Diante de um público engajado em pautas de interesse do agronegócio, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender, na manhã desta quarta-feira (13), o armamento da população brasileira. "Em nosso governo, não pude alterar lei como queria, mas alteramos decretos e portarias de modo que arma de fogo passou a ser realidade entre nós", declarou, em evento em cerimônia de entrega de títulos de propriedades rurais em Miracatu (SP).

Especialistas em segurança pública, no entanto, são contrários ao armamento de civis e consideram a medida contraproducente no combate à violência. Nessa terça-feira (12), o arcebispo de Aparecida (SP), Dom Orlando Brandes, afirmou durante missa em louvor à Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, que "pátria amada não pode ser pátria armada".

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Em Miracatu, Bolsonaro disse que a fala teria sido feita no dia 11, culpou a imprensa pela repercussão e respondeu ao religioso: "respeito os bispos, respeito a todos que tenham posição diferente da minha. Não é porque quando eu não quero uma coisa, eu acho que ninguém pode ter o direito de querer. Nós devemos nos preocupar com a nossa liberdade".

Durante o evento, Bolsonaro ainda reforçou críticas ao julgamento do marco temporal, hoje suspenso no STF; repetiu que o governo não tem casos de corrupção, sem citar os escândalos suspeitos expostos pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid; voltou a jogar a atual crise econômica no colo de governadores que tomaram medidas de contenção do coronavírus e a alta dos combustíveis na incidência do ICMS, um imposto estadual.

"Reconhecemos o preço alto para poder aquisitivo de vocês, mas quando se fala de gasolina e álcool, veja o quanto seu governador está cobrando de ICMS, em especial o de São Paulo, que aumentou ICMS em plena pandemia", declarou o presidente, em nova crítica ao governador paulista, João Doria (PSDB), pré-candidato à Presidência, sem considerar o efeito do dólar nas alturas - com forte componente de instabilidade política.

Governadores como Doria, no entanto, comumente defendem nas redes sociais que o ICMS não teve a alíquota porcentual alterada nos últimos anos. Ainda assim, o governo, com apoio do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), quer alterar a incidência do ICMS sobre os combustíveis, o que deve impactar o caixa dos Estados.

Eleições 2022.

Bolsonaro ainda voltou a insuflar uma possível candidatura do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, em 2022. "Se vocês querem Tarcísio na política, peçam por ele", declarou. O presidente quer Tarcísio como candidato ao governo de São Paulo, mas o chefe da Infraestrutura prefere se lançar ao Senado, possivelmente em Goiás.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (5) a Operação Balada para desarticular suposta organização criminosa especializada no tráfico de drogas e de armas de grosso calibre e lavagem de dinheiro. A corporação estima que os investigados tenham movimentado mais de R$ 2 bilhões nos últimos dois anos.

Um efetivo de 850 agentes dão cumprimento a 247 mandados de prisão e 249 ordens de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, como sequestro de bens - entre eles uma centena de imóveis - e bloqueio de contas correntes.

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As ordens foram expedidas pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Uberlândia (MG) para a realização das diligências em dez Estados: Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Alagoas, Tocantins e Espírito Santo. A ofensiva contou com apoio de 35 policiais penais, para auxílio na custódia e transporte dos presos.

De acordo com a PF, a organização sob suspeita "operava um estruturado esquema de tráfico de drogas e preparava entorpecentes para comercialização, mediante emprego de insumos químicos adquiridos por meio de empresas regularmente cadastradas". "No período de sete meses, foram comprados, no mercado regular, insumos capazes de manipular mais de 11 toneladas de cocaína", informou a corporação.

Os investigadores apontam que a droga era remetida dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia, armazenada no Triângulo Mineiro e, posteriormente, distribuída a várias regiões do País, em especial os Estados de Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A PF diz ainda que as investigações revelaram que o grupo também atuava no tráfico ilegal de armas de fogo de grosso calibre. Ao longo das apurações, os agentes chegaram a apreender um carregamento de oito fuzis e 14 pistolas, em março de 2020, em Uberlândia.

"O armamento comercializado pelo grupo era adquirido no Mato Grosso do Sul, transportado para Uberlândia, e, posteriormente, destinado a grupos da região do Triângulo Mineiro, especializados no tráfico de drogas e roubos a banco, bem como a uma facção criminosa estabelecida no Rio de Janeiro. Os investigados utilizavam veículos especialmente preparados para o transporte das armas, com emprego de batedores durante os seus deslocamentos", explicou a PF.

As investigações apontam ainda que organização criminosa usava um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro, usando empresas de fachada e a aquisição de postos de combustíveis, hotéis, fazendas, imóveis, veículos e embarcações de luxo.

Ostentação

O nome da operação, "Balada", faz referência ao fato de os investigados ostentarem em redes sociais a organização de diversas festas de luxo, inclusive em outros países, realizando gastos elevados em tais eventos, com uso de iates e carros esportivos, indica a Polícia Federal.

Em uma declaração feita nesta terça-feira (5), o Comitê de Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou o uso de crianças vestidas como militares ou portando armas em eventos políticos realizados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O órgão enfatizou que o comportamento viola os compromissos internacionais assumidos pelo país e deve ser criminalizado. As informações são do UOL.

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A advertência foi feita durante um pronunciamento em Genebra, e é resultado de um evento público sediado em Belo Horizonte (MG), na semana passada. Na ocasião, o chefe do Executivo brasileiro e seus correligionários usaram uma criança fardada com o uniforme da Polícia Militar para tirar fotos. Uma arma de brinquedo também aparece nos registros.

Não é o primeiro episódio em que Bolsonaro recorre aos menores de idade para realizar gestos e apologias armamentistas. A situação, no entanto, foi o estopim para que 80 entidades brasileiras recorressem à Organização das Nações Unidas, resultando no posicionamento embasado na Convenção de Direitos da Criança.

Nas palavras do Comitê, “o Brasil é um Estado parte tanto da Convenção sobre o Direito das Crianças quanto de seu Protocolo Opcional sobre o envolvimento de crianças em conflitos armados, e tem a obrigação de garantir que as crianças não participem de hostilidades ou de qualquer atividade relacionada a conflitos”.

“A circulação de imagens de tais crianças perpetua ainda mais os danos a elas causados e corre o risco de contribuir para a falsa percepção de que o uso de crianças em hostilidades é aceitável”,  continuou o comunicado. A ONU pede ainda a "suspensão imediata e urgentemente o uso de crianças vestidas com trajes militares para qualquer finalidade, remover tais imagens de todos os meios de comunicação e impedir sua posterior distribuição”.

Embora a declaração sugira a abertura de investigação para apurar e punir a sequência de fatos envolvendo os menores de idade, o posicionamento não abre espaço para medidas diretas contra o Brasil. Apesar disso, maximiza a posição de vulnerabilidade diplomática em que o país está inserido, após contínuos constrangimentos envolvendo os chefes de Estado no ambiente internacional.

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, decidiu pedir vista - mais tempo para análise - de ações que pedem a suspensão de decretos do presidente Jair Bolsonaro que ampliaram o acesso a armas e munições no País, suspendendo julgamento dos processos que havia sido retomado nesta sexta-feira, 17, no Plenário virtual da corte. A discussão do caso não tem data para ser retomada.

A corte máxima havia reiniciado a discussão sobre mais de dez ações contra decretos editados pelo chefe do Executivo para flexibilizar a compra, posse e porte de armas após o ministro Alexandre de Moraes devolver os autos e pautar o caso para o Plenário virtual. Quando a discussão foi iniciada, em abril, o magistrado pediu mais tempo para analisar o caso.

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Em voto apresentado no âmbito dos processos nesta sexta-feira, 17, Alexandre acompanhou os relatores das ações - o ministro Edson Fachin e a ministra Rosa Weber. "O volume de alterações promovidas pelo Poder Executivo, a ensejar uma verdadeira redefinição da política pública de controle de armas de fogo, dependeria de discussão e aprovação pelo Congresso Nacional. Fica demonstrada, portanto, a extrapolação do poder regulamentar do Presidente da República, conforme sustentando pelos Requerentes e reconhecido pelos votos já proferidos pelo Ministro Edson Fachin e pela Ministra Rosa Weber, nos casos de suas respectivas relatorias", ponderou o ministro.

Fachin é relator de ações que questionam não só decreto que flexibilizou a posse, a compra e o porte de armas, mas também a resolução que zerou os impostos para importação de revólveres e ainda de decisão do governo federal de aumentar a quantidade máxima de munição que pode ser adquirida por instituições e pessoas autorizadas a portar armas.

Já a vice-presidente do Supremo é relatora de ações que questionam seis decretos do presidente Jair Bolsonaro que acabaram alterando pontos do Estatuto do Desarmamento. Em abril, a ministra suspendeu trechos de quatro decretos editados por pelo chefe do Executivo para flexibilizar a compra, o registro e o porte de armas. Na sessão virtual nesta sexta-feira, 17, os ministros iam decidir, entre outros pontos, sobre o referendo de tal decisão.

Por hora, restou na pauta da sessão virtual iniciada nesta sexta-feira, 17, com previsão de término no dia 24, o julgamento que pode confirmar a decisão liminar dada por Alexandre de Moraes nesta quinta, 16, suspendendo a portaria editada pelo Comando Logístico do Exército para revogar o chamado Sistema Nacional de Rastreamento de Produtos Controlados. A medida havia descartado regras anteriores que permitiam um controle mais rígido sobre a circulação de armas e munições.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu, nessa quinta-feira (16), a portaria editada pelo Comando Logístico do Exército para revogar o chamado Sistema Nacional de Rastreamento de Produtos Controlados. Na prática, a medida descartou regras anteriores que permitiam um controle mais rígido sobre a circulação de armas e munições.

A decisão liminar foi tomada em ações movidas pelo PDT e pelo PSOL e ainda vai passar pelo crivo do plenário, que precisa decidir se mantém ou derruba a suspensão. O julgamento no plenário virtual está previsto para começar nesta sexta-feira (17).

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Moraes disse que não existe 'motivação válida' para o governo federal se 'recusar a adotar critérios e procedimentos necessários' para o controle de armas e dos seus insumos.

"O imotivado veto à implementação de medidas de marcação e rastreamento de PCEs, em prejuízo ao controle e repressão do comércio ilegal de armas e munições, caracteriza o desvio de finalidade do ato que revogou integralmente as Portarias 46, 60 e 61 do Comando Logístico do Exército Brasileiro, em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público", escreveu.

O entendimento do ministro vai contra o posicionamento do Ministério Público Federal. O procurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu o arquivamento dos processos por considerar que eles 'perderam o objeto' com a edição de novas portarias para regulamentar o tema, publicadas hoje no Diário Oficial da União. Elas disciplinam a identificação e marcação de armas de fogo e o monitoramento das ocorrências envolvendo produtos controlados.

Na avaliação do procurador-geral, as novas portarias 'descaracterizam o alegado quadro de incertezas e controvérsias' apontado pelos partidos.

"Verificada a superveniência de atos normativos que promovem a alteração substancial do complexo normativo atinente à fiscalização e ao rastreamento de produtos controlados pelo Exército impugnado na petição inicial, de modo a colmatar o suposto vácuo normativo apontado pelo requerente como violador de preceitos fundamentais, verifica-se a perda superveniente do objeto da arguição", defendeu o PGR.

Em manifestação enviada nesta noite ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, a Advocacia-Geral da União (AGU) também defendeu que as novas portarias editadas 'esvaziam o interesse jurídico' no prosseguimento das ações.

"Considerando a substancial alteração do complexo normativo pertinente às controvérsias em exame, as arguições de descumprimento de preceito fundamental devem ser extintas sem resolução do mérito", disse o advogado-geral da União Bruno Bianco.

A sessão deliberativa do Plenário desta quarta-feira (18) deverá contar com quatro itens na pauta para deliberação dos senadores. Entre eles, o PL 1.946/2019 que prevê a apreensão imediata de armas de fogo mantidas por agressores de mulheres. A medida vale mesmo para aquelas que não tenham sido utilizadas no caso específico de violência.

A matéria, de autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), prevê que o juiz deve determinar a suspensão da posse de armas pelo agressor. Caso tenha direito ao porte (a exemplo dos policiais), o agressor tem o benefício suspenso. O superior imediato na corporação fica responsável pelo cumprimento da medida, sob pena de responder por prevaricação.

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Caso seja condenado pela agressão, o réu fica proibido de possuir ou portar arma de fogo até o fim do cumprimento da pena. Se for absolvido, a arma apreendida deve ser devolvida ao proprietário, que também volta a ter direito à posse e ao porte.

A relatora do projeto é a senadora Leila Barros (Cidadania-DF). Ela também foi designada para relatar outros dois projetos que restringem o acesso a armas. O PL 1.419/2019, da senadora Rose de Freitas (MDB-ES), impede a aquisição de arma de fogo por quem praticar violência doméstica e familiar contra a mulher. O PL 1.866/2019, do senador Marcos do Val (Podemos-ES), restringe a posse e o porte no caso de violência contra mulher, idoso ou criança. As duas matérias tramitam em conjunto com o PL 1.946/2019.

Retorno presencial às aulas na pandemia

Na mesma sessão, os parlamentares devem analisar também o projeto de lei que proíbe a suspensão das atividades escolares presenciais durante a pandemia de Covid-19. O PL 5.595/2020 seria analisado na última quinta-feira (12) em Plenário, mas foi retirado de pauta a pedido do relator, senador Marcos do Val (Podemos-ES), que se recuperava da Covid-19.

Originário da Câmara dos Deputados, o texto determina condições para retorno das aulas nas redes pública e privada, como a vacinação dos professores. A proposta classifica a educação como "serviço essencial" e proíbe a suspensão dos serviços presenciais durante emergências e calamidades públicas — caso da pandemia.

De acordo com o projeto, cada ente federativo deverá elaborar os seus protocolos para funcionamento das escolas nessas ocasiões. Os órgãos de educação, saúde e assistência social devem participar desse planejamento, e estados e municípios terão 30 dias, a partir da publicação da futura lei, para implementar o retorno às aulas.

Esta será a quinta vez que o projeto entra na pauta do Plenário. O tema desperta polêmica entre especialistas e já foi objeto de duas sessões de debates no Senado, em maio e em julho.

Programa Prioritário Pró-Pesquisa Covid-19

Ainda sobre a pandemia, outro item que estará na pauta é o PL 1208/21, do deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), que cria um programa de incentivo tributário para empresas doarem a institutos de pesquisa a fim de financiar projetos relacionados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19. A medida valerá enquanto houver necessidade de pesquisas para diminuir os impactos da doença no Brasil. A matéria será relatada pelo senador Izalci Lucas (PSDB-DF).

Segundo o texto, as empresas tributadas pelo lucro real que doarem ao Programa Prioritário Pró-Pesquisa Covid-19 poderão deduzir do Imposto de Renda o mesmo valor da doação até o limite de 30% do imposto devido, sem excluir outras deduções legais. Por outro lado, não poderão deduzir as doações como despesa operacional.

O total de deduções do programa será limitado a R$ 1 bilhão, dos quais, R$ 400 milhões em 2021 e R$ 600 milhões em 2022, e será compensado pelo aumento de alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o lucro obtido com a venda de participações societárias. Atualmente, as empresas pagam 0,65% de PIS e 4% de Cofins.

Ampliação das distâncias nas faixas marginais dos leitos de rios e córregos

O quarto projeto da pauta é o PL 1.869/2021, do senador Jorginho Mello (PL-SC), que altera o Código Florestal para definir o conceito de áreas urbanas consolidadas e dispor sobre as faixas marginais de qualquer curso d'água, bem como trata da consolidação das obras já finalizadas nessas áreas. A matéria será relatada pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM).

De acordo com a justificativa do projeto, com a aprovação do Código Florestal, ampliando as distâncias nas faixas marginais dos leitos de rios e córregos, iniciou-se uma grande batalha judicial para entender se tais determinações seriam aplicadas em áreas urbanas.

Caso a proposta do senador seja aprovada, caberá aos municípios, por lei municipal ou distrital, a aprovação do instrumento de planejamento territorial, podendo definir e regulamentar a largura dessas faixas marginais em áreas urbanas consolidadas.

*Da Agência Senado

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) entrou nesta quarta-feira, 11, com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar derrubar a resolução do governo federal que zerou o imposto sobre exportação de armamentos e munições para a América do Sul e a América Central. A sigla argumenta que a medida pode facilitar o tráfico de armas.

No mês passado, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) derrubou a alíquota de 150%, que estava em vigor desde 2001. O tributo havia sido instituído, duas décadas atrás, para conter o chamado 'efeito bumerangue' das exportações a países com menor controle sobre o comércio de armamentos, sobretudo o Paraguai, o que viabilizava a reintrodução de verdadeiros arsenais no mercado clandestino brasileiro.

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"O imposto sobre exportação de armas e munições foi criado há 20 anos a partir de estudos técnico-científicos que identificaram o efeito bumerangue. Ou seja, o armamento exportado volta ao Brasil, inclusive armas de venda proibida em nosso território", explica o advogado Rafael Carneiro, que representa o PSB.

Para o partido, a revogação do imposto é inconstitucional por violar direitos fundamentais, como o direito à vida e à segurança, na medida em que pode aumentar a circulação de armas ilegais no País. Outro argumento usado pelo PSB é que a tributação foi excluída de súbito e sem justificativa.

"No caso das armas e munições, o objetivo almejado com a instituição de imposto de exportação, com a previsão de alíquota de 150%, encontra-se no combate ao contrabando de armas e ao crime organizado", argumenta o partido na ação.

O PSB também defende que a medida faz parte de um movimento mais amplo do presidente Jair Bolsonaro para facilitar o acesso a armas pela população civil à margem dos principais constitucionais.

"A verdade é que o Executivo Federal tem atuado em sentido diametralmente oposto aos dados e ao cenário fático apresentado, dando continuidade e intensificando o projeto declarado de armar a população, incompatível com os preceitos mais caros da nossa Constituição Federal", escreve o partido.

Duas outras tentativas recentes do governo para flexibilizar o porte de armas e ampliar o acesso a armamentos e munições, por meio de decretos, foram suspensas liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte ainda não finalizou os julgamentos em plenário.

"A assessoria jurídica do Governo precisa entender que reduzir a capacidade estatal de controle da segurança pública e estimular de forma injustificada a aquisição de armas de fogo viola a nossa Constituição Federal", afirma o advogado Rafael Carneiro.

O governo do México entrou nesta quarta-feira (4)com um processo na Justiça americana contra grandes fabricantes de armas dos EUA no qual pede compensação financeira pela onda de violência relacionada ao narcotráfico que atinge o país há mais de 15 anos. Os mexicanos alegam que a falta de controle das empresas contribui para o fluxo ilegal de armas pela fronteira.

A ação incomum foi ajuizada no tribunal federal dos Estados Unidos em Boston - sede de grande parte de empresas como Smith & Wesson, Glock, Colt e outras. Cerca de 2,5 milhões de armas ilícitas americanas foram despejadas pela fronteira na última década. As vendas legais de armas no México são fortemente restritas.

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A ação sustenta que os fabricantes de armas americanos têm consciência de que seus produtos são traficados e utilizados em atividades ilícitas contra a população civil e autoridades mexicanas. Além dos danos financeiros solicitados - que as autoridades mexicanas estimam que podem chegar a US$ 10 bilhões (o equivalente a R$ 52,02 bilhões) se o processo for bem-sucedido -, também busca a adoção de controles mais rígidos sobre as vendas e melhores recursos de segurança nas armas. Além disso, pede que as empresas façam estudos e campanhas na mídia para prevenir o tráfico de armas.

As empresas não comentaram o processo. Mas, no passado, os fabricantes de armas negaram responsabilidade por crimes em que suas armas foram usadas. A indústria de armas de fogo afirma que tenta garantir que as armas só possam ser compradas por aqueles legalmente autorizados a possuí-las.

Uma lei federal americana que entrou em vigor em 2005 protege os fabricantes de armas da maioria das reivindicações de responsabilidade civil, dificultando o sucesso de ações judiciais como a do México.

Violência

Nos últimos anos, cartéis de drogas se dividiram em grupos menores e rivais que se diversificaram em atividades criminosas como extorsão e sequestro. Enquanto isso, as redes de drogas aumentaram os embarques de heroína, metanfetaminas e fentanil para os Estados Unidos.

Sucessivos presidentes mexicanos tentaram estancar a violência reformando o sistema de justiça, visando os chefões do tráfico e aumentando os benefícios sociais para afastar os jovens do crime. Mas eles tiveram poucos resultados. Analistas de segurança dizem que o governo não teve vontade política para realizar uma transformação mais profunda nos tribunais e na polícia que pudesse combater a corrupção e a impunidade para os crimes de drogas.

As organizações criminosas mexicanas podem obter armas de nível militar por meio de um intermediário nos Estados Unidos com relativa facilidade.

Nos últimos anos, por exemplo, o uso de fuzis de precisão calibre .50 cresceu no México. A arma foi usada por organizações criminosas para atingir altos funcionários mexicanos.

Retórica

Em 2018, durante sua disputa pela presidência, Andrés Manuel López Obrador prometeu romper com as táticas fracassadas de seus antecessores para combater o narcotráfico. Em vez de prender e matar traficantes como os líderes anteriores haviam feito, ele focaria nas causas da violência.

Em paralelo ao discurso contra o tráfico de armas, López Obrador também dobrou seu apoio às Forças Armadas, abraçando a militarização que também marcou os governos anteriores.

Um pilar central de sua estratégia para combater o crime foi a criação da Guarda Nacional, uma força de segurança federal com 100 mil integrantes mobilizados em cerca de 180 quartéis regionais em todo o país. Na semana passada, López Obrador anunciou que a guarda receberia um financiamento adicional de US$ 2,5 bilhões.

Em todo o México, os assassinatos caíram menos de 1% desde que López Obrador tomou posse. Isso foi o suficiente para o presidente alegar, em um discurso no mês passado, que havia ocorrido uma melhora em um problema herdado por seu governo.

"Há uma situação de violência incontrolável e uma trágica deterioração da segurança pública no México", diz Angelica Duran-Martinez, professora de ciência política da Universidade de Lowell. "Não há uma política de segurança clara." (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Um adolescente de 14 anos matou o pai nessa terça-feira (3) em um condomínio de luxo em Valinhos, na Região Metropolitana de Campinas, em São Paulo. Ele disse a Polícia Civil que atirou contra o empresário para defender a mãe, que estava sendo agredida.

O policiamento foi acionado pelo próprio jovem, por volta das 14h, para a ocorrência de violência doméstica no residencial localizado no bairro do Joapiranga. Ao chegar no imóvel, o efetivo encontrou o homem caído na garagem, com marcas de tiro, e acionou o Corpo de Bombeiros, mas ele morreu antes da chegada do socorro.

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O filho relatou que disparou contra o pai para proteger a mãe, e disse que os dois eram agredidos pelo homem com frequência. As autoridades não informaram o nome da vítima, mas seria um empresário do ramo de som automotivo, com atuação no comércio exterior, que também coleciona carros.

Na residência, onde também mora outro filho de três anos, os policiais encontraram um arsenal com oito armas, entre elas fuzil e submetralhadora, segundo o Uol. O caso será acompanhado pela delegacia do município, que já colheu os primeiros depoimentos do adolescente e da mãe.

Após perícia no local, o corpo do empresário foi retirado da casa por volta das 19h. Não há informações sobre o sepultamento.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a colocar em dúvida, nesta manhã de terça-feira a eleição de 2022, ao reiterar a apoiadores que não serão admitidas "eleições duvidosas" no ano que vem. Ontem, o presidente, que vinha ameaçando a realização do pleito, tentou mudar o discurso ao afirmar que sem o voto impresso não teríamos eleições "democráticas", nesta manhã, contudo, ele voltou a ser mais enfático ao questionar o pleito.

"Teremos eleições no ano que vem, mas eleições limpas, democráticas, e confiáveis", disse o chefe do Executivo, em um recado ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso. E repetiu: "O Brasil vai ter eleições no ano que vem, eleições limpas, democráticas."

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'Povo armado'

Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, ele fez insinuações ao sugerir reação popular nas ruas e dizer que o "povo tem que estar armado"."Todas as ditaduras precederam a campanha de desarmamento, comigo é diferente, o povo de bem tem que estar armado, a exemplo do povo americano, para que exatamente, protótipo de ditadores não queiram fazer valer a sua vontade", disse o presidente.

Em meio a críticas ao presidente do TSE e ataques ao sistema eleitoral, o mandatário citou a seguinte passagem bíblica: "nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte espiritual, que é eterna". Em conversas anteriores com apoiadores no chamado "cercadinho", Bolsonaro já havia feito apelos velados para que sua base de apoio orgânica se opusesse nas ruas às instituições diante de eventual recusa à implementação do voto impresso. "Meu exército são vocês", disse em outra ocasião. "Jurei dar minha vida pela pátria, no caso de uma ameaça externa ou interna. E o Brasil está sendo agredido internamente", disse hoje a seus simpatizantes.

O presidente afirmou que não aceitaria intimidações, e que manteria seu direito de cidadão de liberdade de expressão. Segundo o presidente, o Brasil está mudando, com um elogio a sua própria gestão. "Hoje o Brasil mudou, tem presidente que respeita militares, família, é leal a seu povo" afirmou "não haverá retrocesso".

Um arsenal de espingardas e facas foram foi apreendido na garagem de uma casa em Gravatá, no Agreste de Pernambuco. O armamento foi encontrado pela Polícia Militar (PMPE) na noite dessa quinta-feira (29), dentro da casa de um suspeito de assediar e agredir mulheres em um bar.

Conforme o efetivo, o homem consumia no estabelecimento quando teria assediado uma das funcionárias. Ele foi repreendido pela dona do bar e, em resposta, começou a ofendê-la antes de ir embora.

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Inconformado, o suspeito voltou ao estabelecimento e retomou os xingamentos até que a filha da proprietária entrou no meio da briga, quando recebeu um soco no rosto. Após a agressão, o homem sacou uma arma, mas as vítimas conseguiram desarmá-lo depois de uma luta corporal.

Na fuga, o agressor abandonou um rifle calibre 44, um revólver calibre 38 e uma faca, informa a PMPE.

Nas buscas pelo suspeito, os policiais foram a sua casa, mas ele não estava. Entretanto, a porta estava aberta e o efetivo visualizou na garagem o arsenal composto por uma espingarda industrial calibre 32, uma espingarda cano duplo calibre 36, duas espingardas anticarga, um simulacro airsoft power, um cano de espingarda de airsoft, um cabo de espingarda de pressão, três cartucheiras, duas armas brancas, 17 caixas de chumbo 5.5, dez caixas de chumbo 4.5, onze caixas de espoleta, cinco munições calibre 44, oito munições calibre 38, sendo duas deflagradas, quatro cartuchos calibre 28, 14 cartuchos calibre 32, quatro tubos de pólvora, três potes de bucha e 19,789kg de chumbo.

Ele não foi localizado e segue foragido. Todo o armamento apreendido foi encaminhado à delegacia do município para que fossem tomadas as medias cabíveis.

A Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República (Secom) justificou a retirada de publicação no Twitter em que celebrava o Dia do Agricultor, comemorado nesta segunda-feira, 28, com uma foto de um homem armado com uma espingarda. "A imagem utilizada anteriormente, em referência à segurança no campo, deu margem a interpretações fora do contexto", disse o órgão em nota, após sofrer críticas nas redes sociais por relativizar a gravidade da violência em áreas rurais.

A imagem está disponível em bancos de imagens genéricas e pode ser comprada por R$ 45 a R$ 3 mil a depender do tamanho e da resolução escolhida para download. A fotografia é identificada como "Silhueta de caçador carregando espingarda no ombro e observando".

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"Hoje homenageamos os agricultores brasileiros, trabalhadores que não pararam durante a crise da Covid-19 e garantiram a comida na mesa de milhões de pessoas no Brasil e ao redor do mundo", diz o post. Ele já teve mais de 3 mil compartilhamentos, 1.600 curtidas e mais de 3 mil comentários", dizia a Secom no texto deletado das redes.

Integrantes do governo, como a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) compartilharam homenagens aos trabalhadores rurais, mas sem menção a armas, como fez a Secom. "Quero cumprimentar todos vocês pelo trabalho que fazem, pelos alimentos que colocam à mesa dos brasileiros", disse a chefe da pasta em vídeo publicado no Twitter. Já a parlamentar publicou foto que mostra a silhueta de um homem em um campo e escreveu: "Parabéns aos agricultores do nosso imenso Brasil, que levam diariamente toneladas de comida às casas de todo o mundo! Um setor fundamental para o crescimento econômico do nosso país! Parabéns Agricultor!".

Com mais armas de fogo nas mãos de civis, rearranjos na disputa do crime organizado e cenários de tensão entre policiais e governos estaduais, o Brasil interrompeu uma sequência de dois anos em queda e voltou a registrar aumento de homicídios em 2020, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados nesta quinta-feira, 15. Ao todo, foram notificados 50.033 assassinatos no País durante a pandemia de covid-19. É o equivalente a uma morte a cada dez minutos, ou 4,8% a mais em relação a 2019.

Esta é a primeira vez que as mortes violentas sobem durante o governo Jair Bolsonaro. Com isso, a taxa do Brasil chegou a 23,6 homicídios por 100 mil habitantes em 2020 - resultado pior do que no ano anterior, quando foi registrado o menor índice da década (22,7), mas ainda melhor do que nos demais anos desde 2011. Em 2019, o número total de assassinatos havia sido 47.742.

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As estatísticas fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e são compiladas com base em registros policiais de cada Estado. Para o índice, o Fórum considera a soma de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), latrocínios (roubo seguido de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

O mau desempenho geral do País foi puxado por homicídios comuns (que subiram 6%, passando de 39,7 mil para 42,1 mil casos) e pela letalidade policial (de 6,3 mil para 6,4 mil, ou 1% maior). Este último índice, inclusive, só registra aumentos desde 2013. Os assassinatos de agentes de segurança também cresceram no período, de 172 para 194 casos, mas representam apenas 0,4% das mortes violentas e impactam menos no resultado final do balanço.

Segundo o relatório, a alta das mortes violentas aconteceu em 16 das 27 unidades federativas, de forma mais acentuada na região Nordeste. A situação mais preocupante foi constatada no Ceará, que notificou 4,1 mil assassinatos e crescimento de 75,1% em relação ao ano anterior. O mesmo Estado havia sido recordista de queda em 2019.

Diretor-presidente do Fórum, o sociólogo Renato Sérgio de Lima atribui a escalada de violência no Estado à crise vivenciada com a greve da Polícia Militar no ano passado - período em que houve atuação de grupos encapuzados e até toque de recolher. "O Ceará liderava a queda de homicídios nos anos anteriores, mas o grande marco de virada foi o motim da PM", analisa. "Há uma tensão cada vez maior em torno das leis orgânicas e da politização das polícias."

No relatório, o Fórum destaca que o episódio, além de ter prejudicado políticas públicas de segurança, também favoreceu a atividade de facções criminosas. "Esse processo de desarranjo político das instituições cearenses deu margem para os planos de expansão do Comando Vermelho local, que iniciou uma ofensiva sobre os territórios dos Guardiões do Estado - seu maior rival local, e a violência, que estava contida, voltou", diz o texto.

Unidades que também vivenciaram atrito entre as forças de segurança e governos locais aparecem na sequência da tabela. Proporcionalmente, completam a lista de maior aumento Maranhão (30,2%), Paraíba (23,1%), Piauí (20,1%) e Alagoas (13,8%). Segundo os analistas, fatores como piora dos fatores econômicos, desemprego e saúde mental durante a quarentena também podem ter interferido no resultado ruim.

País tem 2 milhões de armas particulares, aponta relatório

Para o Fórum, outra explicação para a subida das mortes violentas é o aumento de armas de fogo no País, uma das bandeiras do governo Bolsonaro. Segundo o relatório, atualmente há 2.077.126 armas particulares. Só em 2020 o incremento foi de 186.071 novas armas registradas na Polícia Federal, número 97,1% maior em relação ao ano anterior, tendo duplicado o número de armas longas, como carabinas, espingardas e fuzis.

Em paralelo, o Brasil viu crescer a presença das armas de fogo nos assassinatos registrados. Em 2019, o instrumento foi usado em 72,5% dos homicídios. No ano passado, o índice saltou para 78%.

"Já é possível perceber correlação entre o aumento de armas de fogo e o números de assassinatos. Para o País inteiro, a política de liberalização começa a ter efeito nas ruas, embora essa não seja a única causa", afirma Renato Sérgio de Lima. Na visão de especialistas, políticas para redução de crimes contra a vida passariam por aperfeiçoar o controle e rastreabilidade das armas.

Conselheira do Fórum, Isabel Figueiredo afirma que o tema deve ser tratado com atenção pelas políticas públicas de segurança. "É importante dizer que o crescimento de homicídios é multicausal, ou seja, envolve uma série da faotres. Por outro lado, não dá para ignorar um conjunto de evidências científicas já consolidadas de que o aumento de armas de fogo em circulação impacta nos assassinatos", diz . "A tendência é que esse fator isolado, por si só, aumente não só os dados de 2020 mas também nos próximos anos."

Em relação à taxa de homicídio, 18 das 27 unidades tiveram desempenho pior do que o nacional e acumularam mais de 25 assassinatos por 100 mil habitantes. Lideram o ranking Ceará (45,2), Bahia (44,9), Sergipe (42,6), Amapá (41,7) e Pernambuco (38,3). Entre as regiões, Nordeste e Sul representam as únicas em que o índice subiu.

Entre os indicadores de mortes violentas, houve recuo de latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. O primeiro foi de 1.586 mil para 1.428 mil (9,9%) na comparação entre os anos. Já o segundo encolheu de 758 para 672 (11,3%).

Com histórico de redução das mortes violentas e responsável pela menor taxa de homicídios do Brasil, São Paulo foi outro a testemunhar mais assassinatos (1,2%) em 2020. Em janeiro, o governo paulista avaliou que o aumento atípico poderia estar relacionado a conflitos interpessoais - ou seja, crimes cometidos por pessoas conhecidas por brigas ou desavenças -, cenário que teria sido agravado durante o confinamento por causa da pandemia.

Outra hipótese é que o cerco maior contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ter gerado disputas violentas pela chefia da facção, de acordo com Lima. "São Paulo sempre teve o monopólio da droga, sem conflito ou guerra", diz Lima. "A partir do momento que lideranças tradicionais são isoladas, há prisões importantes, o fim de rotas consolidadas do tráfico e um volume grande de recursos bloqueados na Justiça, não se pode descartar a possibilidade de algum conflito por novas lideranças."

As mudanças no tabuleiro de brigas territoriais travadas pelo crime organizado podem, ainda, ter contribuído para o incremento da violência no País, de forma geral. "Como efeito do enfraquecimento do PCC, houve uma reconfiguração do crime, abrindo espaço para outras facções principalmente no Nordeste", afirma o sociólogo.

Ao cenário de disputa de grupos criminosos, somam-se os problemas de falta de policiamento provocada por conflitos com administrações locais ou até por reflexo direto da pandemia. Escutas realizadas pelo Fórum com mais de 6,6 mil agentes de segurança apontam que 29,5% deles ficaram afastados em algum momento das ruas após testar positivo para coronavírus.

"Em 2018, por ser ano eleitoral, vários governos se mobilizaram para um conjunto de medidas importantes, envolvendo Estados, Congresso e governo federal", analisa o diretor-presidente do Fórum. "Mas, quando a gente olha para 2020, percebe que no plano institucional não houve esforços para a implementação do Susp (Sistema Único de Segurança Pública) e nenhum dos mecanismos previstos saiu do lugar. Não houve grandes mudanças na forma de fazer segurança pública. O País fica em compasso de espera até a próxima crise."

Na outra ponta da tabela, o Amapá foi quem mais conseguiu reduzir os homicídios durante a pandemia, totalizando 359 casos - uma diminuição de 23,6%. O Fórum, no entanto, inclui o Estado no grupo de menor qualidade das informações e, portanto, não seria possível concluir se a queda aconteceu, de fato, ou se há problema de registro. Palco de massacre em presídio em 2019, o Pará registrou recuo de 20,1% nas mortes violentas no ano passado.

Recuos expressivos também foram percebidos em Roraima (19,4%) e no Rio de Janeiro (18,4%). No caso do Estado fluminense, o índice caiu de 5.980, em 2019, para 4.907 no ano passado e foi puxado pela queda nas mortes provocadas em ações policiais após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir operações em favelas.

Em São Paulo, a taxa é de 9 assassinatos por 100 mil, o melhor índice do País e metade da média brasileira. Na sequência desse critério, aparecem Santa Catarina (11,2), Minas Gerais (12,6) e Distrito Federal (14,2).

Homens, negros e jovens morrem mais

Mais uma vez, os dados do Fórum confirmam que a maior parte das vítimas de mortes violentas é formada por homens, negros e jovens no Brasil. Segundo o relatório, 5.855 adolescentes entre 12 e 19 anos foram vítimas de mortes violentas. Também houve registro de 170 assassinatos de crianças de até 4 anos. No total, 54,3% dos mortos estavam no grupo de idade até 29 anos.

A análise por sexo aponta que os homens representaram 91,3% das vítimas de assassinato em 2020. Por sua vez, os negros correspondem a 76,2% das pessoas assassinadas. "Todos os bons programas de prevenção que existem no mundo pensam como lidar com o público mais vulnerável", diz Renato Sérgio de Lima. "Para mudar o cenário, o Brasil precisa compreender a sua realidade e pensar políticas antirracistas e de prevenção da violência em relação à juventude."

Procurado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública não respondeu até o momento.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma que "as oscilações registradas nos indicadores são alvo de análise pela pasta". "Esses estudos são a base das ações realizadas pelas instituições policiais, que resultaram na queda de 2,5% dos homicídios dolosos nos cinco primeiros meses deste ano, na comparação do mesmo período de 2020."

Pelos cálculos de São Paulo, que considera apenas os casos de homicídios dolosos, as taxas de casos e vítimas por grupo de 100 mil habitantes são de 6,38 e 6,72, respectivamente."Uma das estratégias da SSP para retomar a trajetória de queda dos indicadores criminais é intensificar as operações contra o crime organizado, o tráfico de drogas e diversos outros tipos de delitos", diz. "De janeiro a maio, as ações policiais permitiram a apreensão de 108,7 toneladas de drogas, um aumento de 47,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Mais de 74 mil criminosos foram presos e encaminhados à Justiça e 5.001 armas de fogo apreendidas."

Em nota, a Secretaria de Segurança do Ceará informou que o motim de policiais ocorrido em fevereiro de 2020 "interrompeu uma sequência de mais de 30 meses seguidos de redução nas mortes provocadas por crimes violentos". Segundo a pasta, o número de homicídios no estado em 2020 também foi influenciado pela própria pandemia, devido à necessidade de afastamento de profissionais com sintomas gripais de atividades de segurança.

A nota afirma que a secretaria atua de forma preventiva, "por meio da territorialização do policiamento em locais com maior incidência de crimes". Acrescenta, ainda, que o trabalho investigativo da Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) e da inteligência da SSPDS têm auxiliado na identificação e captura de chefes de grupos criminosos. (Colaborou Heloísa Vasconcelos, Especial Para o Estadão)

Um homem e uma mulher foram presos na noite desse domingo (11) após denúncias de que estariam comercializando drogas na Avenida Central, localizada no Barro, Zona Oeste do Recife (PE). A ação teve início quando Policiais Militares do 12° BPM receberam informações sobre o suposto comércio ilegal de drogas comandado pelo casal.

Além de 1.159 unidades de big bigs de Skank e cinco porções de maconha apreendidos com a dupla, a PM também encontrou uma grande quantidade de armas e munição. Sob posse do casal, estavam uma pistola calibre .380, um revólver calibre 38, uma espingarda calibre 12, duas munições de calibre 12 (sendo uma deflagrada), 25 munições calibre .380, quatro munições calibre 38 e três carregadores calibre .280. Eles também transportavam R$ 1.121,00 em espécie e duas balanças de precisão.

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O casal foi conduzido para a Central de Plantões da Capital onde foi autuado pelos crimes de tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo.

Homens armados sequestraram 140 estudantes na região noroeste da Nigéria, na madrugada de segunda-feira (5) - informou um professor, no episódio mais recente de uma longa lista de ações do tipo contra centros de ensino.

Os criminosos armados escalaram uma cerca para entrar no internato da Bethel Secondary School, na cidade dede Chikun, estado de Kaduna, onde dormiam 165 alunos.

"Os criminosos levaram 140 estudantes, 25 conseguiram escapar", disse à AFP Emmanuel Paul, professor da escola.

O porta-voz da polícia do estado de Kaduna, Mohammed Jalige, confirmou o ataque, mas não citou o número de estudantes sequestrados.

"Equipes táticas da polícia estão procurando os sequestradores. Ainda estamos na missão de resgate", afirmou.

Quase 1.000 estudantes foram sequestrados em vários estados nigerianos. Muitos foram soltos após negociações com autoridades locais, mas alguns continuam em cativeiro.

Grupos criminosos aterrorizam as regiões noroeste e central do país mais populoso da África, com ataques a cidades, roubo de gado e sequestro de personalidades locais, ou viajantes, para exigir o pagamento de resgate.

Desde o início do ano, os grupos parecem ter fixado escolas e universidades como alvo.

Eles operam de acampamentos localizados na floresta de Rugu, que se estende pelos estados nigerianos de Zamfara, Katsina e Kaduna, assim como pelo Níger.

Apesar da ação estimulada pelo lucro, alguns são próximos a grupos extremistas islâmicos presentes no nordeste da Nigéria, a centenas de quilômetros de distância.

- Terceiro ataque em três dias -

Este foi o terceiro grande ataque em Kaduna nos últimos três dias, e o quarto sequestro de estudantes, desde dezembro.

O governador de Kaduna, Nasir Ahmad El Rufai, é um dos líderes políticos que mais insistem na mensagem de não se pagar resgate aos grupos criminosos.

No domingo (4), ao menos oito funcionários de um hospital do estado foram sequestrados, segundo a polícia. Fontes locais afirmam, no entanto, que 15 pessoas foram feitas reféns.

Sete pessoas morreram em ataques no domingo à noite em cidades vizinhas, informou o secretário de Segurança do governo de Kaduna, Samuel Aruwan.

O presidente Muhammadu Buhari, um ex-general que está no poder desde 2015, prometeu acabar com as atividades dos grupos criminosos, mas os sequestros em larga escala são apenas um de seus muitos desafios.

As forças de segurança nigerianas combatem desde 2009 a insurgência extremista no nordeste do país, um conflito que matou 40.000 pessoas e deixou quase dois milhões de deslocados.

Um homem morreu e outro foi preso em uma troca de tiros com a Polícia Militar (PM) na madrugada desta sexta-feira (18), em Barra de Jangada, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife. Antes da resposta policial, os suspeitos haviam incendiado uma residência e atirado cerca de 30 vezes contra o imóvel.

O efetivo foi acionado para uma tentativa de homicídio e conseguiu identificar quatro suspeitos, que fugiram de carro com a chegada das viaturas. Ao dobrar uma rua, eles desceram do veículo e começaram a atirar contra os policiais, que responderam na intensidade.

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Durante a troca de tiros, um deles foi baleado na cabeça e outro na mão. Os outros dois estavam com coletes à prova de balas e conseguiram fugir, informou o tenente-coronel Canel.

"Tudo para esses caras gira em torno disso, muito provavelmente", apontou ao indicar a possível relação do crime com o tráfico da região. "Graças a Deus nenhum policial foi ferido", acrescentou o comandante.

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Dentro do veículo abandonado foram encontrados uma pistola 9mm, três carregadores de pistola, 96 munições 9mm, um colete balístico, um cinto de guarnição, uma balaclava, dois celulares, além de um galão de gasolina de aproximadamente 500ml.

Os feridos foram socorridos para a UPA de Barra de Jangada. O que foi atingido na cabeça chegou a ser transferido ao Hospital da Restauração, na área Central do Recife, mas não resistiu ao disparo.

O segundo foi encaminhado ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DPHH), também no Centro da capital, onde ficou à disposição da Justiça após receber atendimento médico.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reforçou neste sábado a importância de fechar as brechas e apertar o controle sobre os compradores de armas do país. Segundo ele, o primeiro passo é o Senado aprovar os três projetos de lei que já passaram pela Câmara, referentes à verificação de antecedentes criminais, por exemplo. A afirmação foi feita em nota publicada no site oficial da Casa Branca, em homenagem às vítimas da boate Pulse, que foram mortas por um atirador em Orlando há cinco anos.

"Já passou da hora de proibir armas de assalto e de alta capacidade, estabelecer ordens de proteção de risco extremo, também conhecidas como leis de 'bandeira vermelha', e eliminar a imunidade de responsabilidade dos fabricantes de armas", escreveu ele no documento.

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Biden também mencionou os efeitos da violência armada contra as minorias, como as comunidades LGBTQ+, citou a necessidade do Senado aprovar a Lei da Igualdade, e se comprometeu a assinar, nos próximos dias, um projeto de lei que nomeará a boate Pulse como um memorial nacional.

Um casal foi preso com dois revólveres e maconha escondidos na bolsa do filho em Arthur Lundgreen II, no município de Paulista, Região Metropolitana do Recife. O suspeito ainda denunciou a prima da companheira, que também foi apreendida com mais drogas em casa, nessa sexta-feira (11).

Com informações sobre uma residência que era usada para guardar drogas e armas em Paulista, policiais civis montaram campana e abordaram o suspeito quando chegou ao local de moto. Ele já estava com uma pequena porção de maconha, informaram os agentes.

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Diante do flagrante, o efetivo entrou no imóvel e, durante as buscas no quarto do casal, encontrou dois revólveres calibre 38 e 18 munições dentro da bolsa do bebê. Mais uma sacola com maconha, uma balança de precisão, embalagens e dinheiro em espécie foi localizada.

Antes de ser encaminhado à delegacia, ele ainda indicou a casa da prima da companheira, onde o resto do entorpecente estava escondido. A Polícia indica que a droga abasteceria o tráfico no bairro do Ibura, no Recife.

Ao todo foram apreendidos dois revólveres, 18 munições, uma balança de precisão, um tablete, três porções e 29 trouxas de maconha, além de 70 embalagens tipo zip lock, celulares e dinheiro.

O casal foi autuado em flagrante por tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse compartilhada de arma. A prima vai responder pelos mesmos crimes, mas não será imputada pelos revólveres. O trio foi encaminhado para audiência de custódia e está à disposição da Justiça.

A 8ª Circunscrição - Jordão, coordenada pelo delegado José Custódio, informa que vai continuar com as investigações para identificar mais integrantes do grupo. 

Nessa segunda-feira (31), a Polícia Civil de São Paulo apreendeu centenas de armas de fogo nos bairros dos Jardins e Brooklin, áreas nobres da capital paulista. Ao todo foram apreendidas 106 armas, diversas munições e um silenciador de arma de fogo. Um homem foi preso por posse de arma de fogo sem autorização e em desacordo com determinação legal.

Na Alameda Fernão Cardim, no Jardim Paulista, no imóvel do indiciado, os policiais encontraram, dentro de um móvel, diversas armas de fogo: pistolas, revólveres e espingardas.

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Já pela Rua Barão do Triunfo, no Brooklin, imóvel pertencente a mãe do rapaz, a equipe localizou vasta gama de armas de fogo, algumas históricas, bem como munições de armas de fogo de uso permitido/restrito e, ainda, um silenciador utilizado em armas de fogo, (acessório de uso restrito); algumas do acervo pessoal de coleção de seu falecido pai.

Na delegacia, o arsenal foi cruzado com dados do sistema do Exército Brasileiro, revelando grande quantidade de armamento bélico sem qualquer registro e em desacordo com a legislação penal e regulamentar.

Policiais federais cumprem nesta segunda-feira (1º) cinco mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão contra suspeitos de tráfico internacional e interestadual de armas de fogo no Rio de Janeiro e São Paulo.

Os alvos também são investigados por associação para o tráfico de drogas, lavagem de capitais e evasão de divisas. A operação recebeu o nome de Pneu de Ferro.

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As investigações começaram em 2019, depois da apreensão de carregadores de fuzis e outros acessórios de armas de fogo no Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão.

O material era enviado, por via postal, das cidades de Orlando e Tucson, nos Estados Unidos, e era destinado a abastecer facções criminosas brasileiras. Por isso, a Polícia Federal contou com o apoio da agência de segurança interna norte-americana.

Mandados também estão sendo cumpridos nos Estados Unidos. Os mandados brasileiros foram expedidos pela 7a Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

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