A União Europeia (UE) afirmou, nesta quinta-feira (7), que Facebook e YouTube eliminam menos discursos de ódio registrados em 2021 do que em 2020, enquanto aumenta a pressão para uma regulamentação mais rígida das redes sociais.

A revisão anual das plataformas sociais feita pela UE contra os discursos de ódio e realizada de acordo com as redes signatárias, nas quais se incluem, além das mencionadas, o Twitter, Instagram e TikTok, afirmou que a média de eliminação diminuiu.

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As plataformas eliminaram uma média de 62,5% de conteúdo denunciado por 35 grupos anti-discriminação em 22 Estados-membros entre março e abril.

Esse número é menor que 71% de eliminações realizadas no mesmo período de seis semanas em 2019 e 2020.

A análise mostrou que a eliminação de discursos de ódio diminuiu no Facebook e YouTube e aumentou no Twitter e Instagram.

O TikTok, que foi avaliado pela primeira vez, removeu 80% do conteúdo reportado.

Discursos de ódio sobre orientação sexual e xenofobia são os reportados com mais frequência, afirmou a UE.

No total, foram feitas 4.500 denúncias às plataformas durante o período analisado este ano.

O acordo, ao qual o LinkedIn se uniu em junho, se baseia na participação voluntária das plataformas. Mas a UE prepara uma regulamentação mais ampla que reforçará os poderes do bloco.

Quando for aprovada, as redes sociais poderão ser multadas se não agirem contra os conteúdos ilegais, e obrigará uma maior transparência sobre os critérios para mostrar as publicações aos usuários.

A iniciativa é discutida no Parlamento europeu e no Conselho Europeu dos 27 membros da UE.

Na tarde desta sexta-feira (1º), o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), filho do apresentador do SBT, Ratinho, foi vaiado durante evento realizado em Maringá e o seu discurso acabou durando apenas 25 segundos. 

Ele estava no palanque do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao lado do líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP), que é do Paraná. 

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"Boa tarde a todos. Quero dar boas vindas ao presidente da República. Dar boas vindas a nossa bancada. E agradecer ao presidente a oportunidade desses investimentos que estão sendo feitos aqui no Paraná. Viva Maringá, viva o Paraná", disse o governador em seu curto discurso.

O prefeito de Maringá, Ulisses Maia (PSD) também foi vaiado pelos apoiadores do presidente Bolsonaro enquanto discursava. O líder do governo, Ricardo Barros, ainda tenta pedir para que os presentes não vaiassem o prefeito, sem sucesso. 

Em busca de legitimidade internacional, o Taleban nomeou seu porta-voz baseado em Doha, Suhail Shaheen, como embaixador do Afeganistão na Organização das Nações Unidas (ONU) e pediu espaço para um discurso de seu chanceler, Amir Khan Muttaqi, durante a Assembleia-Geral, que vai até segunda-feira (27).

O ministro das Relações Exteriores do governo do Taleban, Amir Khan Muttaqi, fez o pedido em uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, na segunda-feira.

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Muttaqi pediu para falar durante a reunião anual da Assembleia-Geral, que termina na próxima segunda-feira. O porta-voz do português, Farhan Haq, confirmou o recebimento da correspondência.

A iniciativa do grupo extremista, que retomou o poder após a retirada das tropas ocidentais do Afeganistão, é mais um passo em busca de legitimidade internacional - que, por sua vez, auxiliaria a ampliar a ajuda humanitária e a obter fundos em reservas internacionais para reativar a economia.

Da primeira vez em que governou o país, de 1996 a 2001, o Taleban tinha reconhecimento oficial apenas de Paquistão, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

O movimento estabelece um conflito com o atual representante do país na ONU, Ghulam Isaczai, nomeado pelo governo de Ashraf Ghani. O ex-presidente, derrubado pelo Taleban, se refugiou em Abu Dhabi no dia da reconquista da capital, Cabul. A mensagem do Taleban diz que a missão de Isczai está "considerada encerrada".

Guterres disse que o desejo do Taleban de reconhecimento internacional é a única alavanca que outros países têm para pressionar por um governo inclusivo e que respeite os direitos humanos, especialmente das mulheres, no Afeganistão.

Até que uma decisão seja tomada pelo comitê, Isaczai permanecerá na cadeira, de acordo com as regras da Assembleia-Geral. Ele deverá discursar no último dia da reunião, em 27 de setembro, mas não ficou claro se algum país poderia objetar após a carta do Taleban.

O comitê tradicionalmente se reúne em outubro ou novembro para avaliar as credenciais de todos os membros da ONU antes de enviar um relatório para aprovação da Assembleia-Geral antes do final do ano. O comitê e a Assembleia-Geral geralmente operam por consenso em relação às credenciais, disseram diplomatas.

Um porta-voz da entidade disse que o secretário-geral recebeu também uma segunda carta, enviada pelo atual embaixador, com data de 15 de setembro, informando os integrantes da delegação afegã.

Shah Mahmood Qureshi, chanceler do Paquistão, país vizinho ao Afeganistão, disse em uma entrevista classificou o pedido do Taleban como complexo.

"Quem ele representa? A quem ele se reporta? Que tipo de comunicação você pode ter com uma pessoa na ONU que não tem reconhecimento? É uma situação complexa e que está em andamento", disse, segundo relatado pelo jornal americano The New York Times.

Haq explicou que o pedido de Muttaqi foi encaminhado para um comitê de credenciais, que possui entre seus nove membros EUA, China e Rússia - Pequim e Moscou buscam ocupar o vácuo de influência deixado pela retirada de Washington do Afeganistão e já disseram que podem firmar relações com os taleban.

É improvável, no entanto, que a cúpula se reúna para discutir a questão antes de segunda, o que torna difícil um pronunciamento de Muttaqi no evento que reúne mais de cem líderes mundiais em Nova York.

Pelas regras da ONU, as credenciais continuam com Isaczai, que teria seu pronunciamento na Assembleia-Geral pré-agendado para o próximo dia 27. O comitê de credenciais se reúne geralmente entre outubro e novembro para analisar os pedidos das delegações.

O Taleban ainda é alvo de sanções econômicas de organismos multilaterais, e delegações alertaram à Assembleia-Geral que qualquer mudança na representação do Afeganistão precisaria ser analisada de forma criteriosa.

Líderes que já discursaram no evento iniciado na terça-feira, 21, manifestaram preocupação com o futuro do Afeganistão. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

O vice-presidente Hamilton Mourão reconheceu nesta quarta-feira, 22, que houve alta no desmatamento da Amazônia nos primeiros dois anos do atual governo, apesar de uma suposta diminuição nos últimos três meses, citada sem apresentar dados. A fala vem um dia após o presidente Jair Bolsonaro apresentar ao mundo, em discurso na 76ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU), visão distorcida sobre a política ambiental brasileira, criticada internacionalmente e elogiada pelo Planalto.

"A realidade é que, nos último três meses, houve essa tendência bem grande de diminuição do desmatamento, independente o que ocorreu nos dois anos anteriores, que a gente não nega que houve aumento. Não pode negar, não tem como. Mas tem havido esforço grande do governo no sentido da gente mitigar esses efeitos", afirmou Mourão a jornalistas.

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Como mostrou ontem o Estadão/Broadcast Político, a Amazônia perdeu 1.606 km² de vegetação em agosto, alta de 7% na comparação anual, uma realidade totalmente diferente da apresentada por Bolsonaro na ONU. Em seu discurso, o presidente afirmou que a floresta registrou redução de 32% em seus níveis de desmatamento no mês passado.

Mourão evitou avaliar o discurso de Bolsonaro nas Nações Unidas - limitou-se a dizer que o chefe do Executivo "não foi a fundo em questões globais". "Presidente apresentou dentro da nossa visão, do nosso governo, a situação que o País vive. Acho que ele não foi muito a fundo em questões globais", declarou o vice-presidente, que preferiu não comentar as citações de Bolsonaro a remédios sem eficácia comprovada contra a covid-19 em seu pronunciamento.

"O discurso da ONU é uma peça só. Vem sendo dado muito destaque a isso por causa da forma com que nosso governo atua, mas na realidade a imagem do Brasil é um processo contínuo", minimizou o vice-presidente, sobre os impactos do discurso considerado negacionistas de Bolsonaro no encontro bilateral. Além da defesa de medicamentos ineficazes contra o novo coronavírus e a distorção da realidade da Amazônia, o líder do Planalto ganhou as manchetes da imprensa internacional por criticar o chamado "passaporte da vacina" e por ter sido o único chefe do Estado do G20 a se declarar não imunizado.

Sentado no lobby do hotel onde está hospedado em Nova York, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) assistia novamente ao discurso feito pelo pai na Assembleia-Geral da ONU menos de uma hora após a fala. A partir dali, ele iria selecionar os trechos do discurso que seriam disparados nas redes bolsonaristas. Foi o filho do presidente que ajudou Bolsonaro a chegar no texto final lido pelo presidente no palco da ONU, segundo integrantes da comitiva. Também é ele um dos responsáveis por pensar na divulgação do material.

O roteiro inicial do pronunciamento tinha sido elaborado pelo chanceler Carlos França e pelo almirante Flávio Rocha, da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Até a véspera, no entanto, Eduardo ajudou a alterar o script do Itamaraty. Para um integrante da ala ideológica do governo que integrou a comitiva presidencial, "as pessoas que achavam que iriam mudar o presidente estão erradas".

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Bolsonaro, por exemplo, não citou a doação de vacinas a países da região, algo que França achava que poderia se sobrepor à fala ideológica do presidente. Fontes garantem, no entanto, que o anúncio ainda será feito em Brasília.

Em 2019, o discurso de Bolsonaro - com a apresentação do projeto bolsonarista ao mundo - chocou os presentes. Desta vez, o presidente brasileiro despertou menos atenção pelo que falou, já que repetiu muito do que vem dizendo nos últimos dois anos, e mais pelo fato de não estar vacinado e poder representar um risco para as outras delegações, inclusive para o presidente americano, Joe Biden.

Biden tem evitado contato direto com Bolsonaro desde que tomou posse. Não foi diferente nesta semana em NY. O presidente americano esteve hospedado no mesmo hotel de Bolsonaro, onde fez uma reunião com o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e esteve nos bastidores da Assembleia-Geral enquanto Bolsonaro discursava. Os dois, no entanto, não se encontraram na coxia.

Como o líder americano discursa logo após a fala do brasileiro, é comum que os dois se cumprimentem no ínterim. Foi assim que Donald Trump e Bolsonaro trocaram elogios em 2019. Ainda que rápido e protocolar, seria o primeiro encontro entre Biden e Bolsonaro, que nunca conversaram nem por telefone. Por causa da pandemia, no entanto, os líderes neste ano saíam do palco por uma porta diferente da que usavam para entrar. Assessores de Bolsonaro argumentaram que foi "apenas por esse motivo" que os dois não se encontraram.

O contato entre Brasil e EUA se deu no nível ministerial. França se reuniu com o secretário de Estado, Antony Blinken, e o ministro do meio ambiente, Joaquim Leite, se encontrou com o enviado americano especial para o clima, John Kerry.

Bolsonaro ficou novamente isolado em sua segunda participação presencial em NY. Da primeira vez, em 2019, não teve nenhuma reunião bilateral. Agora, conseguiu apenas dois encontros: com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e com o líder de extrema-direita da Polônia, Andrzej Duda.

Após o discurso, Bolsonaro passou quase dez horas em Nova York sem nenhum compromisso oficial. Saiu acompanhado pelo filho Eduardo e pelo ministro Gilson Machado para um almoço privado que, segundo fontes da comitiva, aconteceu em um outlet em Nova Jersey. O presidente e os demais não publicaram fotos deste almoço nas redes sociais, diferentemente do que fizeram quando comeram pizza na rua.

Ainda na terça-feira (21), Bolsonaro foi com a primeira-dama, Michelle, ao memorial de homenagem às vítimas do 11 de setembro, onde passou menos de dez minutos. Ele posou para fotos oficiais e criticou "distorções" da imprensa sobre seu discurso.

O presidente cogitou antecipar o voo a Brasília, mas mudou de ideia. Após dias sendo incomodado por um pequeno grupo de manifestantes que protestavam contra o governo, o presidente teve uma trupe de apoiadores que surgiu, ao mesmo tempo, na porta do hotel nesta terça-feira.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), considerou o discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (21) como "constrangedor e vergonhoso". Para Doria, as falas de Bolsonaro, com mentiras e fatos distorcidos, foram mais um desastre para o Brasil e prejudicam as relações multilaterais com outras nações.

"Você não pode declarar uma Assembleia Geral da ONU, com mais de 160 chefes de Estado, posições que não correspondem à verdade sobre vacinação, saúde, sobre posicionamento do Brasil no âmbito da diplomacia", disse. "Foi constrangedor e vergonhoso que o presidente do Brasil, mais uma vez, pois é a terceira vez que ele vai à Assembleia, faça o papel vexatório que nos envergonha", completou o governador paulista em entrevista a jornalistas que participam do curso de focas econômico da Agência Estado e do Estadão.

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Segundo Doria, que tenta no PSDB obter a vaga como candidato à sucessão de Bolsonaro, o Brasil virou objeto de chacota e de piada com Bolsonaro no governo. "Você lê os principais jornais do mundo e as matérias sobre o Brasil são vergonhosas para nós, Bolsonaro é objeto de piadas. Ele é tido como ditador ameaçando a democracia brasileira e como o maior negacionista do mundo."

Em entrevista aos jornalistas, o tucano avaliou, por fim, que o Brasil não tem um líder, mas uma figura que ameaça a democracia e a saúde pública, "pois gastou milhões comprando cloroquina, quando poderia ter comprado vacina e muitas vidas se perderam", chamou de covarde os que usam máscaras e estimula aglomerações.

"Enfim, mais um desastre do Brasil colocado internacionalmente e isso nos afastou ainda mais dos grandes líderes mundiais que prezam a democracia e os valores", concluiu.

O discurso do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na Assembleia-Geral da ONU repercutiu de forma negativa em vários países, como mostra a imprensa mundial. Bolsonaro voltou a defender o uso da cloroquina e de tratamentos precoces contra a covid-19 e questionou o motivo de outros países não adotarem as práticas.

"Sem estar vacinado, Bolsonaro do Brasil quebra sistema de honra da vacina da ONU durante discurso", escreveu o jornal americano The Washington Post, se referindo ao pedido das Nações Unidas para todos os líderes mundiais se vacinarem contra a covid.

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O The Wall Street Journal explicou que uma das condições para a participação dos líderes mundiais na Assembleia era estarem vacinados. Mas, como ficou provado, não houve uma verificação e cumprimento deste "sistema de honra". "Em seu discurso, o senhor Biden encorajou os países a adotarem planos nacionais mais ambiciosos para reduzir a emissão de gases do efeito estufa e pressionou os países desenvolvidos a darem mais dinheiro aos países em desenvolvimento", destacou o jornal.

O site do jornal britânico The Guardian também destacou o fato de Bolsonaro ter criticado a obrigatoriedade da vacina contra o novo coronavírus em sua manchete.

O americano The New York Times escreveu: O presidente do Brasil liderou uma das respostas mais criticadas no combate à pandemia". Em sua página do 'ao vivo', pela qual está sendo feita a transmissão dos discursos, o NYT destaca os protestos que ocorreram em Nova York contra Bolsonaro e o líder iraniano.

O espanhol El País, em sua página de Américas, destacou o discurso de Bolsonaro e, em seguida, um artigo dizendo "Não é culpa apenas de Bolsonaro o fato do mundo rir do Brasil". O texto destaca o passeio do presidente brasileiro por Nova York, sem máscara e sem estar vacinado.

Em palco internacional, onde foi o primeiro a discursar durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na manhã desta terça-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) optou por fazer discurso à sua base eleitoral, destacando supostas conquistas do Brasil e ignorando os alertas feitos por líderes internacionais sobre pautas brasileiras, como a Amazônia e atentados à democracia. Em resposta, o presidente exaltou um “Brasil diferente” do reportado na mídia e com "credibilidade recuperada". Segundo ele, o país está "há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção". 

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"Nossas estatais davam prejuízos de bilhões de dólares, hoje são lucrativas. Nosso Banco de Desenvolvimento era usado para financiar obras em países comunistas, sem garantias. Tudo isso mudou. Apresento agora um novo Brasil com sua credibilidade já recuperada", apontou.  

Em seguida, Bolsonaro descreveu que a gestão do país tem uma "base sólida" porque tem valores cristão e respeita a Constituição Federal e os cidadãos. "O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e seus militares, valoriza a família e deve lealdade a seu povo". 

O mandatário também citou investimentos já acordados no país com o setor privado em equipamentos como aeroportos e ferrovia, destacou também que em apenas alguns dias recebeu "14 pedidos de autorização de novas linhas de comboio", realça, o que diz ser um reflexo do caminho para "diminuir o consumo de combustíveis fósseis". 

Em mais uma pauta de aproximação com seu eleitorado, destacou as manifestações do 7 de Setembro, convocadas sob tom antidemocrático para a batalha instaurada pelo presidente contra o Supremo Tribunal Federal (STF), e as chamou de “maior manifestação da história” do Brasil. 

O discurso de Bolsonaro chamou atenção por ser “interno” e não responder às questões apontadas pelos mais de 100 países que aguardavam um líder menos autocentrado. No mesmo trecho, o chefe do Executivo chegou a mencionar um auxílio de US$ 800 (aproximadamente R$ 4.200) que não existiu, políticas florestais modelo e voltou a defender o tratamento precoce contra a Covid-19. Ele é o único entre os 19 líderes do G20 (composto pelas 19 principais economias mais a União Europeia) a não ter tomado ainda a vacina contra a COVID-19. 

 

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na manhã desta terça-feira (21), em Nova Iorque, expôs o Brasil de forma negativa diante dos principais chefes de Estado do planeta. Sem se amparar em fatos reais, Bolsonaro jogou fora a oportunidade de se comunicar a nível internacional para discursar aos seus eleitores, como em suas lives semanais, aponta o cientista político Rodolfo Marques.

“Pronunciamento vexatório que mais uma vez expôs o Brasil nesse contexto internacional de uma maneira negativa”, descreveu o estudioso, que identificou uma leitura desamparada dos fatos por parte do presidente ao iniciar o discurso alegando que o país beirava o socialismo antes da sua eleição.

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"Na verdade isso nunca aconteceu aqui no Brasil, mas faz parte da estratégia da guerra cultural que ele vem travando desde as eleições de 2018". Ele recebeu a faixa presidencial de Michel Temer (MDB) e convocou o próprio Temer para mediar a trégua com o Supremo Tribunal Federal (STF) após convocar atos antidemocráticos para o último 7 de setembro. "O que ouvimos foi mais do mesmo, basicamente o presidente falando, para seus eleitores, para seus seguidores", pontuou.

A posição de ultraconservadora justificada pela reiterada defesa do que entende como 'família tradicional' pode ser equiparada ao discursos dos líderes extremistas da Polônia e da Húngria. Marques também contrariou o trecho sobre a suposta 'inocência' do Governo Federal em casos de corrupção. "Os fatos na verdade indicam o contrário [no núcleo familiar], principalmente em relação à CPI da Covid, a questão da compra das vacinas", apontou.

Único dos líderes que não foi imunizado contra a Covid-19, Bolsonaro foi obrigado a usar máscara para ter acesso à sede da ONU e, mais uma vez, defendeu o falso tratamento precoce, além de voltar a fragilizar a vacinação. "Ele fez um discurso desconectado da realidade. O Brasil beira as 600 mil mortes e, na verdade, entrou muito atrasado nessa corrida por vacinas. [o tratamento precoce foi] cientificamente comprovado que não funciona, mas ele continuou defendendo", criticou.

"O Brasil enfrenta um dos piores cenários em relação a queimadas, desmatamento, chama atenção do ambiente internacional em relação a isso e o Brasil vem realmente batendo pino, vem tendo muitas dificuldades em relação a esse aspecto", rechaçou o cientista aos comentários do presidente sobre defesa e investimentos na preservação do Meio Ambiente.

A cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid reagiu ao discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro, na Assembleia das Nações Unidas (ONU) e criticou o conteúdo do discurso do chefe do Planalto.

Os senadores criticaram Bolsonaro por defender o chamado tratamento precoce contra a Covid-19, atacar governadores e prefeitos e dizer que o governo federal pagou um auxílio emergencial de US$ 800, valor equivalente a mais de R$ 4 mil em cotação atual do dólar.

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"O presidente mentiu do começo ao fim do seu discurso. Vergonhoso. Parece que ele estava falando de outro país que não esse velho Brasil com as contradições que todos nós vemos", afirmou o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou ironicamente que Bolsonaro estaria falando de Belize, e não do Brasil.

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), também foi irônico. "Para quem acha que a CPI ia acabar em pizza, nós vimos ontem o chefe da nação comendo pizza na rua. Isso é uma pizza do outro país, a nossa não dá em pizza."

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse estar comprometido em trabalhar com outras nações em busca de resoluções pacíficas para conflitos. "Não estamos procurando uma nova Guerra Fria ou uma guerra dividida em blocos", afirmou nesta terça-feira (21) em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

E acrescentou: "É a primeira vez que não estamos em uma guerra em 20 anos, viramos a página".

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Biden pontuou que a ameaça terrorista é real, nos EUA e no exterior, mas que o mundo já não é o mesmo de 2001.

Em um discurso que buscou reforçar a importância da colaboração global, o presidente norte-americano disse que os EUA irão "se opor a tentativas de países grandes de oprimir nações mais fracas".

Em relação ao Irã, Biden afirmou que os EUA estão comprometidos a retomar o acordo nuclear desde que a nação iraniana cumpra as regras.

Por volta das 10h45 desta terça-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, em sua terceira passagem pelo palanque. Seguindo a tradição do encontro, que desde 1947 dá a oportunidade de abertura da assembleia aos presidentes brasileiros, Bolsonaro foi o primeiro a discursar. A fala do mandatário chama atenção por destacar números obtidos pelo Brasil durante a pandemia e por exaltar uma boa economia que não é a realidade do país. Após culpar governadores por mitigar a economia com as estratégias de lockdown, o chefe do Executivo voltou a mencionar o “auxílio de 800 dólares” (aproximadamente R$ 4.200). 

“No Brasil, para atender aqueles mais humildes, obrigados a ficar em casa por decisão de governadores e prefeitos, e que perderam sua renda, concedemos um auxílio emergencial de 800 dólares para 68 milhões de pessoas em 2020”, disse Bolsonaro em discurso. 

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A maior parcela do auxílio emergencial concedida pelo Governo Federal durante a pandemia foi de R$ 600. Ainda para aqueles que receberam as seis parcelas completas neste valor, o valor total, durante toda a pandemia, seria de R$ 3.600. As parcelas posteriores tiveram valor que variou entre R$ 200, R$ 300, R$ 150 e R$ 375 (para famílias ou mães solo) e não contemplaram mais todo o público inicial. 

Jair Bolsonaro também disse que o Brasil “eliminou o socialismo” e que bancos e outras instituições estatais do país “não trabalham mais para países comunistas''. Ele elogiou a própria gestão, falou sobre recuperação da economia e que o Brasil é o país do “futuro verde” para oportunidades de trabalho. 

“Nossas estatais davam prejuízos de bilhões de dólares no passado. Hoje, são lucrativas. Nosso banco de desenvolvimento era usado para financiar obras em países comunistas, sem garantias. Quem honrava esses compromissos era o próprio povo brasileiro. Tudo isso mudou”, afirmou Bolsonaro. 

“E isso é muito. É uma história da base se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo”, completou o presidente. 

Bolsonaro também valorizou os contratos feitos com a iniciativa privada: “O Brasil possui o maior programa de parceria de investimentos com a iniciativa privada de sua história. Até aqui, fomos contratados R$ 100 bilhões de novos investidos e arrecadado 23 bilhões em outorgas”. 

 

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que suas prioridades agora são a pandemia, a crise climática e a ordem de poder global. "A próxima década deve ser uma década decisiva, que literalmente determinará nossos futuros", disse ele, em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre em Nova York nesta terça-feira, 21.

Reforçando sua agenda, Biden reafirmou que os líderes devem enfrentar a crise climática ou "sofreremos fortes consequências".

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O líder norte-americano afirmou que a mudança climática é uma "enorme oportunidade" para gerar empregos e crescimento e afirmou que os EUA irão dobrar o financiamento contra as mudanças climáticas.

Biden ainda destacou a importância de que todos os países levem suas maiores ambições para lidar com a crise à COP 26, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em novembro.

"Estamos em um ponto inflexível da história", firmou o presidente, que reforçou a importância de que a comunidade global trabalhe junta "como nunca fizemos antes".

Biden garantiu que enfrentará os desafios globais com parceiros e entidades globais.

O líder norte-americano disse ainda estar "abrindo uma nova era de diplomacia severa", com o fim dos 20 anos de guerra no Afeganistão. "Nosso poder militar deve ser recurso de última instância."

O presidente da República, Jair Bolsonaro, iniciou nesta terça-feira, 21, seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre em Nova York, nos Estados Unidos, prometendo que iria mostrar um Brasil diferente do publicado em jornais e transmitido pela TV. "O Brasil mudou, e muito, depois que assumimos governo", afirmou, acrescentando que, desde então, não há nenhum caso de corrupção no País. Tradicionalmente, o Brasil é o responsável pelo pronunciamento de abertura do evento.

Bolsonaro disse que, quando assumiu o Poder, o Brasil estava "à beira do socialismo". Ele já havia feito essa afirmação durante sua primeira participação nesse evento há dois anos.

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Comentou também que as estatais davam prejuízo e hoje, sob sua administração, passaram a ser companhias lucrativas.

O brasileiro é o único entre os chefes dos países do grupo das 20 maiores economias do mundo (G-20) a recusar publicamente a imunização, um dos principais tópicos do encontro. A posição do presidente vai na direção oposta à estratégia do Itamaraty de vender uma agenda positiva no evento e melhorar a imagem do País no exterior. Por não estar vacinado, Bolsonaro ficou com circulação restrita em Nova York, já que a cidade exige imunização para uma série de atividades - a própria ONU orientou que as delegações estivessem imunizadas ao desembarcar nos EUA.

Bolsonaro está acompanhado pelos ministros Carlos Alberto França (Relações Exteriores), Marcelo Queiroga (Saúde), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Augusto Heleno (GSI), Luiz Eduardo Ramos (Segov), Anderson Torres (Justiça) e Gilson Machado (Turismo). O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e a primeira-dama, Michelle, também viajaram a Nova York. A comitiva é composta ainda pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e pelo secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Flávio Rocha.

O voo de volta para Brasília está marcado para as 21 horas (EUA), 22 horas de Brasília.

O vice-presidente do PDT e pré-candidato às eleições presidenciais de 2022, Ciro Gomes, comentou sobre o que o País deve esperar do discurso que o presidente da República, Jair Bolsonaro, fará daqui a pouco na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). "É daqueles discursos natimortos: por antecipação, o que ele disser não vale nada", analisa Ciro, que intensifica frente contra Bolsonaro na disputa do pleito do ano que vem. "Agora pela manhã, nossa vergonha sobe o estrado na ONU, depois de ter desfilado nossa vergonha pelas ruas de Nova York", diz, em referência às polêmicas que a comitiva brasileira acumula desde sua chegada aos Estados Unidos.

Para Ciro, o discurso de Bolsonaro estará imerso em mentiras e trará vergonha ao País, intensificando a crise e o descrédito nacionais. "Antigamente, a imprensa brincava com muito humor com certo presidente: 'a crise viajou', diziam, quando ele se ausentava de Brasília. Hoje, quando Bolsonaro vai para o exterior, lamentamos com tristeza: 'nossa vergonha viajou'."

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Às 10 horas desta terça-feira, 21, pelo horário de Brasília, Bolsonaro vai abrir a 76ª Assembleia-Geral da ONU. Na segunda-feira, 20, o presidente afirmou que seu discurso será "em Braille", sem explicar o que quis dizer com a referência ao sistema de leitura tátil para cegos ou pessoas com baixa visão.

Acompanhado pela primeira-dama, Michele Bolsonaro, e do seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o presidente da República, Jair Bolsonaro chegou, na manhã desta terça-feira (21), à sede da Organização da Nações Unidas (ONU), onde, por volta das 10 horas, pelo horário de Brasília, fará o discurso de abertura da 76ª Assembleia-Geral da entidade. Os três utilizavam máscaras de proteção contra a Covid-19.

A cena foi exibida ao vivo no canal do YouTube da ONU.

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O chefe do Planalto chega ao evento pressionado por pares internacionais por ser o único líder do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, a recusar publicamente a imunização contra o novo coronavírus.

De acordo com a agenda oficial de Bolsonaro, antes do discurso, ele se reúne com o presidente da Polônia, Andrzej Duda, e com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, faz, na manhã desta terça-feira (21), a partir das 10 horas (horário de Brasília), o discurso de abertura da 76ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. O brasileiro chega ao evento pressionado por líderes internacionais por não ter se vacinado contra Covid-19. O avanço da imunização global como saída para o fim da pandemia de coronavírus será tema constante nos discursos desta terça-feira.

A passagem de Bolsonaro por NY nos últimos dois dias foi marcada por constrangimentos em razão da falta de vacinação do mandatário brasileiro - que é o único do G-20 a abertamente declarar que não irá se imunizar. A situação foi assunto da reunião bilateral de Bolsonaro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson; foi abordada pelo prefeito de NY, Bill de Blasio; e fez a comitiva presidencial precisar driblar regras da cidade para circular e se alimentar.

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Ao não se vacinar, Bolsonaro destoa dos chefes de Estado do restante do mundo e coloca em xeque a estratégia do Itamaraty de vender uma agenda positiva no evento e reverter o desgaste internacional do Brasil.

Bolsonaro já poderia ter se vacinado desde abril, mas, além de recusar a aplicação da dose, tem feito reiteradas críticas a imunizantes aplicados no País, como a Coronavac. Na semana passada, ele orientou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a suspender a vacinação em adolescentes, apesar de a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ter liberado o uso do produto da Pfizer nesta faixa etária.

Dedo do meio e provocações

Queiroga, por sua vez, mostrou o dedo do meio a manifestantes contrários ao governo que aguardavam Bolsonaro sair de um jantar na residência do embaixador brasileiro junto à ONU.

O presidente passou pelos poucos manifestantes e também fez provocações ao grupo, ao gravar um vídeo no local com ofensas ao grupo.

Tradição

A abertura da Assembleia-Geral é tradicionalmente feita pelo Brasil, desde a fundação da ONU. É possível que Bolsonaro e Biden se encontrem pela primeira vez logo após o pronunciamento do brasileiro.

Não será uma reunião formal. O norte-americano entra no palco para discursar logo na sequência e é praxe que os presidentes do Brasil e dos EUA, portanto, troquem cumprimentos na coxia entre uma fala e outra.

Discurso

Na sua primeira participação na ONU, em 2019, Bolsonaro fincou os pés nas bases do bolsonarismo em seu discurso. Na época, era aconselhado pelo então chanceler Ernesto Araújo. Com o Itamaraty sob nova direção, no comando de Carlos França, diplomatas dizem que desta vez o presidente fará um discurso mais sóbrio, que não desafiará a ordem global.

Antes, Bolsonaro se juntava a um time de líderes como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Agora, os EUA têm Joe Biden na presidência, que valoriza o sistema multilateral e a parceria com aliados.

Mas ao longo dos últimos dias, Bolsonaro deu sinais de que colocará seu tom - e improvisos - no roteiro desenhado por França e pelo almirante Flávio Rocha, da Secretaria de Assuntos Estratégicos. A intenção do presidente é falar para sua base eleitoral, que se energiza diante de pronunciamentos inflamados e retórica anti-socialismo.

Em uma live na semana passada, o presidente disse que defenderá a tese do marco temporal em demarcações de terras indígenas, por exemplo. O tema está em análise pelo Supremo Tribunal Federal, o que pode colocar Bolsonaro em um novo embate com a Corte. O assunto também deve despertar críticas de ambientalistas e outros governos, como o dos EUA.

Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, o Itamaraty quer que o presidente anuncie a doação de vacinas contra Covid-19 a outros países da região, como Haiti, na abertura da Assembleia-Geral da ONU, hoje, e fale dos bons números da campanha de vacinação brasileira.

No discurso, o presidente do Brasil também deve falar da questão ambiental. Bolsonaro deve dizer que os recursos para o Ibama foram duplicados, que houve anúncio de contratação de mais de 700 servidores para a fiscalização ambiental e que os números de desmate ilegal na Amazônia caíram em julho e agosto deste ano, na comparação com o ano passado.

Contexto internacional

Sem Trump, a Assembleia-Geral da ONU marca a reabertura do diálogo internacional após a pausa de um ano e meio em razão da pandemia de coronavírus e após o período de embate entre americanos e o sistema multilateral. Com 193 membros, o encontro é o primeiro grande fórum a reunir, presencialmente, líderes mundiais desde março de 2020.

Ano passado, nos 75 anos da ONU, o encontro foi virtual. Desta vez, uma parte dos presidentes irá participar virtualmente, enquanto quase 90 deles devem se encontrar em Nova York. O encontro será mais um teste para as apostas pré-eleição americana que davam conta de que Joe Biden na presidência dos EUA acalmaria os ânimos mundiais.

A Assembleia-Geral acontece oito meses após a posse de Biden, que prometeu valorizar as decisões multilaterais e recolocar os Estados Unidos no centro de uma liderança global.

O democrata reverteu uma série de ações do antecessor, com o retorno dos EUA ao Acordo de Paris e a volta do diálogo com aliados.

Diferentemente de Trump, que incomodava a maior parte dos presentes na ONU, Biden fala a mesma língua dos defensores do multilateralismo.

Contra o desgaste internacional, o Itamaraty quer que o presidente Jair Bolsonaro divulgue uma agenda positiva ao discursar amanhã na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas. Uma das medidas que diplomatas tentam fazer o presidente anunciar é a doação de vacinas contra a Covid-19 para nações da América Latina em piores condições de combate à pandemia, como Paraguai e Haiti, segundo assessores que participam da elaboração do discurso.

Bolsonaro entrou neste domingo, 19, pela porta dos fundos do hotel onde está hospedado, em Nova York, enquanto poucos manifestantes contrários o aguardavam com faixas na entrada principal. Não havia apoiadores no local. Em 2019, última vez que esteve na cidade, Bolsonaro encontrou manifestantes a favor e contra seu governo. Na ocasião, entrou pela porta da frente do mesmo hotel.

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Na sua primeira participação na ONU, há dois anos, Bolsonaro estava acompanhado pelo então chanceler Ernesto Araújo e fincou os pés nas bases do bolsonarismo em seu discurso. Desta vez, com o Itamaraty sob comando do chanceler Carlos França e o democrata Joe Biden na presidência americana, diplomatas tentam convencer Bolsonaro a centrar seu discurso em temas alinhados à agenda de aliados americanos, europeus e da própria ONU.

Os três pilares do discurso serão a diplomacia da saúde, o combate ao desmatamento e a recuperação econômica. Desde o início do seu governo, Bolsonaro foi retratado na imprensa internacional como um líder que ameaça a democracia, os direitos humanos e o meio ambiente. Na pandemia, foi descrito como um negacionista. Apesar de questionar a eficácia das vacinas, Bolsonaro deve comemorar na frente de líderes internacionais que o País avançou na vacinação mais do que muitas nações ricas e que poderá se tornar um "hub regional" de produção de imunizantes.

Integrantes do governo, no entanto, têm dito que França quer um discurso "arroz com feijão", sem apelo à base. Em live nas redes sociais na quinta-feira, 16, Bolsonaro disse que defenderá na ONU o marco temporal das terras indígenas, o que assustou diplomatas, que dizem que a fala despertará forte reação negativa.

Pressionado pelo governo Biden para se comprometer com o fim do desmatamento ilegal, Bolsonaro deve falar que começou a cumprir os compromissos estabelecidos na Cúpula de Líderes para o Clima, organizada pela Casa Branca em abril. Está previsto que ele diga que em julho e agosto deste ano houve redução no desmatamento da Amazônia e que o orçamento do Ibama foi duplicado, com o anúncio de contratação de 700 servidores para trabalhar na fiscalização ambiental.

Parte da comitiva, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, deve se reunir com o enviado especial do clima de Biden, John Kerry. Na semana passada, Kerry deixou claro que os americanos não vão anunciar dinheiro para ajudar na preservação da Amazônia, mas querem servir de ponte para alavancar recursos do setor privado.

Pela primeira vez, Biden e Bolsonaro estarão no mesmo evento, mas não haverá reunião bilateral. Assessores de Bolsonaro, no entanto, esperam que eles se encontrem no corredor da Assembleia, para que o brasileiro possa ao menos cumprimentar o americano. Bolsonaro terá encontros bilaterais com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e com o presidente da Polônia, Andrzej Duda. Ele também será recebido pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, como é tradicional. Em 2019, Bolsonaro não teve nenhum encontro bilateral com líderes mundiais.

Comitiva reúne oito ministros e Eduardo

Na ONU, Bolsonaro está acompanhado por oito ministros: Carlos Alberto França (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Augusto Heleno (GSI), Luiz Eduardo Ramos (Segov), Anderson Torres (Justiça) e Gilson Machado (Turismo). O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e a primeira-dama, Michelle, também viajaram a Nova York. A comitiva é composta ainda pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e pelo secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, Flávio Rocha.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O grupo de K-pop BTS discursou na Assembleia Geral da ONU, Organização das Nações Unidas, nesta segunda-feira, dia 20! Segundo informações do jornal The Washington Post, o discurso durou cerca de sete minutos e abordou assuntos como esperança, mudanças climáticas e as próximas gerações.

Os sete membros do grupo, Jin, Suga, J-Hope, RM, Jimin, V e Jungkook - relataram as experiências da geração mais jovem, especialmente de seus fãs, que estão na faixa dos 20 anos de idade.

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- Ouvi dizer que as pessoas na adolescência e na casa dos 20 hoje são chamadas de geração perdida da cobiça. Acho que é exagero dizer que eles estão perdidos, só porque o caminho que eles trilham não pode ser visto por olhos adultos, afirmou RM.

Os artistas aproveitaram para informar que estavam vacinados contra a Covid-19:

- É claro que recebemos as vacinas. A vacina foi uma espécie de ingresso para conhecer nossos fãs que esperavam por nós, e para poder estar aqui diante de vocês hoje, disse J-Hope.

Após o discurso, a banda mostrou uma performance do hit chamado Permission to Dance. No vídeo, os membros cantam e dançam no Salão da Assembleia Geral e nas instalações da sede da ONU. Eles disseram que esperavam que a música inspirasse positividade.

Números revelados pelo Datafolha nesta sexta-feira (17), mostram 57% das pessoas entrevistadas desconfiam do discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No último levantamento realizado em julho, 55% das pessoas desconfiavam das palavras do presidente - o atual patamar configura um recorde de desconfiança dos brasileiros.

Apenas 15% dos entrevistados disseram confiar no que é dito por Bolsonaro, enquanto 28% revela que às vezes confiam. Número recorde de desconfiança anda lado a lado com as fake news do chefe do Executivo, que chegou a afirmar na última semana que "Fake news faz parte da nossa vida. Quem nunca contou uma mentirinha para a namorada? Se não contasse, a noite não ia acabar bem", revelou durante uma cerimônia no Palácio do Planalto.

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Pesquisa

A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 13 e 16 de setembro e ouviu, de forma presencial, 3.667 pessoas com mais de 16 anos, em 192 cidades do Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

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