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Robson foi detido em Pernambuco (Reprodução/Facebook)

Cidades

Após oito meses do caso, agressor de Jefferson é preso

De acordo com a Polícia Civil, Robson da Silva Alexandre foi detido no dia 1º de agosto e negou ter cometido o crime

por Eduarda Esteves | sab, 03/08/2019 - 16:46

Oito meses após o jovem Jefferson Anderson Feijó da Cruz, de apenas 22 anos, ser brutalmente agredido em uma praça da cidade de Moreno, na Região Metropolitana do Recife, o suspeito foi preso. De acordo com a Polícia Civil, Robson da Silva Alexandre foi detido no dia 1º de agosto e negou ter cometido o crime.

O caso aconteceu no dia 8 de dezembro de 2018 e repercutiu internacionalmente. Jeff, como é conhecido pelos amigos, estava em uma praça no centro do município confraternizando com os amigos quando foi ao banheiro e se distanciou do grupo. Um homem que já o importunava ao longo da noite o atacou e agrediu Jefferson brutalmente.

“Até que o acharam, embaixo de uma laje, desacordado, ensanguentado, sem roupa, sufocando no próprio sangue. Jeff foi assaltado e brutalmente agredido, deixado para morrer sozinho. Seus amigos chamaram o Samu e o mesmo foi levado para o hospital. Chegando lá, o médico o transferiu para o HR (Hospital da Restauração) em Recife, pois seu estado era muito grave”, informou o texto publicado na página do Facebook Lute como Ele, criada por Robhério Limma, defensor do movimento LGBT+ e que abraçou a causa apadrinhando o Jefferson para ajudá-lo nesta luta.

Em entrevista ao LeiaJá, o pai de Jefferson, o senhor Marcos Cícero da Cruz, de 53 anos, disse que se sentiu muito aliviado ao saber que Robson da Silva Alexandre estava preso. "A gente ainda não tem uma confirmação oficial, descobrimos e postamos em nossa página nas redes sociais porque uma amiga tem um contato na polícia. Ninguém nos informou nada. Soube que ele está no Cotel", contou Marcos.

Para o pai do garoto, a família deve se tranquilizar com a prisão de Robson. A mãe de Jeff ainda tinha muito medo do agressor, justamente por ele estar solto e impune. Esse também foi um dos motivos da família mudar de residência para outra cidade, além da melhor estrutura para o tratamento do filho.

"Eu queria que ele fosse preso, mas meu foco não era esse e sim a recuperação do meu menino. A gente conhece a lei e sabemos que a prisão pode não demorar muito tempo. Eu vou tentar fazer com que ele seja penalizado por todos os crimes que cometeu. Mas eu sei que essa prisão não vai ser nem de longe doloroso igual ao que a gente passou e passa. Que pague pela barbaridade que fez", afirmou Marcos.

A família arrecadou R$ 123 mil em vaquinha virtual para custear o tratamento em casa. Jefferson, que passou cinco meses internado em um hospital, recebeu alta. Mas, atualmente, apesar de estar fora da unidade de saúde, ele não é mais o mesmo. Não fala, não anda e nem expressa muitas reações. Precisou fazer uma traqueostomia para melhorar sua respiração e só se alimenta por sonda. A esperança da família é que com o tratamento intenso ele se recupere aos poucos.

Em uma página no Facebook, a Unidos pelo Jeff, os amigos e familiares compartilham notícias, fotografias e vídeos do tratamento do jovem. Jefferson agora já consegue se sentar na poltrona e o pai considera um grande avanço. "Foi um milagre ele viver. Os médicos nem acreditavam mais porque todas as pancadas foram na cabeça, o estrago foi grande. Hoje mudamos a nossa vida completamente. Nos mudamos e moramos a 150 metros do hospital. Clinicamente ele está bem, o problema são as sequelas. Mas a fé segue forte", contou Marcos Cícero, pai de Jeff.


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