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Medo de falar em público pode comprometer carreira profissional (Pixaby/Creative commons)

Empregos

Os impactos da oratória e timidez no mercado de trabalho

Medo de falar em público pode acabar com a chance de um candidato ingressar em um emprego. Aprenda a superar essa barreira

| dom, 07/04/2019 - 13:00

Desenvoltura, proatividade, comunicação. As habilidades citadas são cobradas pelas maiorias das empresas em entrevistas de emprego. Entretanto, diversos profissionais sofrem com a timidez, característica que, em certos aspectos, pode comprometer a qualidade de trabalho. Especialistas destacam que o domínio da oratória e o fim do medo de falar em público pode ser um diferencial considerável para quem pretende ingressar no mercado de trabalho.

De acordo com o palestrante e especialista em oratória, Diego Perez, o trabalho psicológico é o primeiro passo para quem quer perder o medo de falar em público. “Um ponto principal para melhorar a fala em público é a mentalidade. Um estudo da Universidade da Califórnia aponta que as pessoas têm mais medo de falar em público do que até de morrer, isso impressiona muito. Então se a pessoa muda essa mentalidade, através da ajuda de psicólogos, até de psiquiatras, de profissionais que cuidam da mente, isso já é o primeiro caminho essencial. Se ela muda essa mentalidade, ela pode passar a ir para a prática. Nessa prática, a preparação é que vai fazer a diferença, no sentido da comunicação verbal e também da comunicação não verbal. Então, mentalidade é o ponto principal para melhorar o falar em público”, afirma.

Perez destaca que a dificuldade na comunicação pode comprometer a carreira profissional das pessoas que tenham receio em falar em público. “A má oratória atrapalha desde a comunicação do dia a dia, seja com seus parentes, com seus familiares, seja com os seus colegas e colaboradores no trabalho, até a comunicação com grandes públicos. Se você tem um medo de falar em público, isso acaba te impedindo de ser empregado, você acaba não conseguindo a vaga no emprego porque não se comunica bem; se você tem um emprego, você acaba não sendo promovido porque não se comunica bem e você deixa de fazer amigos porque não se comunica bem. Profissionalmente isso tem uma demanda ainda maior, porque o ser humano acaba tendo frustações ainda maiores. Então esse dia a dia, essa comunicação nos pequenos passos, levam a essas consequências grandes no falar em público”, diz o especialista.

Ainda em entrevista ao LeiaJá, Diego Perez revelou dicas de oratória. Assista no vídeo a seguir:

Timidez na juventude e o mercado de trabalho  

Levantamento realizado pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) no ano de 2018 sobre a timidez na vida profissional, escutou 4.357 mil jovens entre 15 e 26 anos. A pesquisa aponta que 31,65% dos entrevistados afirmaram que se sentem tímidos a depender de quem esteja por perto. Outros 30,34% não procuram fazer contatos, 18,62% confirmaram a timidez e 4,64% se sentem prejudicados profissionalmente pela dificuldade na comunicação.

A estudante de administração Eduarda Sousa, de 20 anos, afirma que tem dificuldade para falar em público, mas destaca que o ambiente universitário e a convivência com pessoas de personalidades diferentes facilitam a comunicação com o público. “O que ocasionou a timidez foi a minha vergonha. Eu sou muito tímida, eu fico nervosa, eu acho que eu estou falando errado ou que eu não deveria falar. Poderia me influenciar no mercado de trabalho se eu continuasse do jeito que eu era, mas conforme o tempo do meu curso foi passando e a vivência na faculdade se intensificando, foi ficando mais fácil para eu falar com o público e não ter vergonha de falar”, relembra.

Segundo a fonoaudióloga e audiologista Cristiane Zilbermimtz, o período da juventude é a fase em que os jovens estão mais suscetíveis a crises de ansiedade. A especialista destaca que a timidez pode ocorrer devido a falta de comunicação oral.

“Muitos jovens desenvolvem a timidez pela insegurança, pela busca pelo primeiro emprego, de um novo momento de vida, isso já compromete o jovem no aspecto da ansiedade. Tem pessoas que quando estão ansiosas ficam mais caladas, tem pessoas que quando ficam ansiosas falam muito, tem pessoas que quando ficam ansiosas mudam a voz, ficam roucas, ficam afônicas por conta de algum momento de ansiedade. Isso é derivado da falta de comunicação oral", exlica a especialista. 

"Os jovens vivem mais isolados, cada um no seu mundo particular, principalmente quando estão navegando nas redes sociais ou em outros aplicativos e não estimulam a comunicação do ponto de vista da linguagem oral entre si. Eles se comunicam muito mais pelas redes socias, numa comunicação virtual, do que uma comunicação oral”, complementa a fonoaudióloga.

Cristiane recomenda acompanhamento profissional com um fonoaudiólogo. “A fonoaudiologia ela possui um trabalho de oratória, tem como melhorar a comunicação, pois é uma ciência que estuda a comunicação. Existem as subáreas de voz e linguagem, que realmente atuam através de vistorias, por meio de um acompanhamento semanal onde nós recebemos pessoas que vão se submeter a uma avaliação profissional para um emprego ou um estágio, que irão passar por uma entrevista, ou vão apresentar algum projeto nos seus trabalhos e se sentem inseguros. A gente faz um trabalho em cima disso, em relação à impostação de voz, em relação à postura e à forma de falar para melhor articular as palavras”, ressalta.


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