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Caso Aldeia: 'Sinto saudade dos meus pais e do meu irmão'

Em um texto escrito em sua conta do Instagram no domingo (30), Daniel Paes, o filho caçula do médico Denirson Paes e da farmacêutica Jussara Rodrigues Paes, presa sob acusação de matar o marido, disse estar se sentindo só e sofrendo com crises de ansiedade

| seg, 01/10/2018 - 09:24

Pela primeira vez, o estudante Daniel Paes, de 20 anos, publicou um texto na sua conta do Instagram sobre a morte do seu pai, o médico cardiologista Denirson Paes da Silva, e a prisão da sua mãe, a farmacêutica Jussara Rodrigues Paes da Silva, e o irmão e engenheiro civil Danilo Paes Rodrigues. Em julho, o jovem já havia escrito uma mensagem na função Stories do Instagram agradecendo o apoio recebido.

No texto escrito no último domingo (30), Daniel relata estar se sentindo muito só. "Mais um mês se passou, mês que até ontem eu tinha dado como uma grande vítória por estar me sentindo melhor, graças a minha família, amigos e psicóloga. Fiz atividades que gosto e me superei, seja na faculdade ou na maneira de enxergar a vida. Só que hoje senti a mesma dor e tristeza que senti no dia 4 de julho, sentimentos que não consigo explicar por palavras, me sinto a pessoa mais frágil do mundo", escreveu ele.

Os restos mortais do médico foram encontrados dentro da cacimba de sua casa no dia 4 de julho. A Polícia Civil apresentou a conclusão do caso no dia 31 de agosto, indiciando Jussara e Danilo por homicídio e ocultação de cadáver. Desde então, Jussara já assumiu a autoria do crime, afirmando ter agido só. A polícia também fez a reconstituição do crime após o novo depoimento.

Daniel, que é o caçula da família, estava em seu quarto no momento em que o crime teria ocorrido. Os peritos concluíram que a acústica e a distância não permitiria que ele ouvisse os sons da esganadura ou do esquartejamento que o pai sofreu.

Ainda no texto publicado em sua rede social, Daniel afirma sentir saudade do pai, da mãe e do irmão. Ele também lembra do cachorro Dequinho, que morreu em abril. A Polícia Civil suspeita que o cachorro tenha sido envenenado por Jussara para não atrapalhar a morte do companheiro, que já estaria sendo planejada. O advogado dos acusados relatou não haver relação direta entre a morte do animal e o assassinato do médico cardiologista.

"Ainda não consigo absorver o que aconteceu, me sinto em um mundo paralelo em que preciso vencer desafios dia após dia, mas quando 'lembro' do porquê de vencer esses desafios, minha cabeça entra em uma pane (leia-se crise absurda de ansiedade) e aí só me resta chorar muito, ou desabafar, como estou fazendo pela primeira vez de forma mais clara por aqui", escreve o estudante. "Sinto falta da inocência de quando criança, única preocupação era ir pra escola jogar futebol, conversar com meus amigos e esperar o meu pai vir me buscar, na maioria das vezes com pamonha ou alguma besteira que eu amava. Amanhã será um belo dia, mas sabendo agora que independentemente do quão bem eu esteja indo, uma hora ou outra vai bater todos esses sentimentos que estou sentindo agora", ele continua.

O caso

A Polícia Civil concluiu que a motivação do crime foi um relacionamento extraconjugal mantido pelo médico. Relacionado a isso, estariam as consequentes mudança de padrão de vida e separação iminente as quais a farmacêutica seria submetida.

A investigação apontou que Denirson foi asfixiado em seu quarto entre os dias 30 e 31 de maio. O corpo foi arrastado por cerca de seis metros até um corredor na área externa, onde houve uma tentativa de carbonização e o corte do corpo em duas partes. Em seu novo depoimento, a acusada disse ter arrancado e queimado os genitais do companheiro.

No dia 20 de junho, Jussara compareceu à Delegacia de Camaragibe para registrar o desaparecimento do marido. A denúncia só foi feita após pressão de Daniel, que afirmou que iria procurar a polícia se ela não o fizesse.  Ela alegava que o marido teria viajado e não dado mais notícias, talvez tendo ido ver os jogos da Copa do Mundo na Rússia. Os policiais suspeitaram do depoimento por causa de fatores como a demora para registrar o caso e a ausência de movimentação na conta bancária de Denirson.

Confira na íntegra o texto de Daniel Paes:

"Mais um mês se passou, mês que até ontem eu tinha dado como uma grande vitória por estar me sentindo melhor, graças a minha família, amigos e psicóloga. Fiz atividades que gosto e me superei, seja na faculdade ou na maneira de enxergar a vida. Só que hoje senti a mesma dor e tristeza que senti no dia 4 de julho, sentimentos que não consigo explicar por palavras, me sinto a pessoa mais frágil do mundo, que por mais que não falte companhia, me sinto MUITO só. Ainda não consigo absorver o que aconteceu, me sinto em um mundo paralelo em que preciso vencer desafios dia após dia, mas quando 'lembro' do porquê de vencer esses desafios, minha cabeça entra em uma pane (leia-se crise absurda de ansiedade) e aí só me resta chorar muito, ou desabafar, como estou fazendo pela primeira vez de forma mais clara por aqui. Talvez eu não tenha absorvido tudo isso pela situação ser impossível de acontecer em um 'mundo real'. Vai muito além de perder as 3 pessoas que você mais ama na vida, perdi um futuro que não existirá mais e ao mesmo tem um passado, não dá pra olhar pra trás sem lembrar do que aconteceria. Perdi a minha base, perdi os meus porquês de fazer o que eu faço. Só tenho o presente, esse bem dolorido. Sinto muita saudade do meu PAI, da minha MÃE e do meu IRMÃO. Sinto falta do melhor cachorro do mundo, dequinho. Sinto falta do meu trabalho, onde literalmente transformava vidas. Sinto falta da inocência de quando criança, única preocupação era ir pra escola jogar futebol, conversar com meus amigos e esperar o meu pai vir me buscar, na maioria das vezes com pamonha ou alguma besteira que eu amava. Amanhã será um belo dia, mas sabendo agora que independentemente do quão bem eu esteja indo, uma hora ou outra vai bater todos esses sentimentos que estou sentindo agora. Só me resta paciência e confiar na história e superação de Jesus"

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