O Brasil registrou, entre ontem e hoje, 221 óbitos causados pela covid-19, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgados nesta sexta-feira, 3. Com os registros, o País acumula 615.400 vidas perdidas para a doença.

O levantamento do Conass, que compila dados de secretarias de Saúde dos 26 Estados e do Distrito Federal apontou ainda 10.627 novos casos de covid-19 em 24 horas, com um total de 22.129.409 registros desde o início da pandemia.

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O governo mexicano confirmou nesta sexta-feira (3) o primeiro caso da nova variante ômicron do coronavírus em um cidadão sul-africano que chegou ao país em 21 de novembro.

"O primeiro caso positivo da variante ômicron no México é de uma pessoa de 51 anos da África do Sul. Ele tem a forma leve da doença e foi internado voluntariamente em um hospital privado na Cidade do México para evitar o contágio", disse o subsecretário de Saúde, Hugo López-Gatell, em mensagem no Twitter. Ele também disse que o paciente havia se vacinado com o esquema completo da Pfizer.

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O paciente "apresentou sintomas característicos de covid-19 leve" seis dias após sua chegada, informou o Ministério da Saúde em um comunicado.

Com isso, recebeu atendimento médico em instituição privada no dia 29 de novembro e, no dia seguinte, o Instituto de Diagnóstico e Referência Epidemiológica (InDRE) iniciou a análise de sua amostra, segundo autoridades.

Durante sua avaliação médica "ele se manteve estável com uma saturação de 95%", acrescentou a secretaria.

O México é, depois do Brasil, o segundo país da América Latina a detectar a nova variante.

Anteriormente, o presidente Andrés Manuel López Obrador havia se referido à possibilidade de um primeiro caso de ômicron no México e afirmou que "isso não significa que haja mais riscos", já que as vacinas "protegem contra todas as variantes".

Durante sua conferência de imprensa matinal, o presidente de esquerda reafirmou que o México manterá suas fronteiras abertas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira que não há registro por enquanto de nenhuma morte ligada à ômicron.

A nova variante, considerada preocupante pela OMS, foi detectada pela primeira vez na África austral, mas desde que as autoridades sul-africanas alertaram o mundo da sua descoberta, em 24 de novembro, foram registados casos da ômicron em cerca de 30 países de todos os continentes. Entre eles estão infecções associadas a viagens para o sul da África, mas também transmissão local.

A pandemia no México se estabilizou há um mês e a vida social está cada vez mais intensa. O México tem 3,9 milhões de infecções confirmadas e 294.715 mortes, segundo dados oficiais. É o quarto país mais afetado pela emergência sanitária em números absolutos, embora sua taxa de mortalidade por 100.000 habitantes seja a vigésima terceira do mundo.

A cantora Daniela Mercury não vai participar de festas de rua no carnaval de 2022. A decisão da cantora foi anunciada nesta sexta-feira, 3, e se dá pelo momento de incerteza da pandemia de coronavírus, causada pelo surgimento da variante Ômicron. "Sinto muito em anunciar isso, mas avaliamos bem a situação e chegamos à conclusão que o cenário é muito incerto", disse a baiana.

Antes mesmo da identificação da Ômicron e da sua chegada ao Brasil, alguns produtores já tinham decidido não sair no carnaval do ano que vem. Em Salvador, terra de Daniela Mercury, a produtora Flora Gil, esposa do Gilberto Gil, anunciou no dia 24 de novembro que não produziria o camarote Expresso 2222, um dos principais espaços do carnaval da capital baiana. No último domingo, 28, a cantora Preta Gil também anunciou que não ia desfilar com o seu bloco, o Bloco da Preta. A chegada da nova cepa acelerou os cancelamentos.

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Daniela ainda afirmou que já considera que, na Bahia, o governo e a prefeitura não vão realizar o carnaval de 2022. As gestões ainda não se pronunciaram publicamente sobre o assunto, mas cancelaram as festas de réveillon. Na cidade de São Paulo, onde também se apresenta, Daniela também não vai desfilar com o seu bloco Pipoca da Rainha no ano que vem. O bloco encerrou o carnaval de São Paulo em 2020. "Se for mantida a liberação das autoridades sanitárias, tentaremos, na medida do possível, realizar shows e eventos durante todo o verão, sempre com limitação de público e com a exigência das duas doses da vacina", afirmou.

"Além disso, continuo estimulando meus fãs e todos os brasileiros a usarem máscara. O momento ainda não é de plena tranquilidade, mesmo com as vacinas salvando milhares de vidas", concluiu Daniela.

Em entrevista ao Estadão, a doutora em microbiologia pela USP e presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), Natalia Pasternak, afirmou que o momento atual da pandemia não dá segurança festas públicas com grande aglomeração independente da presença da Ômicron. "Precisamos esperar para ver como o vírus vai se comportar com a população vacinada. Não podemos retroceder no que avançamos até agora", afirmou.

Em "live" realizada nesta sexta-feira, dia 3, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou que ainda é incerto afirmar, mas há uma crescente da variante Ômicron na África do Sul e em outros países, o que sugere maior transmissibilidade. A instituição também deixou claro que ainda é cedo para entender a severidade da Ômicron.

Em geral, a OMS destacou que os dados estão sendo recolhidos e analisados, mas que é necessário um tempo para que se possa ter informações mais assertivas.

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"Se dobrarmos as medidas protetivas que já orientamos, os cuidados com a Delta servem também para Ômicron. Se reduzir a circulação de pessoas, diminuem as contaminações. Quanto mais circulação, mas possibilidades de novas cepas surgirem", afirmou a entidade.

"Vacinação salva e não abaixem a guarda, a pandemia não acabou. Confiem na ciência e tenham paciência", reforçou a OMS.

O Grupo de Conselho Científico para Emergências (Sage, na sigla em inglês), do Reino Unido, em reunião nesta sexta-feira (3) concluiu que a variante da Covid-19 Ômicron, identificada pela primeira vez na África do Sul, pode causar uma nova onda de infecções por coronavírus que pode ser ainda maior do que as ondas anteriores.

De acordo com os cientistas, embora os dados sobre a gravidade da doença associada à cepa ainda não estejam disponíveis, "uma grande onda de infecções será acompanhada por uma onda de casos graves" e pode sobrecarregar a capacidade dos hospitais locais. De acordo com o The Guardian, eles alertaram que, "mesmo que continue a haver uma boa proteção contra doenças graves para os indivíduos com a vacinação (incluindo reforços), qualquer redução significativa na proteção contra infecções ainda pode resultar em uma onda muito grande de infecções".

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Noruega

Enquanto isso, em meio à apreensão com a chegada do Natal e das festas de Réveillon, a Noruega registrou que pelo menos 50 pessoas foram infectadas com a Ômicron em recente festa de Natal de uma empresa, que aconteceu em um restaurante, segundo autoridades municipais, de acordo com a Sky News. O instituto norueguês de saúde pública disse que os afetados vivem na capital Oslo e municípios vizinhos, mas acrescentou que havia "alta cobertura de vacinação" no grupo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira (3) que não há dúvida de que a variante Ômicron vai se propagar pelo planeta. Até o momento, conforme a OMS, ainda não houve nenhuma notificação de morte pela cepa. A entidade pediu que os governos examinem os casos detectados dentro de suas fronteiras e avaliem os riscos para tomar medidas de contenção.

"Podemos estar seguros que essa variante se expandirá. A Delta também começou em um lugar e, agora, é predominante", afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em entrevista coletiva nesta sexta-feira. "Uma vez que é detectada uma variante e se começa a vigilância, ela é encontrada mais e mais. Isso funciona assim. Quando se descobre, é porque já há uma série de casos em mais algum lugar."

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A Delta foi detectada na Índia no segundo semestre do ano passado. Hoje, representa mais de 90% dos casos de covid-19 no mundo.

A OMS, porém, fez um apelo para que o mundo não entre em pânico com a nova variante. A entidade destacou que é preciso levar em conta que a Delta foi a causadora de um aumento considerável de casos e internações em vários países, particularmente na Europa, nas últimas duas semanas.

"Os confinamentos, o fechamento de certas atividades econômicas, de mercados de Natal em partes da Europa, isso aconteceu antes da Ômicron", disse Lindmeier. "A razão foi o aumento de casos da Delta. Não percamos essa perspectiva."

Sobre as restrições de viagens impostas em alguns países, o porta-voz indicou que isso só se justifica se for medida para ganhar tempo, quando o sistema de saúde está em dificuldade. "Ao invés de fechar fronteiras e impor restrições, é preferível preparar o país e o sistema sanitário para que os casos cheguem", destacou.

Lindmeier indicou que é mais sensato reforçar a testagem de viajantes nos aeroportos. A adoção de barreiras entre países é uma estratégia que não encontra endosso na liderança da OMS.

A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, disse que a Ômicron é "muito transmissível", durante entrevista realizada em conferência, nesta sexta, 3. "Até que ponto devemos ficar preocupados?", questionou. "Precisamos estar preparados e cautelosos, não entrar em pânico, porque estamos em uma situação diferente de um ano atrás." Swaminathan, porém, afirmou que é "cedo" para tirar conclusões sobre o comportamento da cepa. "Precisamos esperar, espero que seja mais ameno", disse. Ela destacou que o mundo está "mais preparado" para a variante por conta do avanço da vacinação.

A cientista ainda afirmou que, para se tornar dominante, a Ômicron terá de ser mais transmissível do que a variante detectada na Índia. "A Delta é responsável por 99% das infecções em todo o mundo. Essa variante teria que ser mais transmissível para competir e se tornar dominante mundialmente. É possível (que isso aconteça), mas não é possível prever", declarou. (Com agências internacionais).

Um homem de 50 anos de idade foi denunciado em Biella, na Itália, por ter aparecido em um posto de vacinação com um braço de silicone para conseguir o certificado sanitário sem tomar o imunizante.

Embora o silicone fosse muito parecido com a pele real do homem, a cor e a percepção ao toque deixaram a enfermeira Filippa Bua desconfiada na hora da aplicar da vacina. Após ter sido descoberto, o homem ainda pediu para que a profissional de saúde não o denunciasse, mas não obteve êxito.

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"O caso beira ao ridículo não fosse o fato de se tratar de um caso de enorme gravidade. É inaceitável, tendo em vista todo o sacrifício que a pandemia está fazendo a população passar", disse o governador do Piemonte, Alberto Cirio.

O político parabenizou a enfermeira que não caiu na armadilha do sujeito, além de ter agradecido os serviços prestados pelos profissionais de saúde ao longo da pandemia.

"Ele era uma pessoa como tantas outras, mas estava sorrindo, o que raramente acontece nos últimos tempos. Percebi imediatamente que algo não estava certo, eu fiquei muito chocada. Somos profissionais, mas uma coisa tão fantasiosa como essa nunca aconteceu comigo antes", comentou Bua.

Apesar de não ter tido seu nome revelado, o homem seria um trabalhador da área da saúde, mas foi suspenso do serviço por não ter sido vacinado. Após a denúncia, a polícia local investigará o caso.

Da Ansa

A variante Ômicron do coronavírus se propaga, o que provoca medo e uma avalanche de medidas em um mundo cansado por dois anos de uma pandemia que provocou mais de 5,2 milhões de mortes, apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) não ter registrado até agora nenhuma morte provocada pela nova cepa.

"Não vi nenhuma informação sobre mortes vinculadas à ômicron", disse Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, em Genebra, antes de advertir que "com certeza teremos mais casos, mais informações, e, tomara que não, possivelmente falecidos".

A OMS considera "elevada" a probabilidade de que a ômicron se propague por todo o planeta, mas ainda há muitas dúvidas sobre muitas incógnitas sobre os riscos e o nível de transmissão.

Desde que a África do Sul revelou o surgimento da variante na semana passada, mais de 20 países dos cinco continentes detectaram casos, em sua maioria importados, mas Estados Unidos e Austrália já anunciaram infecções locais.

O governo dos Estados Unidos confirmou na quinta-feira 10 contágios por ômicron: cinco no estado de Nova York, outros na Califórnia, Minnesota e Havaí.

A pessoa infectada em Minnesota havia viajado a Nova York e o paciente do Havaí não estava vacinado, mas não viajou, o que demonstra que a variante começou a ser transmitida localmente.

A Austrália informou nesta sexta-feira que três estudantes de uma escola de Sydney foram infectados com a variante ômicron, apesar da proibição de entrada de estrangeiros em seu território e das restrições para voos procedentes do sul da África.

Em Oslo (Noruega), mais da metade das entre 100 e 120 pessoas que compareceram a uma festa testaram positivo para o coronavírus - todas estavam vacinadas -, e pelo menos 17 são suspeitas de contágio com a variante ômicron, informou a prefeitura. O número pode aumentar com novos exames de sequenciamento.

- Novas medidas -

A agência de saúde europeia advertiu que a variante, aparentemente mais contagiosa e com várias mutações, será dominante "nos próximos meses" na União Europeia, enquanto a Organização Pan-Americana da Saúde alertou que em breve estará em circulação por todas as Américas.

A Alemanha reforçou as medidas para tentar conter a onda mais grave de coronavírus. "A situação é muito, muito complicada", disse o futuro chanceler, Olaf Scholz, após uma reunião com a atual chefe de Governo, Angela Merkel, e os líderes das 16 regiões do país.

O governo decidiu impedir o acesso dos alemães não vacinados (um terço da população) a estabelecimentos comerciais não essenciais, restaurantes ou locais culturais e de lazer, enquanto examina um projeto de vacinação obrigatória, medida que será aplicada na vizinha Áustria e começa a ser debatido em outros países.

O Brasil já registrou casos da variante e a festa de Ano Novo foi cancelada em São Paulo.

Também foram adiadas as negociações previstas para janeiro em Genebra da convenção da ONU sobre a biodiversidade (COP15) devido à "incerteza" provocada pela ômicron.

Em Washington, o presidente Joe Biden anunciou uma campanha de inverno para conter a covid-19, sem medidas drásticas, com limitações às viagens e reforço da vacinação, pois menos de 60% da população dos Estados Unidos foi imunizada.

A partir do início da próxima semana, além da vacinação, os viajantes que entram no país terão que apresentar teste com resultado negativo feito um dia antes da viagem, informou a Casa Branca.

- Propagação exponencial -

A África do Sul informou uma propagação "exponencial" do vírus e a nova variante já é dominante no país. As autoridades anunciaram um pico de contágios em crianças, mas ainda não sabem se está vinculado à variante ômicron.

Um estudo de cientistas sul-africanos indica que o risco de voltar a contrair covid-19 é três vezes maior com a variante ômicron que com as variantes beta e delta.

Isto se une aos temores de maior resistência da ômicron às vacinas existentes, enquanto os laboratórios tentam desenvolver versões específicas de seus fármacos.

O surgimento da variante afeta as perspectivas de recuperação econômica. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE) pediu que as vacinas sejam produzidas e distribuídas o mais rápido possível em todo o mundo.

O FMI pediu às economias do G20 que ampliem a iniciativa de alívio da dívida, ao advertir que muitos países poderiam sofrer um "colapso econômico" e enfrentar pressões financeiras.

A luta para acabar com a pandemia mundial de Covid-19 tem duas armas: as vacinas, utilizadas em larga escala, e os tratamentos médicos, muito menos divulgados até o momento.

- Pílulas mágicas -

Este é o sonho dos pacientes, médicos, autoridades do setor de saúde e políticos: uma pílula que permita combater a Covid-19 após um teste positivo para a doença.

Os tratamentos mais avançados até agora são o molnupiravir do laboratório Merck Sharp and Dohme (MSD) - comercializado com o nome Lagevrio - e o Paxlovid da Pfizer. São fármacos antivirais, que diminuem a capacidade de reprodução do vírus e, assim, interrompem a doença.

O Lagevrio foi aprovado para uso emergencial na União Europeia e está em processo de autorização nos Estados Unidos.

Porém, os resultados completos do teste clínico da Merck/MSD, divulgados em 26 de novembro, mostram que a eficácia é muito inferior ao que havia sido anunciado previamente.

De acordo com os resultados completos, o medicamento reduz em 30% (e não à metade como se acreditava inicialmente) o percentual de hospitalizações e mortes entre os pacientes que tomaram a pílula pouco depois da infecção.

Também surgem perguntas sobre a segurança dos medicamentos, pois o uso poderia favorecer, em tese, o surgimento de variantes do vírus ou provocar efeitos cancerígenos. Os riscos, no entanto, são considerados baixos pelos cientistas americanos.

As autoridades de saúde europeias e americanas também estão examinando os dados do Paxlovid (baseado em parte no ritonavir, um medicamento criado para combater o HIV).

Os dois medicamentos parecem, no momento, eficazes no que diz respeito às variantes da covid-19 e os especialistas acreditam que poderiam combater perfeitamente a mais recente registrada, a mutação conhecida como ômicron.

- Anticorpos sintéticos -

Estes medicamentos, de grande complexidade, não poderão ser utilizados em larga escala, porque o preço é elevado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o Ronapreve para os pacientes da terceira idade ou com um sistema imunológico deficiente. O medicamento foi criado pela Regeneron e o laboratório Roche e cada dose, de acordo com estimativas das ONGs, custa quase 2.000 dólares.

Este medicamento combina dois anticorpos sintéticos, conhecidos como "monoclonais", o casirivimab e o imdevimab, e é administrado com apenas uma injeção intravenosa.

No caso destes medicamentos, o surgimento constante de variantes parece representar um problema, devido à maneira como foram criados.

A empresa farmacêutica Regeneron reconheceu em 30 de novembro que a eficácia de seus anticorpos sintéticos pode ser reduzida diante da variante ômicron.

A OMS recomenda outros anticorpos monoclonais para os pacientes mais graves, o tocilizumab (vendido com o nome Actemra ou RoActemra pelo laboratório Roche) e o sarilumab (vendido com o nome Kevzara pela Sanofi).

De acordo com a OMS, os dois medicamentos imunossupressores devem ser administrados em conjunto com corticoides.

- Corticoides -

Foi o primeiro tratamento oficialmente recomendado pela OMS, em setembro de 2020, apenas para os pacientes mais graves.

A OMS recomenda, a partir de todos os dados disponíveis, "a administração sistemática de corticoides" aos pacientes com covid "grave ou crítica".

Entre alguns pacientes o tratamento reduz a mortalidade e também a probabilidade de necessidade de um respirador artificial, segundo a OMS, pois reduz a inflamação.

- E os países pobres?

Vacinas e tratamentos têm no mínimo um ponto em comum: os países pobres são os últimos a recebê-los.

Uma estimativa da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) aponta que um tratamento de alguns dias a base de Lagevrio ou Paxlovid nos países desenvolvidos pode custar quase 700 dólares por paciente.

Tanto Pfizer como Merck assinaram acordos de licença voluntários para facilitar a distribuição do Lagevrio e do Paxlovid nos países em desenvolvimento, uma vez recebida a autorização formal.

Em 8 de dezembro de 2020, o início da vacinação contra a Covid-19 no Reino Unido marcou o início de uma campanha mundial de dimensão histórica, uma corrida contra o tempo para conter a pandemia de coronavírus.

Um ano depois, metade da população mundial recebeu ao menos uma dose da vacina. Mas enquanto os países ricos já aplicam doses de reforço, as nações mais pobres registram taxas pequenas de imunização.

A enorme desigualdade é um dos principais problemas da campanha, afetada também por controvérsias sobre os efeitos colaterais, que são raros, e pelos protestos contra a vacinação obrigatória em alguns países.

A seguir, um balanço de um ano de vacinação no mundo, respaldado em uma base de dados da AFP.

- Mais da metade da população -

Os britânicos foram os primeiros a iniciar a campanha em larga escala, embora países como Rússia e China já tivessem começado a vacinar de forma limitada.

O Reino Unido usou principalmente a vacina AstraZeneca/Oxford, uma das 20 atualmente em aplicação, todas desenvolvidas em tempo recorde, pois o novo coronavírus foi detectado pela primeira vez na China no fim de 2019.

Vários países começaram a vacinar seus cidadãos no mesmo mês, a maioria com a vacina de RNA mensageiro do laboratório Pfizer/BioNTech: Estados Unidos, Canadá e Emirados Árabes Unidos em 14 de dezembro, Arábia Saudita no dia 17, Israel no dia 19, a União Europeia no dia 27.

Um ano depois, mais da metade da população mundial (55%) recebeu ao menos uma dose, ou seja, mais de 4,3 bilhões de pessoas. E ao menos 44% (3,4 bilhões) estão com o esquema vacinal completo, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais dos países.

Um total de 8,1 bilhões de doses foram aplicadas no mundo. Além da AstraZeneca e Pfizer, as outras vacinas mais usadas são as desenvolvidas pelos laboratórios americanos Johnson & Johnson e Moderna, as chinesas Sinopharm e Sinovac e a russa Sputnik V.

- Países pobres para trás -

Embora pelo menos desde junho de 2021 quase todos os países do mundo estejam aplicando as vacinas, o ritmo é muito lento na maioria dos países pobres, quando não é interrompido por falta de doses.

O mecanismo Covax, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir acesso igualitário às vacinas, entregou a primeira remessa no fim de fevereiro em Gana.

Mas rivalizando com países dispostos a pagar valores elevados pelos fármacos, o mecanismo Covax entregou apenas 591 milhões de doses a 144 países ou territórios, muito abaixo da meta de 2 bilhões estabelecida para 2021.

Nos países de baixa renda (segundo a classificação do Banco Mundial), foram administradas apenas nove doses para cada 100 habitantes. A média mundial é de 104 para cada 100 habitantes e nos países de alta renda alcança 149 por 100.

A África é o continente menos protegido, com 18 doses para cada 100 habitantes. Burundi e República Democrática do Congo são os países menos vacinados, com 0,007% e 0,06% da população respectivamente.

Dois países ainda não começaram a vacinação: Eritreia e Coreia do Norte.

- Emirados Árabes na primeira posição -

Entre os 50 países mais vacinados, 39 estão no grupo de alta renda, com os Emirados Árabes Unidos na liderança, com mais de 89% da população imunizada.

Em seguida aparecem Portugal (87%), Singapura (86%), Catar (85%), Chile e Malta (84%), Cuba (81%), Coreia do Sul e Camboja (80%), Espanha e Seychelles (79%) e Malásia (78%).

Apesar do início com um ótimo ritmo de vacinação graças a doses entregues rapidamente, após 12 meses países como Reino Unido (68%), Israel (67%) ou Estados Unidos (60%) não estão entre os mais imunizados.

- Doses de reforço e vacinas para menores -

Os países com renda elevada também estão entre os que começaram a administrar doses de reforço. O grupo inclui quase todos os países da Europa, América do Norte e do Golfo.

A maioria deles também aplica doses nos adolescentes (12-17 anos) e alguns, como Estados Unidos, Canadá, Israel, Cuba, Emirados, Camboja ou Venezuela, a crianças a partir dos cinco ou seis anos.

Na União Europeia, a Áustria se antecipou em meados de novembro à agência de medicamentos do bloco, que aprovou apenas no fim do mês a aplicação da vacina da Pfizer em crianças a partir dos cinco anos.

Com a vacinação caminhando diante de um cenário da variante Ômicron, o Brasil chegou à marca de 135,1 milhões de pessoas totalmente imunizadas contra a covid, representando 63,36% da população. Bahia, Santa Catarina, Alagoas e Mato Grosso não atualizaram dados da vacinação.

Em relação ao número de pessoas parcialmente imunizadas, com ao menos uma dose da vacina, são 159.343.702 pessoas. Isso significa 74,7% do total de habitantes do País. Os dados são do balanço do consórcio de veículos de imprensa, em parceria com 27 secretarias de Saúde.

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Nas últimas 24 horas, houve 1,2 milhão de aplicações. As primeiras doses foram aplicadas em 164,7 mil pessoas, enquanto 711,1 receberam a 2ª aplicação da vacina.

1.533 pessoas tomaram a dose única. As aplicações de reforço foram administradas em 380,8 mil habitantes, totalizando 17,1 milhões de doses aplicadas.

Por conta da nova cepa do coronavírus, cidades estão cancelando os eventos de fim de ano e carnaval, como em São Paulo, que não terá o tradicional réveillon na Avenida Paulista. Outra medida para frear o avanço da variante é a manutenção da obrigatoriedade de uso de máscara em espaços abertos. A decisão foi anunciada pelo governador João Doria nesta quinta.

A prefeitura do Rio publicou nesta quinta-feira (2) decreto determinando que onze grupos de estabelecimentos ou serviços passem ou continuem a exigir comprovante de vacinação das pessoas que queiram ingressar neles ou usá-los, mas depois o prefeito Eduardo Paes (PSD) decidiu que táxis, carros de aplicativo e shoppings, inicialmente incluídos no decreto, não precisarão fazer a exigência. "Não adianta criar medidas que a gente sabe que ninguém vai cumprir", afirmou. Na sexta-feira (3), a prefeitura deve publicar novo decreto excluindo esses grupos da exigência do passaporte vacinal.

Nove outros conjuntos de atividades terão de cobrar esse documento, sob pena de multa se forem flagrados não exigindo o passaporte vacinal: academias de ginástica, piscinas, centros de treinamento e de condicionamento físico, clubes sociais e vilas olímpicas; estádios e ginásios esportivos; cinemas, teatros, salas de concerto, salões de jogos, circos, recreação infantil e pistas de patinação; atividades de entretenimento, boates, casas de espetáculos, festas e eventos em geral que dependam de autorização transitória; locais de visitação turística, museus, galerias e exposições de arte, aquário, parques de diversões, parques temáticos, parques aquáticos, apresentações e drive-in; conferências, convenções e feiras comerciais; estabelecimentos de hospedagem e acomodação de qualquer espécie, as locações de imóveis por temporada e os serviços contratados por aplicativo; bares, lanchonetes, restaurantes e serviços de alimentação, para a acomodação de clientes sentados nas áreas internas ou protegidas por cobertura de qualquer natureza; e serviços de embelezamento, estética e congêneres.

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A vacinação a ser comprovada corresponde à primeira, segunda dose ou à dose única, de acordo com o cronograma instituído pela secretaria municipal de Saúde do Rio em relação à idade do indivíduo. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, nos primeiros sete dias a prefeitura vai apenas orientar, mas depois começará a aplicar as multas, que podem variar de R$ 2,3 mil a R$ 5 mil.

"O ideal é que os estabelecimentos já se programem para começar a exigência a partir de hoje (quinta). Mas a gente já sabe que será necessário um período de adaptação. Então, as fiscalizações nessa etapa inicial serão de caráter instrutivo. Começaremos a aplicar multas a partir da próxima semana", explicou o secretário Daniel Soranz.

Para o prefeito, a exigência de passaporte vacinal deveria partir do governo federal e ser válida para todo o País. "O passaporte vacinal é uma garantia para que a cidade continue aberta. É a garantia de que o Rio vai voltar a funcionar, como voltou. Ele diminui o risco de transmissão e protege as pessoas do risco de morte", afirmou Paes.

"Como o governo federal não toma nenhuma medida de exigência de comprovação de vacina para entrar no Brasil, e isso é papel do governo federal, a gente ampliou a exigência do passaporte vacinal na cidade", disse Paes No Rio, toda a população de 12 anos ou mais precisa ter tomado a 2ª dose. Mas cerca de 600 mil pessoas ainda não retornaram aos postos para tomar a segunda aplicação do imunizante.

O número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) cresce, na tendência de longo prazo, em praticamente metade das unidades da Federação, segundo a nova edição do boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado nesta quinta-feira, 2. A grande maioria dessas ocorrências está relacionada à Covid-19. Concentra-se na faixa etária dos dez aos 29 anos, na qual há menos imunizados.

O aumento foi registrado no Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia e São Paulo. A tendência de aumento é especialmente mais forte no Pará, no Ceará e no Rio de Janeiro. Neste último, o quadro pode estar sendo agravado por uma epidemia de gripe.

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Os números são referentes à semana epidemiológica número 47 (de 21 a 27 de novembro). Tiveram como base os dados inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até 22 de novembro.

De acordo com o pesquisador Daniel Vilela, "na população com mais de 30 anos, o crescimento é relativamente pequeno, sendo mais expressivo e presente, desde novembro, em crianças, adolescentes e jovens adultos (20 a 29 anos)".

Covid-19 é o que mais causa SRAG entre adolescentes e jovens adultos

No caso das crianças (0 a 9 anos), os resultados laboratoriais associados a esses casos seguem apontando predomínio de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que acompanha a tendência de aumento de casos de SRAG nesta faixa etária. Os casos entre adolescentes (10 a 19 anos) e jovens adultos (20 a 29 anos) se mantêm majoritariamente associados à covid-19.

"Com o avanço da vacinação, o número de casos vinha caindo no Brasil todo", afirmou Vilela. "Nas últimas semanas, no entanto, houve uma desaceleração da queda e, agora, um ligeiro aumento; não um aumento como no início da pandemia, mas um aumento que inspira cuidados."

Para Vilela, os mais jovens são, justamente, os que voltaram a circular com maior liberdade e também os menos vacinados, porcentualmente. Isso explicaria a tendência de aumento nessa faixa etária.

No Rio de Janeiro a maior parte do aumento se deu entre as crianças e os jovens adultos. O Pará apresenta sinal de crescimento em todas as faixas etárias desde o início de novembro. A situação é similar no Ceará.

O crescimento dos casos de SRAG entre crianças e jovens adultos no Rio de Janeiro pode estar associado ao aumento de casos de síndrome gripal causados pelo vírus influenza A. Daniel Vilela ressalta, no entanto, que, para uma avaliação mais adequada dos resultados é necessário aguardar ainda algumas semanas para que os casos de gripe entrem no banco de dados do Sivep. Até o princípio de novembro, manteve-se a presença majoritária de casos associados ao Sars-CoV-2.

Indicadores de covid estão estabilizados, mas é preciso manter cuidados, diz Fiocruz

A nova edição do Boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, também divulgada nesta quinta-feira, aponta tendência de estabilização dos principais indicadores de transmissão da doença. Apesar do cenário favorável, os pesquisadores insistem em recomendar à população que mantenha os protocolos de distanciamento físico, higienização das mãos e uso de máscaras, sobretudo em locais fechados.

Para Vilela, a entrada da variante ômicron no País não deve ter um impacto grande, uma vez que boa parte da população está vacinada. "Quando a variante gama entrou no País, houve um crescimento intenso de casos no Brasil todo e o colapso do sistema de saúde", lembrou. "Quando a delta entrou, já num momento posterior, houve um aumento apenas em alguns estados. O que mudou entre a entrada de uma e de outra foi justamente o avanço da vacinação."

Agora, diz, a vacinação está ainda mais avançada e boa parte dos idosos já recebeu até a terceira dose de reforço. "Pode até ser que haja um crescimento", disse. "Mas nada comparável ao que vimos no início do ano."

O Brasil registrou, entre ontem e hoje, 215 óbitos causados pela covid-19, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgados nesta quinta-feira, 2. Com os registros, o País acumula 615.179 vidas perdidas para a doença.

O levantamento do Conass compila dados de secretarias de Saúde dos 26 Estados e do Distrito Federal e apontou ainda 12.910 novos casos de covid-19 em 24 horas, com um total de 22.118.782 registros desde o início da pandemia. Os dados de Rondônia foram revisados pela Secretaria Estadual do Estado e incorporados no sistema de informação.

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A Casa Branca assegurou nesta quinta-feira (2) que sua decisão de proibir a entrada nos Estados Unidos de viajantes de apenas oito países africanos, no momento em que a variante ômicron do coronavírus está se espalhando por todo o mundo, "não é um castigo".

"Estamos em contato diplomático com os líderes desses países sobre as medidas que tomamos", disse a porta-voz da Presidência dos EUA, Jen Psaki.

"Isso não é um castigo, são medidas recomendadas por nossos funcionários de saúde pública e por especialistas médicos", afirmou Psaki em sua coletiva de imprensa de rotina. "Ninguém quer que isso seja permanente", acrescentou.

Washington proibiu a chegada em território americano de pessoas procedentes de África do Sul, Botsuana, Zimbábue, Namíbia, Lesoto, Eswatini (antiga Suazilândia), Moçambique e Malawi, devido à propagação da variante ômicron.

Essas restrições com foco na África estão gerando muitas críticas, já que a nova variante está sendo detectada no mundo todo, inclusive nos Estados Unidos.

Na África, só há informações de casos da variante em quatro países: África do Sul, Gana, Nigéria e Botsuana.

Os Estados Unidos, no entanto, não foram o único país a tomar medidas tão drásticas e específicas.

Muitos países fecharam suas fronteiras, entre eles o Brasil, para viajantes procedentes da África do Sul, onde a nova variante foi detectada pela primeira vez.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, denunciou nesta quinta "toda as formas de apartheid sanitário", ao ressaltar que seu país está parcialmente isolado do resto do mundo.

As restrições de viagem impostas aos países da África Austral por diversas nações ocidentais equivalem à "afrofobia", denunciou, por sua vez, o presidente de Malawi, Lazarus Chakwera.

A Organização Mundial da Saúde afirmou que, em geral, os fechamentos de fronteiras são desnecessários.

Ao ser questionada se, diante da propagação da variante, os Estados Unidos multiplicariam o número de países afetados pelas restrições ou, pelo contrário, suspenderiam as que estão em vigor, Jen Psaki respondeu: "Vamos avaliar as duas possibilidades".

Um caso da variante ômicron do coronavírus foi detectado no estado de Minnesota, no norte dos Estados Unidos, em uma pessoa que esteve em Nova York, mas que não viajou recentemente ao exterior, anunciaram nesta quinta-feira (2) as autoridades sanitárias locais.

Este anúncio indica que a ômicron começou a ser transmitida entre pessoas nos Estados Unidos.

Assim como no primeiro caso de ômicron detectado nos Estados Unidos, confirmado na quarta-feira na Califórnia (oeste), o paciente em Minnesota estava vacinado e apresentava sintomas leves, dos quais já se recuperou, segundo os funcionários.

O homem voltou para a região metropolitana de Minneapolis após participar de uma convenção de "animê" na cidade de Nova York, realizada entre 19 e 21 de novembro, antes de apresentar sintomas em 22 de novembro e fazer um exame diagnóstico dois dias depois.

"Esta notícia é preocupante, mas não é uma surpresa", disse o governador de Minnesota, Tim Walz, em um comunicado, elogiando os esforços de sequenciamento genético e testes do vírus em seu estado.

A transmissão comunitária nos Estados Unidos era esperada pelos epidemiologistas, apesar da decisão de Washington de proibir a entrada de viajantes de vários países da África austral, depois que a África do Sul reportou a identificação da nova cepa do vírus, em 24 de novembro.

Este segundo caso de ômicron nos Estados Unidos foi anunciada um dia depois de os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) anunciarem o primeiro caso confirmado no país após um exame em um viajante com esquema vacinal completo, que tinha voltado recentemente da África do Sul e estava se recuperando de sintomas leves.

As autoridades sanitárias dos Estados Unidos estão pedindo a todos os maiores de cinco anos a tomarem a vacina anticovid e as doses de reforço assim que forem indicadas para sua faixa etária.

Os cientistas esperam que os exames laboratoriais em curso revelem em breve até que ponto a ômicron escapa da proteção das vacinas, mas contam com que os imunizantes continuem sendo parcialmente eficazes, especialmente contra casos graves de covid-19.

Anthony Fauci, assessor científico do governo americano, afirmou na quarta-feira que a experiência com outras variantes de preocupação, como a delta, demonstrou que os reforços são uma boa ideia porque aumentam a quantidade de anticorpos no sistema imunológico das pessoas, alguns dos quais continuarão sendo eficazes para deter novas variantes.

Na manhã desta quinta-feira (2), foi realizada, no Plenarinho da Câmara Municipal do Recife, uma audiência pública que convocou o setor artístico-cultural da capital pernambucana para debater as próximas festividades de grande expressão na cidade: o Carnaval e o São João.

A reunião foi promovida pela Comissão Especial, composta por nove parlamentares e presidida pelo vereador Marco Aurélio (PRTB). Essa é a primeira etapa da discussão, que deve ser traduzida em um primeiro relatório, entregue no próximo dia 21.

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No geral, os vereadores buscam formas de promover o Carnaval e o São João de maneira segura, mas podendo, também, ser em proporções diferentes das já conhecidas pelos recifenses. Por esta razão, autoridades sanitárias irão integrar os próximos debates.

Carnaval e economia

A primeira discussão focou nas necessidades do setor cultural e, no caso de não haver realização do Carnaval promovida pela Prefeitura do Recife, quais seriam as formas de assegurar a categoria do ponto de vista econômico.

“Hoje estamos discutindo com o eixo artístico-cultural, os que estão mais calejados neste momento, mas teremos um dia específico para debater somente o eixo-sanitário. O vereador Tadeu (Calheiros), que faz parte da Comissão, está cuidado dessa parte, convidando os órgãos de controle e a Fiocruz está envolvida. A gente quer ouvir os especialistas. Sabemos que após o Carnaval tem gripe, resfriado, conjuntivite. Se a gente achar que dá para ter o Carnaval, se recebermos o ok de que as vacinas estão dando certo, por que não ter? É isso que queremos discutir: como é que vai ser? Depois da pandemia, as coisas não são como antes. Temos que buscar alternativas para que todos estejam seguros, preservando as vidas, mas também permitindo que possam trabalhar”, explicou o vereador Marco Aurélio ao LeiaJá

 O parlamentar reafirmou o tom que foi predominante na reunião. O desejo dos vereadores é de conseguir viabilizar a festividade e estão sendo buscados, agora, caminhos para possibilitar a realização.

“Não havendo - e não é o desejo da gente - o que faremos pelo setor? Esse setor (cultural) gerou, no último Carnaval, R$ 2,3 milhões em receita para o estado, então precisamos, sim, da proposta sanitária, mas também da econômica”, completou Aurélio.

Vacinação

A fala do presidente foi reforçada pela de Tadeu Calheiros (Podemos), que é médico e trabalha na linha de frente contra a Covid-19 desde o início da pandemia. O vereador centralizou o seu discurso na cobertura vacinal, e disse acreditar que a vacinação da população é o caminho mais eficaz para a retomada da normalidade. 

“É importante que façamos um discurso paralelo a isso aqui, para ampliar a cobertura vacinal. Quanto mais avançar a cobertura vacinal, maior será a facilidade para a volta de uma vida pré-pandêmica. Precisamos ampliar o debate, é importante debater à luz da ciência. Isso é uma questão dinâmica: muda a cada fato novo. Poucos dias atrás não tínhamos a variante Ômicron, que pode causar mudanças um pouco mais a frente. A gente precisa ouvir para chegar a um consenso onde podemos contemplar segurança e saúde”, afirmou Calheiros ao LeiaJá.

Na próxima semana, a Câmara ouvirá o setor econômico. Posteriormente, será reunido o eixo sanitário. A Casa também promoverá uma reunião com câmaras municipais de outras cidades que têm o carnaval como uma festividade expressiva, como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Belo Horizonte.

De acordo com os vereadores, de forma unânime, o ideal é que todos os beneficiados, impactados ou interessados nas duas festividades participem e contribuam com a pauta, pois é necessário conciliar tempo e consenso: faltam menos de três meses para o período carnavalesco que o Recife conhece. 

“É muito ruim quando as decisões são tomadas através de canetadas. O intuito dessa comissão é propiciar o debate trazendo as falas dos envolvidos. Essa luta é desde o início da pandemia, em todos os segmentos. A gente não pode deixar essa decisão ser canetada porque as pessoas que sobrevivem da cultura precisam saber qual será a alternativa, se sanitariamente for decidido que não haverá Carnaval”, acrescentou a vereadora Ana Lúcia (PDT), integrante da Comissão.

Carnaval elitista 

O vereador Ivan Moraes (Psol) acrescentou à discussão um ponto mencionado por todas os integrantes do setor cultural ouvidos na Casa. Atualmente, os protocolos sanitários já permitem a realização de eventos fechados de até 7.500 pessoas. Além disso, no Recife e na Região Metropolitana (RMR), já é possível acompanhar festas de rua com aglomerações há alguns meses. Para o parlamentar, decidir proibir o Carnaval sem considerar o histórico da população com a festa popular e as permissões já existentes agora, é mudar o sentido da celebração e promover um Carnaval elitista. 

“A gente não pode ser taxativo, dizendo que não pode ter Carnaval, como se a existência do Carnaval fosse única e exclusivamente de autoridade do estado. Nós conhecemos o Carnaval e ele é uma festa popular. Se você botou o pé para fora do Recife nos últimos meses, se foi em Olinda ou no Recife Antigo à noite, você já vê o Carnaval na rua. Já há possibilidades reais de haver festas pequenas em que algumas estratégias estão sendo tomadas. Pelo decreto sanitário de hoje, já é possível fazer festa para 7.500 pessoas. Se as autoridades sanitárias, que têm responsabilidade de tomar essas decisões, entendem que é possível colocar 7.500 pessoas num local fechado, por que não posso colocar 500, 1.000 num local aberto?”, indagou. 

E continuou, mencionando a existência de pequenos blocos de carnaval e festas de bairro: “Quando a gente pensa em Carnaval, sempre pensa em Galo da Madrugada, Carnaval de Olinda, Homem da Meia-Noite, mas o Carnaval é muito diverso. O Bloco da Ilha de Deus arrasta 300 pessoas, o da Reforma Urbana arrasta 200. Há possibilidade de agremiações menores, com medidas sanitárias, fazer algum tipo de festa. A questão não é vai ou não ter carnaval, mas como podemos fazer algum Carnaval com algum controle sanitário”. 

O parlamentar também reforçou a necessidade de barreiras sanitárias; se não possíveis de forma nacional, uma vez que o Governo Federal não exige passaporte sanitário para a entrada no Brasil, que seja de forma local, através das autoridades estaduais.  

E o adiamento?

“É uma das discussões, estamos querendo pautar isso aqui e ouvindo quem faz parte da cadeira produtiva. Quem sabe, não podendo fazer em fevereiro ou março, poderíamos colocar para julho. Iremos escolher a alternativa mais segura para todos”, afirmou o vereador Marco Aurélio sobre a possibilidade de adiar o Carnaval tradicional de fevereiro e março para uma data posterior, mais viável sanitariamente. 

No entanto, para o vereador Ivan Moraes, a medida é ineficaz e “duplicaria o problema, pois haveriam dois carnavais: um em julho e outro em fevereiro e março. As pessoas ainda sairiam de casa. Chegar numa ladeira onde tem frevo tocando e gente bebendo, já é carnaval. Nas ruas do Recife já está havendo Carnaval”.

A Alemanha decide nesta quinta-feira (2) restrições adicionais contra a virulenta quarta onda de coronavírus, incluindo o fechamento de bares e outros locais públicos, antes de examinar uma proposta de vacinação obrigatória.

Após uma primeira sessão de negociações na terça-feira, a chanceler Angela Merkel, seu sucessor Olaf Scholz e os dirigentes das 16 regiões do país se reúnem novamente nesta quinta-feira para definir o arsenal de medidas.

Apesar de uma tímida melhora, a situação ainda é considerada alarmante no país, com dezenas de milhares de contágios diários e vários hospitais próximos do colapso.

O contexto é complicado pelo atual período de transição na Alemanha, entre a saída de Angela Merkel, que fará um discurso de despedida nesta quinta-feira, e a posse de Scholz, que deve ser eleito pelo Parlamento na próxima semana.

A reunião e as restrições estimuladas pela nova coalizão de governo devem mostrar, segundo o futuro chanceler Scholz, que "não há um vazio de poder, como alguns citam neste momento".

O ponto mais delicado da nova ofensiva contra a covid é a vacinação obrigatória, que pode ser decidida a partir de fevereiro ou março.

O social-democrata Scholz surpreendeu ao defender a medida radical, já aprovada na Áustria e que é objeto de debate na União Europeia.

Até o final do ano ele deve apresentar um projeto de lei ao Parlamento.

A opinião pública mudou consideravelmente sobre a questão. Há alguns meses, dois terços dos alemães eram contrários às vacinas obrigatórias, mas agora 64% são favoráveis, segundo uma pesquisa da RTL e ntv.

A medida tem o apoio dos dois sócios de coalizão dos social-democratas (os Verdes e os Liberais, habitualmente contrários à interferência nas liberdades), assim como dos conservadores de Angela Merkel.

Apenas o partido de extrema-direita AfD iniciou uma campanha contra a vacina obrigatória.

O governador João Doria (PSDB) defendeu nesta quarta-feira (1°) que prefeitos paulistas suspendam festas de réveillon no Estado. Com a chegada da variante Ômicron e a quarta onda da Covid-19 na Europa, ao menos 14 capitais no Brasil já desistiram de eventos públicos no fim do ano. A cidade de São Paulo, porém, ainda mantém o planejamento da festa.

"Vamos no caminho da cautela e do zelo para proteger vidas. Não era hora de fazer festas de réveillon", disse Doria, em viagem oficial a Nova York para encontro com investidores organizada pela InvestSP. "Embora seja decisão dos municípios, não me parece a hora adequada", acrescentou.

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também está em Nova York, mas até agora manteve o planejamento da tradicional festa da virada na Avenida Paulista. "Os prefeitos podem tomar medidas mais duras que o Estado, mas não mais facilitadoras", disse Doria.

"O sentimento que tenho é que os prefeitos estão na mesma índole, que é proteger vidas. Garantir a vida das pessoas é mais importante que a celebração festiva", acrescentou Doria. Ele disse ainda que pediu novos estudos ao comitê científico do Executivo paulista para definir os rumos da flexibilização no Estado, diante da confirmação de três casos da Ômicron em São Paulo.

"Temos que ter muito cuidado também em relação ao carnaval para que prefeitos e prefeitas possam reavaliar. A vida é mais importante que festa", disse Doria. Pelo menos 70 cidades paulistas já cancelaram o carnaval de 2022, entre elas São Luiz do Paraitinga.

Doria visitou nesta quarta investidores ao lado do secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, da secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, do presidente InvestSP, Gustavo Junqueira, e de Ricardo Nunes. Na programação de visitas, estão representantes do Bank of America, Bloomberg, Goldman Sachs e da Cornell Tech.

* O repórter viajou a convite da InvestSP

Nesta quarta-feira (1°) o Brasil alcançou a marca de 134,4 milhões de pessoas com esquema vacinal completo com duas doses ou com o imunizante de aplicação única contra a Covid-19. Os número equivalem a 63,03% da população.

Houve mais de 1,2 milhão de aplicações em um intervalo de 24 horas. O número de pessoas com ao menos uma dose da vacina é de 159.178.971, ou 74,62% do total de habitantes do País. Rondônia, Roraima, Alagoas e Mato Grosso não atualizaram dados da vacinação. A Bahia continua com problemas na divulgação dos números.

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As primeiras doses foram aplicadas em pouco mais de 210 mil pessoas. Por outro lado, 664,4 receberam a 2ª aplicação da vacina.

Em relação ao imunizante de dose única, foram 2.496 aplicações. As doses de reforço alcançaram 339,9 mil habitantes, com total de 16,7 milhões de doses aplicadas.

Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, em parceria com 27 secretarias de Saúde.

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