Figueiredo aponta: “Tais complicações podem prolongar a hospitalização e diminuir a qualidade de vida do paciente. Em alguns casos pode haver até a interrupção completa do tratamento”.

Constantemente se apresentando em forma de eritema (vermelhidão), ardência bucal e lesões ulcerativas, às vezes com sangramento, afetando principalmente as regiões dos lábios, língua, mucosas, gengivas e garganta, a mucosite oral faz o paciente começar a se queixar de interferência na qualidade da saliva e da voz, causando dor, dificuldade em deglutir (disfagia) e incapacidade de se alimentar. Segundo a Associação Multinacional de Cuidados de Suporte ao Câncer e a Sociedade Internacional de Oncologia Oral, há sete métodos que os pacientes podem adotar para amenizar a situação: cuidados bucais básicos; Fatores de crescimento e citocinas; Agentes anti-inflamatórios; Antimicrobianos, agentes de revestimento, anestésicos e analgésicos; laser e outra terapia de luz; crioterapia; e agentes naturais e diversos. A prevenção, porém, ainda é o mais indicado. Podem ser usados, por exemplo, lascas de gelo, gelo picado, picolé, além da realização de bochechos com água gelada na cavidade oral durante a administração dos quimioterápicos.

Embora tenha congelado a taxa de transmissão em turistas, Fernando de Noronha confirmou que mais um morador foi contaminado com a Covid-19, nessa sexta-feira (2). A ilha acumula 717 casos e segue com 17 pacientes em quarentena domiciliar.

Do total de casos confirmados, 635 foram registrados em moradores e 82 identificados em turistas. Desde o início da pandemia, Noronha notificou cinco mortes em razão do vírus.

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O boletim da Administração ainda informa que mais dois pacientes se recuperaram da doença e a ilha alcançou 695 curas clínicas da Covid-19.

Três pacientes internados no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Santo André morreram no início desta terça-feira, 1º, por falta de oxigênio na unidade. A informação foi revelada pela Band e confirmada pelo Estadão. As vítimas foram uma senhora de 81 anos e dois homens, ambos de 41, todas diagnosticadas com o coronavírus.

O AME de Santo André é administrado pelo governo do Estado e pela Fundação ABC. A prefeitura afirma que a falta de oxigênio se deu por uma "grave falha técnica" e que foi acionada para prestar auxílio por meio do Samu, mas o "pedido de apoio tardou e, ao chegar ao local, os pacientes já tinham vindo a óbito".

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Em nota, a prefeitura de Santo André ressalta que o município se disponibilizou a transferir os pacientes à rede municipal de saúde e que "lamenta profundamente o ocorrido e se indigna que uma grave falha técnica tenha gerado consequências tão devastadoras". De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, o problema da rede já foi corrigido, o abastecimento de oxigênio foi restabelecido na unidade e a transferência não foi necessária.

A Secretaria de Estado da Saúde informa ainda que determinou a "abertura de uma sindicância" na unidade e que "tomará as providências cabíveis".

Com mais três casos confirmados, Fernando de Noronha atingiu 676 notificações da Covid-19 na noite dessa terça-feira (18). Ao todo, a ilha identificou três mortes decorrentes do vírus.

Os novos pacientes são moradores e já cumprem quarentena em isolamento domiciliar. O acúmulo de casos é divido entre 594 de transmissão local e 82 importados. 

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Desse total, 658 pessoas conseguiram se recuperar da doença. Atualmente, Noronha acomoda 14 pacientes e acompanha outro internado em um hospital de referência no Recife.

O antigo debate sobre a qualidade de vacinas foi renovado após imunizados com a primeira dose da Covid-19 apresentarem leves reações adversas. Apesar das opiniões divididas, as entidades sanitárias reforçam a importância de completar o ciclo vacinal com a segunda aplicação. Em entrevista ao LeiaJá, a infectologista Sylvia Lemos garantiu que os efeitos são breves, ocorrem independente do fabricante e não necessitam de automedicação.

Há cerca de 20 dias, o aposentado Rivaldo Reis, de 59 anos, foi vacinado com a AstraZeneca. Diabético e com oito stents no coração, sua aplicação foi antecipada no grupo com comorbidades. "Não sabia que dava essas reações [...] tive muitas dores no corpo e febre durante um dia. As dores perduraram por mais quatro dias, o braço principalmente", relatou Rivaldo, que tomou um analgésico sem orientação médica após ter atividades diárias comprometidas.

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Já Vespúcio Alencar, de 62, foi vacinado há um mês com a dose da mesma fabricante. O aposentado sentiu as mesmas reações, que chegaram a incomodar, mas logo passaram. "Nas primeiras 24h tive dor de cabeça, febril e moleza no corpo. Depois disso foi passando e com 48h não sentia mais qualquer reação", comenta.

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Ele até pensou em se medicar com o mesmo remédio tomado por Rivaldo, mas preferiu aguardar a evolução dos sintomas, que não desenvolveram. "Apenas me alimentei normal, bebendo cerca de dois litros de água por dia e a maior parte do tempo deitado, principalmente nas primeiras 24h", lembra.

Mesmo com as adversidades após a primeira etapa de proteção contra a Covid-19, ambos se mostram preparados para segunda dose. Após relatos de amigos que tomaram as duas vacinas, Rivaldo acredita que sofrerá as mesmas reações com efeitos mais leves. Vespúcio conta que também espera sofrer reações, mas o importante é restringir a circulação do vírus que já matou 435.751 brasileiros. "Não tenho medo disso e vou completar com a segunda dose se Deus quiser", incentiva.

Para a infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Sylvia Lemos, os efeitos que surgem em alguns pacientes são muito pequenos em relação ao total de vacinados. Além disso, destaca que os benefícios dos imunizantes são fundamentais para uma vida com menos riscos diante do alto índice de contágio do vírus.

Ela reforça que as reações mais recorrentes são dores de cabeça e no corpo, um pouco de moleza, dores no local da aplicação e uma sensação de peso no braço que desaparece em aproximadamente 48h. Tais efeitos surgem independente do fabricante da vacina aplicada.

"Os efeitos não necessariamente precisam de medicações. Tanto a moleza, quanto as dores, basta um repouso. Isso passa [...] e quanto a dor no braço pode ser colocada uma compressa de gelo ou mesmo uma massagem com analgésicos musculares tópicos, mas também não há maiores necessidades", avalia a médica, que orienta aos pacientes que sofram sintomas mais fortes a procurar orientação médica. "Quem já tomou [algum remédio] não tem problema, nem interfere", complementou.

A especialista acrescenta que o risco de contrair a Covid-19 é muito maior do que uma possível reação. "Isso é comum, principalmente porque essas vacinas têm alguns ‘aditivantes’ que pode, em determinadas pessoas, ter mais ou menos alergias. Mas isso não impede que as pessoas tomem. O risco de se ter a doença é muito maior do que as possíveis reações, que podem ocorrem não necessariamente em todas as pessoas", concluiu.

O risco de desabamento de parte do forro do Hospital Barão de Lucena, no bairro da Iputinga, Zona Norte do Recife, obrigou a transferência de pacientes nessa quinta-feira (13). A chuva intensa que persiste na Região Metropolitana do Recife (RMR) teria motivado um vazamento na área de atendimento respiratório.

A direção reforça que a unidade segue com atendimentos de urgência e emergência, pois não há risco de desabamento. O quantitativo de pacientes transferidos às pressas não foi informado.

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"Tão logo foi identificado o vazamento, a equipe de manutenção do serviço atuou de forma preventiva realizando a retirada de parte do forro. Salienta-se que a medida visa prevenir que este forro, que é do tipo acartonado, fique encharcado e venha a cair", esclareceu a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

Nessa quarta-feira (11), mais seis moradores de Fernando de Noronha foram postos em isolamento domiciliar após serem diagnosticados com Covid-19. Atualmente, a ilha acomoda sete pacientes em quarentena e enviou outro para um hospital de referência no Recife.

Com três óbitos registrados desde o início da pandemia, o arquipélago acumula 668 notificações do vírus, sendo 586 locais e 82 casos de contaminação importada.

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Uma nova cura clínica foi anunciada pela Administração e a taxa de recuperados de Noronha atingiu 657 pessoas.

A Administração de Fernando de Noronha não notificou novos casos da Covid-19 desde a última segunda-feira (3). Mais três moradores da ilha se recuperaram da infecção, informa o boletim dessa sexta (7).

Ao todo, 661 pessoas já foram infectadas em Noronha, sendo 579 por transmissão local e 82 casos importados. Desse total, 650 pacientes estão recuperados do vírus e três morreram.

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Atualmente o arquipélago acomoda oito pacientes em isolamento domiciliar.

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