O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) mudou de direção e deve arriscar uma vaga no Poder Legislativo em 2022, pelo estado do Mato Grosso do Sul, onde nasceu. Dessa forma, seu nome é retirado da disputa presidencial e a União Brasil, que será presidida por Luciano Bivar, presidente do PSL, fica novamente sem novos nomes cotados para as Eleições 2022. A decisão foi comunicada diretamente pelo médico à cúpula da União, que é um resultado da fusão entre DEM e PSL, e confirmada por Bivar. As informações são da CNN.

“O Mandetta declinou e pretende sair candidato para o Senado ou Câmara no Mato Grosso do Sul. Nós queremos sair com uma candidatura própria, mas não descartamos fazer composições”, disse Bivar à reportagem.

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Assim, a “terceira via” promovida pelo novo partido fica mais enxuta. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o apresentador de TV, José Luiz Datena, ex-bolsonarista, eram duas das opções de presidenciáveis para a nova sigla. Os dois decidiram, porém, se filiar ao PSD. Pacheco segue como pré-candidato ao Planalto. Datena pretende tentar uma vaga no Senado. 

Ainda de acordo com Luciano Bivar, a legenda agora discute apoiar um desses três nomes da terceira via: o ex-ministro Sérgio Moro, do Podemos; o candidato do PSDB, que ainda definirá seu nome nas prévias entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) e o senador Arthur Virgilio; ou o MDB, que vai lançar a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS). Também não está descartada uma candidatura própria, mas ainda não há indicados. 

O ex-herói da Lava Jato recém se filiou ao Podemos e desde 10 de novembro, se lançou como pré-candidato à Presidência. O advogado já aparece nas pesquisas mais recentes para o próximo ano, transitando entre a quinta e a terceira posição. Na última pesquisa da Quaest, ele era o terceiro lugar da disputa, com 8%, contra 48% de Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva e 21% de Jair Bolsonaro (sem partido). 

Dentro do União Brasil, no entanto, uma ala advoga para que a legenda não se comprometa com qualquer candidatura e libere os filiados a formar palanques regionais de acordo com seus interesses. 

A presidente do Podemos, Renata Abreu, afirmou que o ex-juiz Sergio Moro está “entusiasmado” com a possibilidade de concorrer à presidência pelo partido. Em entrevista ao Valor Econômico, ela contou que Moro deve confirmar a decisão de encabeçar - ou não - a campanha da chamada “terceira via” até o começo de novembro.

“Eu acho que ele está bem entusiasmado com a ideia [de se candidatar a presidente]”, disse a deputada Renata Abreu. “Ele voltou para os Estados Unidos agora para fazer uma conversa com a família dele. Temos até o comecinho de novembro para ele dar essa resposta”, continuou.

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Ex-titular da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (sem partido), Moro atualmente mora nos Estados Unidos, onde trabalha como consultor jurídico no escritório Alvarez & Marsal. Na segunda quinzena de setembro, no entanto, o ex-juiz desembarcou no Brasil para cumprir uma série de compromissos de trabalho e também relacionados à articulação política.

Durante a estadia, de acordo com Abreu, Moro se mostrou mais inclinado a encabeçar a chapa do Podemos em 2022. O partido, que tem a terceira maior bancada no Senado, iniciou os diálogos sobre a candidatura do protagonista da Operação Lava Jato desde julho deste ano, mas ainda não bateu o martelo sobre as possíveis alianças.

“Primeiro é preciso confirmar a decisão dele, não adianta fazer qualquer conversa antes. E muitos partidos agora estão em fase de definição de seus candidatos, então acho que novembro vai ser o mês de definição de alguns dos majoritários e aí começarão as conversas sobre alianças”, disse a deputada.

Entre os nomes que também se reuniram com Moro durante sua passagem pelo Brasil, estão o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), ambos cotados para a disputa presidencial em seus respectivos partidos. Oficialmente, Sérgio Moro ainda não falou sobre a possibilidade de ser candidato.

 

Com a concorrência de partidos da direita por sua candidatura, na noite dessa quinta-feira (30), o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, jantou com outros dois interessados em representar a 'terceira via' na disputa à Presidência: o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Desejado pelas siglas, Moro teria indicado que só apoiará projetos que defendam a retomada da prisão após condenação em segunda instância. 

Com direito a brinde com o slogan 'O Brasil nos une', antes de tocarem as taças, Doria tentou convencer Moro a se candidatar ao Senado por São Paulo. Segundo O Globo, este não é o interesse inicial do ex-juiz da Lava Jato.

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O Podemos já havia feito a oferta para que Moro pudesse escolher se disputava por São Paulo ou pelo Paraná, mas também se disponibilizou em escolhê-lo como candidato do partido ao Executivo Federal, conforme o Congresso em Foco. 

Antes do encontro, Moro e Mandetta cumpriram agenda com lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) para debater sobre o apoio nas eleições. 

Com diversas ofertas para analisar, Moro deve confirmar seu destino após o resultado do PSDB sobre seu candidato e também segue atento à fusão do DEM ao PSL.

A pesquisa de intenção de votos para a Presidência da República no pleito de 2022, divulgada pelo Ipec na noite desta quarta-feira (22), revelou um cenário pouco definido para os candidatos da chamada “terceira via”. Segundo o levantamento realizado entre os dias 16 e 20 de setembro, nomes como Datena (PSL), João Doria (PSBD) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) pontuam de 1% a 3%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No primeiro cenário simulado pelo instituto, o governador de São Paulo, João Doria, aparece com 3% das intenções de voto. No segundo, 2%. Ele protocolou a inscrição como pré-candidato à Presidência da República na última segunda-feira (20) e ainda precisa disputar as prévias do partido com os nomes de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, Tasso Jereissati, senador pelo Ceará, e o ex-prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio Neto.

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Seguindo a mesma tendência, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), foi citado por 3% da população na primeira simulação. Na segunda, pontuou 1%. Nesta quarta-feira (22), após a reunião da Executiva Nacional do DEM, que aprovou a fusão com o PSL, o ex-titular de Jair Bolsonaro (sem partido) mostrou entusiasmo no que chamou de “chance de viabilizar a terceira via”.

Já Datena (PSL-SP), que não foi incluído no primeiro cenário, aparecendo na segunda simulação com 3% das intenções de voto, se mostrou apreensivo com o avanço das negociações entre as legendas. Durante entrevista à Revista Veja no início da semana, o apresentador elogiou os nomes de Mandetta e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, para “vice” e deixou claro que só ficará no PSL caso seu nome seja cabeça de chapa na disputa eleitoral. Na mesma ocasião, acenou ao PDT com elogios a Ciro Gomes (PDT-CE).

Primeiro cenário

Entre os candidatos que compuseram o primeiro cenário simulado pelo Ipec, estão Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera com 48% das intenções de voto, Jair Bolsonaro (sem partido), 23%, Ciro Gomes (PDT), 8%, João Doria e Luiz Henrique Mandetta. Os votos brancos ou nulos somam 10%. Não sabem ou preferiram não responder são 4%.

Polarização

Na segunda simulação, a polarização entre Lula, que teria 45% dos votos e Bolsonaro, com 22%, permanece. Além de Doria, Datena e Mandetta, Ciro aparece com 6%; o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, teria 1%; e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Simone Tebet (MBD-MS), também senadora, não pontuam. Brancos e nulos somam 9%, não sabem ou não responderam, 5%.

Para este levantamento, o instituto ouviu 2.002 pessoas em 141 municípios. O nível de confiança é de 95%.

 

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), pediu para que a população fique em casa neste 7 de setembro. "Tudo que Bolsonaro quer é que alguém saia ferido para justificar uma escalada autoritária", publicou Mandetta em sua conta no Twitter.

O democrata disse ainda: "Se você quer protestar contra Bolsonaro, como eu, vá às ruas em outra data. Não seja instrumento de políticos que semeiam o caos, você merece mais", escreveu.

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No último sábado (4), o ex-ministro perguntou qual será o motivo do protesto das pessoas. ""O aumento da fome e do desemprego, a gasolina cara, a crise energética, as mansões ou a impunidade do presidente e da família dele?", indagou. 

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Após um ano e quatro meses de campanha para os medicamentos ineficazes contra a Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, o Ministério da Saúde admitiu que os medicamentos do chamado “kit covid’ são ineficazes no tratamento contra o coronavírus. Essa foi a primeira vez que a esfera federal se posicionou como ciente da não-recomendação dos medicamentos, através de documentos oficiais.

O posicionamento foi considerado tardio por muitas figuras políticas e da administração pública, como o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que deixou o Ministério após conflitos de interesse com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e que estavam relacionados a uma discordância quanto à agenda negacionista do PR, adepto ao tratamento precoce, apesar da ineficácia comprovada ainda em 2020.

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“Após um ano, sete meses e 536 mil mortes, o Ministério da Saúde fala baixinho que ‘tratamento precoce’ não é recomendado. Demorou hein? Alô Conselho Federal de Medicina, agora só falta você! Ciência!!!”, escreveu Mandetta.

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"Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população", diz o documento enviado à CPI da Covid, após solicitação do senador Humberto Costa (PT-PE).

Nova pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (9), mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nas intenções de voto para a eleição presidencial de 2022. Lula aparece em primeiro lugar na totalidade dos cenários envolvidos, com destaque ao segundo turno, onde venceria o atual chefe do Executivo com 58% contra 31%. O estudo foi realizado entre a quarta (7) e quinta-feira (8). Nele, 2.074 eleitores foram ouvidos presencialmente pelo Brasil. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Em maio, o Datafolha havia feito outra pesquisa com o mesmo teor, mas houve oscilação nos índices. Na anterior, o petista tinha 55% e o atual presidente, 32%. Lula também lidera nos dois cenários apresentados para o eleitor e em todas as simulações de disputa de segundo turno contra outros candidatos.

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No levantamento anterior do Datafolha, feito em 11 e 12 de maio, Lula tinha 21% na espontânea, Bolsonaro marcava 17% e Ciro Gomes (PDT), 1%. Agora, o petista pula para 26%, o presidente oscila para 19% e o pedetista, para 2%. Outros candidatos marcam 2%, como em maio, e votam em nulo ou branco 7% (8% antes). O índice dos que dizem não saber passou de 49% para 42%.

Nos dois cenários de primeiro turno testados pelo Datafolha, os principais rivais estão na mesma. Lula fica à frente com 46%, ante 25% do presidente. Ciro marca 8% numa e 9%, na segunda. Numa hipótese e noutra, 10% dizem que não votam em ninguém. Nesse cenário, em votos válidos Lula chega a 52%, o que dentro da margem de erro lhe garantiria a vitória em primeiro turno na eleição. Os índices da pesquisa estimulada ficam assim:

Cenário A:

Lula (PT) – 46%

Bolsonaro (sem partido) – 25%

Ciro Gomes (PDT) – 8%

João Doria (PSDB) – 5%

Luiz Henrique Mandetta (DEM) – 4%

Em branco/nulo/nenhum – 10%

Não sabem – 2%

Cenário B:

Lula (PT) – 46%

Bolsonaro (sem partido) – 25%

Ciro Gomes (PDT) – 9%

Luiz Henrique Mandetta (DEM) – 5%

Eduardo Leite (PSDB) – 3%

Em branco/nulo/nenhum – 10%

Não sabem – 2%

O tucanos mais cotados – o governador paulista, João Doria, e o governador gaúcho, Eduardo Leite – também foram citados, já que deverão disputar as prévias do PSDB em novembro.

Com o paulista no primeiro cenário, os tucanos chegam a 5%, enquanto o DEM com o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta chega a 4%. Há empate técnico para eles, entre si, e com Ciro. Já na segunda fotografia, com o gaúcho, o tucano faz 3%, e o ex-ministro, 5% —empatando com o pedetista no limite da margem de erro.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou a participação de militares da ativa no Ministério da Saúde, no que diz respeito à condução da pandemia da Covid-19. Para o médico, não há preparo suficiente por parte dos agentes das Forças Armadas para assumir os postos que foram concedidos na pasta. Por outro lado, Mandetta diz que os militares foram colocados em uma "arapuca" montada pelo presidente Jair Bolsonaro (partido), que assim, teria mais facilidade em encontrar os responsáveis pelos erros da sua gestão. As declarações foram feitas em entrevista ao Metrópoles, nesta sexta-feira (9).

Mandetta disse que há “uma relação direta entre a ocupação militar burra [do Ministério da Saúde] com as mortes [que poderiam ter sido evitadas com a vacinação mais célere]”.

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"Do ponto de vista da Saúde, os militares foram péssimos. Se fosse um país onde se responsabilizam as pessoas por mortes causadas por dano à saúde, eles tinham que ser condenados. Os militares não são cúmplices, são co-autores do governo Bolsonaro. No caso da Saúde, praticamente a totalidade dos que foram fazer a intervenção militar no Ministério da Saúde, não tinham preparo para o assunto e é quase a totalidade da ativa. E aí quando vem a consequência através de um inquérito, é claro que vão aparecer as faces desse mau uso da força militar. Aí eles se tornam reféns do Bolsonaro, que os colocou dentro dessa arapuca", declarou o ex-chefe da pasta.

O ex-ministro defendeu a aprovação de uma legislação que determine que militares só possam assumir cargos públicos civis após deixarem formalmente as forças às quais são vinculados. “Não dá para ficar nesse limbo”, avaliou. “Somando salários. E isso incorpora para a aposentadoria. Quer dizer, uma coisa mesquinha”, completou.

Ainda falando sobre a atuação dos militares da ativa no Governo, o ex-ministro criticou a postura do Exército diante das declarações feitas pelo senador e presidente da CPI da Covid, Omar Oziz (PSD-AM), durante sessão da Comissão. Mandetta reconheceu a "nota de repúdio" como "ameaça".

Na última quarta-feira (7), o ministro da Defesa, Walter Braga Neto, e os comandantes das Forças Armadas divulgaram nota em repúdio a declarações de Aziz. O senador disse, durante a sessão para ouvir Roberto Dias, que “há muitos anos o Brasil não via membros do lado pobre das Forças Armadas envolvidos em falcatrua dentro do governo”. Na nota, Braga Neto e os comandantes afirmaram que o parlamentar desrespeitou as Forças Armadas e que “não aceitarão qualquer ataque leviano”.

Para Mandetta, o texto é uma ameaça. O ex-ministro classificou a manifestação como “desproporcional e extremamente agressiva ao Senado da República”. “Foi uma ameaça. O Brasil está um barril de pólvora, com álcool, palha, gasolina, e o Bolsonaro está querendo fumar. Todo dia ele fala que não vai ter eleição, que a urna não presta, que é o 'meu Exército'. A crise militar que tivemos no dia 30 de março, com a exoneração do ministro da Defesa, Fernando (Azevedo), deixou todos desconfortáveis com a utilização de militares da ativa, como é o caso do general Pazuello nomeado como Ministro da Saúde", destacou o ex-titular da Saúde.

Sobre erros e possíveis crimes cometidos pela gestão da Saúde, Luiz Henrique Mandetta mencionou que houve "patrocínio" de uma série de medidas sem base científica pelo Ministério da Saúde, sem serem revistas pela Conitec ou recomendadas pela Anvisa, que já é fruto de ação de improbidade contra o general Pazuello.

"Depois se tem a saída do Ministério da Saúde de qualquer tipo de prestação de contas à sociedade ou de orientação aos estados. Houve falta de atuação do Governo Federal, falta de testes, os testes venceram no depósito do Ministério, provavelmente porque eles acreditam na tese da imunidade de rebanho e outras teses", concluiu.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, usou o Twitter para se manifestar sobre a acusação de que o governo do presidente Jair Bolsonaro teria oferecido propina de US$ 1 por vacina ao Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da empresa Davati Medical Supply, em troca de contrato com o Ministério da Saúde. A revelação foi feita pelo jornal Folha de São Paulo. Para Mandetta, a revelação do eventual esquema de propina 'transparece o tráfico de interesses escusos'. 

"Cai a desculpa de que o problema na saúde era logística. Transparece o tráfico de interesses escusos, típicos do toma lá dá cá que este governo dizia combater. Fatos graves . Esclareçam!", escreveu o ex-ministro. 

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A reportagem conta que a empresa Davati procurou o Ministério para negociar 400 milhões de doses da Astrazeneca, a US$ 3,5 cada dose. De acordo com Dominguetti, o diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, propôs "acrescentar 1 dólar" no valor para fechar o negócio.

Ainda segundo Dominguetti, Roberto Dias afirmou que "tinha um grupo, que tinha que atender a um grupo, que esse grupo operava dentro do ministério, e que se não agradasse esse grupo a gente não conseguiria vender". Roberto Ferreira foi exonerado nesta quarta-feira (30) do cargo. 

Durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid) nesta terça-feira (4), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que entregou uma carta para o presidente da República, Jair Bolsonaro, alertando sobre os riscos da pandemia ainda em março de 2020. O médico mencionou trechos da íntegra do documento e, no texto, recomenda que o executivo “reveja o posicionamento adotado, acompanhando as recomendações do Ministério da Saúde, uma vez que a adoção de medidas em sentido contrário poderá gerar colapso do sistema de saúde e gravíssimas consequências à saúde da população”.

A informação reforça o objetivo dos senadores com a CPI, que é descobrir o quanto a gestão federal se desencontrou e desautorizou as ações do Ministério da Saúde, assim, concluindo ou não sobre a influência da postura do Executivo no número de casos e mortes pela Covid-19. Mandetta compareceu à comissão enquanto testemunha e tem o compromisso de falar a verdade, podendo cumprir pena por falso testemunho. Na bancada que avalia e direciona as perguntas, apenas quatro dos 11 senadores são governistas.

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Em um dos trechos, o ex-ministro afirmou: "Em que pese todo o esforço empreendido por esta pasta para a proteção da saúde da população e preservação de vidas no contexto da resposta à pandemia do Covid 19, as orientações e recomendações não receberam apoio deste governo federal".

Na carta já havia sido sinalizado o surgimento de uma “pneumonia atípica” oriunda da China, responsável por uma quantidade significativa de óbitos, em 3 de janeiro de 2020. Em 22 de janeiro do mesmo ano, Mandetta menciona a retomada de um centro de observação com foco na doença.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu alterar a bula da hidroxicloroquina — medicamento ineficaz contra o coronavírus — para que o medicamento fosse indicado ao tratamento da Covid-19. A solicitação teria sido feita à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas foi negada pelo presidente do órgão, Antonio Barra Torres. Essa informação já havia sido mencionada por Mandetta em maio de 2020, mas voltou à tona durante o seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, nesta terça-feira (4). O especialista comparece à CPI na condição de testemunha.

A sugestão ao órgão fiscalizador surgiu através de uma reunião ministerial no Planalto, e segundo o médico, ele havia sido informado apenas na hora do encontro que ministros se reuniriam para debater o uso da cloroquina. O ex-chefe da Saúde do Governo também diz que o presidente e aliados possuíam um “assessoramento paralelo” e que testemunhou várias vezes, “em reuniões de ministros, o filho do presidente [Carlos Bolsonaro], que era vereador no Rio de Janeiro, tomando as notas da reunião. Eles tinham constantemente reuniões com grupos dentro da presidência”.

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"Nesse dia (da reunião ministerial), havia sobre a mesa, por exemplo, um papel não-timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido daquela reunião que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação da cloroquina para coronavírus. E foi inclusive o próprio presidente da Anvisa, [Antônio] Barra Torres que disse não", afirmou.

Em seu depoimento, o ex-ministro disse ainda que Bolsonaro questionava o uso da cloroquina para o tratamento precoce, mesmo sem evidência científica, e que as informações às quais o presidente tinha acesso certamente vieram do tal assessoramento, pois o uso do medicamento jamais foi uma sugestão do Ministério.

“Me lembro do presidente sempre questionar a questão ligada a cloroquina como a válvula de tratamento precoce, embora sem evidência científica. Eu me lembro do presidente algumas vezes falar que ele adotaria o chamado confinamento vertical, que era também algo que a gente não recomendava", pontua.

Mandetta disse que o Ministério da Saúde seguia a "cartilha da organização mundial de saúde" e que se ele tivesse adotado a teoria de que o vírus não chegaria no Brasil teria sido uma "carnificina".

"[...] do Ministério da Saúde nunca houve a recomendação de coisas que não fossem da cartilha da Organização Mundial de Saúde, dessas estruturas todas, era o que a gente tinha, não por sermos donos da verdade, não, pelo contrário, nós éramos donos da dúvida, eu torcia muito para aquelas teorias de que ‘ah, o vírus não vai chegar no Brasil’, agora, se eu adotasse aquela teoria e chegasse, teria sido uma carnificina”, afirmou.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que apura as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia, iniciou as oitivas nesta terça-feira (4). O primeiro que está sendo ouvido pelos senadores é o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

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Passada a eleição do comando e a definição do plano de trabalho, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) criada para apurar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia da Covid-19 começa a ouvir os depoimentos de ex-ministros da Saúde na gestão do presidente Jair Bolsonaro. Os dois primeiros a falar aos senadores serão Luiz Henique Mandetta, na terça-feira (4), às 10h, e Nelson Teich, a partir das 14h. 

A convocação dos ministros atende uma série de requerimentos aprovados na semana passada. O relator, Renan Calheiros (MDB-AL), o vice-presidente do colegiado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) são autores dos pedidos. Segundo eles, os depoimentos dos ex-ministros devem ajudar a esclarecer se o Brasil poderia ter tomado outro rumo no enfrentamento a pandemia e freado o número de mortes. 

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Mandetta foi demitido do cargo no dia 16 de abril de 2020, no início da crise da pandemia no Brasil. Naquela data o Brasil registrava 1.924 mortes. Hoje, o país tem mais de 400 mil óbitos por Covid-19. Seu substituto, Nelson Teich, permaneceu menos de um mês no cargo. Segundo Randolfe, a constante troca de ministros da Saúde em meio à pandemia é, por si só, um enorme problema para a gestão do ministério e  “pior ainda são os motivos para essas trocas”.

“O senhor Luiz Henrique Mandetta foi exonerado do cargo de ministro da Saúde justamente por defender as medidas de combate à doença recomendadas pela ciência. O presidente defendia mudanças nos protocolos de uso da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus, mas o Nelson Teich era contra. Infelizmente, sabemos o rumo que a gestão da pandemia tomou no país”, aponta Randolfe nos pedidos. 

Semana

Ainda nesta semana, são aguardadas as oitivas do general Eduardo Pazuello, que esteve por mais tempo no comando do ministério desde que a pandemia começou, e do atual ministro, Marcelo Queiroga. O primeiro falará na quarta-feira (5), enquanto que o segundo deverá prestar esclarecimentos na quinta-feira (6), mesmo dia em que está agendada a oitiva do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres. Todos vão comparecer ao Senado na condição de testemunhas.

Requerimentos

A CPI da Pandemia pode votar em seguida a convocação de ministros de outras pastas, governadores e prefeitos. 

Os parlamentares sugerem a convocação dos ministros Paulo Guedes (Economia), Walter Braga Netto (Defesa e ex-Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil e ex-Secretaria de Governo), entre outros. Há ainda requerimentos para a convocação do ex-ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e do atual chanceler, Carlos Alberto Franco França.

A CPI da Pandemia pode votar ainda a convocação dos governadores João Doria (São Paulo), Wilson Lima (Amazonas), Rui Costa (Bahia) e Hélder Barbalho (Pará). Wellington Dias (Piauí) é convidado como representante do Fórum de Governadores.

*Da Agência Senado

O ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, voltou a avaliar a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) acerca da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, o “negacionismo” do chefe de estado pode levar o mundo inteiro de volta à “estaca zero” da crise sanitária. Mandetta também afirmou que Bolsonaro que “terceirizar” a culpa pela “má gestão” do país redirecionando-a aos veículos de imprensa.

Mandetta falou longamente sobre a gestão do atual presidente do país em entrevista ao Yahoo! Notícias. Para o ex-ministro, Jair pode estar colocando o mundo inteiro em risco com o modo pelo qual vem conduzindo a pandemia. “Bolsonaro agora deveria estar de joelho, no milho, rezando, com um oratório bem grande. Porque se tiver uma variante, com essa quantidade de vírus que está circulando no Brasil, e essa variante for resistente à vacina, e fazer o mundo voltar à estaca zero por conta desse negacionismo dele, acho que ele vai ser levado diretamente daqui para Haia", disse, em referência ao Tribunal Penal Internacional, onde são julgados crimes contra a humanidade.

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Além disso, Luiz Mandetta falou que Bolsonaro está tentando “terceirizar” a culpa pela má gestão do país e a imprensa tem sido seu bode expiatório. “A imprensa brasileira, ela apanha e é culpada, ele quer matar o carteiro porque a notícia que está na carta é ruim para ele. Então, ele quer dar um tiro no carteiro. Tá louco para fechar veículos como o seu (da imprensa) para terceirizar”.

Ele falou, ainda, sobre a responsabilidade do presidente em alertar a população sobre os riscos da crise e a importância da vacinação, que vem sendo negligenciada. “Ofereceram vacinas em agosto ao Brasil e eles falaram não e ainda começam a fazer um movimento anti vacina. Começam a falar que a vacina tem um chip que vai entrar no seu cérebro, que vai virar jacaré. As pessoas que são mais cultas riem, mas a pessoa mais simples tem uma relação com autoridade muito forte. Ela fala que não vai tomar porque o presidente falou que vai virar jacaré".

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta evita se apresentar como potencial candidato à Presidência em 2022 neste que é o pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil. Segundo ele, nem a devolução dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve precipitar definições de futuras candidaturas. "Espero que esse debate possa ser feito mais para frente, porque as reações não costumam ser lúcidas. Podem surgir nomes novos até lá", disse. Neste processo, o ex-ministro afirmou que seu partido, o DEM, pode "com certeza abrir mão de encabeçar uma chapa presencial" por uma candidatura de consenso.

O sr. diz que Lula e Bolsonaro representam os extremos, mas Rodrigo Maia (DEM-RJ) fez elogios ao petista e descartou a comparação entre eles. Isso é sinal do racha no DEM ou no centro?

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O racha é na sociedade, e os partidos refletem isso. Esse racha, aliás, é que tem de acabar. Há 30 anos vivemos essa lógica da divisão. Os dois apostam exatamente nesta divisão. Lula e Bolsonaro são iguais, mas em sinais contrários. Os dois têm a mesma estratégia de comunicação direta, mas se acostumaram ao raciocínio pequeno, tosco, não têm um projeto de nação, de transformação geracional, só de poder.

Lula fez aceno ao centro, dizendo que procurará todos para conversar. O que acha disso?

Esse aceno é tão frágil como o de Bolsonaro na direção do uso da máscara e da defesa da vacina. São movimentos "fake", sem qualquer reflexão. E, para mim, não existe o "centro". Existem, sim, pessoas centradas, com bom senso, sensatas, capazes de dialogar. Esses polos radicais têm 20% de cada lado, a maioria da população não quer saber disso, quer um projeto de País.

A possibilidade de Lula concorrer em 2022 força os partidos que buscam opção a essa polarização a uma definição mais célere por um candidato em comum?

Olha, uma coisa foi boa. Se o ministro (Edson Fachin, do STF) tivesse tomado essa decisão em meados do ano que vem, seria pior, acabaria com qualquer tentativa de racionalidade no debate. Agora, ao menos, ainda estamos distantes da hora da urna. Mas acho que as crises submersas em função da pandemia vão eclodir todas ao mesmo tempo, nos obrigando a pensar numa saída. Espero que esse debate possa ser feito mais para frente. Podem surgir nomes novos até lá.

O sr. é pré-candidato?

Todas as minhas energias estão voltadas agora no que posso ajudar nessa situação de vida e morte. Vai chegar uma hora em que vamos terminar de enterrar nossos mortos e pensar na reconstrução do terreno. Esse debate eu topo, estou preparado para ele. Não vejo por que a eleição tenha de ser Lula contra Bolsonaro, direita contra esquerda.

O DEM abriria mão de encabeçar candidatura por esse projeto de País de que o sr. fala?

Com certeza. Somos um partido plural, temos nossas discussões internas e saberemos qual o nosso momento. O cenário hoje é de pesadelo, o que nos força a trabalhar ainda mais neste sentido.

O anúncio feito pelo PSDB de lançar em outubro, após prévias, um candidato próprio atrapalha esse processo?

Acho que cada partido tem a sua lógica. Os partidos estão conversando.

Luciano Huck é levado em conta nesse projeto no DEM?

Pode ser, claro. Huck é uma pessoa de comunicação, que é superimportante. Tem um programa de visibilidade, o que também é importante. Se vier para o DEM será muito bem-vindo.

Se isso ocorrer, vocês serão concorrentes no partido?

Não é um concorrente meu, não. O meu projeto é de nação, e um projeto desse não tem concorrente. Todos, mesmo os mais radicais, têm de ser contemplados.

Como o sr. vê o comportamento de Bolsonaro na pandemia?

A estratégia, neste primeiro ano de pandemia, foi a de levar as pessoas de encontro ao vírus. É um comportamento que serve de álibi para outras pessoas fazerem o mesmo. A voz dele (Bolsonaro) tem um peso absurdo nessa história. E, agora, ele tenta se repaginar, dizendo que a vacina é sua arma.

A que o sr. atribui a mudança?

É uma reação, acho, do ponto de vista eleitoreiro.

Se Bolsonaro ocupa um desses extremos que o sr. critica, por que aceitou participar dele como ministro da Saúde?

Quando fui chamado, Bolsonaro me garantiu que poderia montar minha equipe de forma técnica. Convidei os melhores do Brasil. Só que quando a hora do trabalho técnico se revelou, não era o que ele queria, mas o político, cuja consequência era a tragédia. Quando me deparei com isso, decidi que não iria abrir mão dos meus valores, mas não pedi para sair. Se me pôs, me tira.

Sem vacina, sem coordenação nacional e com 2,3 mil mortos em um dia, o que é possível fazer para reduzir mortes e contágio?

Temos de pensar em estratégias novas, mais desafiadoras. E não estou só falando em lockdown, que virou o bicho-papão, mas pode ser um dos remédios amargos que funcionem. Precisamos de estratégias diferentes para locais e sistemas de saúde diferentes. Só o atual ministro da Saúde nega que estamos em colapso. Mas ele não sabe nem o que é uma sala de emergência lotada, não tem noção do que é intubar um paciente. E é por ele que seguiremos liderados? É isso que nos falta: liderança.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Pressionado pelos recordes diários da Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perderia para os principais concorrentes nas eleições de 2022. De acordo com a pesquisa Atlas divulgada nessa quarta-feira (10), Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Lula (PT) venceriam o conservador na disputa.

Na simulação de primeiro turno, o atual mandatário aparece com 32,6% das intenções de voto, seguido por Lula, com 27,4%. O ranking de presidenciáveis acrescenta Sergio Moro (9,7%), Ciro Gomes (7,5%), Luiz Henrique Mandetta (4,3%), João Dória (4,3%) e Luciano Huck (2,5%). Caso Lula não confirme a candidatura, Fernando Haddad representaria o PT e, ainda assim, alcançaria a segunda colocação com 15,4% das intenções.

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Já a projeção do segundo turno põe Lula como vitorioso, com 44,9% dos votos contra 36,9% de Bolsonaro. Contra Ciro, o atual presidente perderia com apenas 37,5% diante dos 44,7% dos possíveis votos ao pedetista. Mesmo com a breve e turbulenta passagem no Ministério da Saúde, Mandetta também derrotaria Bolsonaro com 46,6% contra 36,9%. Até o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), poderia melar os planos de reeleição ao empatar tecnicamente com o ex-aliado.

“Com tantos candidatos vencendo Bolsonaro no segundo turno, diria que nunca foi mais provável do que neste momento que o presidente perdesse em 2022. Mas a vida dá voltas. O Brasil pode sair da pandemia neste ano. Em 2022, o Governo pode fazer assistência social e Bolsonaro ainda pode se recuperar”, avalia o cientista político e CEO da consultoria Atlas, Andrei Roman, ao El País.

O levantamento ainda sugere que 60% dos brasileiros desaprovam o Governo Bolsonaro. Apenas 34,8% o apoiam, o que representa a queda da três pontos percentuais em comparação ao último estudo, em 21 de janeiro.

Com uma sútil redução, o índice de apoio ao presidente segue apoiado por 40% dos homens entrevistados, 53% dos evangélicos, e 41% e 42% das regiões Norte e Centro-Oeste, respectivamente.

O estudo foi realizado com 3.721 entrevistas feitas por questionários via internet, entre os dias 8 e 10 de março e captou apenas o início do pronunciamento de Lula. A Atlas indica que as respostas são calibradas por um algoritmo de acordo com as características da população brasileira. 

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) admitiu que pode se candidatar ao comando da Presidência da República em 2022. O rumor surgiu logo após ele deixar o comando da pasta, depois de divergências com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por ser apontado, nas pesquisas, como mais popular até que o presidente. Em entrevista à BandNews TV, Mandetta afirmou que na próxima eleição vai estar "em praça pública lutando por algo" que acredita.

"Se o Democratas acreditar na mesma coisa, eu vou. Se o Democratas achar que ele quer outra coisa, eu vou procurar o meu caminho. Eu vou achar o caminho. Como candidato ou carregando o porta-estandarte do candidato em que eu acreditar. Mas que eu vou participar ativamente das eleições, eu vou", declarou. 

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Ao ser indagado se queria participar do pleito em 2022 como postulante a presidente, o ex-ministro disse que pode ser candidato "a presidente, a vice-presidente" e lembrou que outros cargos, como governador e senador, estarão em disputa, mas deixou claro que não pretende concorrer novamente a uma vaga na Câmara dos Deputados, onde ele já cumpriu dois mandatos. 

Mandetta ainda fez questão de disparar contra a polarização política que existe no Brasil e alfinetar os partidos do Centrão. "Em 2022, polarização, com certeza, não. Se a gente conseguir um grande acordo, um grande caminho pelo centro democrático - não por esse centro fisiológico aí que está fazendo essa nova base de sustentação. Mas um centro bacana, que respeite as individualidade, que eu não tenha que decidir se o cara é gay, se o cara é hétero, se o cara é alto, se o cara é baixo. Você tem que respeitar as pessoas nas suas questões individuais", esclareceu.

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta disse, em entrevista à televisão francesa France24, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vem chamando a atenção do mundo por preferir focar na economia e pela “falta de respeito à vítimas” da Covid-19. O Brasil já tem mais de 51 mil mortos pela doença.

"O presidente da República claramente optou por dar mais importância para o aspecto econômico que para o aspecto de saúde. Ele caiu em um falso dilema, como se essas coisas pudessem ser tratadas em separado, quando elas estão juntas," disse Mandetta, que foi demitido do cargo em 16 de abril.

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"Não existe isso de sair forte de uma epidemia. Na história da humanidade, isso não é possível. Se tivéssemos optado pelo cuidado, nossa recuperação econômica seria muito mais precoce, como é demonstrado por qualquer análise econômica que é feita de qualquer tipo de epidemia. É uma questão muito mais pensando em 2022, quando acontecem as eleições", observou Mandetta, acrescentando que Bolsonaro age com motivações política.

Mandetta, que também já foi deputado federal, avaliou o fato do Ministério da Saúde não ter hoje um titular oficial. Quem está no comando da pasta, interinamente, é o general Eduardo Pazuello. Para o ex-ministro, não existe mais um Ministério da Saúde, mas sim uma ocupação militar na pasta. 

"Nós, que somos oriundos da saúde, trabalhamos sobre três pilares: proteção incondicional à vida, proteção ao nosso sistema de saúde, o SUS, e uma defesa intransigente da ciência como método principal de tomada de decisões. Lá no Ministério da Saúde tiraram os técnicos de segundo e terceiro escalão, e colocaram no lugar militares seguindo uma norma militar. Nós não temos hoje um Ministério da Saúde, temos uma ocupação militar do Ministério da Saúde”, criticou.

Mandetta ainda foi questionado se acreditava que o presidente será julgado por má gestão da crise sanitária. “É uma condução [de crise] que choca os outros países porque o mundo optou primeiro por vidas e depois recuperar a economia. E ele vai na contramão e vai falar assim: 'não, não vamos suspender a economia porque a economia vai ter mais danos do que essa doença'. E acabou sendo o único líder mundial a adotar esta linha. O Trump voltou atrás, Boris Johnson voltou atrás, o presidente do México voltou atrás. Somente o presidente do Brasil permaneceu e permanece até hoje com esse tratamento inadequado, e essa falta de respeito às vítimas", declarou.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta comentou de forma breve no Twitter a saída de Nelson Teich da pasta, nesta sexta-feira (15). Na mensagem, Mandetta evidenciou suas preocupações após mais uma mudança no ministério.

 "Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé!", escreveu Mandetta, acrescentando a hashtag #fiqueemcasa.

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O Ministério da Saúde informou que Nelson Teich deixa o cargo de ministro nesta sexta-feira, menos de um mês após assumir o posto. Uma coletiva de imprensa está prevista para esta tarde.

 Teich tomou posse em 17 de abril. Ele substituiu Mandetta, que apresentava discordâncias com o presidente Jair Bolsonaro.

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Com autoridade para falar sobre saúde, Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde do governo do presidente Jair Bolsonaro até o mês passado, acredita que ainda é cedo para a retomada das competições de futebol no Brasil, paralisadas desde o início de março por conta da pandemia do novo coronavírus. Para ele, o momento é de crescimento da curva de contágio da Covid-19 no País e cita diferenças entre Alemanha e Itália neste quesito.

"Quando você quer acelerar a volta, um debate que eu tive com vários empresários, você corre o risco de acelerar, em nome da atividade econômica ou do esporte... Esses argumentos são muito fortes, aí a pessoa cai na tentação de acelerar. Essa aceleração pode levar a um quadro de transmissão desordenada, que leva a cidade ao que chamam de 'lockdown'. Não gosto de palavras inglesas, eu chamo de quarentena", disse Mandetta em entrevista à ESPN Brasil.

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"Muita gente está achando que quarentena é aquilo que nós experimentamos nos meses passados. Não! Nós só fizemos a recomendação (do distanciamento social) pelo bom senso, orientação. Mas não paramos ninguém. Quando você determina quarentena ou 'lockdown', aí é uma coisa muito mais dura. É ficar em casa, sair no máximo para 50 metros da sua casa sob pena de multa ou prisão", explicou o ex-ministro.

Mandetta chegou a comparar a situação do futebol brasileiro com a da Alemanha, que terá o retorno do Campeonato Alemão no próximo dia 16. Para ele, porém, o Brasil ainda está muito longe de chegar ao mesmo patamar do país europeu.

"Tenho acompanhado a discussão na Alemanha sobre a volta da Bundesliga (Campeonato Alemão). Eles vão fazer um protocolo muito rígido, tenho pedido qual é o protocolo que vão adotar. A Alemanha é um dos poucos países que tinham capacidade instalada porque trabalha nos hospitais com redundância: tudo o que tem ativo também tem no depósito do hospital em dobro. Quando teve necessidade, expandiu a rede muito rápido e tem profissionais bem formados", disse.

"O Brasil tem problemas de equipamentos de proteção individual (EPI), respiradores e profissionais de saúde. O que seria razoável seria administrar duas variáveis: velocidade de transmissão e vulnerabilidade. Melhorando a performance do sistema e controlando ao máximo a transmissibilidade, a gente passaria por esse estresse de maneira um pouco mais lenta. Em dois ou três meses, passaríamos, mas com muito menos perdas", comentou o ex-ministro.

Sobre a situação na Itália, Mandetta lembrou que a região da Lombardia, a mais afetada do país pela Covid-19, tem discutido últimos meses qual seria a parcela de culpa do futebol sobre o crescimento da epidemia. "A região da Lombardia colocou na conta dele os jogos de futebol como um dos prováveis vilões da proliferação", afirmou. Um duelo da Liga dos Campeões entre Atalanta e Valencia, no início de fevereiro, com mais de 40 mil pessoas no estádio San Siro, em Milão, seria uma dessas partidas.

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