O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, disse que espera trabalhar do lado de Luiz Inácio Lula da Silva, que disputará as eleições de outubro e aparece em primeiro lugar nas pesquisas.

Eleito em 19 de dezembro, Boric, que completa 36 anos em 11 de fevereiro, vai tomar posse exatamente um mês depois e indicou que se reconhece mais na esquerda boliviana e brasileira do que na venezuelana.

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"Espero trabalhar ao lado de Luis Arce, na Bolívia, de Lula, se ele ganhar as eleições no Brasil, de Gustavo Petro, cuja experiência se consolida na Colômbia. Acho que pode ser um eixo interessante", declarou Boric em entrevista à rede britânica BBC, ao ser questionado se ele se reconhece em líderes da esquerda latino-americana.

"No caso da Nicarágua, não consigo encontrar nada lá, e no caso da Venezuela, é uma experiência que fracassou, e a principal demonstração de seu fracasso é a diáspora de 6 milhões de venezuelanos", acrescentou.

O futuro presidente do Chile ainda afirmou que valoriza "muito a experiência de Lula", mas que também procura "conhecer" a de Fernando Henrique Cardoso. "Não se pode ter referências estáticas", disse. 

Da Ansa

O Parlamento italiano inicia, nesta segunda-feira (24), a primeira rodada de votações para eleger um novo presidente da República, uma eleição marcada pela incerteza e pela expectativa, na qual o atual primeiro-ministro Mario Draghi é um dos favoritos.

Mais de mil "grandes eleitores" (321 senadores, 629 deputados e 58 representantes de 20 regiões) deverão eleger o novo presidente, cujo mandato dura sete anos.

A cédula branca dominará nos primeiros dias, segundo todos os observadores, já que os líderes dos partidos não chegaram a um acordo sobre o sucessor de Sergio Mattarella, cujo mandato de sete anos acaba em 3 de fevereiro.

O Partido Democrático (PD), os antissistema do Movimento Cinco Estrelas (M5S) e a esquerda do Livres e Iguais (LeU) se aliaram para propor uma personalidade de consenso, que seja votada também pela coalizão de direita, mas seu nome ainda não foi anunciado.

As funções do presidente são essencialmente honorárias na Itália, onde rege o sistema parlamentar, portanto para o cargo costuma-se escolher uma personalidade renomada, com capacidades notáveis de mediação e que esteja acima dos partidos.

Nas três primeiras rodadas de votação é necessária uma maioria de dois terços, mas a partir da quarta rodada de votações é suficiente uma maioria simples.

A votação ocorre mediante voto secreto e não há dúvidas que vai durar vários dias.

No passado, não faltaram surpresas, tanto que as eleições para presidente na Itália costumam ser comparadas aos conclaves para a eleição do papa.

Devido às medidas sanitárias pela covid, cada rodada vai durar apenas um dia e aqueles que se infectarem com o vírus poderão contar com uma mesa de votação externa especial, no estacionamento do Parlamento.

Segundo o canal de televisão La7, entre 12 a 15 parlamentares testaram positivo.

A incerteza segue reinando após a retirada da candidatura no sábado do ex-primeiro-ministro e magnata das comunicações Silvio Berlusconi, de 85 anos, que lançou uma campanha original seduzindo por telefone os parlamentares indecisos com piadas e promessas.

Il Cavaliere está hospitalizado para fazer exames "de rotina", por isso desapareceu de fato da cena política, mas anunciou que se opõe ao atual primeiro-ministro Mario Draghi ser eleito presidente.

Draghi, de 74 anos, é o principal candidato, mas sua eleição abriria uma fase de instabilidade política.

Eixo crucial da ampla coalizão que vai da direita à esquerda, o que lhe garantiu obter fundos colossais da União Europeia, o economista deu ao país um prestígio internacional que acreditava-se estar perdido.

Mas sua eleição deixaria o posto de primeiro-ministro vago, portanto muitos preferem que permaneça no cargo até as eleições legislativas de 2023, já que temem eleições antecipadas.

As autoridades chinesas levantaram nesta segunda-feira (24) o confinamento dos habitantes da cidade de Xi'an (norte), um dos mais longos do país, e anunciaram a flexibilização da maioria das restrições.

Os 13 milhões de habitantes da cidade, conhecida por seus Guerreiros de Terracota, estavam confinados em suas casas desde 22 de dezembro após a descoberta de um surto de Covid-19 que ultrapassou 2.100 casos, o maior na China em meses.

Com os Jogos Olímpicos de Inverno começando na próxima semana, as autoridades querem acabar com os surtos em várias grandes cidades, incluindo Pequim, onde mais de 40 casos foram relatados desde meados de janeiro.

Embora o número de casos de coronavírus na China seja insignificante em comparação com os números de outros países, a estratégia "covid zero" das autoridades significa que o menor sinal do vírus está sujeito a rastreamento de contatos, bloqueios seletivos e longas quarentenas.

Em Xi'an, as autoridades na semana passada começaram a diminuir as restrições após uma queda significativa nos casos diários.

Os moradores que não têm problemas de saúde podem agora deixar a cidade, enquanto o transporte público e a atividade econômica foram totalmente retomados.

Xi'an agora é considerada uma zona de "baixo risco", disseram autoridades de controle do vírus em comunicado nesta segunda-feira, observando que apenas um distrito permanece fechado.

Em Pequim, as autoridades estão reforçando os controles já rígidos após um aumento recente nos casos, que coincide com o tradicional aumento nas viagens pelo país antes do Ano Novo Chinês.

As autoridades estão tentando evitar um bloqueio total da capital antes dos Jogos Olímpicos de Inverno, que estão determinados a realizar, e estão pedindo aos moradores que não se desloquem durante os feriados de Ano Novo.

É possível acabar com a fase aguda da pandemia de coronavírus este ano, afirmou nesta segunda-feira (24) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), embora atualmente a Covid-19 provoque uma morte a cada 12 segundos no mundo.

"Podemos acabar com a fase aguda da pandemia este ano, podemos acabar com a Covid-19 como emergência sanitária mundial", o nível de alerta mais alto da OMS, declarou seu diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus.

No entanto, o responsável alertou que é "perigoso supor que a Ômicron (variante muito transmissível) será a última", porque as condições são "ideais" no mundo para que outras variantes surjam, inclusive outras mais transmissíveis e virulentas.

Para acabar com a fase aguda da pandemia, os países não devem ficar de braços cruzados e são obrigados a lutar contra a desigualdade na vacinação, vigiar o vírus e suas variantes e aplicar restrições adaptadas, explicou o especialista, na abertura do comitê executivo da OMS, que se reúne toda semana em Genebra.

Tedros Adhanom Ghebreyesus pede há semanas insistentemente aos Estados-membros que acelerem a distribuição de vacinas nos países pobres, com o objetivo de conseguir vacinar 70% da população de todos os países do mundo em meados de 2022.

Metade dos 194 Estados-membros da OMS não alcançaram o objetivo de chegar a 40% da população vacinada no final de 2021, segundo a instituição.

Enquanto isso, o coronavírus continua fazendo vítimas. Na semana passada, uma pessoa morreu a cada 12 segundos no mundo devido à doença e a cada três segundos foram registrados 100 novos casos, segundo o diretor da OMS.

O surgimento da variante Ômicron em novembro disparou os casos. Desde então, foram contabilizados 80 milhões de novos contágios.

Mas "até agora, a explosão de casos não foi acompanhada por um aumento das muertes, embora as mortes tenham aumentado em todas as regiões, sobretudo na África, a região com menos acesso às vacinas", segundo o responsável.

"É verdade que viveremos com a covid (...), mas aprender a viver com ela não deve significar que temos que deixar o caminho livre. Não deve significar que temos que aceitar que 50.000 pessoas morram toda semana devido a uma doença que podemos prevenir e nos recuperar", disse.

A Justiça britânica autorizou, nesta segunda-feira (24), o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, a recorrer à Suprema Corte da decisão judicial de dezembro sobre sua extradição para os Estados Unidos.

Em um novo episódio desta longa saga judicial, no mês passado, a corte de apelações de Londres havia aprovado a entrega do australiano à Justiça americana.

Os Estados Unidos querem julgar Assange pelo vazamento, desde 2010, de mais de 700.000 documentos confidenciais sobre atividades militares e diplomáticas americanas, especialmente no Iraque e no Afeganistão.

Em 10 de dezembro, o governo dos EUA obteve uma grande vitória quando um tribunal de apelações de Londres revogou uma decisão anterior de não entregá-lo.

No entanto, no Reino Unido, para recorrer ao Supremo Tribunal, o juiz deve primeiro autorizá-lo. Em primeira instância, a juíza londrina Vanessa Baraitser havia impedido a extradição em janeiro de 2021, considerando que Assange, de saúde mental frágil, poderia cometer suicídio se fosse entregue ao sistema judicial dos Estados Unidos.

Mas em outubro, os advogados de Washington apelaram dessa decisão. Eles garantiram que o australiano de 50 anos não seria mantido em isolamento punitivo em uma prisão federal de segurança máxima e que receberia tratamento médico adequado.

Considerando essas garantias suficientes, o tribunal de apelação decidiu no mês passado que o caso fosse enviado ao Ministério do Interior, que tem a palavra final sobre qualquer extradição.

- Liberdade de expressão ou espionagem? -

O caso de Assange tornou-se uma causa para os defensores da liberdade de expressão, para quem o WikiLeaks tem os mesmos direitos que outras mídias de publicar material secreto, se for de interesse público.

Mas o governo dos EUA, que o indiciou por 18 acusações, incluindo espionagem, diz que Assange não é um jornalista, mas um hacker e que a divulgação de documentos não editados coloca em perigo a vida de seus informantes. Se extraditado, ele pode ser condenado a um máximo de 175 anos, embora a sentença exata seja difícil de calcular.

Uma coalizão de associações antiguerra e milhares de defensores da paz assinaram uma declaração na sexta-feira pedindo sua libertação imediata. "O governo (do presidente dos EUA, Joe) Biden enfrenta os adversários da América por suas deficiências na liberdade de imprensa, mas deve abordar sua própria hipocrisia", disse Nathan Fuller, diretor da Courage Foundation.

O australiano está detido na prisão de alta segurança de Belmarsh, perto de Londres, desde que foi preso de surpresa em abril de 2019 dentro da embaixada equatoriana depois que o então presidente Lenín Moreno retirou o asilo concedido por seu antecessor Rafael Correa.

Primeiro, foi em cumprimento a uma sentença britânica por ter violado as condições de sua liberdade condicional ao se refugiar na legação para evitar ser extraditado para a Suécia, onde enfrentava acusações de agressão sexual.

O australiano alegou temer ser enviado de lá para os Estados Unidos. Mais tarde, ele foi mantido em prisão preventiva enquanto sua extradição é decidida, pois o juiz considerou que ele poderia tentar fugir novamente se fosse libertado.

Um avião desaparecido da Segunda Guerra Mundial foi encontrado em uma área remota do Himalaia na Índia quase 80 anos depois de seu acidente após uma busca complicada na qual morreram três guias.

A nave de transporte C-46, que decolou de Kunming (sul da China) ,voava com 13 pessoas a bordo quando desapareceu em meio a uma tempestade no montanhoso estado Arunachal Pradesh na primeira semana de 1945.

"Nunca mais se ouviu falar desse avião. Simplesmente desapareceu", explicou Clayton Kuhles, um aventureiro americano que liderou a missão após um pedido do filho de uma das vítimas do acidente.

A expedição durou meses, nos quais Kuhles e uma equipe de guias locais atravessaram rios que lhes cobriam até o peito e acamparam em meio a temperaturas glaciais. Três guias morreram de hipotermia no início da missão durante uma tempestade de neve.

Por fim, a equipe encontrou o avião em uma montanha coberta de neve no mês passado e foi capaz de identificar a fuselagem pelo número na cauda do avião. Na nave não havia restos humanos.

Bill Scherer, o filho órfão que pediu a missão, disse estar "feliz só por saber onde está" seu pai. "É triste, mas alegre", disse em um e-mail à AFP enviado de Nova York.

"Cresci sem pai. Tudo no que penso é na minha pobre mãe, recebendo um telegrama e descobrindo que meu pai está desaparecido e ela tendo que ficar comigo, um bebê de 13 meses", acrescentou.

Centenas de aviões militares americanos desapareceram em operações na Índia, China e Mianmar durante a Segunda Guerra Mundial, seja pelos ataques das forças japonesas ou pelas condições climatológicas.

As recentes mortes violentas de duas mulheres em Nova York soaram todos os alarmes e reviveram as lembranças de décadas passadas, quando a cidade dos arranha-céus era um lugar perigoso para se viver.

Michelle Go, uma asiática-americana de 40 anos, morreu no último sábado ao ser empurrada por um homem esquizofrênico de 61 anos nos trilhos do metrô quando chegava um trem em alta velocidade na estação da Times Square.

Dias antes, em 9 de janeiro, a adolescente porto-riquenha Kristal Bayron-Nieves morreu baleada por um ladrão que tentava roubar um punhado de dólares que havia no caixa de um estabelecimento do "Burger King" de East Harlem (NYC).

São homicídios com um alto impacto emocional, que comoveram uma cidade cuja recuperação das sequelas econômicas e sociais da pandemia do coronavírus se alterou com a multiplicação dos casos atribuídos à variante ômicron e que deixou restaurantes e casas de espetáculo quase desertos.

Segundo dados da Polícia, em 2021 foram registrados 488 homicídios na cidade de quase nove milhões de habitantes, 4,3% a mais que em 2020, ano em que aumentaram radicalmente (468 por 319 em 2019).

"O número é pequeno, mas preocupante, porque há um aumento e não queremos voltar para onde estávamos há 25 anos, quando os índices eram quatro vezes mais altos", disse à AFP Jeffrey Butts, professor e pesquisador do centro de Justiça Criminal John Jay, da Universidade de Nova York.

- 400 milhões de armas -

O que diferencia os Estados Unidos de outros países é o "número de pessoas que têm acesso a uma arma de fogo e isso é o que causa a violência mortal", afirma Butts.

"Quando as pessoas não sabem navegar por meio de suas frustrações e conflitos com outros e quando tem uma arma em mãos, se tornam fatais", explica.

No início da pandemia, que afetou a cidade com especial virulência na primeira onda, houve um "salto" na compra de armas, lembra Butts. Na quarta-feira, uma bebê de 11 meses foi gravemente ferida por uma bala perdida no Bronx quando estava no carro de sua mãe.

Richard Aborn, presidente da Comissão de Prevenção do Crime, uma organização que trabalha para melhorar a segurança pública, vê "uma combinação de fatores" no aumento, não só de crimes violentos, mas também de roubos e estupros.

Além da proliferação de armas - no país circulam 400 milhões, mais de uma por habitante- e da pandemia de covid, que afetou especialmente os bairros e as populações mais vulneráveis, Arborn considera que os protestos contra a atuação policial pela morte de George Floyd, sufocado pelo joelho de um policial em maio de 2020, incidiu no aumento da violência.

A isso soma-se a recente reforma da justiça penal que pode ter criado a falsa sensação de que cometer um crime está menos penalizado do que antes, quando não é assim, explica Aborn à AFP.

Após a morte de Go, as autoridades voltaram sua atenção para as doenças mentais, particularmente entre a população de rua que, com as temperaturas frias e o aumento dos contágios da ômicron nos albergues, escolhem se proteger nas estações de metrô.

Adams, que assumiu o cargo em 1º de janeiro, anunciou no dia 7 que reforçará a presença policial no metrô nova-iorquino, usado todo dia por milhões de pessoas.

 O ministro dos Esportes da Austrália, Richard Colbeck, avisou o norte-americano Kelly Slater que ele não poderá entrar no país para disputar o Mundial de Surfe caso não tiver se vacinado contra a Covid-19.

A edição de 2022 da competição terá duas etapas em solo australiano, que serão disputadas em Bells Beach, entre os dias 10 e 20 de abril, e em Margaret River, entre 24 de abril e 4 de maio. O torneio está previsto para começar em 29 de janeiro em Pipeline, no Havaí.

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"Não existe nenhuma chance dele entrar, acredito que o Slater sabe as regras. Não importa se você é um surfista, tenista, turista ou qualquer outra pessoa, essas são as regras e elas se aplicam a todos", segundo o político em uma entrevista ao site "The Age".

O recado do ministro australiano ao surfista norte-americano acontece pouco tempo depois do caso envolvendo o tenista Novak Djokovic, que foi deportado do país por não justificar a ausência de vacinação contra o novo coronavírus.

Assim como Djokovic, Slater nunca escondeu sua postura "antivax" e até defendeu o atleta sérvio durante a polêmica do Aberto da Austrália. Na ocasião, o surfista discutiu com diversas pessoas nas redes sociais.

Da Ansa

Pelo menos 17 pessoas morreram, e 59 ficaram feridas na quinta-feira (20), em um acidente entre um caminhão carregado de explosivos e uma motocicleta que causou uma forte explosão em uma área de mineração no oeste de Gana - informou o governo.

A explosão aconteceu por volta do meio-dia em Apiate, perto de Bogoso, cidade cerca de 300 quilômetros ao oeste de Accra, capital deste país da África Ocidental rico em recursos minerais.

Vídeos verificados pela AFP mostram uma grande cratera, casas deformadas e escombros espalhados por centenas de metros. os vários corpos sem vida, alguns desmembrados, evidenciam a violência da explosão.

De acordo com informações iniciais, "um acidente entre um veículo que transportava material explosivo para uma empresa de mineração, uma moto e um terceiro veículo, ocorreu perto de um transformador elétrico e originou a explosão", disse o ministro da Informação, Kojo Oppong Nkrumah, em um comunicado divulgado ontem à noite.

Por volta das 17h locais (13h de Brasília), as autoridades contabilizaram "um total de 17 pessoas confirmadas mortas, infelizmente, e 59 feridos", acrescentou.

Entre os feridos, 42 estão sendo atendidos pelos serviços de saúde, e "alguns se encontram em estado crítico", completou o ministro.

Todos os hospitais da região foram mobilizados para atender as vítimas do acidente, e um plano de retirada foi ativado para transportar os feridos graves para hospitais da capital, anunciou o governo.

- "Cidade-fantasma" -

"Foi uma quinta-feira sombria. Até agora, 500 casas foram atingidas. Algumas foram completamente arrasadas pela explosão, e outras mostram rachaduras", relatou o vice-coordenador da Organização Nacional de Gestão de Catástrofes, Sedzi Sadzi Amedonu.

"É quase como uma cidade-fantasma agora. Algumas casas estão queimadas, outras, cobertas de escombros, e as operações de busca e resgate ainda estão em andamento", informou.

Os sobreviventes do evento entrevistados pela imprensa local relataram cenas de desolação. Abena Mintah correu para o local do acidente para ver se poderia ajudar as vítimas.

"O motorista do caminhão que transportava explosivos corria na nossa direção para dizer para a gente se afastar e, minutos depois, ouvimos uma forte detonação", relatou.

"Fiquei tonto e caí no mato. Consegui me levantar e vi vários corpos desmembrados na rua", explicou esta testemunha, levemente ferida nos pés e nas mãos.

Para evitar uma segunda explosão, uma equipe conjunta de especialistas em explosivos da polícia e do Exército foi enviada para examinar a situação e aplicar medidas de segurança", disse o comunicado do Ministério da Informação.

As autoridades pedem aos moradores que se afastem da área e se mudem para as aldeias vizinhas. Escolas e igrejas ficaram abertas durante a noite para acomodá-los.

Em uma mensagem no Twitter à tarde, o presidente de Gana, Nana Akufo-Addo, lamentou "um evento verdadeiramente triste, infeliz e trágico" e enviou suas condolências às famílias das vítimas.

Acidentes fatais ligados ao setor de mineração são frequentes em Gana, embora, em geral, estejam ligados ao colapso de minas artesanais, com frequência ilegais. Em junho, nove pessoas morreram em um desses lugares.

Gana é o segundo maior produtor de ouro do continente, depois da África do Sul. A indústria mineira do país envolve grandes empresas mundiais, mas também atividades artesanais, muitas em situação clandestina.

As ilhas Tonga enfrentavam nesta sexta-feira (21) uma imensa escassez de água potável, quase uma semana após a erupção de um vulcão no arquipélago, cujo efeito foi comparado à explosão de uma "bomba atômica" por uma autoridade do serviço de resgate.

Em Tongatapu, a principal ilha de Tonga, "foi como uma bomba atômica", testemunhou por telefone à AFP o secretário-geral da Cruz Vermelha de Tonga, Sione Taumoefolau.

"Toda a ilha tremeu devido à erupção", afirmou.

Em 15 de janeiro, a erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, que causou um tsunami, isolou esta pequena nação do Pacífico do restante do planeta, depois que o cabo de comunicação que ligava o arquipélago à rede de Internet se rompeu.

A situação continua difícil, devido à falta de ajuda humanitária e à operação titânica de limpeza das cinzas que os habitantes agora devem enfrentar.

"O pior para nós são as cinzas. Tudo está coberto pelas cinzas do vulcão", ressaltou Taumoefolau.

Jonathan Veitch, encarregado de coordenar as operações das Nações Unidas de Fiji, estimou que o principal problema é a água potável.

As reservas de água de dezenas de milhares de pessoas podem estar contaminadas pelas cinzas do vulcão, ou pela água salgada do tsunami que se seguiu.

"Antes da erupção, a maioria deles dependia da água da chuva", disse Veitch à AFP.

- "Golpe triplo?" -

"Se as cinzas tornaram tudo tóxico, isso é um problema, a menos que possam acessar fontes subterrâneas". Para ele, "agora é vital poder determinar sua localização".

As análises da água começaram, mas após a erupção do último sábado "todo país está coberto de cinzas", informou Veitch.

As operações de resgate começaram, de fato, apenas na quinta-feira, depois que a principal pista de pouso do arquipélago foi finalmente limpa da espessa camada de cinzas que a cobria.

Aviões militares australianos e neozelandeses transportando ajuda de emergência conseguiram pousar. Mas a distância, as dificuldades de comunicação e as medidas para evitar que a covid-19 afete este reino de 170 ilhas complicam as operações.

"Não é fácil. Está longe de tudo. Portanto, há restrições de acesso. E ainda tem o problema da covid, claro, assim como a falta de meios de comunicação", reconheceu o coordenador da ONU.

"Eu diria que é quase um golpe triplo".

À medida que as chegadas de ajuda externa se intensificam, a ONU está "preocupada" com os riscos ligados à covid, disse Veitch, referindo-se à variante ômicron que está se espalhando atualmente por vários arquipélagos do Pacífico, em particular nas Ilhas Salomão e Kiribati.

O governo procura uma maneira de trazer trabalhadores humanitários para o país sem correr o risco de contaminar a população.

O governo de Tonga concluiu a avaliação da extensão dos danos, especialmente nas ilhas que foram afetadas pelo tsunami causado pela erupção.

Três pessoas morreram, mas a extensão financeira ainda não foi estabelecida. "Nada sugere que o balanço humano seja maior, mas a destruição (material) é numerosa", de acordo com Veitch.

Muitas pessoas que vivem em ilhas remotas, e perderam suas casas, foram levadas para a grande ilha de Nomuka.

O navio neozelandês HMNZS Aotearoa atracou hoje em Tonga, carregando grandes suprimentos de água potável.

"Ele também tem capacidade para dessalinizar de 70 mil a 75 mil litros de água por dia, o que fará a diferença para as pessoas, pelo menos em Tongatapu", ressaltou Veitch.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) enviou um grande número de kits de água a bordo do navio humanitário australiano "HMAS Adelaide", que deixou Brisbane na noite de quinta-feira.

"Também enviamos muitos equipamentos para tratar a água", declarou Veitch.

A erupção vulcânica foi sentida até no Alasca, a mais de 9.000 km de distância. Um cogumelo de fumaça de 30 km de altura dispersou cinzas, gás e chuva ácida nas 170 ilhas de Tonga.

Essa erupção causou uma enorme onda de pressão que atravessou o planeta, movendo-se a uma velocidade de 1.231 km/h, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas sobre a Água e Atmosfera da Nova Zelândia.

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (20) uma resolução não vinculante que pede a todos os Estados-membros que lutem contra a negação do Holocausto e do antissemitismo, especialmente nas redes sociais.

O texto, proposto por Israel, foi elaborado com a ajuda da Alemanha e patrocinado por várias 144 dos 193 Estados que formam as Nações Unidas.

O Irã, no entanto, marcou formalmente sua oposição à resolução, afirmando que Teerã se desvinculou do texto. Na resolução se "rejeita e condena sem reservas qualquer negação do Holocausto como acontecimento histórico, seja total ou parcialmente".

O Holocausto é a denominação do genocídio de 6 milhões de judeus europeus entre 1939 e 1945 por parte dos nazistas, seus simpatizantes e aliados.

Yair Lapid, ministro das Relações Exteriores de Israel, e sua contraparte alemã, Annalena Baerbock, saudaram em declaração comum a aprovação da resolução como prova de que a comunidade internacional "fala a uma só voz". Preocupados com o "aumento dramático" do negacionismo, os dois ministros denunciaram "as comparações entre conflitos políticos atuais e o Holocausto", o que constitui uma "injustiça" para as vítimas.

Dani Dayan, diretor do memorial israelense do Holocausto Yad Vashem, defendeu "esforços redobrados" para apoiar a pesquisa e o ensino sobre esse episódio sombrio na Europa.

Em um comunicado, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, elogiou a "resolução histórica", negociada por vários meses. A resolução aprovada hoje "oferece pela primeira vez uma definição clara da negação do Holocausto, pede que os países tomem medidas no combate ao antissemitismo, e apela aos gigantes da internet (Facebook, Twitter, Instagram, etc.) que lutem contra o conteúdo de ódio nas redes sociais, especifica a declaração israelense.

A cantora Adele cancelou nesta quinta-feira (20) sua temporada de shows em Las Vegas, um dia antes da estreia, depois que boa parte de sua equipe adoeceu de Covid-19.

"Sinto muito, mas meu show não está pronto", diz a cantora britânica, emocionada, em um vídeo publicado no Instagram. "Tentamos absolutamente tudo o que pudemos para montá-lo a tempo e para que ele fosse bom o suficiente para vocês, mas estamos destruídos por atrasos nas entregas e pela Covid."

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"Metade da minha equipe está com Covid e é impossível finalizar o show. Não posso oferecer a vocês o que tenho agora, estou arrasada", continuou a cantora, que tinha agendada uma série de shows no Caesars Palace de Las Vegas entre 21 de janeiro e 16 de abril.

Os ingressos se esgotaram em poucas horas em dezembro. Os preços, que começaram em menos de US$ 1.000, chegaram a mais de US$ 30.000 em sites de revenda, de acordo com publicações na internet.

"Lamento fazer isso em cima da hora. Estamos acordados há mais de 30 horas tentando encontrar uma maneira e nosso tempo acabou", concluiu Adele.

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Um sul-coreano que viajava o mundo roubando centenas de plantas com o objetivo de contrabandeá-las para a Ásia foi preso nos Estados Unidos nesta quinta-feira (20).

Kim Byungsu admitiu a extração de suculentas avaliadas em cerca de US$ 150.000 de parques do norte da Califórnia. O gênero Dudleya é popular no leste da Ásia, onde é usado para decoração.

Kim e seus cúmplices arrancaram milhares de suculentas de parques estaduais em 2018 e as embalaram afirmando que haviam sido compradas legalmente em San Diego, segundo exposto em um tribunal de Los Angeles. O carregamento foi interceptado antes de deixar os Estados Unidos.

Kim foi preso e teve seu passaporte confiscado, mas convenceu o consulado sul-coreano a emitir um novo documento, alegando ter perdido o original. Ele deixou o país, mas foi preso e condenado na África do Sul por cultivar ilegalmente plantas nativas com o objetivo de exportá-las para a Ásia.

Os promotores que extraditaram Kim em 2020 declararam que as ações dele contra a flora da Califórnia não foram incidentes isolados, e que ele teria viajado para os Estados Unidos mais de 50 vezes.

Um avião da American Airlines que voava de Miami para Londres deu meia-volta depois que uma passageira se recusou a usar a máscara de proteção contra o novo coronavírus, informou a companhia aérea em comunicado divulgado nesta quinta-feira (21).

"O voo 38 da American Airlines retornou a Miami porque uma cliente se recusou a cumprir a exigência federal", explica o texto enviado à AFP.

O Boeing 777, que transportava 129 passageiros e 14 tripulantes, foi recebido em seu retorno à Flórida pela polícia de Miami. "Assim que o avião chegou ao portão de embarque, a passageira foi escoltada (pela polícia), sem incidentes", informaram autoridades à rede de TV CNN. Segundo a American Airlines, a cliente foi incluída na "lista interna de rejeição" da empresa.

O órgão regulador da aviação civil (FAA, sigla em inglês) decretou em janeiro de 2021 uma política de tolerância zero para passageiros que se recusassem a usar a máscara. Tripulantes relataram um número significativo de casos de violência verbal ou física por parte de viajantes que não concordam com essa medida.

Pelo menos duas pessoas morreram e 22 ficaram feridas nesta quinta-feira (20) na explosão de uma bomba em um bairro comercial de Lahore (leste), a segunda maior cidade do Paquistão, num atentado reivindicado por separatistas do Baluchistão.

"As investigações iniciais indicam que a explosão foi causada por um dispositivo equipado com um temporizador e colocado em uma motocicleta", disse à AFP Rana Arif, porta-voz da polícia de Lahore.

A polícia local e uma fonte médica informaram que duas pessoas morreram, uma delas um menino de 9 anos, e que 22 ficaram feridas na explosão no bairro de Anarkali.

O ataque teve como alvo funcionários de um banco no distrito comercial de Anarkali, informou o Exército Nacional Balúchi (BNA), reivindicando a responsabilidade no Twitter.

O BNA é um movimento separatista balúchi recentemente formado após a união de dois grupos mais antigos.

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, expressou seu pesar pela "perda de preciosas vidas humanas", segundo um de seus porta-vozes.

O Baluchistão (sudoeste) é a província mais pobre do Paquistão e é propensa à violência étnica, sectária e separatista.

É rica em hidrocarbonetos e minerais, mas sua população - cerca de 7 milhões de habitantes - reclama de ser marginalizada e espoliada de seus recursos naturais.

Foi abalada intermitentemente por décadas por uma rebelião separatista. Grupos jihadistas também operam ali.

É no Baluchistão onde estão os principais canteiros de obras do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), pelo qual a China deve gastar mais de 50 bilhões de dólares, incluindo seu carro-chefe, o porto em águas profundas de Gwadar.

Esses projetos chineses provocam forte ressentimento na província, especialmente com grupos separatistas, que acreditam que a população local não se beneficia deles, com a maioria dos empregos indo para trabalhadores chineses.

Em maio de 2019, um hotel de luxo com vista para o porto de Gwadar foi atacado, matando pelo menos oito pessoas. Seis meses antes, um ataque ao consulado chinês em Karachi, a maior cidade do Paquistão e sua capital econômica e financeira, matou pelo menos quatro pessoas.

E em junho de 2020, foi a Bolsa de Valores de Karachi, de propriedade parcial de empresas chinesas, que foi alvo (pelo menos 4 mortos).

Esses ataques foram reivindicados pelo Exército de Libertação do Baluchistão (BLA), que se justificou evocando o controle dos recursos locais por Islamabad e China.

Há algumas semanas, o Paquistão também enfrenta um ressurgimento do grupo Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), o Talibã paquistanês.

O TTP, um movimento separado da nova liderança afegã, assumiu a responsabilidade por vários ataques desde o início da semana, incluindo o ataque de segunda-feira a um posto policial em Islamabad, no qual um policial foi morto e dois feridos.

Tais incidentes são raros na capital, que está sob forte vigilância policial devido à presença de dezenas de embaixadas estrangeiras e onde a segurança melhorou nos últimos anos.

O ministro do Interior paquistanês, Sheikh Rashid Ahmed, alertou na terça-feira contra a possibilidade de novos ataques.

"É um sinal de que as atividades terroristas começaram em Islamabad", disse ele a repórteres.

"Este é o primeiro ataque terrorista em 2022 e devemos estar vigilantes".

O governo paquistanês havia acordado uma trégua de um mês com o TTP no final do ano passado, mas esse cessar-fogo terminou em 9 de dezembro, pois não houve progresso nas negociações de paz.

Os primeiros voos com ajuda humanitária de emergência chegaram a Tonga nesta quinta-feira (20), cinco dias após a erupção vulcânica e o tsunami que devastaram este arquipélago do Pacífico e que o isolaram do resto do mundo.

Tonga está inacessível desde sábado (15), quando uma das maiores erupções vulcânicas em décadas cobriu o território com cinzas, desencadeou um tsunami que atingiu grande parte do Pacífico e cortou os cabos de comunicação submarinos.

Dois grandes aviões de transporte militar da Austrália e da Nova Zelândia aterrissaram no principal aeroporto de Tonga, após a limpeza da pista.

"Aterrissou!", exclamou o ministro australiano de Desenvolvimento Internacional e encarregado das relações com o Pacífico, Zed Seselja, quando o avião C-17 chegou "carregando muitos suprimentos humanitários".

"Um segundo C-17 está a caminho", acrescentou.

A Nova Zelândia confirmou que seu Hercules C-130 também pousou em Tonga.

A ministra das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Nanaia Mahuta, indicou que a aeronave transportava água, equipamentos para abrigos temporários, geradores elétricos, itens de higiene e comunicação.

O Japão também anunciou que enviará dois aviões C-130 com ajuda, e outros países como China e França anunciaram sua disposição em ajudar.

No entanto, os rigorosos protocolos anticovid que mantiveram o arquipélago livre de contágios obrigam que os envios sejam entregues sem contato.

Mais de 80% dos 100.000 habitantes de Tonga foram afetados pelo desastre, segundo a ONU, e a água potável é uma das necessidades mais urgentes, pois as cinzas da erupção vulcânica contaminaram as reservas do arquipélago.

Devido ao desastre, as notícias do país têm sido muito limitadas desde sábado e o balanço dos danos é impreciso.

No momento, três mortes foram confirmadas pela erupção e pelo tsunami, cujas ondas atingiram as costas do Chile e dos Estados Unidos.

No Peru, causou a morte de duas mulheres e um derramamento de 6.000 barris de petróleo, afetando a flora e a fauna da costa da província de Callao.

- Navios a caminho -

Em Tonga, os trabalhos dos últimos dias se concentraram na liberação da pista do aeroporto internacional para permitir o pouso de aviões com ajuda humanitária.

O coordenador de crise das Nações Unidas, Jonathan Veitch, disse à AFP na noite de quarta-feira que a pista do aeroporto da ilha principal, que estava coberta por uma camada de 5 a 10 centímetros de cinzas, já estava operacional.

As partículas de poeira podem ser venenosas e também representar um perigo para as aeronaves, pois podem se acumular em seus motores e causar mau funcionamento.

O governo de Tonga disse que o fenômeno natural causou "um desastre sem precedentes", com ondas chegando a 15 metros de altura e destruindo inúmeros povoados nas ilhas próximas ao vulcão Hunga Tonga Hunga Ha'apai.

"O abastecimento de água em Tonga foi severamente afetado pelas cinzas e pela água salgada do tsunami", disse Katie Greenwood, da Federação Internacional da Cruz Vermelha, alertando para o risco de doenças como cólera e diarreia.

Além dos envios aéreos, tanto a Austrália quanto a Nova Zelândia enviaram ao arquipélago dois navios militares com reservas de água e uma usina dessalinizadora com capacidade para filtrar 70 mil litros por dia. Sua chegada está prevista para sexta-feira.

O presidente da Assembleia de Tonga, Fatafehi Fakafanua, assegurou com lágrimas que "toda a agricultura está arruinada".

A erupção foi uma das mais poderosas das últimas décadas, lançando uma onda de pressão que atravessou o planeta a uma velocidade supersônica de 1.230 quilômetros por hora, disse o Instituto Nacional de Pesquisa Marinha e Atmosférica da Nova Zelândia.

Embora as comunicações internas no país tenham sido parcialmente restabelecidas, a ligação com o exterior pode continuar interrompida por muito tempo porque a reparação do cabo submarino rompido demorará pelo menos quatro semanas.

O mundo registrou uma média de mais de 3 milhões de casos diários de Covid-19 entre 13 e 19 de janeiro, número que quintuplicou desde a descoberta da variante Ômicron no final de novembro, segundo uma contagem realizada pela AFP com base em dados oficiais.

Nos últimos sete dias, foram registrados uma média de 3.095.971 casos diários, um aumento de 17% em relação à semana anterior.

A disseminação da variante Ômicron - altamente contagiosa - causou uma forte aceleração da pandemia nas últimas semanas: os números atuais são quase 440% superiores aos 569.000 casos diários registrados em média entre 18 e 24 de novembro de 2021, dia da detecção da Ômicron na África do Sul e no Botsuana.

Os números atuais são muito superiores aos alcançados em ondas anteriores da Covid-19 no mundo.

Antes do aparecimento da Ômicron, o recorde era de 816.840 casos diários em média entre 23 e 29 de abril de 2021.

As regiões que atualmente sofrem os aumentos mais significativos de infecções são Ásia (385.572 casos diários em média nos últimos sete dias, +68% em relação à semana anterior), Oriente Médio (89.900 casos diários, +57%) e América Latina e Caribe (397.098 casos diários, +40%).

O número de óbitos no mundo também está em alta (7.522 óbitos em média nos últimos sete dias, +11% em relação à semana anterior), número pela primeira vez superior aos saldos registrados no final de novembro, na época da descoberta da Ômicron (7.343 mortes diárias entre 18 e 24 de novembro).

As formas graves da doença parecem mais raras com a Ômicron do que com a delta, a variante dominante anterior.

No Reino Unido, por exemplo, as novas infecções aumentaram mais de 330% entre o final de novembro e o início de janeiro. Nesse mesmo período, porém, o número de pacientes sob ventilação mecânica não aumentou.

Esses dados são baseados nos números comunicados diariamente pelas autoridades de saúde de cada país. Uma parcela significativa de casos menos graves ou assintomáticos permanece não detectada, apesar da intensificação dos testes em muitos países. Além disso, as políticas de teste diferem de país para país.

Um terremoto de magnitude 4.3 na escala Richter assustou moradores da região da Calábria, no extremo-sul da Itália, na manhã desta quinta-feira (20).

De acordo com o Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV), o sismo teve epicentro no mar, a 87 quilômetros de Reggio Calabria, cidade mais populosa da região, com 173 mil habitantes, e foi registrado a 10 quilômetros de profundidade.

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O tremor também foi sentido em outros importantes municípios calabreses, como Vibo Valentia, Lamezia Terme e Catanzaro, e fez com que escolas e edifícios fossem evacuados. Pessoas que estavam em casa saíram às ruas para se proteger.

Até o momento, no entanto, não há registro de feridos ou danos.

A Itália é um dos países com maior atividade sísmica no mundo e fica na junção das placas tectônicas africana e eurasiática, as quais se chocam constantemente.

Segundo o INGV, o território italiano registrou 16.095 terremotos em 2021, uma média de 44 por dia, mas quase todos eles passaram despercebidos devido à sua baixa magnitude.

Da Ansa

Senadores dos Estados Unidos deram um golpe fatal nesta quarta-feira (19) ao projeto de reforma eleitoral promovido pelo presidente Joe Biden para defender o direito de voto para minorias.

Diante de um bloqueio republicano, os democratas não conseguiram promover dois projetos de lei já aprovados pela Câmara de Representantes e desistiram de ativar um procedimento especial que lhes permitiria submeter ambos os textos a votação na Câmara Alta apesar da rejeição da oposição.

"Estou profundamente desapontado que o Senado não tenha defendido nossa democracia. Estou desapontado, mas não dissuadido", escreveu Biden no Twitter.

"Continuaremos avançando na legislação necessária e pressionando por mudanças nos procedimentos do Senado que protegerão o direito fundamental ao voto", acrescentou.

Democratas e ativistas pelos direitos do sufrágio defendiam o projeto de lei como uma resposta necessária aos esforços republicanos para restringir o voto, especialmente entre negros e latinos.

"Eu sei que não é 1965. É isso que me deixa tão indignado. É 2022 e eles estão descaradamente removendo mais locais de votação de condados onde negros e latinos estão super-representados", reclarou o democrata de Nova Jersey Cory Booker no Senado.

"Não estou inventando isso. É um fato", comentou.

Estados governados por conservadores passaram o ano passado aproveitando as alegações infundadas do ex-presidente Donald Trump sobre fraude eleitoral nas eleições de 2020 para introduzir uma série de regulamentos que complicam o exercício do voto.

O projeto promovido por Biden teria garantido o direito ao voto pelo correio, nas urnas e pelo menos duas semanas de votação antecipada, além de tornar o Dia das Eleições um feriado nacional.

Também procurava impedir a prática de redistritamento em favor do partido no poder e exigiria que estados com histórico de discriminação obtivessem autorização federal para alterar as regras eleitorais.

Mas todos os 50 senadores republicanos votaram contra as reformas, argumentando que restrições como limitar a votação por correspondência e insistir na identificação do eleitor eram apenas senso comum.

"A preocupação é equivocada. Se você olhar para as estatísticas, os eleitores negros estão votando em uma porcentagem tão alta quanto os demais nos Estados Unidos", disse o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, a repórteres antes da votação.

"Em uma pesquisa recente, 94% dos americanos acharam que era fácil votar. Isso não é um problema. A participação aumentou. É a maior participação desde 1900", disse ele.

O Senado está dividido igualmente entre 50 republicanos e 50 democratas e, em caso de empate, a vice-presidente Kamala Harris decide.

Sem senadores republicanos quebrando fileiras, os democratas não conseguiram ultrapassar o limite de 60 votos necessário para levar o projeto a votação.

O presidente Joe Biden reconheceu nesta quarta-feira (19) os erros diante da pandemia, que ainda atinge os Estados Unidos, mas elogiou um ano de "enorme progresso" na economia americana, ao fazer um balanço de seu primeiro ano de mandato durante uma coletiva de imprensa.

"Foi um ano de desafios, mas também foi um ano de enorme progresso", afirmou Biden, admitindo que não previu uma obstrução republicana tão forte ao seu governo.

Biden respondeu a perguntas sobre uma ampla gama de tópicos, do confronto com a Rússia pelos testes de mísseis da Ucrânia e Coreia do Norte até a inflação nos Estados Unidos e a pandemia da covid-19, passando pelo que ele mesmo considera uma ameaça à democracia americana por parte de seu antecessor, o republicano Donald Trump.

Sobre a gestão da pandemia, Biden elogiou os avanços na vacinação. "Passamos de dois milhões de pessoas vacinadas na época em que tomei posse para 210 milhões de americanos totalmente vacinados hoje. Criamos 6 milhões de novos empregos, mais empregos em um ano do que em qualquer outro momento", lembrou.

O presidente democrata enfatizou que "não é hora de desistir" ao se referir às negociações com o Irã para reviver o acordo nuclear de 2015. "Algum progresso está sendo feito", afirmou.

Sobre a questão do combate à inflação, Biden alertou que isso exigirá um esforço de "longo prazo" e atribuiu a alta vertiginosa dos preços a problemas nas cadeias de suprimentos causados pela pandemia.

Levar a inflação a um nível razoável, quando atualmente se encontra em seu nível mais alto em quase 40 anos, "será difícil", insistiu o democrata durante a coletiva de imprensa. "Até lá, será doloroso para muitas pessoas", previu.

Sobre a tensão na fronteira ucraniana, Biden alertou que a Rússia pagará um alto preço se decidir invadir a Ucrânia, incluindo um alto custo humano e profundos danos à sua economia.

"Será um desastre para a Rússia", ameaçou Biden, acrescentando que os russos podem eventualmente prevalecer, mas suas perdas "serão grandes".

Por outro lado, Biden anunciou que a vice-presidente Kamala Harris será sua companheira de chapa novamente em 2024.

Ele também disse estar confiante de que o Congresso aprovará "grandes porções" de seu projeto de lei de gastos sociais, atualmente paralisado.

Esse projeto está parado no Legislativo, pois gera divisão dentro do Partido Democrata, que é maioria no Congresso.

Biden, porém, disse que ainda espera que o Senado aprove novas leis sobre o direito ao voto, que a priori parecem fadadas ao fracasso.

- Volta dos republicanos? -

Uma nova pesquisa da Gallup mostra Biden com apenas 40% de aprovação, abaixo dos 57% no início de seu mandato. Desde a Segunda Guerra Mundial, apenas os números do primeiro ano de Trump foram menores, disse a Gallup.

A coletiva de imprensa de Biden aconteceu na véspera do primeiro aniversário de sua posse, em 20 de janeiro.

Com o tradicional discurso do Estado da União, uma espécie de prestação de contas no Congresso, marcado para 1º de março, o tempo está se esgotando para que Biden consiga mudar o clima antes das eleições legislativas de novembro ("midterms"). Por enquanto, analistas preveem que os republicanos recuperem, com folga, o controle do Legislativo.

A Casa Branca espera que as boas notícias superem lentamente o pessimismo relacionado à pandemia, com a economia se recuperando, a variante ômicron do coronavírus em declínio e os americanos apreciando as conquistas de Biden, como seu enorme plano de gastos com infraestrutura.

Como o chefe de gabinete da Casa Branca, Ron Klain, disse ao Politico: "O presidente Biden foi eleito para um mandato de quatro anos, não de um ano".

Mas o próprio Biden tem se mostrado cauteloso.

Embora o presidente tenha o costume de interagir com os repórteres em sessões breves e muitas vezes apressadas de perguntas e respostas na Casa Branca, a ausência de coletivas de imprensa chama a atenção.

Desde que assumiu o cargo e até 31 de dezembro, Biden deu apenas nove coletivas, contra 22 de Trump em seu primeiro ano e 27 de Barack Obama, segundo um estudo do Projeto de Transição da Casa Branca.

A escassez de entrevistas exclusivas é ainda mais eloquente: 22 para Biden, 92 para Trump e 156 para Obama.

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