Ao menos 17 mil crianças foram separadas dos pais na Faixa de Gaza ou estão desacompanhadas desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, há quase quatro meses, segundo uma estimativa das Nações Unidas divulgada nesta sexta-feira (2).

"Cada uma delas tem uma história comovente de dor e perda", disse Jonathan Crickx, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nos Territórios Palestinos.

"Este número equivale a 1% de toda a população de Gaza que foi deslocada, 1,7 milhão de pessoas", declarou Crickx por videoconferência em Jerusalém, durante uma coletiva de imprensa realizada em Genebra.

O porta-voz indicou que descobrir quem são estes menores desacompanhados está sendo "extremamente difícil", já que muitas vezes eles são internados em hospitais, feridos ou em estado de choque, e "simplesmente não conseguem nem dizer os seus nomes".

Crickx afirmou que quando há guerra, é comum que uma família extensa cuide das crianças órfãs.

No entanto, em Gaza, "devido à total falta de alimentos, água ou abrigo, as famílias extensas também enfrentam momentos difíceis e desafios, como cuidar de outra criança, o que dificulta cuidar dos seus próprios filhos e dos seus familiares" mais próximos, explicou.

No geral, o Unicef define crianças "separadas" como aquelas que estão sem os pais; e as "desacompanhadas" como aquelas que foram separadas dos pais e que, além disso, não estão sob os cuidados de nenhum parente.

Além disso, o porta-voz alertou que "quase todas as crianças" da Faixa, quase um milhão, necessitam de assistência psicológica, porque sua saúde mental foi fortemente impactada pela guerra.

A guerra em Gaza foi desencadeada pelo ataque cometido por combatentes do movimento islamista palestino Hamas no sul de Israel em 7 de outubro, quando mataram cerca de 1.163 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250, segundo o último relatório da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

Cerca de 100 reféns foram trocados por prisioneiros palestinos em uma trégua de uma semana no final de novembro.

Em resposta ao ataque, Israel lançou uma ofensiva aérea e terrestre para "aniquilar" o Hamas, que até agora deixou pelo menos 27.131 mortos, a maioria mulheres e menores, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.

Ao menos três pessoas morreram e mais de 270 ficaram feridas em um grande incêndio provocado por uma explosão de gás durante a noite em Nairóbi, capital do Quênia, anunciaram nesta sexta-feira (2) as autoridades do país africano.

Após mais de nove horas de luta contra as chamas, o incêndio, que começou à meia-noite e provocou a mobilização de um grande número de bombeiros, foi controlado às 9h00 locais (3h00 de Brasília).

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Um caminhão "carregado com gás explodiu, provocando uma enorme bola de fogo que se propagou amplamente", afirmou o porta-voz do governo queniano, Isaac Maigua Mwaura, na rede social X.

"O fogo atingiu vários veículos e estabelecimentos comerciais, incluindo muitas empresas pequenas e médias", acrescentou.

"Infelizmente, dois edifícios residenciais do bairro também sofreram incêndios e muitos moradores estavam dentro dos prédios porque era noite", completou.

"Temos 271 pessoas internadas em vários hospitais de Nairóbi e registramos três vítimas fatais", declarou Douglas Kanja, vice-inspetor geral da polícia local.

Em um primeiro momento, a Cruz Vermelha divulgou um balanço de quase 300 feridos na tragédia, que aconteceu no bairro Embakasi, no sudeste de Nairóbi.

- "Explosão enorme" -

Várias unidades dos bombeiros foram mobilizadas para combater as chamas, que provocaram grandes colunas de fumaça.

As imagens divulgadas pelo meio de comunicação local Citizen mostram uma enorme bola de fogo perto de vários imóveis.

Muitos edifícios e veículos foram queimados, segundo um correspondente da AFP.

"Estávamos em casa e ouvimos uma explosão enorme", declarou à AFP James Ngoge, que mora perto do local da tragédia.

"Todo o prédio foi sacudido por um grande tremor, a sensação era de que ia desabar. No início, não sabíamos o que estava acontecendo, foi como um terremoto. Tenho uma loja na avenida que foi completamente destruída", explicou.

Assim como ele, muitos moradores da região passaram a noite ao ar livre.

A polícia estabeleceu um cordão de isolamento, onde alguns moradores tentavam entrar em suas casas para recuperar seus pertences e avaliar os danos.

"A área já foi protegida e instalamos um centro de comando para coordenar as operações de resgate e outros esforços de intervenção", disse o porta-voz do governo.

Em junho de 2018, ao menos 15 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas em um incêndio no maior mercado ao ar livre de Nairóbi.

O prefeito de Nova York, Eric Adams, viu seu nome envolvido em uma série de escândalos recentemente, incluindo uma acusação de agressão sexual e denúncias de corrupção que poderiam inviabilizar suas ambições políticas.

O FBI e o Ministério Público local investigam se uma construtora nova-iorquina, supostamente ligada ao governo turco, utilizou "laranjas" para doar dinheiro à campanha de Adams para a prefeitura, cargo que assumiu em 2022.

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Outrora visto como um possível candidato presidencial pelo Partido Democrata, o segundo prefeito negro de Nova York luta agora pela sua sobrevivência política.

O ex-governador do estado de Nova York Andrew Cuomo, que renunciou em 2021 em meio a denúncias de má conduta sexual, sugeriu aos aliados que poderia concorrer à prefeitura se Adams fosse afetado pelo escândalo, informou o site Politico.

Cuomo assediou sexualmente 13 funcionárias públicas, segundo o acordo alcançado na sexta-feira com o Departamento de Justiça.

A posição de Adams nas pesquisas despencou quando ele tentou efetuar cortes orçamentários, incluindo o fechamento das bibliotecas aos domingos, o que ele atribui ao desvio de fundos para enfrentar o fluxo sem precedentes de imigrantes para a cidade.

A cidade que nunca dorme enfrenta preços estratosféricos de aluguel, alimentação e lazer.

Mas a analista Mary Snow, que em uma pesquisa recente registou que apenas 28% dos nova-iorquinos aprovam a gestão de Adams, não descarta as suas chances de reeleição.

"A história nos mostra que é possível que o prefeito Adams supere os 28% de aprovação em seu trabalho", afirma.

"Em 2003, o ex-prefeito Mike Bloomberg tinha 31% de aprovação por seu trabalho e ganhou mais dois mandatos".

- Oposição aumenta -

Os adversários de Adams reagiram com cautela à denúncia de agressão sexual, apresentada no último minuto com base em uma lei municipal especial que permitia que ações civis para casos expirados fossem apresentadas durante um ano, até novembro passado.

A denunciante acusou Adams de agressão sexual, lesões e discriminação laboral com base em gênero e sexo em 1993.

"Não me lembro de ter conhecido essa pessoa. Eu nunca machucaria ninguém dessa forma", disse o prefeito aos repórteres.

Adams é alvo de outra investigação sobre a origem dos fundos para a sua campanha para a Prefeitura de Nova York, que busca determinar se ele recebeu dinheiro do governo turco.

Eric Leroy Adams, de 63 anos, criado por mãe solo, começou sua carreira na polícia de Nova York, onde foi capitão, antes de entrar para política local no Partido Democrata. Foi deputado estadual e presidente do distrito do Brooklyn, em Nova York, antes de ser eleito prefeito da metrópole de 8,5 milhões de habitantes em 2021.

- "Grande fatura política" -

No cargo, Adams tornou-se tão famoso por suas gafes quanto por suas roupas elegantes.

O prefeito fez da imigração um ponto central de sua campanha política, atacando o governador republicano do Texas, Greg Abbott, por transportar migrantes da fronteira sul para a cidade, e o governo federal que parece ignorar seus pedidos de ajuda.

Adams disse à imprensa que o atração dos imigrantes por Nova York é consequência de ser "vítima de seu próprio sucesso".

Mas os recursos da cidade ficaram escassos, apesar de um conjunto de medidas destinadas a conter o fluxo de migrantes. Uma política para expulsar imigrantes com crianças dos abrigos da cidade após 60 dias provocou indignação entre os ativistas.

O professor de Política da Universidade de Columbia, Robert Shapiro, disse que "embora possa ser uma oportunidade para Adams mostrar seu valor enfrentando o governador do Texas e outros, sem apoio estadual, federal e outros apoios financeiros, esta questão pode lhe render uma grande fatura política".

"Acredito que esta questão e a corrupção na questão do financiamento de campanha podem ter o seu preço politicamente", disse ele à AFP.

Snow, a pesquisadora, alertou que "há um alto nível de preocupação entre os eleitores de que a cidade de Nova York não será capaz de acomodar o fluxo de imigrantes".

"Apenas 26% dos eleitores aprovam a forma como ele está lidando com a crise", acrescentou,

No entanto, o início do ano rendeu a Adams uma espécie de colete salva-vidas depois do anúncio de que a cidade se beneficiará de um superávit orçamentário de 2,6 bilhões de dólares (12,7 bilhões de reais) em 2024, o que poderá mitigar a necessidade de cortes drásticos em serviços essenciais, como a segurança.

Escrever mensagens em seus telefones foi, durante muito tempo, uma dor de cabeça para os povos indígenas da Amazônia. Agora, um aplicativo facilita a sua comunicação, ao colocar seus idiomas nativos ao seu alcance.

Lançado em agosto de 2022, o "Linklado" — palavra formada pela combinação de "lin", em referência às línguas indígenas, e "klado", derivado da palavra "teclado" — disponibiliza um teclado digital adequado para populações indígenas que vivem em áreas remotas da imensa região amazônica ou em centros urbanos.

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"O aplicativo Linklado traz assim muitas coisas boas pra mim e tantos pra povos indígenas", disse à AFP Cristina Quirino Mariano, de 30 anos, da comunidade ticuna.

"Facilita muito porque antes a gente não conseguia escrever no celular", explica, já que nestas comunidades nem todos dominam o português.

Nos smartphones vendidos no país, só é possível escrever mensagens com caracteres latinos.

Historicamente orais, as culturas indígenas do Brasil entraram no mundo escrito quando os colonizadores europeus procuraram transcrever suas línguas, especialmente para convertê-los ao cristianismo.

Na tentativa de reproduzir melhor os sons dessas línguas, foi necessário encontrar recursos específicos, associando os caracteres do alfabeto latino a um conjunto de acentos e símbolos, conhecidos como "diacríticos" pelos linguistas.

Mas até recentemente nada disso estava disponível nos celulares, indispensáveis para os cerca de 1,7 milhão de indígenas brasileiros, assim como para outros cidadãos do país.

Na falta de um teclado adequado, "os indígenas falavam muito no celular em áudio", explica Noemia Ishikawa, coordenadora do projeto Linklado.

Essa bióloga, de 51 anos, também teve dificuldades para traduzir seu trabalho de pesquisa: "Eu fiquei 14 anos reclamando que precisava de um teclado para resolver esse problema", afirma.

- Quatro dias -

Dois estudantes, nativos da região e não indígenas, atenderam ao seu pedido.

Juliano Portela tinha 17 anos e seu amigo Samuel Benzecry, 18. Alertado por Benzecry sobre as dificuldades que os nativos encontravam, Portela, que já havia aprendido a programar, começou a desenhar a ferramenta com o amigo.

"Demoramos quatro dias para criar o aplicativo, não imaginávamos que faríamos isso tão rápido", afirma Portela.

Os testes começaram em maio de 2022 e foi lançado gratuitamente em agosto do mesmo ano.

Hoje, "o aplicativo funciona para todas as línguas indígenas da Amazônia", ou seja, cerca de quarenta, comemora Portela, que agora estuda nos Estados Unidos, assim como Benzecry.

Até o momento, o aplicativo conta com mais de 3.000 downloads.

Mas, segundo Portela, tem mais usuários diários: "Para as fases de testes usamos um arquivo que enviamos via WhatsApp; alguns nativos enviaram o arquivo entre si antes mesmo do lançamento do aplicativo".

- Renda para as comunidades -

Além da comunicação diária, o aplicativo também permite a tradução de livros e outros textos do português para as línguas indígenas.

Isso permite que algumas mulheres destas comunidades gerem renda, utilizando o seu conhecimento das línguas locais. O projeto denominado "Linkladas" foi criado para reunir essas tradutoras.

Rosilda Cordeiro Da Silva, de 61 anos, é uma delas.

Para esta ex-professora de línguas indígenas, o aplicativo é algo "muito positivo" que lhe permite ter "mais confiança" na hora de fazer traduções.

Além disso, o aplicativo auxilia nos esforços de preservação das línguas indígenas.

Vanda Witoto, uma ativista de 35 anos, tenta "resgatar a língua buré", falada pelo seu povo witoto.

"Esse teclado tem dado a oportunidade da gente não utilizar aqueles símbolos que não são da nossa língua", diz ela.

Além da Amazônia, preservar as línguas nativas é um desafio global.

Metade está condenada a desaparecer até 2100, sendo a maioria línguas indígenas, segundo um relatório publicado pela ONU em 2018.

Representantes de China e Estados Unidos retomaram, nesta terça-feira (30), em Pequim, as conversas estagnadas para frear a produção de ingredientes usados na droga fentanil, ao mesmo tempo em que buscam reconstruir seus abalados canais de comunicação.

Washington espera que a China coopere no ataque às empresas fabricantes dos precursores químicos do fentanil e no corte do financiamento para sua comercialização.

O opioide sintético, várias vezes mais potente do que a heroína, causou uma epidemia de dependência nos Estados Unidos, com 100.000 mortes anuais por overdose até se tornar a principal causa de mortes entre pessoas com idades entre 18 e 49 anos, segundo as autoridades norte-americanas.

A delegação americana em Pequim é liderada pela conselheira adjunta de Segurança Interna, Jen Daskal, e inclui altos funcionários dos departamentos de Estado, Tesouro, Interior e Justiça.

Após ser recebido pelo ministro chinês da Segurança Pública, Wang Xiaohong, Daskal ressaltou que "as drogas sintéticas estão matando muitos milhares de pessoas", segundo um vídeo do encontro.

"Vim de Washington com uma delegação de alto nível que representa a abordagem de todo o governo dos Estados Unidos para enfrentar o desafio global que as drogas ilícitas representam", acrescentou.

"O presidente (Joe) Biden enviou uma delegação tão importante para enfatizar a importância dessa questão para o povo americano", afirmou Daskal.

Wang observou, por sua vez, que a criação de um grupo de trabalho antinarcóticos China-Estados Unidos representa um "importante entendimento comum" alcançado pelos presidentes Xi Jinping e Biden em sua reunião de novembro passado em San Francisco.

- "Profundo" e "pragmático" -

"Nossa cooperação mostra mais uma vez que a relação China-Estados Unidos se beneficia da cooperação e perde com a confrontação", acrescentou Wang, avaliando que as conversas tidas ao longo do dia foram "profundas" e "pragmáticas".

Wang disse esperar que, nas reuniões futuras, as duas partes "levem em consideração as preocupações mútuas para melhorar e ampliar a cooperação, com o objetivo de proporcionar mais energia positiva para relações estáveis, sólidas e sustentáveis entre China e Estados Unidos".

Os Estados Unidos afirmaram que vão "fornecer uma plataforma para facilitar a coordenação destinada a atacar a produção ilegal, o financiamento e a distribuição de drogas ilícitas".

Durante uma reunião com Biden em novembro passado, Xi Jinping prometeu acabar com este comércio.

"Durante anos, a cooperação bilateral antinarcóticos entre os Estados Unidos e a República Popular da China esteve suspensa, o que impediu avanços", disse um funcionário de alto escalão do governo americano na semana passada.

"Mas isso mudou na reunião de 15 de novembro" entre Xi e Biden, acrescentou o funcionário, que falou com os jornalistas sob condição de anonimato.

Desde a cúpula, a China fechou uma empresa, bloqueou pagamentos internacionais e voltou a compartilhar informações sobre embarques e tráfico, acrescentou a mesma fonte.

Yana Lyakh não deixa de sorrir nem mesmo para contar uma história que para muitas mulheres seria traumática. Esta ucraniana de 26 anos está grávida de oito meses, seu marido está lutando no front e sua cidade é incessantemente bombardeada por tropas russas.

Em busca de um lugar seguro, semanas antes de data prevista para o parto ela procurou uma maternidade no município de Pokrovsk, na região de Donetsk, leste da Ucrânia.

"Estou aqui devido ao stress", disse à AFP em um quarto compartilhado com outras gestantes.

É a única maternidade da bacia do Donbass com uma unidade neonatal e incubadoras para bebês prematuros. Apesar dos alertas e bombardeios, não parou de funcionar desde a invasão russa há quase dois anos.

Lyakh vivia em Myrnograd, alguns quilômetros a leste, mais próxima ao front. A Rússia começou a bombardear as duas cidades em 6 de janeiro, o que deixou 11 mortos, incluindo cinco crianças, conta Lyakh.

Assustada com os alertas de ataques aéreos e o risco que seu prédio fosse atingido, "corria do quinto andar até o térreo", explica.

"Por isso vim para cá. Lá, corria risco de um parto prematuro", argumenta.

Em outro leito, Katia Brendyuchkova, aos oito meses de gestação, toma soro. "Estou em risco de parto prematuro", explica.

Seu marido não é soldado, trabalha em uma mina de carvão em Pokrovsk.

- 20% de partos prematuros -

A cidade fica a 30 quilômetros de Avdiivka, uma localidade estratégica que os russos tentam tomar há meses.

A maternidade transformou seu porão em abrigo antibombas e recorre a geradores de energia quando a eletricidade é cortada. Muitos médicos e enfermeiros foram embora e os pacientes também reduziram porque muitos habitantes deixaram a região.

Liubov Datsyk, diretora do departamento neonatal, conta que o número de nascimentos caiu de uma média de mil no ano anterior à guerra para 500 em 2022 e 622 em 2023. Cerca de 20% dos bebês nasceram prematuros em 2023, o dobro dos 10% antes da guerra.

"O parto prematuro é causado por stress, o stress crônico. Nossas pacientes estão em uma espécie de zona cinza e toda a região de Donetsk é uma zona de guerra", explica Ivan Tsyganok, diretor da maternidade.

O stress é agravado pelo fato de que os maridos da metade das gestantes estão no front. "As mulheres estão preocupadas com seus maridos com seus filhos", disse Datsyk.

- Viúvas grávidas -

Há casos de pais mortos na guerra enquanto suas esposas estavam no hospital, contam os profissionais de saúde. Muitas vezes decidiram contar à mãe apenas após o parto, reconhece Datsyk, de 34 anos.

A invasão russa afeta as crianças antes mesmo de nascerem. "Quando temos filhos, queremos que tenham um futuro brilhante. Mas hoje, nascem e há uma guerra, disse Tsyganok à AFP.

Lyakh planeja fazer o parto em Dnipro, uma grande cidade 150 quilômetros a oeste. Depois, ela e sua filha, que se chamará Sofia, se mudarão para a capital Kiev.

Seu marido, de 23 anos, combate atualmente em Avdiivka para conter as forças russas. Uma vez por semana, a visita no hospital. "Deveria ser transferido (para mais perto de Kiev), para que passássemos mais tempo juntos", explica Lyakh.

Brendyuchkova, que já tem uma filha de três anos, está assustada com os constantes bombardeios e quer ir embora. "Quero ir para outro lugar", afirma. "Mas até agora, não há opção. Enquanto meu marido tiver um trabalho estável, ficaremos aqui", conclui.

Os agricultores franceses obstruíram nesta terça-feira (30), pelo segundo dia consecutivo, rodovias cruciais na região de Paris e ameaçam bloquear o importante mercado atacadista de Rungis, à espera do anúncio das "novas medidas" prometidas pelo governo.

O primeiro-ministro Gabriel Attal deve fazer um discurso sobre política geral no período da tarde, no qual são aguardados novos anúncios para tentar reduzir a ira dos trabalhadores rurais da terceira maior potência agrícola europeia e sexta do planeta.

"Vamos assistir o discurso (...) mas há poucas possibilidades de saia alguma coisa", declarou à AFP Yohan François, do sindicato FDSEA, que elogiou a determinação dos agricultores para uma resistência de longo prazo.

A bordo de tratores, os agricultores iniciaram na segunda-feira um "cerco da capital com duração ilimitada", convocado pela maior central agropecuária do país, a FNSEA, e seus aliados do grupo Jovens Agricultores (JA), após 11 dias de protestos.

"Foi uma noite curta, precisamos nos recuperar, mas estamos preparados", afirmou Samuel Vandaele, um trabalhador rural que estava debaixo de uma ponte na rodovia A4, 30 quilômetros ao leste de Paris.

Os agricultores que passaram a noite no local aguardam a chegada de mais de 100 colegas procedentes do noroeste da França. Eles contam com barracas, braseiros, geradores, cerveja e garrafas térmicas de café.

No início da manhã foram registrados mais de 100 quilômetros de engarrafamentos na região de Paris, segundo o site Sytadin.

Do sul do país também avança um comboio de 200 tratores, que saiu na segunda-feira de Agen com destino ao mercado atacadista de Rungis, um dos maiores do mundo, com o objetivo de bloquear o local após a convocação do sindicato Coordenação Rural.

As autoridades mobilizaram um grande dispositivo das forças de segurança para impedir a ação, que não tem unanimidade dentro do movimento agrário. "Nosso objetivo não é matar os franceses de fome", alertou o líder da FNSEA, Arnaud Rousseau.

O setor exige medidas para solucionar a queda das receitas, as aposentadorias baixas, a burocracia administrativa, a inflação das normas ambientais e a concorrência estrangeira, em particular o acordo negociado entre UE e Mercosul.

A Amazon anunciou nesta segunda-feira (29) que desistiu do plano de adquirir a empresa iRobot, fabricante de aspiradores de pó robôs, após uma investigação dos órgãos de defesa da concorrência da União Europeia.

Em um comunicado conjunto, as duas empresas disseram que não haveria caminhos regulatórios para a aprovação por parte do Poder Executivo do bloco.

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A aquisição foi anunciada em 2022, e o plano era investigado desde 2023.

Com o cancelamento, a iRobot anunciou um plano de reestruturação, com uma demissão em massa de mais de 30% dos funcionários, cerca de 350. Colin Angle, CEO e um dos fundadores, deixará o cargo.

O desenvolvimento de outros produtos além dos aspiradores, como purificadores de ar, será interrompido.

Entre os motivos para o início da investigação está o fato de a Amazon vender produtos de concorrentes da iRobot em sua plataforma, levantando o risco de que essas outras empresas tivessem a visibilidade de seus anúncios reduzida.

Com a interrupção, ainda assim a Amazon deverá pagar uma taxa de US$ 94 milhões para iRobot.

Da Ansa

Um tubarão provocou um ferimento grave em uma nadadora, no primeiro ataque na baía de Sydney em 15 anos, anunciaram as autoridades nesta terça-feira (30).

O ataque aconteceu na segunda-feira à tarde quando a mulher, identificada pela imprensa como Lauren O'Neill, 29 anos,  nadava perto do cais em Elizabeth Bay, a menos de dois quilômetros da Ópera de Sydney, afirmou a polícia.

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A mulher sofreu um "ferimento grave na perda direita", segundo um comunicado da polícia da região de Nova Gales do Sul.

Este foi o primeiro ataque de tubarão na baía Sydney desde fevereiro de 2009, quando um mergulhador da Marinha australiana foi mordido no braço e na perna.

Michael Porter, morador da região, afirmou à imprensa que ouviu um grito de socorro e viu a mulher tentando subir uma escada para sair das águas da baía.

Um porta-voz do hospital St Vicent's afirmou que a vítima está no CTI, em condição estável.

A Coreia do Norte disparou vários mísseis de cruzeiro nesta terça-feira (30) em direção a sua costa oeste, informou o Exército da Coreia do Sul, no mais recente teste armamentista executado por Pyongyang.

O Exército da Coreia do Sul "detectou vários mísseis de cruzeiro desconhecidos lançados no Mar do Oeste da Coreia do Norte às 7H00 (19H00 de Brasília, segunda-feira)", afirmou o Estado-Maior Conjunto do país em um comunicado.

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As agências de inteligência da Coreia do Sul e dos Estados Unidos "estão realizando uma análise detalhada", acrescenta a nota.

"Nosso Exército está cooperando estreitamente com o dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que fortalece o acompanhamento e a vigilância, além de monitorar de perto as atividades norte-coreanas", completa o comunicado.

Ao contrário dos mísseis balísticos, os testes de mísseis de cruzeiro não são proibidos pelo regime de sanções da ONU contra a Coreia do Norte.

Os mísseis de cruzeiro geralmente operam com um sistema de retropropulsão e voam a uma altitude menor do que os mísseis balísticos, o que dificulta a detecção e interceptação.

As relações entre as duas Coreias sofreram uma acentuada deterioração nos últimos meses, com a suspensão de acordos para conter a tensão, o aumento da vigilância na fronteira e exercícios com munição real perto da linha que divide a península.

Pyongyang acelerou os testes de armas desde o início do ano. Nas últimas semanas, o regime anunciou que testou um "sistema de arma nuclear subaquático" e um míssil balístico hipersônico de combustível sólido.

Na segunda-feira, a imprensa estatal norte-coreana informou que o líder Kim Jong Un supervisionou o lançamento de um míssil de cruzeiro estratégico a partir de um submarino.

Pyongyang também reivindicou o primeiro teste de uma nova geração de mísseis de cruzeiro.

"Acreditamos que a Coreia do Norte iniciou a produção em larga escala de mísseis de cruzeiro solicitados pela Rússia", declarou à AFP Ahn Chan-il, desertor que se tornou analista e dirige o Instituto Mundial de Estudos Norte-Coreanos.

Estados Unidos e Coreia do Sul acusam o Norte de fornecer armas para a Rússia utilizar em sua guerra contra a Ucrânia, apesar das sanções da ONU que proíbem tais acordos.

"Parece que estão realizando (...) experimentos com este mísseis no mar", disse Ahn.

O Reino Unido vai proibir os cigarros eletrônicos descartáveis, muito apreciados entre os jovens por seu sabor frutado, mas que preocupam médicos e autoridades de saúde, anunciou o governo conservador britânico nesta segunda-feira (29).

Essa medida faz parte de um plano mais ambicioso concebido em outubro pelo Executivo do primeiro-ministro Rishi Sunak para combater o tabagismo.

"Uma das tendências mais preocupantes neste momento é o aumento do 'vaping' entre os jovens e, portanto, devemos agir antes que isso se torne endêmico", declarou Sunak em um comunicado.

"Ainda não sabemos as consequências do 'vaping' para a saúde, por isso é normal que tomemos medidas contundentes para erradicar esse fenômeno", acrescentou o primeiro-ministro durante sua visita a uma escola no nordeste da Inglaterra.

Após o anúncio, a ministra da Saúde, Victoria Atkins, disse à BBC que a proibição poderá entrar em vigor no início do próximo ano.

Além da proibição dos cigarros eletrônicos descartáveis, o Reino Unido também vai reduzir o número de sabores autorizados para os cigarros eletrônicos clássicos, tornar suas embalagens menos atrativas e regular a forma como estes produtos são apresentados nas lojas, de modo que sejam menos visíveis para os consumidores jovens.

Segundo dados oficiais, entre os jovens dos 11 aos 17 anos que fumam vape, a proporção dos que consomem cigarros eletrônicos descartáveis se multiplicou por nove em dois anos.

O governo "quer ajudar as crianças a evitar serem atraídas pelo vício da nicotina, para o qual o 'vaping' costuma ser uma porta de entrada", disse a ministra da Saúde, Victoria Atkins, à BBC.

O tabagismo é a principal causa de morte evitável no Reino Unido, lembrou o governo britânico nesta segunda-feira, sendo a causa de aproximadamente uma em cada quatro mortes por câncer.

Em outubro passado, o primeiro-ministro anunciou, ainda, que pretende ampliar a proibição da venda de cigarros para que o Reino Unido se torne, progressivamente, um país livre do tabaco. Hoje, a idade legal para comprar cigarros no país é 18 anos, e o governo pretende aumentá-la de forma progressiva.

O ministro iraniano das Relações Exteriores visitou o Paquistão com a missão de aliviar as tensões após os bombardeios dos dois lados da fronteira que colocaram as relações diplomáticas em risco.

O governo paquistanês divulgou fotos e vídeos do ministro iraniano Hossein Amir-Abdollahian em seu desembarque no domingo em Islamabad, onde ele se reunirá com o chanceler Jalil Abbas Jilani e com o primeiro-ministro interino, Anwaar-ul-Haq Kakar.

O Paquistão efetuou no dia 18 de janeiro um bombardeio aéreo contra o que chamou de "alvos militantes" no Irã, dois dias após ataques similares iranianos contra seu território.

Os bombardeios mútuos na região de fronteira do Baluchistão, dividida entre os dois países, provocou tensões em uma região já afetada pela guerra entre Israel e Hamas.

O ataque iraniano, que segundo o Paquistão matou duas crianças, gerou fortes críticas de Islamabad, que convocou seu embaixador em Teerã e impediu o retorno do enviado diplomático iraniano.

O Irã também convocou o encarregado de negócios do Paquistão devido aos ataques de Islamabad, que deixaram pelo menos nove mortos.

Mas os dois países anunciaram pouco depois a decisão de reduzir o conflito e permitir o retorno dos embaixadores aos seus postos.

O líder norte-coreano Kim Jong Un supervisionou os testes de dois mísseis de cruzeiro lançados a partir de um submarino, informou a imprensa estatal nesta segunda-feira (29), em meio a tensões crescentes entre Coreia do Norte e Coreia do Sul.

Os dois mísseis Pulhwasal-3-31 "voaram no céu acima do Mar do Leste... para atingir o alvo insular" no domingo, afirmou a agência estatal de notícias estatal KCNA, acrescentando que Kim Jong Un "guiou" o lançamento.

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Segundo a KCNA, os mísseis permaneceram no ar por 7.421 segundos e 7.445 segundos, mas a agência não informou a distância percorrida ou se foram lançados abaixo ou acima da superfície do mar.

O Exército sul-coreano anunciou no domingo que detectou mísseis de cruzeiro lançados nas águas próximas à área de Sinpo, na Coreia do Norte.

O Pulhwasal-3-31 é uma nova geração de míssil de cruzeiro estratégico que Pyongyang afirmou ter testado pela primeira vez na quarta-feira da semana passada, com vários disparos em direção ao Mar Amarelo.

Os testes de domingo a partir de um submarino "não tiveram nenhum impacto na segurança de um país vizinho e não têm nada a ver com a situação regional", afirmou a KCNA.

A agência acrescentou que Kim "expressou grande satisfação" com os lançamentos, "que têm importância estratégica na execução do plano de modernização militar que pretende criar uma força naval poderosa".

O líder norte-coreano também inspecionou "a construção de um submarino nuclear" e discutiu questões relacionadas com a fabricação de navios, segundo a imprensa estatal..

A capacidade norte-coreana de lançamento a partir do mar não é clara. Testes anteriores foram realizados a partir de navios mais antigos ou de uma plataforma subaquática.

Em março do ano passado, a Coreia do Norte lançou dois mísseis de cruzeiro que percorreram 1.500 km, segundo Pyongyang, o que permitiria atingir todo o território da Coreia do Sul e do Japão.

O Norte também possui um míssil balístico lançado por submarino (SLBM) chamado Pukguksong-3, com alcance calculado de 1.900 km. Em outubro de 2021, o país anunciou o teste bem-sucedido de uma nova versão deste míssil.

- Desenvolvimento naval -

O SLBM pode ser lançado do fundo do mar, o que significa muita mobilidade e dificulta a detecção.

A capacidade comprovada de SLBM da Coreia do Norte levaria o arsenal do país a um novo nível, ao permitir o avanço além da península coreana e uma resposta em caso de um ataque.

Aumentar o poder naval do país foi uma das decisões da reunião de fim de ano do regime. A presença de Kim para supervisionar o lançamento de domingo é um indício da direção da política de defesa para este ano, segundo analistas.

O país também realizou exercícios com o que chamou de seu "primeiro submarino de ataque tático nuclear".

Pyongyang tem acelerado os testes de armas, incluindo testes do que chamou de "sistema de arma nuclear subaquático" e de um míssil balístico hipersônico de combustível sólido.

Ao contrário dos mísseis balísticos, os testes de mísseis de cruzeiro não são proibidos pelas atuais sanções da ONU contra Pyongyang.

Os mísseis de cruzeiro tendem a ser impulsionados por jatos e voam a uma altitude mais baixa do que os mísseis balísticos mais sofisticados, tornando-os mais difíceis de detectar e interceptar.

As relações entre as duas Coreias sofreram uma acentuada deterioração nos últimos meses, com ambos os lados abandonando acordos-chave de redução de tensões, intensificando a segurança na fronteira e conduzindo exercícios ao longo da fronteira.

O módulo lunar japonês SLIM retomou as operações, o que sugere que conseguiu restaurar o fornecimento de energia, anunciou a agência espacial JAXA nesta segunda-feira (29).

O anúncio é uma boa notícia para o programa espacial japonês, nove dias após o pouso do módulo na superfície lunar no ângulo equivocado, com poucas horas de energia restante.

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"Ontem à noite conseguimos restabelecer a comunicação com SLIM e retomamos as operações", afirmou a agência japonesa na rede social X.

"Imediatamente começamos as observações científicas com a MBC (câmera espectroscópica multibanda) e obtivemos a primeira luz para observação de 10 bandas", acrescentou.

A JAXA também publicou no X uma imagem capturada pela sonda de uma rocha observada perto do módulo.

O módulo SLIM (Smart Lander for Investigating Moon) realizou um pouso histórico a 55 metros de seu alvo inicial, um alto grau de precisão, o que tornou o Japão apenas o quinto país a conseguir pousar na Lua, depois de Estados Unidos, União Soviética, China e Índia.

Três horas depois da alunissagem, no entanto, a JAXA decidiu desligar o SLIM, que tinha apenas 12% de energia restante, para permitir uma possível retomada das operações com a mudança do ângulo solar.

O módulo concretizou o objetivo de pousar a 100 metros de seu alvo, uma precisão muito maior do que outras alunissagens, que segundo especialistas geralmente têm margem de vários quilômetros.

SLIM deveria pousar em uma cratera, na qual se acredita ser possível acessar o manto da Lua, a camada abaixo da crosta que normalmente é encontrada em grande profundidade.

Duas sondas se separaram com sucesso, segundo a JAXA, uma delas com um transmissor e outra projetada para percorrer a superfície lunar e enviar imagens de volta à Terra.

Este pequeno veículo espacial, um pouco maior do que uma bola de tênis, foi desenvolvido em conjunto com a empresa que criou os brinquedos Transformer.

Rússia, China e outros países, da Coreia do Sul aos Emirados Árabes Unidos, também têm projetos para pousos na Lua.

O módulo lunar Peregrine, da empresa americana Astrobotic, começou a perder combustível depois da decolagem este mês, o que encerrou a missão.

A Nasa também adiou suas missões lunares tripuladas do programa Artemis.

As duas missões lunares anteriores do Japão, uma pública e outra privada, fracassaram.

Em 2022, o país lançou, sem sucesso, uma sonda lunar chamada Omotenashi como parte da missão americana Artemis 1.

Em abril do ano passado, a startup japonesa ispace tentou, sem sucesso, tornar-se a primeira empresa privada a conseguir um pouso na Lua, mas perdeu a comunicação com a sua nave após uma "pouso forçado".

Duas ativistas jogaram sopa contra o vidro blindado que protege a "Mona Lisa" no Museu do Louvre de Paris neste domingo (28), em uma manifestação para exigir o "direito a uma alimentação saudável e sustentável".

O quadro mais famoso do mundo, também conhecido como "La Gioconda" e que é exposto atrás de um vidro de proteção desde 2005, já foi vítima de atos de vandalismo em diversas ocasiões. Em maio de 2022, por exemplo, foi alvo de uma torta de creme, que não afetou a obra.

O Louvre acionou uma unidade de crise e a sala de exibição do quadro de Leonardo da Vinci foi evacuada e passa por uma operação de limpeza.

A ação foi reivindicada, em um comunicado enviado à imprensa, por um grupo francês denominado "riposte alimentaire" (resposta alimentar).

"O que é mais importante? A arte ou o direito a uma alimentação saudável e sustentável?", perguntaram as duas ativistas diante do quadro.

O grupo descreveu o lançamento da sopa como "a largada (de uma) campanha de resistência civil, com uma reivindicação clara que beneficia a todas e todos: a segurança social de uma alimentação sustentável".

Nos últimos meses, diversos ativistas executaram ações contra obras de vários museus em diversos países.

Em outubro de 2022, dois jovens com camisas do movimento "Just Stop Oil" jogaram sopa de tomate na direção da obra "Girassóis" de Van Gogh, também protegido por um vidro, na National Gallery de Londres.

Uma pessoa morreu neste domingo (28) em uma igreja italiana de Istambul, Turquia, durante um ataque armado no momento em que uma missa era celebrada, informou o ministério do Interior.

O ataque foi executado por volta de 11h (5h de Brasília) no distrito Sariyer de Istambul por um grupo de homens encapuzados, informou o ministro do Interior, Ali Yerlikaya, nas redes sociais. Uma investigação foi aberta, acrescentou.

Policiais e ambulâncias foram enviados ao local, segundo imagens exibidas por canais de televisão.

Segundo o ministro, uma pessoa que acompanhava a cerimônia, identificada com as iniciais C. T., morreu no ataque.

"Condenamos com veemência este ataque desprezível", afirmou Yerlikaya.

Os criminosos atiraram contra um cidadão em plena missa, disse Omer Celik, porta-voz do Partido pela Justiça e Desenvolvimento (AKP), que governa a Turquia.

"Nossas forças de segurança estão realizando uma investigação em larga escala", declarou. "Aqueles que ameaçam a paz e a segurança dos nossos cidadãos nunca alcançarão seus objetivos", acrescentou.

Após a bênção do Angelus, o papa Francisco falou sobre o ataque.

"Expresso minha proximidade com a comunidade da igreja Santa Maria Draperis de Istambul, que durante a missa foi alvo de um ataque armado que deixou um morto e vários feridos", declarou o pontífice após a oração do Angelus na Praça de São Pedro, Vaticano.

A motivação do ataque ainda não foi determinada.

Em dezembro, as forças de segurança turcas prenderam 32 pessoas suspeitas de integrar o grupo extremista Estado Islâmico (EI) e de planejar atentados contra sinagogas, igrejas e a embaixada do Iraque.

As detenções aconteceram em nove cidades, incluindo Istambul e Ancara, a capital.

Nos últimos meses, a Turquia reforçou as operações contra os membros do EI, grupo que reivindicou vários atentados no país, incluindo o de 1º de janeiro de 2017 contra uma casa noturna de Istambul, que deixou 39 mortos.

O secretário-geral da ONU pediu garantias à continuidade das operações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), depois que uma polêmica vinculada aos ataques do Hamas em 7 de outubro provocou a suspensão do financiamento por vários países.

Doze funcionários da UNRWA foram acusados de participação nos ataques de 7 de outubro contra o território de Israel que provocaram a guerra na Faixa de Gaza.

O governo dos Estados Unidos anunciou na sexta-feira a suspensão temporária do financiamento à agência, uma decisão que também foi adotada por Austrália, Canadá, Itália, Reino Unido, Finlândia, Países Baixos e Alemanha.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, fez um apelo no sábado aos "governos que suspenderam as contribuições para que, ao menos, assegurem a continuidade das operações da UNRWA".

"Dois milhões de civis de Gaza dependem da ajuda crítica da UNRWA para sua sobrevivência diária, mas o financiamento atual da UNRWA não permitirá cobrir todas as suas necessidades em fevereiro", insistiu.

Ao mesmo tempo, o Exército israelense informou neste domingo que os "combates intensos" prosseguiam no território palestino e que eliminou "terroristas", além de ter apreendido "grandes quantidades de armas"

- "Atos abjetos" -

A guerra começou quando o grupo islamista atacou o sul de Israel em 7 de outubro, matou quase 1.140 pessoas, a maioria civis, e sequestrou quase 250, segundo um balanço da AFP baseado nos dados divulgados palas autoridades israelenses. Entre os mortos estavam mais de 300 militares.

Em resposta, Israel efetua uma ofensiva aérea e terrestre em Gaza que deixou até o momento 26.422 mortos, a maioria mulheres, crianças e adolescentes, segundo o Ministério da Saúde do Hamas.

Guterres confirmou que as "acusações extremamente graves" sobre 12 funcionários da UNRWA estão sendo investigadas internamente pela ONU. A agência demitiu nove deles, um foi "confirmado morto" e as identidades de outros dois estavam sendo "determinadas", acrescentou o secretário-geral.

"Os supostos atos abjetos destes funcionários devem ter consequências, mas não devem penalizar dezenas de milhares de homens e mulheres que trabalham para a agência", destacou.

O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, acusou Guterres de ignorar "as evidências" do envolvimento da UNRWA na "incitação e terrorismo".

O Hamas denunciou as "ameaças" israelenses contra a UNRWA e fez um apelo à ONU e outras organizações internacionais para que "não cedam às ameaças e à chantagem".

- "Condições de desespero" -

As relações tensas entre Israel e a UNRWA pioraram depois que a agência denunciou um ataque na quarta-feira (24) contra um abrigo de deslocado em Khan Yunis, principal cidade do sul de Gaza e epicentro da guerra.

Os hospitais Nasser e Al Amal de Khan Yunis estão quase sem condições de atender pacientes sob ataques intensos.

Segundo o Crescente Vermelho palestino, as cirurgias foram suspensas no hospital Al Amal por falta de oxigênio.

O Exército israelense acusa o Hamas de operar a partir de túneis construídos debaixo dos hospitais de Gaza, o que o grupo nega.

Os combates obrigam os palestinos a fugir para o sul, na direção de Rafah, perto da fronteira com o Egito, onde, segundo a ONU, estão concentrados 1,3 dos 1,7 milhão de deslocados em "condições de desespero".

As ruas por onde passa o esgoto estão lotadas com centenas de milhares de barracas, abrigos inúteis contra as chuvas torrenciais que caíram nos últimos dias, segundo correspondentes da AFP.

"Não encontrei refúgio, não encontrei uma tenda, não encontrei nada", lamentou Umm Imad, de 70 anos, deslocado do leste de Khan Yunis e que seguiu para Rafah.

- Cessar-fogo -

Os combates prosseguem, assim como os esforços diplomáticos para tentar obter uma trégua.

O chefe do serviço de inteligência dos Estados Unidos, William Burns, se reunirá nos próximos dias em Paris com os homólogos de Israel e do Egito, assim como com o primeiro-ministro do Catar, para negociar um possível cessar-fogo, informou uma fonte do setor de Defesa à AFP.

O jornal New York Times informou no sábado que os negociadores se aproximaram de um acordo para que Israel suspenda a guerra em Gaza por dois meses em troca da libertação de mais de 100 reféns.

Com base em fontes do governo americano não identificadas, o jornal afirmou que um rascunho do acordo será discutido em Paris.

Segundo as autoridades israelenses, 132 sequestrados permanecem retidos no território palestino e o governo acredita que 28 estão mortos.

No sábado, Tel Aviv foi cenário de uma nova manifestação para exigir o retorno dos reféns.

Porém, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou sua posição: "Se não eliminarmos os terroristas do Hamas (...) o próximo massacre será questão de tempo".

O papa Francisco afirmou nesta sexta-feira (26) que as bênçãos para casais homoafetivos, cuja autorização provocou controvérsia na Igreja Católica, são para pessoas, e não para uniões.

Em audiência com membros do Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão herdeiro da Santa Inquisição, o pontífice disse também que essa bênção deve acontecer "fora de qualquer contexto e forma de caráter litúrgico" e "não exige uma perfeição moral para ser recebida".

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"Quando um casal se aproxima espontaneamente para pedi-la, não se abençoa a união, mas simplesmente as pessoas que a pedem. Não a união, mas as pessoas, naturalmente levando em conta o contexto e a sensibilidade dos lugares onde se vive e das modalidades adequadas para fazê-lo", explicou o Papa.

Segundo Francisco, a intenção das "bênçãos pastorais e espontâneas é mostrar concretamente a proximidade da Igreja a todos aqueles que, encontrando-se em diversas situações, pedem ajuda para percorrer um caminho de fé".

O Vaticano, com aval de Jorge Bergoglio, autorizou bênçãos a casais homoafetivos em dezembro passado, desde que essa prática não tenha aspectos ritualísticos nem seja confundida com o sacramento do matrimônio.

A decisão, no entanto, foi alvo de duras críticas do clero conservador, e um arcebispo italiano, Carlo Maria Viganò, um conhecido desafeto do pontífice, chegou a acusá-lo de ser um "usurpador" e "servo de Satanás".

Além disso, outros arcebispos, como o de Nairóbi, Philip Anyolo, ignoraram a nova diretriz do Vaticano e proibiram padres de abençoarem casais homoafetivos.

Da Ansa

Vestidas de preto em sinal de luto, cerca de 300 mulheres marcharam nesta quinta-feira (25) em Tegucigalpa, a capital de Honduras, até o Congresso Nacional, no Dia da Mulher Hondurenha, em protesto contra o aumento dos feminicídios no país.

"Viemos exigir que a vida das mulheres hondurenhas seja respeitada, por isso viemos a este Congresso Nacional", disse no megafone uma ativista que cobria seu rosto e cabelo com lenços pretos.

A polícia colocou barreiras ao redor do Congresso, onde se iniciava uma nova legislatura com a participação da presidente Xiomara Castro, mas as manifestantes conseguiram superá-las e chegaram à parte baixa do edifício.

"Estamos marchando hoje contra toda a violência, desde a do lar até a feminicida. Exigimos a aprovação da Lei Integral Contra a Violência, prometida pela presidente. Não podemos esperar", declarou à AFP a manifestante Sandra Deras.

Segundo o Centro de Direitos das Mulheres, a violência contra a mulher vem crescendo em Honduras. Nos primeiros 15 dias de 2024, ao menos 15 mulheres foram assassinadas.

O Observatório da Violência da Universidade Nacional Autônoma de Honduras aponta que, em 2023, foram registrados 380 feminicídios, enquanto em 2022 foram 308.

De acordo com a ONU Mulheres, Honduras é o quinto país com a maior taxa de feminicídios do mundo, 6,47 para cada 100.000 habitantes, o que o coloca como o mais perigoso da América Latina para a mulher.

O custo dos danos causados pelo terremoto no Ano Novo, que matou ao menos 236 pessoas no centro do Japão, pode chegar a 17,6 bilhões de dólares (86,6 bilhões de reais na cotação atual), disse nesta sexta-feira um funcionário do governo japonês.

O terremoto de magnitude 7,5 e suas réplicas devastaram grandes áreas da província de Ishikawa, na costa do Mar do Japão, destruindo edifícios, estradas e causando grandes incêndios.

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Segundo uma estimativa do governo, os danos em Ishikawa e em duas outras regiões vizinhas podem custar entre 1,1 bilhão e 2,6 bilhões de ienes (7,4 bilhões de dólares a 17,6 bilhões de dólares), confirmou o funcionário.

Estes números ficam muito abaixo dos 16,9 bilhões de ienes de danos causados pelo terramoto e tsunami de 2011 no nordeste do Japão, que matou 18.500 pessoas e causou um desastre nuclear na central de Fukushima.

As autoridades revelaram na quinta-feira os detalhes dos planos de reconstrução de Ishikawa, onde a neve e os danos na rede rodoviária complicaram as tarefas de resgate e assistência.

Embora o país esteja habituado a terremotos e tenha regulamentos de construção rigorosos, algumas zonas rurais, como as afetadas por este terremoto, têm estruturas mais antigas e desprotegidas.

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