Protagonistas das eleições em Minas Gerais nas últimas três décadas, PT e PSDB caminham para ser coadjuvantes nas eleições para o governo estadual em 2022. Se desde as eleições de 1994 os dois maiores partidos do Estado mantinham candidatos competitivos nas eleições para governador, desta vez as legendas não têm nomes fortes e devem apoiar um dos líderes na "nova polarização" em Minas: o governador Romeu Zema, do Novo, e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PSD.

Na eleição de 2018, tucanos e petistas ainda estavam no páreo, com o terceiro lugar do ex-governador Fernando Pimentel (PT), e a disputa de segundo turno entre Zema e o então candidato do PSDB, senador Antônio Anastasia (PSD-MG), que acabou derrotado e deixou o partido.

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Mas o pleito municipal do ano passado já apontava para o declínio eleitoral de tucanos e petistas. Nas eleições de 2020 em Belo Horizonte, Kalil foi reeleito em primeiro turno com 63,36% dos votos. O candidato do PT, o ex-deputado e ex-ministro de Lula Nilmário Miranda, teve 1,88% dos votos na capital mineira, e terminou a disputa em sexto lugar. A candidata do PSDB, Luisa Barreto, secretária de Planejamento e Gestão do governo Zema, por sua vez, terminou a disputa com 1,39% dos votos - sétimo lugar.

"Os dois partidos estão muito fracos em Minas Gerais. Se lançarem candidatos serão nomes sem nenhuma chance na competição", diz o professor Carlos Ranulfo Melo, do Departamento de Ciência Política da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). "Em Minas Gerais, a disputa é entre Zema e Kalil. E acabou", afirma Melo.

Para ele, o PT ainda teria uma situação um pouco melhor porque Lula "é um bom palanque", sua candidatura está consolidada, e atrairia votos para um candidato da legenda ao governo estadual, mesmo sem chances de êxito. Situação que não ocorre no PSDB, que ainda busca um nome que represente uma possível terceira via na disputa presidencial. "O PSDB depende da liderança do Aécio (Neves, deputado federal, PSDB-MG), que está muito desgastado e sem condições de ser uma figura de proa do partido no Estado", diz Melo.

Cenário nacional

Além da condição eleitoral adversa das duas legendas, outro fator para explicar a situação atual de PT e PSDB em Minas Gerais é a igualmente polarizada disputa nas eleições presidenciais do próximo ano, entre a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro, pré-candidato à reeleição. O apoio de petistas e peessedebistas a Zema e Kalil depende dos arranjos nacionais.

Aliado de sua gestão, o PSDB deve apoiar a reeleição do governador Zema, caso o mandatário apoie o nome do candidato do partido ao Planalto - o governador paulista João Doria e o governador gaúcho Eduardo Leite são os principais nomes nas prévias tucanas. Zema, porém, é aliado de Bolsonaro.

O PT, por sua vez, que faz oposição ao governador do Novo, flerta com Alexandre Kalil. O objetivo do PT é montar um palanque forte em Minas Gerais para impulsionar a planejada candidatura presidencial de Lula no ano que vem.

Embora petistas ocupem diversos cargos de primeiro e segundo escalão na Prefeitura da capital mineira, o PT e Kalil têm rusgas, sobretudo por causa da oposição ao prefeito na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Outro fator que pode anular esse apoio seria uma eventual candidatura pelo PSD do presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nome também colocado como pré-candidato a presidente em 2022.

Procurado pelo Estadão, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, e governador do Estado por dois mandatos, foi econômico em seu comentário sobre a disputa do próximo ano: "O PSDB vai surpreender (nas eleições de 2022) em Minas Gerais".

O deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), presidente do diretório estadual da legenda, por sua vez, condiciona o apoio à reeleição do governador à adesão de Zema ao nome que surgir na disputa interna da legenda.

"Minas Gerais raciocina política. Não precisamos necessariamente ser cabeça de chapa para termos protagonismo no Estado. Estamos construindo a alternativa de uma candidatura de terceira via no País, fora do embate entre Lula e Bolsonaro, abrindo coligações e trazendo Zema para o movimento", afirma Abi-Ackel.

A candidatura de Lula ao Palácio do Planalto em 2022 "é prioridade absoluta" do PT de Minas Gerais, afirma o presidente do diretório da legenda no Estado, o deputado estadual Cristiano Silveira (PT). "Poder ser A ou B para o governo mineiro, apoiamos qualquer nome, não tem problema, desde que seja do interesse da campanha nacional", diz Silveira. "Em suas últimas declarações, Kalil não tem revelado disposição em apoiar a candidatura de Lula. Assim, caso o PT não tenha o apoio do prefeito, o partido pode ter candidatura própria", afirma o deputado estadual. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-governador do Ceará e novamente pré-candidato à Presidência, Ciro Gomes (PDT), lançou, nesta segunda-feira (11), o episódio de número 16 da série "Da alma para o coração". Com tom de campanha para as Eleições 2022, o novo vídeo do quadro voltou a apresentar o teor antipetista, com críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o seu governo no passado. Com a chamada "Lula com os mesmos de sempre", Gomes diz que o petista não pediu desculpa pelos seus erros e induz o eleitor à reflexão sobre a governabilidade do petista.

"Se você pensa em apoiar Lula por causa do que ele fez no passado, talvez fosse o caso de refletir mais profundamente. Você acha que ele terá condições de governar bem nos dias de hoje? Lembre que o Brasil mudou muito e Lula não renovou as ideias. Será que ele se corrigiu e não vai repetir os erros terríveis que você só descobriu depois? O pior é que você nunca viu ele pedir perdão pelos erros e está vendo ele se juntar, de novo, às mesmas pessoas”, disse.

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O patrono do Partido dos Trabalhadores tem o período de pré-campanha marcado por encontros dentro e fora do seu espectro político, por ter adotado um discurso que envolve não apenas a vitória nas eleições, mas "chance de governar sem impasses"; além do interesse em formar uma frente ampla antibolsonarista. Em maio deste ano, o sindicalista teve encontros com o tucano Fernando Henrique Cardoso, e até mesmo com o clã dos Sarney, para viabilizar diálogo com o MDB.

De acordo com a pesquisa mais recente do Genial/Quaest para as presidenciais, Lula segue liderando as intenções de voto, em todas as simulações, com 45% da preferência na média espontânea. O presidente Jair Bolsonaro surge em seguida, com estáveis 26%, e Ciro Gomes subiu 2% no índice, saindo dos 8% para 11%.

O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que o partido está "a caminho da terceira via" e não vai apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, na disputa de 2022. O dirigente rebateu ainda a declaração do empresário e fundador da legenda, João Amoêdo, que, em entrevista ao Estadão, disse que o Novo enfrenta "um problema de identidade" e precisa se decidir se é de oposição ao governo federal ou se é uma "linha auxiliar" do Palácio do Planalto.

"É equivocado dizer que não está claro se o partido está ou não com Bolsonaro. Isso está pacificado dentro do partido. O Novo não vai estar com Bolsonaro", afirmou Ribeiro. "Sempre vamos respeitar a opinião dele (Amoêdo), mas não vejo que o Novo perdeu sua identidade. O partido tem uma marca muito forte. Essa identidade construída lá atrás não se perdeu, ao contrário de outros partidos que você nunca sabe como vão se posicionar em determinadas matérias. O momento que estamos vivendo hoje é conturbado em função das eleições de 2022", disse ele. Filiado ao Novo desde 2015, Ribeiro assumiu a presidência nacional da sigla em março do ano passado, quando Amoêdo deixou voluntariamente o cargo.

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Ribeiro acusa Bolsonaro de "estelionato eleitoral", o que, segundo ele, justifica o distanciamento do Novo do presidente. "Durante o primeiro ano e meio (de mandato), o Novo votou muito com o governo em função das pautas econômicas. A agenda econômica era muito próxima. Parte do discurso do Bolsonaro foi muito parecido com o nosso. Desde então, ele mostrou ter cometido um grande estelionato eleitoral. Grande parte das questões econômicas está vindo à revelia do presidente. Ele, muitas vezes, trabalha contra", afirmou o dirigente. "Na bancada (do Novo) tem alguns mais e outros menos críticos, mas não considero que ela seja bolsonarista."

'Renovação'

Questionado sobre a decisão do diretório nacional do Novo de vetar a volta de Amoêdo à Executiva do partido, Ribeiro disse que é preciso "criar novas lideranças". "Quando o João saiu (em março do ano passado), nós tivemos uma conversa franca e ele me disse que o partido precisava de renovação e que queria mais espaço para se posicionar. Eu continuo com essa avaliação. Continuo com a mesma ideia de que o Novo precisa criar novas lideranças. Não foi porque não gosto dele ou sou contra o João." Para o dirigente, embora Amoêdo demonstre uma preocupação "genuína" com o partido, a visão dele sobre como o Novo deve ser conduzido "talvez não seja a mesma do diretório nacional".

Ribeiro defende uma candidatura única de terceira via. "É o momento de os partidos lançarem candidatos. Tem que se lançar com espírito republicano e, lá na frente, sentar todo mundo à mesa e ter um candidato único. Vamos trabalhar para liderar esse processo, mas não teremos a vaidade de ir até o fim sem sentar para conversar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O União Brasil, partido que vai sair da fusão PSL-DEM, iniciou uma ofensiva para ter o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro como candidato em 2022. Um dos interlocutores da nova sigla com o ex-juiz da Lava Jato é o vice-presidente do PSL, deputado Júnior Bozzella (SP). "Excelente nome. Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Estamos conversando", afirmou o parlamentar ao Estadão. Moro também mantém conversas com o Podemos.

De acordo com o deputado do PSL, uma definição sobre a filiação de Moro deve ocorrer em novembro. "Acredito que no mês que vem, quando ele voltar dos Estados Unidos. Dentro do nosso partido ele terá muitos apoios", disse Bozzella, que integra a comissão organizadora da fusão DEM-PSL. A união dos dois partidos foi aprovada anteontem pelos diretórios das legendas e, agora, depende de aprovação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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A nova sigla pretende ter candidatura própria a presidente da República. Atualmente, já são três pré-candidatos: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o apresentador José Luiz Datena (PSL). Pacheco também negocia uma filiação ao PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Moro tem conversado com Mandetta, de quem foi colega quando eram ministros do governo de Jair Bolsonaro. Hoje, os dois estão rompidos com o ex-chefe. O ex-ministro da Saúde elogiou a atuação de Moro no combate à corrupção. "Ele tem uma visão de combate à corrupção, uma parte da vida dele totalmente dedicada a esse tema, tem muita gente que o apoia e que quer uma clareza", afirmou Mandetta.

O político do DEM também declarou que Moro pode ser uma alternativa à polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Temos aí esses dois polos extremos, e nesse tema (combate à corrupção), que é muito importante para ele, claramente não avançaram (Lula e Bolsonaro), muito pelo contrário, foi só retrocesso. É pertinente a discussão dele", disse o ex-titular da Saúde.

No entanto, Mandetta ressalta que ainda não há clareza se Moro pretende se filiar a algum partido e disputar a Presidência. Os dois e o governador de São Paulo, João Doria, que tenta ser candidato ao Planalto pelo PSDB, estiveram juntos na semana passada para conversar sobre o cenário eleitoral.

"A candidatura você faz alargando o maior número possível de caminhos. Vamos ver se ele vai decidir entrar na vida pública através de conversa eleitoral, isso é uma decisão pessoal dele", afirmou Mandetta. "Na hora certa a gente vai fazer isso (discutir 2022), hoje a gente ainda está administrando esse processo de fusão."

Comando

O União Brasil, caso seja aprovado pela Justiça Eleitoral, terá a maior bancada da Câmara, com 82 deputados, além de quatro governadores, oito senadores e as maiores fatias dos fundos eleitoral e Partidário. A legenda será comandada pelo atual presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), e a secretaria-geral ficará com ACM Neto, que hoje comanda o DEM. A tesouraria do novo partido ficará com Maria Emília Rueda, irmã de Antonio Rueda, hoje vice-presidente do PSL e futuro vice-presidente do União Brasil.

Bivar não descartou apoiar um candidato a presidente de outra legenda. "O que nós vamos discutir no momento oportuno é se vamos ter uma candidatura própria do partido ou uma candidatura de um partido que se aglutine a nós." A expectativa dos articuladores da fusão é de que a Justiça Eleitoral dê o aval até fevereiro, antes da abertura da janela partidária para as eleições de 2022. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Seguindo com as tentativas de atrair Jair Bolsonaro na disputa pela reeleição em 2022, dirigentes do PTB formularam um convite formal a ser enviado ao presidente da República para sua filiação. A carta também abrange a filiação de deputados, senadores, líderes estaduais e municipais que queiram ingressar no PTB.

Em reunião na última semana, a vice-presidente nacional do PTB, Graciela Nienov - representando o presidente da sigla, Roberto Jefferson, que está preso - e os 26 presidentes de diretórios estaduais decidiram redigir um documento com a assinatura de todos os presidentes estaduais da legenda em incentivo à filiação de Bolsonaro.

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Em nota divulgada nesta sexta-feira (8), o PTB afirma que o partido "está unido, forte, robusto" e pronto para receber Bolsonaro. "Os membros da Executiva Nacional do PTB e os presidentes estaduais do PTB decidiram sinalizar ao presidente da República que o partido é a verdadeira casa do conservador brasileiro, e está projetado para receber como membros os seus descendentes, em especial aqueles que retornam à antiga morada", informou a legenda.

Defensor do chefe do Executivo, o PTB reforçou, como tentativa de ganhar a filiação de Bolsonaro, que o "legado cristão é a força motriz da nossa sigla". O partido, então, reforça a convergência a Bolsonaro e cita que, assim como ele, tem como valores "inegociáveis" a defesa da pátria, família, democracia, liberdade e Deus.

"A garra dos petebistas, a união de ideias e a lealdade seguirão ombro a ombro com vossa excelência nas trincheiras eleitorais para a sua recondução honrosa ao Palácio do Planalto", finaliza a nota.

Na quarta-feira (6), como forma de atrair o presidente, o PTB anunciou a expulsão da ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Jefferson, do bolsonarista Oswaldo Eustáquio e do pastor Fadi Faraj. O processo para a expulsão dos filiados teria a justificativa de que houve possível desrespeito às diretrizes partidárias. No entanto, disputas internas pesaram na decisão. Entre os atritos, estão as tentativas de interferência de Cristiane nas negociações para levar Bolsonaro para o partido.

Apesar das concessões do PTB, Bolsonaro ainda não decidiu para qual partido irá. Além da sigla de Jefferson, estão no radar negociações avançadas com o PP.

Após uma rodada de conversas com partidos políticos em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai decidir sobre sua candidatura à Presidência apenas no início do ano que vem. "Eu ainda não decidi porque eu vou decidir no momento adequado. Eu vou conversar com todo mundo", disse Lula em coletiva de imprensa nesta sexta-feira. O ex-presidente declarou que ainda não está conversando sobre composições políticas. "Todos os partidos têm direito a ter candidato à Presidência da República, sem exceção."

Depois de conversar com partidos políticos e líderes sociais, o petista declarou que pretende se reunir com empresários e outros representantes da sociedade. Na coletiva de imprensa, o ex-presidente disse estar disposto a "deixar para trás" as polêmicas em relação à Lava Jato e à cobertura dos meios de comunicação. "Eu não vou discutir Lava Jato, na minha vida acabou."

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Lula recuou em relação à proposta de regulamentação da mídia defendida pelo próprio partido e afirmou que esse deve ser um assunto discutido pelo Congresso Nacional, e não pelo presidente da República.

A regulamentação da mídia é uma das propostas do PT e fez parte do plano de governo de Fernando Haddad na campanha eleitoral de 2018, quando Lula estava preso em Curitiba.

"O que se propõe é que em algum momento da história do Congresso Nacional esse tema pode ser debatido. Esse não é um tema do presidente da República, é um tema do Congresso Nacional", disse Lula.

Apesar da sinalização, Lula reforçou que o debate precisa ser feito com toda a sociedade do País, sobretudo em relação aos meios de comunicação digital. Um projeto de lei para regulamentar as fake news na internet tramita no Congresso, mas é alvo de uma série de questionamentos entre políticos e empresas.

"Eu não sei por que tanta polêmica, sobretudo o digital. Jornais e revistas nunca poderão ser regulamentados porque, primeiro, dependem do dono escrever e, segundo, depende do Congresso Nacional." O petista destacou que não aceita a ideia de que o único controle seja o "controle remoto".

Terceira via

Lula afirmou, ainda, que a campanha presidencial no próximo ano será concentrada entre Bolsonaro e uma possível candidatura dele próprio. Os outros pré-candidatos, afirmou o petista, têm o direito de disputar o primeiro turno da disputa em 2022. "Podem ter quantas vias quiser. Eu acho muito, muito, importante."

Combustíveis

Na coletiva, Lula falou também sobre o preço dos combustíveis. Mais cedo, a Petrobras anunciou reajuste de 7,2% nos preços da gasolina e do gás de cozinha, sustentada no aumento do dólar, do petróleo e do insumo. "Não existe nenhuma razão para que o preço dos combustíveis e do diesel no Brasil seja internacionalizado", afirmou o ex-presidente.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quinta-feira, 7, por 8 votos a 2, manter a proibição de realização de showmícios durante as campanhas eleitorais, e definiram que esse entendimento não fere a liberdade de expressão. A regra passa a valer para as eleições de 2022.

Em contrapartida, os ministros autorizaram a realização de shows, palestras e eventos culturais para arrecadação de recursos a campanhas. O placar desta votação foi de 7 votos a 3.

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Os temas foram debatidos em uma ação movida pelo PT, PSB e PSOL, sob o argumento de que a lei que proíbe os showmícios e a apresentação de artistas não remunerados em eventos de arrecadação de recursos viola a Constituição por supostamente cercear o direito de artistas se expressarem.

As siglas levaram duas demandas ao tribunal: o fim da proibição de showmícios e eventos assemelhados, quando não remunerados, e o reconhecimento da legitimidade da realização de eventos artísticos para fins de arrecadação de recursos para campanha.

O relator do caso, ministro Dias Toffoli, guiou o entendimento vencedor ao manter a proibição de showmícios, mas permitir a realização de shows e apresentações artísticas em eventos de arrecadação de recursos. Segundo Toffoli, as doações eventualmente arrecadadas por artistas viriam de pessoas físicas, o que é permitido por lei e "não configura propaganda eleitoral".

"Enquanto o showmício configura uma modalidade de propaganda eleitoral direcionada ao público em geral para captação de votos, o evento de arrecadação tem finalidade diversa, qual seja, a de acionar os apoiadores da candidatura com o intuito de obter recursos para a viabilização da campanha eleitoral", afirmou.

"A proibição de showmícios e eventos assemelhados não se confunde com censura prévia, pois não significa a vedação à manifestação artísticas, ou de um artista, que seja de cunho político", disse em outro momento.

A ministra Rosa Weber, que acompanhou o entendimento, reconheceu a relevância dos eventos de arrecadação como mecanismo para complementar os fundos partidário e eleitoral.

"O showmício, reitero, demanda a promoção da candidatura. Por outro lado, os eventos de arrecadação têm o intuito de possibilitar aos partidos políticos e candidatos a captação de recursos privados para campanha, permissão que ganhou relevo após a proibição da doação por pessoas jurídicas consagrada por esta Suprema Corte", afirmou.

O ministro Kassio Nunes Marques abriu divergência com o relator ao defender que tanto os showmícios quanto os eventos de arrecadação com a presença de artistas podem favorecer um candidato em detrimento de outro e romper com a igualdade do pleito.

"Se a realização tem por objetivo a arrecadação de recursos para campanha, ela reflexamente 'produz o mesmo efeito de desequilíbrio, pois proporciona ao candidato uma fonte de arrecadação da qual outros candidatos podem não dispor, estabelecendo uma corrida por esse tipo de arrecadação e assim frustrando a finalidade de barateamento das eleições", disse.

O ministro Gilmar Mendes acompanhou a divergência e apontou a dificuldade de fiscalização do limite de doações de R$ 40 mil em eventos de arrecadação de doações. O magistrado ainda destacou que encontros com a presença de artistas têm capacidade de reunir mais doadores. Segundo Mendes, a decisão do plenário poderia conflitar com pontos já pacificados em julgamentos do Supremo sobre a legislação eleitoral.

"Pode ser que nós estejamos abrindo uma janela e muitas portas para a violação daquilo que até então se tinha pacificado", afirmou. "Talvez a gente esteja abrindo a caixa de pandora em relação ao financiamento de pessoa jurídica".

O ministro Luís Roberto Barroso apresentou ainda uma segunda linha divergente para autorizar tanto a participação de artistas em eventos de arrecadação quanto a realização dos showmícios.

"A meu ver, não há um fundamento razoável para discriminar artistas e não há um fim legítimo em pedir que o artista queira atrair público para uma manifestação do candidato da sua preferência. Então, se levar uma estrela futebol não tem problema, mas se levar um cantor e compositor tem? Se o jogador de futebol fizer cem embaixadinhas tá bem, mas se o músico cantar uma música não pode. Não me parece legítima essa diferenciação, essa discriminação", defendeu.

Pré-candidatos à presidência da República nas prévias do PSDB, os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) travam uma guerra de números e ambos se dizem favoritos para vencer a disputa, marcada para 21 de novembro.

Em uma entrevista coletiva "técnica" realizada nesta quinta-feira (7) na sede estadual do PSDB paulista, o presidente da legenda no Estado, Marco Vinholi, o coordenador da pré-campanha de Doria, Wilson Pedroso, e o presidente da Associação Paulista de Municípios, Frederico Guidoni, explicaram o colégio eleitoral e disseram que São Paulo já larga com uma dianteira de 25% dos filiados ao partido.

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"Temos neste momento 65 % de adesão nas prévias do PSDB", disse Vinholi. Já Wilson Pedroso classificou como "uma gota no oceano" os apoios de Eduardo Leite em São Paulo.

Já o grupo de Leite apresenta números diferentes. No dia que anunciou sua desistência das prévias para apoiar Leite, o senador Tasso Jereissati (CE) afirmou que os dois juntos contam com o apoio de 80% das executivas estaduais do PSDB.

Já a assessoria do governador gaúcho enviou a reportagem uma projeção interna na qual Leite teria 62% de apoio do partido, contra 37% de Doria.

Segundo o TSE, o PSDB contaria com 1.355.766 filiados, mas esses dados estão desatualizados. Pelo formato do colégio eleitoral das prévias, a votação será indireta e com pesos diferentes entre filiados, mandatários e dirigentes.

Os 565 prefeitos e 445 vices formam 25% do eleitorado, os 4.297 vereadores e 272 deputados estaduais outros 25%. Governadores (3), vices (5), senadores (7), deputados federais (32) e o presidente nacional do partido, Bruno Araújo representam o terceiro bloco, e os filiados em geral o 4° bloco.

Vence o candidato que alcançar maioria absoluta dos votos válidos considerando esta soma: resultado do grupo 1 + resultado do grupo 2 + resultado do grupo 3 + resultado do grupo 4.

Os aliados de Doria dizem que ele venceria Leite por 60% a 40% nas bancadas do Congresso e executiva Nacional. Além dos dois governadores, o ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, também concorre nas prévias.

Como forma de atrair o presidente Jair Bolsonaro ao partido para concorrer às eleições de 2022, o PTB anunciou, a expulsão da ex-deputada Cristiane Brasil, filha do presidente nacional da sigla, Roberto Jefferson, além do bolsonarista Oswaldo Eustáquio e do pastor Fadi Faraj. O anúncio foi dado via redes sociais pelo perfil oficial do partido.

O processo para a expulsão dos filiados teria a justificativa de que houve possível desrespeito às diretrizes partidárias. No entanto, disputas internas pesaram na decisão. Entre os atritos, estão as tentativas de interferência de Cristiane nas negociações para levar o presidente para o partido. O movimento de expulsão, conforme noticiou o Poder 360 no início da semana, tem aval de Roberto Jefferson.

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De acordo com a sigla, Eustáquio e Faraj também responderão por denunciação caluniosa após disseminação de fake news sobre o partido, em especial, contra a vice-presidente da legenda, Graciela Nienov.

As medidas fazem parte de ações do partido para acelerar a filiação do chefe do Executivo. Em 29 de setembro, a sigla decidiu que vai redigir um documento com a assinatura de todos os presidentes estaduais da legenda em incentivo à filiação de Bolsonaro. Na reunião, ela relatou ao grupo sobre conversa tida com Bolsonaro e reiterou que o PTB está preparado para recebê-lo.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (6) a apoiadores que as Forças Armadas vão participar de todo o processo de organização das eleições de 2022 e conferência da segurança das urnas eletrônicas. A declaração foi dada em resposta a um bolsonarista que questionou se ele considerava positiva a iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar uma comissão da transparência para o próximo pleito, que terá participação dos militares na fiscalização e auditoria do processo eleitoral.

"As Forças Armadas vão participar, assim como outras instituições. Elas vão acompanhar todo o processo", limitou-se a dizer em encontro com apoiadores no Palácio do Alvorada, transmitido em um canal bolsonarista no YouTube.

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O presidente tem ensaiado uma mudança de discurso em relação à lisura das eleições. Crítico da urna eletrônica e defensor do voto impresso, pautas que o levaram a uma crise institucional com o TSE, Bolsonaro elogiou a criação do comitê e evitou duvidar da segurança do processo, em entrevista recente à Veja. "Com as Forças Armadas participando, você não tem por que duvidar do voto eletrônico. As Forças Armadas vão empenhar seu nome, não tem por que duvidar. Eu até elogio o Barroso, no tocante a essa ideia", afirmou.

Por causa da declaração, o presidente recebeu um afago na segunda-feira (4) vindo do presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso, até então o principal destinatário de seus ataques ao sistema eleitoral. "Fico extremamente feliz que tenha se convencido que não há problemas no voto eletrônico. Melhor assim", disse o ministro.

'Aqui não tá muito fácil'

Bolsonaro deu uma resposta pouco animadora sobre o próprio País que governa a uma apoiadora que afirmou ter decidido deixar a Holanda e morar no Brasil. "Decidiu ficar aqui? Aqui não tá muito fácil também não", afirmou o presidente quando a mulher disse que pretendia ficar no País. O momento ocorreu durante o tradicional encontro de Bolsonaro com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada.

Ao falar sobre a inflação, o presidente disse também que o problema é global, e não apenas do Brasil, e voltou a culpar as medidas restritivas impostas por governantes na pandemia pela situação econômica delicada em várias nações. "Isso é resultado da política do fique em casa e depois a gente vê a economia", criticou, após a mesma apoiadora dizer que as pessoas estão "brigando por gasolina" na Holanda.

Os diretórios nacionais do DEM e do PSL decidiram, nesta quarta-feira (6), aprovar a fusão entre as duas legendas. O novo partido vai se chamar União Brasil e usar na urna o número 44. A nova sigla terá, em um primeiro momento, a maior bancada da Câmara, com 82 deputados, além de quatro governadores, oito senadores e as maiores fatias dos fundos eleitoral e partidário. Será a primeira vez em 20 anos que a direita reúne tantos parlamentares em uma única agremiação. A última vez foi no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, quando o PFL (atual DEM) elegeu 105 representantes.

O presidente da legenda será o atual presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), e a secretaria-geral ficará com ACM Neto, que hoje comanda o DEM. Para ser oficializada, a criação do União Brasil ainda precisa do aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A expectativa dos articuladores da fusão é que o tribunal dê a permissão até fevereiro do ano que vem.

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"Nós vamos agora decidir a política nacional não só no Congresso Nacional, mas em todos os Estados do País", afirmou o governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) ao discursar hoje na reunião do partido.

Antes da decisão final dos dois partidos, as direções do DEM e do PSL se reuniram separadamente para aprovar a fusão. O diretório do DEM do Rio Grande do Sul foi o único a votar contra a fusão.

Na reunião do DEM, o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, que é pré-candidato ao governo gaúcho, apresentou dois requerimentos. Um deles para deliberar sobre o apoio do novo partido à reeleição de Bolsonaro e outro para dar direito à voto no diretório nacional a todos os deputados federais e senadores. Os dois requerimentos foram rejeitados.

Além de Lorenzoni, os ministros da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, que é filiado ao PSL, e ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, que é deputada licenciada pelo PL do DF, também estiveram no evento que sacramentou a fusão. A nova legenda vai ter força para decidir votações importantes e ter peso significativo num eventual processo de impeachment de Jair Bolsonaro.

Liderança

Com 82 deputados, a nova sigla vai desbancar o PT, que desde 2010 lidera o ranking de maiores bancadas na Câmara. Em 2018, foram 54 petistas eleitos. Hoje, o partido tem 53 deputados, empatado com o PSL. Mesmo que com a fusão parlamentares bolsonaristas deixem o novo partido, como esperado, a sigla ainda sem nome seguirá com o maior número de deputados.

A união é vantajosa para o DEM por causa do aumento do fundo partidário. Para o PSL, partido que cresceu repentinamente ao abrigar a eleição presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, com quem depois rompeu, os principais atrativos são a capilaridade regional e estrutura que a outra sigla pode oferecer.

Apesar de a presidência ficar com Bivar, ACM Neto afirmou em entrevista semana passada ao Estadão/Broadcast Político que as decisões da nova legenda não ficarão concentradas na presidência e serão feitas de forma "compartilhada e colegiada". O União Brasil pretende pôr em prática uma cláusula que determina que qualquer decisão precisa ter o apoio de três quintos da direção do partido.

Apesar dos avanços, para ser confirmada a fusão é preciso ajustar conflitos regionais. Estados como Rio e São Paulo ainda não têm consenso sobre qual grupo político vai exercer o comando. Pelo acerto entre ACM Neto e Luciano Bivar, o PSL comandaria esses diretórios estaduais, mas os líderes regionais do DEM resistem a ceder os comandos.

No Rio, o deputado Sóstenes Cavalcante comanda provisoriamente o diretório estadual do DEM e trabalha para ficar com o comando permanente. O DEM resolveu fazer uma intervenção federal no Estado para retirar o ex-prefeito e vereador Cesar Maia da presidência estadual. O movimento aconteceu após a saída do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, filho de Cesar, da legenda.

Se for concretizada a fusão, o controle do diretório do Rio ficará com o prefeito de Belford Roxo (RJ), Waguinho PSL, do grupo do ex-governador Anthony Garotinho (Pros).

"O Rio não tem solução ainda. Com o Waguinho, estou outro dia na rua, em outro partido. Não tem conversa com o Waguinho. Ele assumiu hoje, amanhã estou fora. Garotinho, Waguinho, essa turma aí estou fora", disse Sóstenes hoje antes de ir para a reunião do diretório nacional do DEM.

Em São Paulo também há uma falta de consenso sobre a eleição para governador em 2022. Uma ala tenta atrair Geraldo Alckmin, que está de saída do PSDB, para a fusão DEM-PSL. Outra ala quer apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), candidato do atual governador João Doria (PSDB) à sua sucessão. Alckmin também conversa com Gilberto Kassab e pode se filiar ao PSD.

O novo partido pretende ter candidatura própria a presidente da República. Atualmente são três pré-candidatos: o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e o apresentador José Luiz Datena (PSL). Pacheco também mantém negociações para se filiar ao PSD. Como "plano B" caso Pacheco vá para o partido de Gilberto Kassab, o União Brasil planeja filiar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que hoje está no Novo.

Apesar de ter como objetivo candidatura própria à Presidência, o comando da fusão DEM-PSL pretende liberar seus filiados para apoiarem outros candidatos, como o presidente Jair Bolsonaro. Apesar de não estar na base do governo, hoje o DEM tem entre seus quadros os ministros de Onyx Lorenzoni (Trabalho e Previdência) e Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

De acordo com políticos a par da união dos dois partidos, o líder da bancada na Câmara deve ser o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA). Elmar comanda as articulações para definir a fusão nos estados e é aliado próximo de ACM Neto.

O novo partido também quer atrair políticos insatisfeitos com as suas legendas e antecipar os efeitos da janela de troca partidária, período em que os eleitos para cargos em pleitos proporcionais - deputados federais, estaduais e vereadores - podem sair de suas siglas sem o risco de perderem o mandato. A janela está prevista para acontecer em março do ano que vem. Pelas regras eleitorais, um deputado pode trocar de partido fora da janela sem perder o mandato se a nova legenda escolhida for resultado de uma fusão.

Antes mesmo da oficialização da nova legenda, o deputado Celso Sabino saiu do PSDB e foi para o PSL. Sabino entrou em conflito com o comando tucano por conta da proximidade dele com o Centrão, que é base do governo de Jair Bolsonaro. O PSDB anunciou no início de setembro que é oposição ao governo. Outro insatisfeito com a legenda pela proximidade com o governo, o senador Márcio Bittar saiu do MDB para se filiar ao PSL.

Os organizadores da fusão também esperam filiar os deputados Felipe Rigoni (PSB-ES), Pedro Lucas Fernandes (PTB-MA), Clarissa Garotinho (Pros-RJ), Daniela do Waguinho (MDB-RJ) e Capitão Wagner (Pros-CE), todos em conflito com suas respectivas legendas.

Por outro lado, também é esperada a desfiliação de cerca de 25 deputados ligados ideologicamente ao presidente Jair Bolsonaro. O grupo bolsonarista do PSL tem sido deixado de fora das conversas sobre a fusão.

A presidente do Podemos, Renata Abreu, afirmou que o ex-juiz Sergio Moro está “entusiasmado” com a possibilidade de concorrer à presidência pelo partido. Em entrevista ao Valor Econômico, ela contou que Moro deve confirmar a decisão de encabeçar - ou não - a campanha da chamada “terceira via” até o começo de novembro.

“Eu acho que ele está bem entusiasmado com a ideia [de se candidatar a presidente]”, disse a deputada Renata Abreu. “Ele voltou para os Estados Unidos agora para fazer uma conversa com a família dele. Temos até o comecinho de novembro para ele dar essa resposta”, continuou.

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Ex-titular da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (sem partido), Moro atualmente mora nos Estados Unidos, onde trabalha como consultor jurídico no escritório Alvarez & Marsal. Na segunda quinzena de setembro, no entanto, o ex-juiz desembarcou no Brasil para cumprir uma série de compromissos de trabalho e também relacionados à articulação política.

Durante a estadia, de acordo com Abreu, Moro se mostrou mais inclinado a encabeçar a chapa do Podemos em 2022. O partido, que tem a terceira maior bancada no Senado, iniciou os diálogos sobre a candidatura do protagonista da Operação Lava Jato desde julho deste ano, mas ainda não bateu o martelo sobre as possíveis alianças.

“Primeiro é preciso confirmar a decisão dele, não adianta fazer qualquer conversa antes. E muitos partidos agora estão em fase de definição de seus candidatos, então acho que novembro vai ser o mês de definição de alguns dos majoritários e aí começarão as conversas sobre alianças”, disse a deputada.

Entre os nomes que também se reuniram com Moro durante sua passagem pelo Brasil, estão o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), ambos cotados para a disputa presidencial em seus respectivos partidos. Oficialmente, Sérgio Moro ainda não falou sobre a possibilidade de ser candidato.

 

A um ano das eleições, o agronegócio começa a mostrar divisões internas e a procurar alternativas ao presidente Jair Bolsonaro entre os candidatos de centro, a chamada terceira via. Influenciadores e grandes empresários do setor dizem, contudo, que, se um nome fora da polarização não se viabilizar, o cc

"Entre os agricultores, vejo uma tendência pró-Bolsonaro. Agora, nas instituições está todo mundo olhando o horizonte, ninguém tem posição tomada ainda", disse o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio na Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas.

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Um dos que mantêm canal direto com o agro é o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também buscam refazer pontes e telefonaram para Rodrigues. Assim como o PSB. "Todos que me procurarem vou ajudar, com o mesmo plano de governo para todos. Eu defendo a agricultura em qualquer ambiente", afirmou o ex-ministro de Lula, que não teve ainda contato com Bolsonaro.

A debandada de parte do setor ficou evidenciada com a iniciativa de entidades do agro de encabeçar uma carta em defesa da democracia, antecipando-se ao recuo dos industriais. Embora não cite Bolsonaro, o texto foi articulado como contraponto ao discurso autoritário do presidente no 7 de Setembro. O manifesto menciona a "moderna agroindústria brasileira". "Somos força do progresso, do avanço, da estabilidade indispensável e não de crises evitáveis", diz o texto, que fala em "tensionamento e riscos de retrocesso e rupturas". Assinaram o documento, entre outros, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal.

Para Christian Lohbauer, presidente da CropLife Brasil e ex-candidato a vice-presidente pelo Novo, apesar de ser heterogêneo, o setor se unirá na oposição a Lula. Segundo Lohbauer, há três grupos no agro: um contra o retorno do PT; um que apoia fielmente a gestão da ministra da Agricultura, Tereza Cristina; e outro que é pró-Bolsonaro, o que ele chama de "radicalismo agrário". "Se tem uma pauta que integra e une é a agenda anti-PT, por isso ocorre essa associação binária", afirmou. "O agro inteiro busca encontrar uma alternativa para o PT não ganhar e vai fazer o que for necessário."

A opinião de Lohbauer coincide com a de outro nome de peso do setor, o ex-ministro da Agricultura no governo Collor Antônio Cabrera Mano Filho. Eles observam que Ciro Gomes (PDT) se inviabilizou por causa de declarações generalizantes em que citou "bandidos do agronegócio". Ciro depois se retratou, afirmando que se referia a uma "parcela ínfima".

"Do outro lado (esquerda) não é a nossa praia, não tem como. O apoio a Bolsonaro é generalizado", disse Cabrera, veterinário e exportador de carne, milho, soja e cana-de-açúcar. "Não sou muito fã desse negócio de terceira via. É meio que tentar embalar algo que não está dando certo. Até gostaria que surgisse, mas o que percebo é que está ficando Bolsonaro contra anti-Bolsonaro", declarou o ex-ministro.

Para Cabrera, há um sentimento geral de frustração com outras agendas liberais do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele citou a falta de avanço nas reformas tributária e administrativa e, principalmente, as privatizações que patinam. "O maior adversário de Bolsonaro se chama Bolsonaro. Hoje eu sou a favor dele porque não tenho nenhuma opção, dentro da linha da liberdade econômica", afirmou. "Ficar falando que o Bolsonaro só diz bobagem não vai eleger ninguém. É um voto birrento, infantil. Candidatos da esquerda só falam em meio ambiente. É importantíssimo, mas e a infraestrutura?"

'Grave'

O pecuarista e ex-dirigente da Sociedade Rural Brasileira Pedro de Camargo Neto acrescentou como frustrações os retrocessos na pauta anticorrupção com a demissão do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro e a aliança com o Centrão. Ele rompeu com a entidade que presidiu após 30 anos de elo, por causa do apoio da SRB a políticas do atual governo personificadas pelo ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles - investigado por suspeita de envolvimento com madeireiras.

"A credibilidade do País foi perdida com a permissão de ilegalidades, a extração de madeira e o garimpo. Se não enfrentar isso e o grilo de terras, que é roubo de terra pública, não resolve nada, não adianta ficar falando de bioeconomia e de pagamento por serviço ambiental na Amazônia", afirmou. "Nisso o governo falhou e é muito grave. Tem que pôr ordem na casa", cobrou o pecuarista, que tem fazendas em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Piauí, e é doutor em Engenharia de Produção pela USP.

Apesar das críticas, líderes do setor apresentam inúmeros pontos de identificação com o atual governo para justificar a escolha num cenário de polarização com o PT. Entre outras razões, estão o conservadorismo e um cansaço da relação conflituosa histórica com ambientalistas, movimentos sem-terra e organizações não governamentais (ONGs). "Os caras apanharam do ambientalismo, do MST, então eles têm uma sequela, uma mágoa. É um Brasil fora das bolhas urbanas e tem pensamento mais conservador, de costumes", disse Camargo Neto.

Outro traço em comum é a boa avaliação de ministros como Tereza Cristina (Agricultura) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), e "correções de rumo" com as entradas de Joaquim Leite (Meio Ambiente) e Carlos França (Itamaraty) no governo. "Os ministros próximos do agro estão fazendo um bom trabalho e isso valoriza Bolsonaro perante os agricultores", afirmou Roberto Rodrigues.

A bonança do agro em plena pandemia da covid também é destacada. Segundo Cabrera, o setor cresceu e traders já estão procurando produtores para negociar a compra antecipada da safra de 2023. O ex-ministro de Collor elogiou o governo Bolsonaro por dois pontos principais: não interferir no mercado para controlar exportações, seja com limitação ou tributação, e a ausência das invasões no campo por parte do MST. "Não somos alienados, sabemos que temos problemas graves de saúde na pandemia, mas o setor foi muito agraciado, com exportações."

Conhecedor no mercado externo, Camargo Neto vai além: a conjuntura de dólar valorizado nas exportações em alta beneficiou como nunca o exportador. "Isso era algo que não acontecia. Aumentou a exportação e não derrubou o dólar. O setor acaba sendo beneficiado", disse. "Mas tem que ver como fica no ano que vem. Os insumos também subiram."

Até agora, nenhum presidenciável manteve diálogo formal para pedir apoio a entidades do setor. Porém, há reuniões frequentes com Bolsonaro e diálogos incipientes em privado com outros presidenciáveis.

Partidos também avaliam nome

Além de lideranças do setor do agronegócio, cresce no espectro da direita partidária a disposição de buscar outro nome capaz de derrotar o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de 2022.

As mais recentes pesquisas de intenção de voto mostraram o presidente Jair Bolsonaro com dificuldades para debelar a rejeição, na faixa de 60%.

"É um empecilho muito grande. Lula está conseguindo voto útil, um feito inédito. A eleição começa a mudar de eixo. Desde 2006 discutimos o anti-PT. Agora, estamos discutindo o anti-Bolsonaro", afirmou Bruno Soller, do Instituto Travessia Estratégia e Marketing.

O União Brasil, novo partido que resultará da fusão entre o PSL e o DEM, avalia os prós e contras de apoiar ou não a reeleição de Bolsonaro. Uma candidatura própria partiria turbinada por R$ 320 milhões do fundo eleitoral, a maior fatia.

Quadros que voltaram ao poder depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), entretanto, pretendem fazer de tudo para não regressar à oposição, ainda que tenham de se aliar novamente ao presidente. A hipótese tem agitado os bastidores da fusão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou nesta segunda-feira (4) um evento público de abertura do código-fonte do sistema de votação das urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições de 2022. Realizado periodicamente seis meses antes das eleições, a abertura foi antecipada para um ano antes do pleito para reafirmar a transparência da votação eletrônica. O primeiro turno será realizado em 2 de outubro do ano que vem.

No evento público, representantes dos partidos políticos, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Polícia Federal (PF), das Forças Armadas e acadêmicos podem enviar representantes para fiscalizar o código-fonte dos softwares, as linhas de programação que comandam o sistema de votação.

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Durante a cerimônia, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que o tribunal está empenhado em oferecer eleições limpas para a população e reafirmou que o sistema de votação é seguro e elegeu todos os atuais parlamentares.

“Abrir o código-fonte significa colocá-lo à disposição de todos os partidos para examinarem, fiscalizarem e participarem de cada passo do desenvolvimento desse programa”, afirmou.

A abertura do código-fonte é considerada a primeira etapa de auditoria da urna, que é realizada até o dia da eleição.

 

Suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e devolvida ao Governo pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM), a 'Medida Provisória (MP) das Fake News' ainda é um dos pontos polêmicos da política do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em torno do uso das redes sociais e do compartilhamento de informações falsas. A proposta dificulta a remoção de conteúdos das plataformas, que entram no debate criminal quando são tomadas por discurso de ódio.

Com a intenção de alterar o Marco Civil da internet, Bolsonaro justifica o projeto ao defender que as plataformas são arbitrárias ao excluir determinadas publicações. A cientista política Letycia Raila explica que a aprovação da MP iria impor barreiras à gestão das empresas de mídias sociais. 

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"Isso seria um ponto a se questionar no sentido de que seria muito mais fácil propagar mensagens que não são verdadeiras através das mídias sociais uma vez que as empresas que cuidam dessas redes sociais precisariam fazer uma análise que já não seria mais 'programada' para tirar determinadas informações. Para que existisse essa tal 'justa-causa', as mídias sociais precisariam de uma espécie de permissão para excluir e tornaria essa questão muito mais lenta", detalhou.

A estudiosa lembra que o Marco Civil da internet foi aprovado em 2014 para garantir direitos e deveres aos usuários, o que regulamentou o uso das plataformas. "Não é como se o ambiente virtual fosse uma 'terra sem lei', pelo contrário, a gente tem leis que regulamentam bastante a utilização das redes sociais", acrescentou.

Outra brecha seria o afrouxamento do ponto de vista penal, já que as publicações geralmente são compartilhadas com discurso de ódio e agressões direcionadas. "Não existiriam nenhum tipo de penalidade nessas questões, o que tornaria o sistema muito mais moroso". 

Aos usuários, a MP pode ser compreendida como um retrocesso, bem como à política pregada pelo Marco Civil, pois diminui a autonomia das empresas referente ao disparo de informações falsas no Instagram, Facebook, WhatsApp e outras redes. "Não vejo muitas evoluções visto que o próprio Marco Civil da internet já garante os direitos dos indivíduos que utilizam a internet. Ela é regulamentada, então não vejo grandes melhorias ao usuário”, pontuou a especialista.

A dupla recusa à proposta dá indícios de uma nova derrota de Bolsonaro no Congresso. No entanto, aprovada ou não, o processo eleitoral ainda deve sofrer com o disparo de informações falsas como estratégia para direcionar votos e atacar adversários.

"Não acho que isso enfraqueça de forma muito extensiva a campanha eleitoral. Supondo que a gente vai ficar da forma que estamos, as informações vão continuar sendo passadas pelo WhatsApp, pelo Facebook, pelo Instagram e pelos meios de comunicação”, sugeriu a cientista, que não prevê grandes efeitos para 2022.

O apresentador José Luiz Datena e o pré-candidato à Presidência Ciro Gomes deram um segundo passo nas conversas sobre a possibilidade de o jornalista ser vice do pedetista na disputa presidencial de 2022. Na noite de sábado, os dois jantaram na capital paulista.

O encontro ocorreu horas depois de Ciro ser hostilizado na Avenida Paulista, durante manifestação pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro.

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Este foi o primeiro encontro presencial de Ciro e Datena após o apresentador ser convidado, no mês passado, para se filiar ao PDT pelo presidente nacional da sigla, Carlos Lupi - que também participou do jantar, assim como a mulher de Ciro, Giselle Bezerra.

Datena se solidarizou com Ciro pelo episódio da Paulista. De acordo com interlocutores, eles conversaram sobre o futuro do Brasil e possíveis alianças.

Em julho, Datena se filiou ao PSL, e foi lançado pela sigla que elegeu Jair Bolsonaro em 2018 como pré-candidato à Presidência em 2022. No entanto, após o avanço na negociação pela fusão entre DEM e PSL, o apresentador estaria se sentindo "desconfortável" na legenda, segundo disse Lupi ao jornal O Estado de S. Paulo.

"Ele quer esperar essas definições internas (para definir a filiação)", disse o presidente do PDT.

Segundo Lupi, a expectativa é de que Datena tome uma decisão até o fim de novembro.

Em setembro, Lupi disse ao Estadão/Broadcast ter dado ao apresentador a opção de concorrer ao governo de São Paulo ou a uma cadeira no Senado pelo Estado.

A proposta foi mantida no jantar. Conforme o dirigente, Datena "topa o que for melhor para o projeto do Ciro".

Procurado, Datena não havia respondido à reportagem até a conclusão da edição do domingo (3), do jornal O Estado de S. Paulo.

A paulistana Júlia Sampaio, de 16 anos, sabe bem as mudanças que deseja ver na política brasileira. "Mais poder de fala para as mulheres e mais empenho para reduzir as desigualdades sociais, por exemplo", disse ela, que, mesmo na faixa etária em que o voto é facultativo, já agendou a emissão do título de eleitor para votar nas eleições do ano que vem. "Considerando tudo o que passamos durante a pandemia, acho legal que os adolescentes exerçam esse direito", afirmou a estudante.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quer atrair mais jovens como Júlia. As estatísticas divulgadas pelo órgão mostram que o número de eleitores com idade entre 16 e 17 anos diminuiu de 2,3 milhões, em 2016, para pouco mais de 1 milhão na eleição mais recente, realizada em novembro do ano passado.

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O tribunal tem feito uma campanha para incentivar o voto jovem - "lembrando" que quem se encontra nesta faixa etária pode votar em 2022. Mesmo quem ainda tem 15 anos já pode tirar o título de eleitor, desde que faça aniversário até outubro do ano que vem.

Para a pesquisadora Larissa Dionísio, coordenadora de um estudo sobre o ecossistema de inovação política no Brasil, não é à toa que o comparecimento de adolescentes às urnas tenha diminuído. Em sua avaliação, o País passa por uma crise que tem reduzido a confiança nas instituições, sobretudo entre os jovens. "Quem está chegando agora desconfia do poder do voto, acha que não vai mudar nada", afirmou Larissa.

É o caso da estudante Sofia Astuti, que também tem 16 anos, mas segue o caminho oposto de Júlia. Sofia não sabe se vai votar em 2022, mas disse que, no momento, não se sente pronta para escolher um candidato. Segundo ela, a atual conjuntura do País dificulta ainda mais essa decisão. "Parece que as pessoas não sabem mais conversar de forma sensata sobre questões políticas", disse a jovem. "Isso me deixa irritada e acabo perdendo o interesse."

Espaços de poder

Para casos como o de Sofia e outros adolescentes "desanimados" com a política, Larissa afirmou que uma forma de atraí-los é mostrar que a participação de jovens é um caminho para fomentar a pluralidade nos espaços de poder, reduzir as polarizações e fortalecer a democracia.

"Quanto mais adolescentes exercendo a cidadania por meio do voto, maior a chance de construção de uma agenda de desenvolvimento com mais diversidade na tomada de decisões", observou a pesquisadora. "Não ocupar é deixar o espaço vazio para que outros personagens ingressem, os mesmos homens brancos e velhos", afirmou.

A missão do Instituto Update, organização sem fins lucrativos da qual Larissa faz parte, é despertar a "urgência do presente" no imaginário político da juventude. O instituto apoia lideranças que promovem transformação política nas ruas, nas redes e nas instituições, usando a democracia como princípio para reduzir as desigualdades sociais, raciais e econômicas.

De acordo com a pesquisadora, as redes sociais mostram que os adolescentes brasileiros não são apolíticos, mas, sim, bastante engajados. O que falta, segundo ela, é levar as causas que estão em pauta na internet e nas redes sociais para onde as decisões são tomadas. "É preciso trazer a política mais para perto desse grupo, estimular o diálogo saudável e a coletividade", afirmou Larissa.

Representatividade

Foi justamente a vontade de romper hegemonias na administração pública que levou o mineiro Daniel Cabral a buscar um espaço no Legislativo de seu município. Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), ele foi eleito vereador em 2020, aos 23 anos, e usa as redes para manter contato com seu eleitorado, em grande parte, jovens.

Assim como Júlia, Cabral mencionou a pandemia como um período definidor para a participação política desse segmento. O vereador destacou a alta procura pela vacina contra a covid-19 por parte dos adolescentes, que, segundo ele, usaram a internet para cobrar lideranças pelo avanço da imunização no País. Para ele, houve um "círculo virtuoso". "Quando tem gente jovem na política, outras pessoas dessa idade se sentem representadas e são estimuladas a votar, pois percebem mudanças em suas vidas."

Sala de aula

Para chamar esse público às urnas, iniciativas pelo Brasil apostam no fomento da educação cidadã, que tenta despertar a consciência política nos adolescentes. Uma delas, o projeto Politize! desenvolve material pedagógico e oferece formação para professores tratarem de temas relacionados à democracia na sala de aula.

Segundo a coordenadora de comunicação do projeto, Mariana Fernandes, o objetivo é apoiar o desenvolvimento de "liderança ativa" nos estudantes e ensinar sobre inovação, políticas públicas e mobilidade social. O material do programa, distribuído gratuitamente nas escolas da rede estadual de São Paulo, fala, por exemplo, sobre a importância da imprensa e do diálogo e informa sobre o acesso de cidadãos à Justiça.

O Politize! tem acordo com os governos de São Paulo, Bahia, Sergipe, Amazonas e Roraima, mas professores de todos os Estados podem solicitar acesso ao material pedagógico. "Queremos formar uma geração de cidadãos conscientes e comprometidos com a política", afirmou Mariana. "Acreditamos que assim vamos construir uma democracia realmente plena no País." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Depois de receber o apoio do senador Tasso Jereissati (CE), que desistiu das prévias do PSDB, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tenta montar uma "frente" contra seu principal adversário na disputa interna, o governador de São Paulo, João Doria. Nas últimas semanas, Leite buscou o apoio de prefeitos paulistas para reduzir o favoritismo de Doria no Estado, principal colégio eleitoral tucano e também do País, na corrida para 2022.

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, assumiu a coordenação da pré-campanha de Leite em São Paulo. Na semana passada, Serra organizou um ato com Leite em São José dos Campos, onde o prefeito, Felício Ramuth, é apontado como aliado estratégico do governador gaúcho. Participaram do encontro as principais lideranças do PSDB no Vale do Paraíba.

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"O apoio ao Eduardo Leite tem crescido no Estado (de São Paulo) e muitos diretórios se abriram para conhecer as propostas dele. O Eduardo é mais competitivo e tem mais viabilidade de diálogo com outros partidos", disse Serra ao Estadão. O prefeito de Santo André afirmou que está organizando visitas de Leite às 11 regiões administrativas de São Paulo nos próximos 50 dias.

O Estado de São Paulo é governado pelos tucanos há quase 30 anos, e a sigla contabiliza 241 prefeitos e 99 vices do partido - são, portanto, 340 votos na eleição interna que vai definir o candidato à Presidência da República. No Rio Grande do Sul, o PSDB tem 31 prefeitos e 31 vices.

Esses números dão, em tese, vantagem a Doria. Pelo formato estabelecido pela executiva, o vencedor das prévias será escolhido da seguinte forma: quatro grupos vão votar no dia 21 de novembro - (1) filiados; (2) prefeitos e vice-prefeitos; (3) vereadores, deputados estaduais e distritais; (4) governadores, vice-governadores, ex-presidentes e o atual presidente da Comissão Executiva Nacional, deputados federais e senadores. Cada um desses grupos tem peso de 25% no total dos votos.

Leite já fez três viagens oficiais a São Paulo para encontrar a militância do partido. Doria ainda não foi ao Rio Grande do Sul na campanha das prévias.

Em uma dessas visitas, Leite se reuniu na Câmara Municipal de São Paulo com o líder do PSDB na Casa, vereador Reginaldo Tripoli, que declarou apoio a ele, o que causou desconforto com os demais sete vereadores do partido que estão fechados com Doria. "Leite é um cara plural e não está a fim de bater em ninguém. Ele tem uma disposição para o diálogo que não vejo no Doria", disse o vereador ao Estadão.

O prefeito de São José dos Campos disse que ainda não decidiu se vai apoiar Leite ou Doria - há ainda um terceiro candidato nas prévias tucanas, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. "Tenho um pé no muro com o Doria, outro com Leite e ainda vou tomar a decisão de ficar ou sair do PSDB. Nosso diretório é orgânico e vai tomar as decisões certas na hora certa", afirmou Ramuth.

Após organizar o ato com o governador gaúcho em sua cidade, Ramuth almoçou com Doria no Palácio dos Bandeirantes, na quarta-feira passada. De acordo com ele, a decisão será tomada em conjunto com o deputado federal Eduardo Cury e o vice-prefeito da cidade.

Em outra frente, dois ex-presidentes do PSDB de São Paulo, Pedro Tobias e Antonio Carlos Pannunzio, também anunciaram apoio ao governador do Rio Grande do Sul nas prévias. Ambos são ligados ao ex-governador Geraldo Alckmin, que está de saída do partido.

‘Caso isolado’

 

O presidente do PSDB paulista e secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, minimizou o apoio recebido pelo gaúcho em São Paulo. "Eles (Leite e Arthur Virgílio) são bem-vindos, mas, juntos, não somam nem 100 votos em um universo de 300 mil", afirmou. Para o presidente do diretório municipal do PSDB de São Paulo, Fernando Alfredo, o apoio de Tripoli a Leite é um "caso isolado". "Não representa a opinião da quase totalidade do diretório municipal do PSDB paulistano."

No Rio Grande do Sul, a principal aliada de Doria é a ex-governadora Yeda Crusius, que preside o PSDB Mulher e organizou um evento com centenas de tucanas em apoio ao governador paulista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), usou o Twitter, neste sábado (2), para disparar contra o presidente Jair Bolsonaro e confirmar presença nos atos que pedem a saída do mandatário nacional e estão marcados para este sábado (2). O pedetista declarou que se juntará às manifestações de São Paulo e Rio de Janeiro.

“Hoje é mais um dia de luta contra o governo genocida de Bolsonaro. Participarei dos atos no Rio de Janeiro e em São Paulo. Conto com a presença de todos e todas vocês que encarnam esta luta contra o despotismo, a corrupção e o retrocesso”, publicou.

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Na sequência, Gomes afirmou que para que o país volte a pautar assuntos como “emprego, desenvolvimento, redução das desigualdades” é preciso exigir a prisão do presidente, a quem chamou de “criminoso”.

“Infelizmente alguns setores da política, principalmente ligados ao que existe de mais atrasado, corrupto e marginal, preferem ver o Brasil seguir sofrendo a lutar por essa causa. Serão julgados pelo nosso povo e pela história como traidores da pátria”, finalizou.

Nomes como Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), que disputaram as eleições presidenciais de 2018 ao lado de Gomes, também confirmaram presença no ato na Avenida Paulista, região central de São Paulo (SP).

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A visita do ex-juiz Sergio Moro ao Brasil reacendeu os rumores de que o porta-voz da operação Lava Jato disputará a corrida presidencial em 2022. No país desde 23 de setembro, quando se despediu brevemente da cidade de Washington (EUA), sede da empresa que o emprega, Alvarez & Marsal, Moro se divide entre compromissos profissionais e políticos.

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De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o ex-titular da Justiça na gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a se reunir com aliados no final de setembro para discutir a possibilidade da candidatura no ano que vem. A decisão, no entanto, só poderá ser confirmada no final de 2021, em decorrência do contrato com o escritório norte-americano para quem trabalha como consultor.

Na última pesquisa do Datafolha que incluiu o nome de Moro, realizada em maio, apenas 26% do eleitorado declarou não votar nele de jeito nenhum. A estimativa de votos do ex-juiz ficou em 9%, seguindo a tendência de outros nomes da chamada “terceira via”, a exemplo do pedetista Ciro Gomes, ex-governador do Ceará. Segundo a Folha, o Podemos é o partido com maior probabilidade de acolher a filiação do ex-juiz.

Além disso, Moro jantou com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e encontrou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM). Ele ainda teve conversas com João Amoêdo, fundador do Novo, e compareceu a um encontro oficial com líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), a mais nova oposição ao governo Bolsonaro.

 

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